terça-feira, 13 de março de 2018

OFICINAS IMPROVÁVEIS: Quando uma Biblioteca Escolar se transforma num laboratório criativo...


No dia 7 de março, na Biblioteca Escolar da Ventosa (Agrupamento de Escolas de S. Gonçalo/ Torres Vedras) teve lugar mais uma Oficina Improvável. De repente, tive a certeza de estarmos a viver um momento especial, quase fundador, ali na biblioteca escolar transformada em oficina inclusiva, com as crianças apropriando-se livremente dos recursos de expressão. A composição do grupo mantém-se transversal: as crianças em tandem (aluno especial e aluno regular, também muito especial); auxiliares de educação empenhadas; professoras de ensino especial; professora bibliotecária e mediador do livro e da leitura junto com duas companheiras da Biblioteca Municipal (promotora destas oficinas). Estas mediadoras do livro e da leitura, do Serviço Educativo da Biblioteca Municipal de Torres Vedras, têm vindo a fazer o seu percurso formativo comigo, acompanhando e intervindo ativamente nestas oficinas improváveis. Resolvemos levar o velhinho retroprojetor para a nossa sessão, começando por projetar (em grande) um livro de Hervé Tullet, captando o foco dos nossos meninos e meninas da Educação Especial. Naturalmente, as crianças começaram a brincar com as sombras, tal como Peter Pan, depois introduzi na projeção algumas personagens móveis, que já tinha recortado em papel. A brincadeira prosseguiu entre o retroprojetor e a imagem projetada na parede da biblioteca. A seguir, coloquei a água num pirex, onde nadaram as criaturas recortadas, acompanhadas de papel celofane colorido, muito agradável de tocar, quando está molhado. Pouco depois, já as crianças mergulhavam as mãos na água (quente da lâmpada de projeção) e manipulavam aquelas marionetas de papel colorido, imprimindo um movimento ondulatório ao recipiente de vidro-as ondas do mar… 
Rapidamente entraram em autogestão organizada em torno do retroprojetor. Dei por mim a interagir com outras crianças, noutra tarefa, enquanto os pares dos nossos meninos coordenavam, naturalmente, a parte técnica. Foi neste momento que surgiu projetado o movimento do meu spinner girando sobre a superfície luminosa. Todos gostaram do meu novo brinquedo que continuou a girar no chão, emitindo as suas cores vivas, acompanhadas de um som veloz. Neste ponto, introduzi um outro recipiente cheio de espuma de detergente e a “reinação” continuou naquela biblioteca transformada em laboratório estético e pedagógico. A sessão terminou com as crianças interagindo com a projeção do livro “Excentric Cinema” (Béatrice Coron). Consegui ler no rosto dos adultos um contentamento genuíno por aquela sessão que fez sorrir um menino autista por duas vezes e proferir algumas palavras. Enfim, uma manhã bem passada…


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