quarta-feira, 24 de outubro de 2012

10x10=Abrigada

A estrada serpenteia entre vinhedos até se chegar à Abrigada, ali mesmo no sopé do Montejunto. A escola é pequena, limpa e tranquila. Aqui vão ter lugar as sessões, aulas pouco convencionais, com uma mão cheia de jovens de uma turma PIEF do agrupamento. Trata-se do projeto 10x10 (Programa Descobrir/Fundação Calouste Gulbenkian) que junta dez professores com dez artistas de áreas muito variadas, esperando-se que deste encontro surjam novas práticas de ensino, outras abordagens à tarefa da transmissão de conhecimentos. Noutras nove escolas, os meus colegas de expressão têm uma missão semelhante com alunos do secundário. Trabalho com a professora Ana, de Biologia, uma jovem calma, afetiva que abraça dedicadamente o ofício pedagógico. No nosso caso não vai ser fácil…estas turmas de curriculum alternativo são compostas por jovens que já desistiram da escola. Inadaptados, dizem. Porquê? A primeira pergunta impõe-se como ponto de partida, definidor do desenho da intervenção. Depois, é observar os jovens, encontrar a porta de entrada, a comunicação até chegar à confiança necessária para a troca natural de saberes. Como acordar a noção de planeta com toda a sua variedade natural? Que meios expressivos iremos usar? Como estruturar um conjunto de sessões de educação não formal num universo curricular? Tantas perguntas neste momento de partida.
O primeiro encontro foi ocupado com uma dinâmica de apresentação irreverente, associando cada aluno a seu animal favorito. Logo ali nos fartámos de falar sobre a biologia dos nossos bichos escolhidos, sabendo que eram uma projeção significativa dos alunos. Não faltou um ameaçador Rottwiler, um simpático golfinho e uma enigmática iguana. Desconfiaram, testaram-nos e acabaram por rir. Foi um momento de sedução para o projeto onde não faltaram algumas histórias naturalmente disparatadas que contei aqueles jovens especiais.
O diretor da escola cedeu-nos uma casinha vizinha do edifício central para espaço de ateliê: estamos com sorte.


2 comentários:

  1. Imagino a Ana...um golfinho a mergulhar nesse oceano desconhecido ajudada por um peixinho colorido.Ambos irão certamente seduzir, aprendendo a caminhar com as pinceladas certas dadas através das palavras reveladas.
    Boa sorte e obrigado por partilhares a experiência.

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    1. Obrigado Dora pelas palavras doces. Tenciono ir partilhando por aqui o nosso desafio.

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