segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Leitura sem fronteiras nas prisões.

Chegou ao fim mais um ciclo de sessões de “A cor das histórias”, mediação do livro e da leitura em estabelecimentos prisionais, uma parceria entre a DGSP e a DGLB. Se este ano o financiamento foi escasso, temo que para o ano simplesmente não exista. O programa “leitura sem fronteiras” tem dado os seus frutos: fica aqui um abraço para a Sara, Luísa, Sandra e Andante, meus companheiros de labuta. Quem nos conhece sabe que somos de corpo inteiro cada vez que entramos pelo gradão.
Foram poucas as sessões em Pinheiro da Cruz mas juntou-se um grupo de homens muito interessados que aproveitaram todos os minutos da minha presença na prisão. No último dia, solicitaram à adjunta da direção da cadeia a possibilidade de se constituírem numa pequena comunidade de leitores dentro da prisão…gostei da ideia. Importante numa prisão onde se sente mesmo o isolamento, a interioridade. Fui reencontrar o Jorge Angélico (1º prémio do concurso de poesia dos estabelecimentos prisionais) que continua a escrever muito bem. No último dia na prisão alentejana um dos reclusos leu um poema autobiográfico fantástico, que percorria a sua vida de drogas num ritmo alucinante, sincopado, muito para além do hipop.
Apenas três dias… em que trabalhámos poesia, prosa e falámos sobre a vida e o mundo. Um ponto a favor de Pinheiro da Cruz é o livre acesso aos livros, pois existe uma pequena biblioteca por ala com um responsável (“bibliotecário”); infelizmente o mesmo não acontece no Montijo onde a biblioteca se encontra na zona escolar, longe da área prisional, impossibilitando aos reclusos a requisição e manuseamento de livros. “Só temos acesso aos livros quando o Miguel aqui vem” – Desabafou um recluso. É fundamental corrigir esta falha. E olhem que estes amigos leem! No último dia levaram Susana Tamaro, Oscar Wilde, Tintim, Miguel Esteves Cardoso, Nuno Markl, Alexandre O´Neill, Fernando Pessoa, um livro de auto ajuda (não me lembro do autor) e António Aleixo, entre outros. Escolhas muito variadas, leitores diferentes. Continuo a gostar de fazer este trabalho.

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