segunda-feira, 21 de Abril de 2014

Afinal o peixe desaparecido era o Bacalhau!

Há muito que queria fazer uma oficina sobre o Mar e a oportunidade surgiu através do programa Descobrir. Assim nasceu a oficina “Em busca do peixe perdido” com a fantástica participação de Ana Pêgo. Uma bela dupla: Bióloga + artista.
O objetivo era passar informação sobre os Oceanos e suas espécies, relacionando tudo com a “economia do mar”. Não julguem que foi uma oficina enfadonha, nada disso, divertimo-nos bastante com os nossos desenhos, animais moldados, tudo isto registado num diário de bordo. Claro que não faltaram histórias e poemas com sabor a mar…e alguns disparates…afinal estávamos de férias. Como para além dos filmes e fotografias que mostrámos aos nossos participantes, era importante que tivessem um contacto próximo com as espécies, nada melhor do que meter a mão nos peixes e esclarecer algumas dúvidas com a nossa Bióloga de serviço. Bem...a sala ficou a cheirar um bocadinho a peixe... Abrimos a boca dos peixes e espreitámos lá para dentro, pegámos na lupa e vimos as escamas com muita atenção e depois desenhámos à vista aquelas criaturas do mar. Até copiámos o peixe por cima com a ajuda de uma folha de acetato: parecia uma ilustração científica... Houve até algumas meninas que pintaram com a tinta do Sepia Officinalis (Choco)... Inventámos novas espécies e aprendemos alguns nomes científicos dos peixes: foi divertido escrever naquela língua esquisita, o latim...
Até fizemos uma descoberta nos riachos do Jardim Gulbenkian: uma espécie de bivalve de água doce que quase todos desconheciam (tivemos que arregaçar as mangas e procurar na areia de um ribeiro… uma das meninas molhou-se um bocadinho, mas não faz mal...). Depois registámos tudo no nosso diário de bordo.
No final, os pequenos participantes descobriram qual o peixe que está quase desaparecido: o Gadus Morhua (Bacalhau) . Aqui ficam algumas imagens que dão uma ideia destes dias de férias passados com o Descobrir.
Investigando a lula, sem medo.
Muita concentração...
Inventando uma terrível criatura das profundezas do oceano
 Scomber Scombrus: a cavala!
Uma grande variedade de diários de bordo....

INARTE: Inclusão e Arte

Conheci o Pedro Sena Nunes há dois anos na primeira edição do Projeto 10x10 (Descobrir/Gulbenkian). Gostei do brilho e da energia que emanava, mas sobretudo tocou-me a curta-metragem que nos mostrou, onde uma mulher grávida dançava nadando ladeada por jovens com paralisia cerebral, numa harmonia aquática: moviam-se num líquido primordial comum. Algum tempo depois, participei no encontro INARTE (inclusão e arte) com uma pequena provocação em torno do desconhecimento que temos do Outro, habitualmente rotulado com uma qualquer convenção confortável que nos garante uma distância cómoda da diferença. A imagem e objeto que escolhi foi uma ostra. Pude assim partilhar com assistência, cheia de diferenças, a imagem do caminho que venho trilhando em direção ao outro, consciente da nossa breve existência aqui neste lado da vida.
Como sabem, nas “Oficinas Museu Aberto (Programa Descobrir/Gulbenkian), desenvolvemos em profundidade um trabalho especializado junto de públicos com necessidades educativas especiais. Simão Costa (também artista do 10x10) que vem dinamizando a oficina “Eu sou Som” propôs que divulgássemos o nosso trabalho no INARTE. Achámos que seria uma boa oportunidade de divulgar o “Labmóvel” (mecanismo multimédia estruturado em torno do som) e todo o trabalho de investigação feito junto destes públicos especiais. A Vo'arte acolheu a ideia.
Foto: Vo'Arte - Maria Gomes
 Conscientes de que o trabalho que desenvolvemos é certamente sedutor para os públicos designados habitualmente como normais, o que mais nos tem empolgado é o impacto que toda esta metodologia de som pode ter junto da deficiência e da doença mental. Embora esta metodologia de som tenha um efeito aglutinador e terapêutico evidente junto dos nossos visitantes com perturbações mentais, centrámos a nossa participação no INARTE em torno do Autismo e da Multideficiência (mais profunda). E levámos o nosso “aparato” para o pequeno palco da Culturgest, apresentando o dispositivo desenvolvido por Simão Costa, partilhando os diferentes recursos disponíveis e os resultados encorajadores obtidos. Fiquei muito agradado por ver entre a assistência um pequeno grupo de pessoas que descreviam com palavras tudo o que íamos fazendo naquele palco, desenhando com as palavras para que os cegos que escutavam a nossa intervenção conseguissem visualizar a nossa proposta... Pouco tempo depois já os cabos das colunas do Labmóvel estavam esticados pela assistência, para que todos pudessem experimentar a nossa proposta (o mesmo se passou com os Tablets que contêm as aplicações que utilizamos habitualmente com o nosso público especial).
Foto: Vo'Arte - Maria Gomes
Foto: Vo'Arte - Maria Gomes
 Estes encontros INARTE são um acontecimento impar no nosso país, um fórum de recursos e pontos de vista sobre a diferença, com destaque para a importância da criação artística em todo o processo necessário de inclusão das diferenças.
Ficou uma interrogação latente depois do encontro: Será que somos verdadeiramente inclusivos nas nossas oficinas “Museu Aberto”? A resposta é SIM! Sobretudo na nossa oficina “Sábado sou som” em que reunimos famílias ditas “normais” com famílias “especiais” para nos conhecermos melhor através do som. Mas também é certo que a nossa preocupação primeira tem incidido na acessibilidade aos conteúdos por parte de todos os públicos, independentemente das diferenças que possuam. Mas a ideia da inclusão vai-se construindo a cada dia…

domingo, 13 de Abril de 2014

Desenhar na Páscoa

Uma das nossas máquinas de desenho: 
desenhar com um berlinde embebido em tinta
Trabalho em dupla 
 Chegou ao fim mais uma oficina de férias promovida pelo Centro de arte Moderna (Programa Descobrir) – “”Mãos imaginantes – Máquinas de desenhar”. Cansados, mas contentes com o resultado. Esta oficina que partilhei com o Hugo Barata, a par de Carla Rebelo e Rita Cortez Pinto, suscita uma série de reflexões que vale a pena ter em conta. Ao valorizar o fazer, em todas as vertentes do desenho, demonstra como podem ser divertidas e formativas as férias passadas junto de quatro artistas visuais. Mais do que monitores fomos artistas partilhando técnicas que utilizamos nas nossas obras. Como costumo dizer: quando as mãos fazem, a cabeça ri. Aprendi com o Hugo alguns recursos que vão ter reflexo, também, na minha prática pedagógica. Por outro lado foi a oportunidade de trazer para o terreno alguns conceitos que me são queridos na apreensão das intenções dos artistas. Ficou de fora, por falta de tempo, uma abordagem mais tradicional do desenho, trabalhando o figurativo em torno das sombras e recortes, promovendo assim a deambulação desenhadora pelo mundo que nos rodeia. Ficará para a próxima. O desenho é uma forma eficaz de confirmar a existência
Rolámos um grande bola de Pilates negra pelo jardim Gulbenkian.
Uma das esculturas "lua" era agora nossa.
Como ficará esta escultura no jardim? Como encontrar o lugar ideal para a instalar?
No meio do nosso trabalho a surpresa: Aparece o escultor Rui Chafes à nossa frente.
Relembra às crianças como é importante escolher o local exacto para colocar uma escultura.
Já no atelier, trabalhámos sobre uma fotocópia onde estava representada a nossa escultura.
Desenhar a amarelo o leve...
Da escuridão para a luz.
Antes de ser árvore foi uma folha toda negra de carvão.
 Depois foi começar a abrir a luz (branco) com ajuda de uma borracha "miolo de pão"

Partindo do "Xadrez das cores" (Kandinsky)
fizemos o nosso jogo dos pretos (grafismos e tons)
Um jogo em dupla
Um desenho mal comportado a tinta-da-china.
Não. Não há canetas, apenas pauzinhos...
Depois de uma "máquina de desenhar"
Desenhando galáxias de forma mal comportada...
Rodopiando sobre o papel, lá vai a "máquina de desenhar"
deixando o seu rasto ritmado sobre uma grande folha de papel...





terça-feira, 8 de Abril de 2014

Máquinas de desenhar!

Em plena oficina de Páscoa no Centro de Arte Moderna (“Mãos imaginantes – Máquinas de desenhar") com Hugo Barata, Miguel Horta, Carla Rebelo e Rita Cortez Pinto… Acho que hoje me diverti mais do que as crianças: O Hugo apareceu com uma bela máquina para desenhar. Um copo, pilhas, um motor de um velho de brinquedo, marcadores, uma grande folha de papel de cenário e muitas risadas! Se de manhã já tinha sido engraçado com os meus desenhos mal comportados a tarde foi fantástica! Boa Hugo!
Ora espreitem este aparato simples feito com reaproveitamento de outros materiais.


terça-feira, 1 de Abril de 2014

Dia das Mentiras em Lagos...

E se um menino crioulo fosse amigo de uma baleia pequenina, era mentira?
Cá estou eu, por Lagos, pela mão da Maria Eugénia Patameira (afilhada da minha querida avó Felisbela), falando das palavras e desenhos pelas escolas desta cidade. Uma manhã chuvosa mas afetuosa, primeiro na escolinha da praia da Luz onde os meninos e meninas estão a ler os meus poemas sobre as criaturas do mar, de tarde na bela escola do bairro operário, com uma conversa inteligente e acordada com o pessoal do 4º ano. Como não poderia deixar de ser no Dia das Mentiras falámos muito sobre o meu menino crioulo de “Pinok e baleote” com os alunos da professora Maria que têm a tarefa de escolher um trecho para ler no Concurso de Leitura que terá lugar esta semana. Mas não só: na outra turma do 4º ano o Miguel prepara uma leitura dos “Dragões das Furnas” (Dacoli e Dacolá”). A curiosidade foi muita, recheada de perguntas sobre os livros. Tal foi o conteúdo da nossa conversa que o tema do divórcio foi a debate, a propósito do conto “Carminho” (Dacoli e Dacolá”). Mas como estamos no dia das mentiras, lancei a pergunta aos alunos: Qual diferença entre mentira e fantasia? E ficámos todos a pensar…

quinta-feira, 27 de Março de 2014

Desenhar! Desenhar nas férias da Páscoa...


Especial Páscoa

Mãos imaginantes e máquinas de desenhar

Oficina de desenho


A partir da exposição O Peso do Paraíso de Rui Chafes


Até onde vai o nosso olhar quando estamos a desenhar? De que formas podemos levar uma linha a passear? A partir da prática do desenho e de diferentes materiais e ferramentas, vamos experimentá-lo como uma vontade libertadora e como forma de expressão total.
Vamos dar vida ao imaginário e transmitir emoções, riscando e rabiscando, desenhando palavras e formas, símbolos e sombras. Desenhar é designar, escolher e ir além. Traços, projetos, construções, invenções e linguagens são formas de conhecimento que o desenho permite.
Tudo pode ser um desenho. As linhas do nosso corpo, as formas da natureza, as letras e as escritas, as pautas de música, a fotografia… A vida é um grande desenho!

Conceção e orientação
Carla Rebelo, Hugo Barata, Miguel Horta, Rita Cortez Pinto
Para saber mais sobre esta oficina do Programa Descobrir/Gulbenkian: http://descobrir.gulbenkian.pt/Descobrir/pt/Evento?a=6033

quarta-feira, 26 de Março de 2014

Quando a cor dá uma ajudinha no autismo...

Estamos constantemente a pensar em recursos novos que se possam utilizar nas nossas oficinas dedicadas a públicos com necessidades educativas especiais. É preciso inventar todos os dias, sobretudo quando o público é composto por crianças do espectro do autismo.
Como as cores podem ajudar no trabalho com autismo? Na nossa oficina Com pés e cabeça (Descobrir/Gulbenkian) , quando o grupo assim o exige, utilizamos um código de cores simples e figuras geométricas claras para os nossos exercícios de corpo. Privilegiando o trabalho em tandem, tanto o monitor com o participante têm o mesmo código de cores (um círculo) o que ajuda bastante na concretização de percursos psicomotores ou na identificação da figura humana, neste caso o “recorte” dos seus corpos. Na abordagem das diferentes partes do corpo, utilizamos o código de cores simples em molas de roupa que servem para identificar um braço, perna, barriga, orelha…e por aí fora.
 Este é apenas um exemplo dos recursos em Psicomotricidade que costumamos utilizar nas nossas oficinas. Mas há muito mais…
Já agora… apresento-vos o jogo da bola, uma espécie de jogo de damas cromático e tridimensional, para identificação simples das cores. Joga-se á vez, com molas de roupa coloridas. Amanhã invento mais...