quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Oficinas improváveis em Campelos


Decorreu hoje, na Biblioteca Escolar de Campelos (Agrupamento de Escolas Padre Vitor Melícias – Torres Vedras), mais uma sessão das Oficinas Improváveis. Trata-se de uma iniciativa da Biblioteca Municipal de Torres Vedras em colaboração com a rede de bibliotecas escolares do concelho que pretendem levar a mediação leitora junto de alunos com necessidades educativas especiais e partilhar livros e metodologias com os docentes de ensino especial e professores bibliotecários. Estas sessões têm a particularidade de serem conduzidas por mim e por duas técnicas da biblioteca municipal (Vera Fortunato e Ana Gonçalves) que assim vão fazendo a sua formação neste campo específico. A sessão foi toda preenchida de livros na mão, contando histórias escolhidas especificamente para o grupo especial de meninos e meninas de Campelos. Gostei particularmente da história de um pombo porcalhão que lá acabou por tomar banho…No final, trocámos impressões sobre os livros utilizados, explicando as razões da nossa escolha.

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

A ilha do Amor - Museu Gulbenkian

Último texto, num total de três, que aqui se publicam, referindo obras do Museu Gulbenkian, Coleção do Fundador, nasceram de um desafio que me foi lançado para criação de suporte escrito para áudio-guias. Agradeço este interessante desafio, apesar de ainda não se ter concretizado. Deu-me oportunidade de estudar, e de apresentar um ponto de vista vivo sobre a coleção, escrevendo interpelações a cada visitante. Aqui vos deixo esta pequena viagem pelos olhos de um pintor/mediador.

Festa em Rambouillet ou A Ilha do Amor
Jean-Honoré Fragonard ; (1732-1806) ; França; c. 1770; Óleo sobre tela

Deixemos que o olhar deambule por esta pintura a óleo de Jean-Honoré Fragonard, repleta de estímulos visuais, gerando a sensação de conter um secreto mistério que nos obriga a vaguear pela poderosa floresta retratada, procurando um sentido para a obra. A atmosfera misteriosa adensa-se em recônditos escuros; no meio do arvoredo denso que domina quase toda a tela, uma árvore nua ergue os seus ramos rasgados em direção ao céu; outra parece assumir as formas de um torso de mulher. Uma outra figura feminina aparece recortada pela luz, sem se deixar identificar, talvez assinale o lugar onde se forma um rio caudaloso que se precipita em cascata sobre o mar. Quem são os passageiros elegantes que chegam em barcos de passeio à foz do pequeno rio? Talvez venham para uma festa… Outro grupo, quase engolido pelo constante jogo do claro e do escuro, desce uma escadaria, observando as águas. A paisagem natural é transfigurada por uma cenografia fantasiosa, quase anunciando o Romantismo ,dominando o nosso olhar incauto ao percorrer o quadro. Provavelmente, o essencial não é visível... Acredita-se que Fragonard não procurou representar nenhum lugar específico nesta abordagem Rococó ao tema da Festa Galante, neste caso campestre, apenas deixou fruir a sua gramática pessoal na representação da natureza. Calouste Gulbenkian adquiriu esta pintura em 1928 e, dois anos mais tarde, comprou outra com o mesmo tema da Festa Galante, de Nicolas Lancret, que para além de revelar uma intencionalidade colecionadora, permite ao visitante estabelecer um contraste entre dois estilos plásticos distintos.

"Festa Galante",Nicolas Lancret, Museu Gulbenkian

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Libelinha de René Lalique - Museu Gulbenkian

Este é o segundo texto, num total de três, que aqui se publicam, referindo obras do Museu Gulbenkian, Coleção do Fundador, nasceram de um desafio que me foi lançado para criação de suporte escrito para áudio-guias. Agradeço este interessante desafio, apesar de ainda não se ter concretizado. Deu-me oportunidade de estudar, e de apresentar um ponto de vista vivo sobre a coleção, escrevendo interpelações a cada visitante. Aqui vos deixo esta pequena viagem pelos olhos de um pintor/mediador.

Peitoral – Libélula
René Lalique; (1860-1945); França; c. 1897-1898; Ouro, esmalte, crisópraso, calcedónia, pedras de lua e diamantes


Ao entrar na sala dedicada ao ourives francês René Lalique, notamos que a “Mulher-Libélula” ocupa um lugar de destaque. Foi apresentada com enorme sucesso na Exposição Universal de Paris de 1900, consagrando o artista como joalheiro de referência no estilo Arte Nova. O olhar percorre esta peça de ourivesaria, um peitoral, surpreendendo-se com a miríade de materiais que compõem este inseto híbrido. Materiais nobres ou raros convivem harmoniosamente ao lado de outros mais comuns, dando corpo a esta peça de asas abertas, onde o esmalte vitral brilha, enriquecido por diamantes finamente encastoados numa estrutura de ouro. O longo abdómen deste odonata é pontuado por pedras de lua sobre a base de esmalte e ouro. Duas grandes garras em ouro, para prender o peitoral aos generosos vestidos da época, sugerem poder á mulher que o usar. Do interior do corpo da libélula, surge uma bela mulher adormecida, suavemente talhada em crisópraso com dois escaravelhos em ouro esmaltado de cada lado da cabeça, no lugar biológico dos olhos do inseto. Esta metamorfose de libelinha, alude ao estágio de ninfa destes insetos e cita subtilmente as náiades, divindades gregas das águas de rios e lagos, que sempre interagiram misteriosamente com os homens. 
Calouste Sarkis Gulbenkian colecionou metodicamente quase toda a produção do seu amigo René Lalique. Mas quem foram as mulheres que usaram todas estas joias do colecionador, como por exemplo, a “Mulher- libélula”?  Apenas temos notícia da atriz Sarah Bernhardt, amiga de Gulbenkian, confirmada por fotografias onde aparece com peças de Lalique, como é o caso da tiara das serpentes, ao incorporar a personagem Cleópatra
Libelinha emergindo do seu invólucro de ninfa.
Sarah Bernhardt no papel de Cleópatra. 

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Cabeça do rei Senuseret III - Museu Gulbenkian

Os três textos que aqui se publicam, referindo obras do Museu Gulbenkian, Coleção do Fundador, nasceram de um desafio que me foi lançado para criação de suporte escrito para áudio-guias. Agradeço este interessante desafio, apesar de ainda não se ter concretizado. Deu-me oportunidade de estudar, e de apresentar um ponto de vista vivo sobre a coleção, escrevendo interpelações a cada visitante. Aqui vos deixo esta pequena viagem pelos olhos de um pintor/mediador.
Fundação Calouste Gulbenkian

Cabeça do rei Senuseret III
Egipto; Império Médio; XII dinastia; c. 1860 a.C.; Obsidiana
Museu Gulbenkian

Quase de imediato, apercebemo-nos que a cabeça exposta pertencerá a uma pequena escultura de corpo inteiro representando um faraó. Trata-se de Senuseret III que reinou no Egipto durante a XII dinastia, do Império Médio, aqui retratado como um homem mais velho, sabiamente humano, ao contrário das representações tradicionais dos monarcas do Nilo que aparentavam a juventude eterna dos deuses. Existem numerosas esculturas com a imagem deste faraó e todas elas revelam um mesmo olhar de pálpebras proeminentes, descidas, semicerrando os olhos conferindo-lhe uma espécie de serenidade adormecida. O faraó apresenta um toucado (nemes) encimado por Uraeus, serpente sagrada que representa o poder régio. Para retratar o monarca, nesta peça criada cerca de 1860 AC, o escultor/artesão utilizou obsidiana, uma rocha ígnea fruto de erupções, mas difícil de trabalhar pela sua clivagem caprichosa. No Egipto dos faraós não existia a noção de artista, sendo estes homens tratados como artesãos, vivendo em comunidades próprias, subvencionadas pelos monarcas. No momento da sua morte, eram encerrados nos túmulos junto com as suas ferramentas.
 Artesãos. Embora sendo um afresco do túmulo de Nebamun (Tebas, XVIII Dinastia) 
executado 470 anos mais tarde, resolvi introduzir a imagem 
pela riqueza descritiva dos diferentes ofícios dos artesãos do Antigo Egipto. 

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Oficinas improváveis no A E Madeira Torres.

Ana Gonçalves trabalhando o livro "Zoom"
As oficinas improváveis continuam pelas Bibliotecas Escolares do concelho de Torres Vedras. A última sessão foi no Agrupamento de Escolas Madeira Torres, e constituiu-se como um momento inclusivo na Biblioteca Escolar. Os alunos do ensino especial estiveram lado a lado com os colegas de uma turma do  ano. Boa parte da sessão foi conduzida pelas mediadoras Vera Fortunato e Ana Gonçalves que deram bem conta do recado. Estas intervenções nas escolas têm sido aproveitadas para formar as técnicas da Biblioteca Municipal de Torres Vedras em mediação leitora e divulgar metodologias e livros muito úteis junto dos alunos com necessidades educativas especiais. Mais aqui.

domingo, 12 de novembro de 2017

Na rota dos contadores...

Na sexta-feira à noite participei na Rota dos Contadores, promovida pelas Bibliotecas de Lisboa (BLX). A sala da Biblioteca Camões estava bem composta e o público com uma boa escuta. Contei na sala mais misteriosa, a mais antiga… Com o ambiente certo para contar a história dos dois fantasmas. A Cristina Flor tirou as fotografias que dão ideia da atmosfera da biblioteca. Comecei por um trio de contos de África e depois perdi-me alegremente com o público, escolhendo as histórias e poemas, ao correr da água. Na assistência, muitas caras conhecidas, amigas, dando conforto ao narrador. Obrigado ao Luís e aos outros técnicos da biblioteca. Temos de repetir!...