sexta-feira, 31 de Outubro de 2014

Roda viva

A equipa das Necessidades Educativas Especiais do Centro de Arte Moderna tem andado numa roda viva neste mês de outubro. Primeiro com o encontro (fórum) “Descobrir a Diferença” que teve lugar no sábado passado no edifício sede da Fundação Calouste Gulbenkian, depois em Setúbal com uma meta-oficina promovida pela Câmara Municipal, sobre o rosto e a identidade e, agora, em Viseu (Teatro Viriato) de onde vos escrevo, com o curso “mediar públicos com necessidades educativas especiais”. Não estávamos à espera de uma grande adesão ao fórum “Descobrir a diferença”, mas a sala encheu-se com um debate vivo. Faltam espaços para troca de ideias entre pais, técnicos e professores; foi isso que sentimos. A nossa convidada Ana Salgueiro foi respondendo às questões que lhe foram sendo colocadas: o debate rodou, primeiro em torno das questões da comunicação e convivência entre pais, técnicos, professores de ensino especial e claro, sobre a escola no seu todo. Falou-se de inclusão e da legislação portuguesa, considerada por Ana Salgueiro como muito avançada no universo europeu. Socorro-me de algumas notas da minha colega Margarida Rodrigues para avivar a memória: falou-se de intervenção precoce, tema forte para Ana salgueiro, tendo sido referido um ponto que me chamou a atenção: “Frequentemente, são as educadoras de infância que reconhecem os primeiros asinais da diferença, sobretudo no que diz respeito às perturbações do espectro do autismo.”Leio, nas notas da Margarida: “que a intervenção precoce volte a trazer a relação entre técnico/medico/família/professor… para que em vez de estar tudo dividido e espartilhado, numa situação em que os pais/família são quase como bola de pingue-pongue, passe a estar tudo incluído num mesmo todo, com mais relação e apoio.” Na primavera voltaremos a promover mais um fórum, desta vez com a presença dos “Pais em Rede”- a urgência, obriga-nos.Em Setúbal o interesse pelas nossas ideias tem aumentado – esta é a segunda vez que fazemos uma intervenção formativa pela mão do Município. Quero agradecer à Sónia Eleutério o carinho com que nos recebeu, mais uma vez, em Setúbal. Soube bem sentir a reação de aprovação daqueles formandos experientes à nossa abordagem das questões da identidade, sua representação e relação com o corpo que a habita. Se tudo correr bem, voltaremos. Em breve vos darei conta do nosso trabalho aqui em Viseu. Até já. 
Corpo e identidade...

segunda-feira, 27 de Outubro de 2014

Animalários

Primeiro fim de semana da oficina “Monstruários, animalários e  outros bestiários” com elevado grau de participação. O Hugo Barata e eu estamos num dos nossos territórios de eleição: o desenho. Visitámos a exposição com avós, pais e filhos, parando em frente a uma grande peça de Paula Rego onde fizemos uma brincadeira adivinha, descoberta de diferentes personagens que habitam (com as suas histórias) a obra da artista. Como sempre, houve lugar para o disparate, desta vez um hip pop em torno de animais perigosos. Mas a obra de referência escolhida, para a nossa sequência oficinal, foi de Jorge Castanho, com as suas criaturas fantásticas, nascidas em ambiente digital. Propusemos um exercício simples de invenção de criaturas através do desenho.: um cadavre esquis que se foi montando com a participação de todos. No final atribuímos um nome às criaturas inventadas, um habitat e regime alimentar; tudo isto no meio de grande risada. Gostei imenso de ver os pais a desenhar ao lado dos filhos, a trocar ideias com a família do lado… Dia 9 e 23 de novembro, repete-se a oficina. Lá vos esperamos.

domingo, 26 de Outubro de 2014

"leituras diferentes" em Fitares - Sintra (3)

Projeto Leituras Diferentes
Grandes aventuras em torno da língua portuguesa com os alunos do 5º ano da professora Florinda… Segundo dia de “Máquina da poesia”, numa sessão inclusiva que iniciámos com a leitura expressiva de poemas de Álvaro Magalhães e Fernando Pessoa. Os alunos recordaram os pequenos versos que tinham escrito na sessão anterior e criaram outros, com ajuda da “máquina”. Um dos meninos pergunta: posso usar outras palavras da minha cabeça? Claro, a tua cabeça é um grande reservatório de palavras: uma verdadeira máquina de fazer poesia!... Depois introduzi a ferramenta Sussurrador e cada um começou a bichanar aquilo que tinha escrito aos ouvidos dos colegas. Agora, fico à espera de rever esses sussurradores muito bem decorados, de forma personalizada. Ah! Esquecia-me de dizer… No final, fizeram fila no balcão da biblioteca escolar para requisitar os livros abordados durante a nossa sessão… Boas leituras!
Sussurrando na Biblioteca Escolar

quinta-feira, 23 de Outubro de 2014

10x10: As rochas não são só calhaus!

Iniciando as aulas em círculo, um forum que desarrumou a sala de aula
Está aí o Projeto 10x10 (descobrir/Gulbenkian)! Estou a trabalhar com a Ana Pereira, professora de Geologia/Biologia da Secundária D. Dinis, com uma turma do 10º ano. Geologia, matéria agreste a um primeiro olhar, mas que será a matéria prima dos próximos meses. Ao fim da segunda sessão, já vou conhecendo a turma. Imaginem que há duas aulas que me tento apresentar e falar de mim. Mas a cada coisa dita ou apresentada surge logo um motivo de conversa em torno da matéria (não em cima dela)… E lá vamos relacionando o vivido com o conteúdo das aulas, sempre em círculo, uma espécie de fórum onde paramos a cada dúvida. Fartamo-nos de fazer perguntas. Há sempre uma dinâmica no início da aula: primeiro foi um acróstico com as características de cada um de nós. Depois uma pergunta: “Se fosses uma rocha que rocha serias? “. Cada um falou de si, mas também da matéria. Existe uma misteriosa esmeralda, dois granitos distraídos e o útil petróleo… Mas afinal qual é a diferença entre um mineral e uma rocha? – Alguém perguntou. A professora não responde, sabe que a resposta surgirá naturalmente, na próxima aula – ficámos a pensar… À conta deste projeto, voltei a estudar o nosso planeta e embrenhei-me nas mais profundas investigações que apenas geram mais e mais perguntas, a par do espanto neste reencontro com a natureza telúrica da nossa orbe. Hoje foi dia da Micropedagogia Drummond de Andrade… Distribuí a todos o poema “No meio do caminho

No meio do caminho tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
Tinha uma pedra
No meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
Na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
Tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
No meio do caminho tinha uma pedra.
Depois começou o jogo. Cada um repetiu os dois versos iniciais, acrescentando uma pergunta no final.
No meio do caminho tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
Que pedra era?
E tinham de responder o nome de uma rocha antes de lançarem o desafio a outro colega. Quem errar ou não se lembrar do calcário, do basalto ou da obsidiana, (…) sai!
O ponto alto do debate foi quando apresentei ao grupo um dos meus desenhos com uma pedra que germina… Será possível? Uns diziam que sim e argumentavam outros disseram que não, apresentando as suas razões…E lá continuámos em torno da matéria (e não em cima!) Por último, um outro desafio, usando os manuais escolares que, a seu tempo, revelaremos… (é preciso manter o leitor “pendurado” na narrativa… Eh!Eh!Eh!)


quarta-feira, 22 de Outubro de 2014

Com olhos de gato na prisão

Moebius
Hoje provoquei o riso num recluso…e soube tão bem. Foi ao escutar uma das “Gregerías” de Ramón Gomés de la Serna. Ia lendo e fomos comentando cada uma delas, descontraidamente. Foi mais uma sessão de “A cor das histórias” a decorrer no estabelecimento prisional do Linhó (Programa Leitura sem Fronteiras - DGLAB/DGRSP), hoje com poucos leitores (a falha de informação e as regras de segurança reduziram-me o número de participantes na sessão). Houve tempo para ler os “Poemas de Deus e do Diabo” de José Régio (o “Cântico Negro” tem sempre um grande impacto…) e passámos pela banda desenhada, com a recente edição, entre nós, do clássico “Les yeux du chat” (Moebius e Jodorowsky) que despertou múltiplas interpretações. Houve ainda tempo para falar um bocadinho sobre a gramática da língua Cabo- Verdiana (ALUPEC). A volatilidade da presença dos reclusos é notória… Ainda tenho um grande trabalho de consolidação pela frente.

domingo, 19 de Outubro de 2014

Contos em Oeiras

Ontem juntámo-nos na Biblioteca Municipal de Oeiras para lembrar a Helena Gravato, uma contadora de histórias que nos deixou um vazio difícil de preencher. Foi dia de sessão de contos, com alguma tristeza, mas com a certeza de que o importante é continuarmos a estar juntos, dando força à narração oral. Foi assim que eu contei. Pela Helena, a coisa tinha que sair bem… Estreei duas histórias novas. Os amigos e família (os meus primos estiveram lá!) ajudaram a panela a cantar, enquanto a “sopa de histórias” se ia cozinhando. Lembrando os pescadores da “Grande faina”, contei o “Lugre fantasma”. Senti que a maré cheia tinha entrado na sala! Obrigado a todos que me escutaram. Rita: “Quebrámos o enguiço!”

quarta-feira, 15 de Outubro de 2014

"Leituras Diferentes" em Fitares/Rinchoa (2)

Encontrar o espaço para que cada um 
se encontre a si próprio dentro do coletivo, sem pressas
No projeto “Leituras diferentes” sentimos que estamos a trilhar caminhos novos na mediação leitora junto de alunos com necessidadeseducativas especiais. A Biblioteca Escolar da EB Escultor Francisco dos Santos(Fitares/Sintra) tornou-se no nosso laboratório. Arriscamos, experimentamos, reconhecemos os erros, inovamos. Estamos a usar a “Máquina da Poesia” junto dos nossos jovens especiais; o trabalho segue com a sua velocidade própria, sem pressas, consolidando aprendizagens em torno da língua portuguesa e sua gramática.
Ter todo o tempo do mundo para falar do significado das palavras...
Para cada jovem, uma resposta específica dentro do coletivo. A cada sessão na biblioteca escolar, sucede-se um trabalho de aprofundamento na sala SAF; os livros e outros conteúdos apresentados são relembrados. A professora Regina orientou uma pesquisa de adjetivos através dos populares “smiles” no computador da sala. Agora estamos a trabalhar os verbos e os nomes. Sentimos dificuldade no reconhecimento do conceito de Poesia…os pensamentos abstratos são mais difíceis.
Como encontrar adjetivos?
Os nossos jovens gostam muito de computadores
 e não existe melhor ferramenta de pesquisa do que esta máquina.
 propus que procurassem "smiles" ("emoticons") na internet 
e encontrassem um ou mais adjetivos para cada uma das expressões das "carinhas".
 O resultado foi este cartaz afixado num corredor da escola.
Como este projeto tem um pendor inclusivo, temos realizado sessões com um 5º ano que integra algumas crianças “especiais”. A “Máquina da poesia” correu bem, só foi necessário esperar um pouco para que alguns alunos encontrassem as palavras dentro deles. No início da sessão li alguns poemas (António Torrado, José Fanha, Fernando Pessoa e uma das minhas “Rimas salgadas”). Próximo passo: memorizar os pequenos poemas e construir sussurradores!
Parar a cada dificuldade. Procurar sinónimos, exemplificar e retirar o peso das palavras.