segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Vamos à caça dos Gambozinos?

Notas para uma Intervenção no Museu do Neo-realismo
Vila Franca de Xira 2 de fevereiro 2016.



Escolhi o Wolpertinger (Gambozino), ilustração que fiz em Regensburg (Baviera), para ilustrar a ideia de públicos que ainda não vêm ao Museu, quer por escolha do próprio espaço cultural, quer por exclusão social ditada por características culturais, linguísticas, ou por limitação física ou mental.

Os museus, a par das bibliotecas são casas de olhos grandes: veem para além do formatado e do previsível – representam o melhor balanço que a humanidade pode fazer entre o legado de construção cultural e o devir de novas invenções, conhecimento e criatividade. Dotar os museus de um olhar social significa abrir as portas a públicos habitualmente excluídos por razões culturais, linguísticas, ou por limitação física ou mental. Procurar novos caminhos de comunicação com o público, diversificar abordagens, propor pedagogias participativas são apenas algumas das tarefas exigidas aos museus num mundo em constante mutação onde os conteúdos se interpenetram como se fossem matéria líquida.
 Curadores afoitos e imaginativos e mediadores de museus (Museum mediators) comunicativos, falando a linguagem dos públicos, podem fazer a diferença, tornando olhar mais penetrante, a resposta mais efetiva. Nada obriga os Museus a cumprirem um guião formal em educação (próprio da escola), antes pelo contrário, os museus sendo casas de todos nós, devem possuir um discurso democrático para chegar aos diferentes públicos e uma ferramenta especial para passar o conhecimento e consolidar relações: a educação artística/educação não formal. O facto de chamarmos educação não formal à nossa forma pedagógica de estar no museu, não quer dizer que o conjunto de estratégias e metodologias aplicadas sejam pouco profundas ou que não tenham sido validadas à luz das ciências de educação. Estou certo de que Arquimedes da Silva Santos concordaria comigo.
 
Incluir é um assunto sério, requerendo planeamento e reflexão para além da necessária coragem para ir mais longe em matéria de acessibilidades que, como sabem, transcende a questão das barreiras arquitetónicas. Falamos de tornar os conteúdos acessíveis e possibilitar a fruição das coleções e do próprio espaço do museu – serão necessárias todas as ferramentas pedagógicas disponíveis e a decisão clara das estruturas que gerem os espaços/lugares museológicos.
Para cumprir esta tarefa, importa formar continuadamente os mediadores dos museus, não só no conhecimento especializado das problemáticas mas também em estratégias específicas de interação que este trabalho implica. Como exemplo, poderíamos citar o curso “Mediar públicos com necessidades educativas especiais” (Descobrir/Gulbenkian), Acesso Cultura (mais técnico abordando questões concretas do espaço) ou a formação em continuidade promovida pelo Museu da Eletricidade.
A formação de mediadores tem como reflexo imediato a conceção de respostas originais, próprias de cada museu, respondendo à comunidade incomum que os procura. Assim vemos surgir visitas, oficinas e projetos que manifestam uma grande identidade, refletindo claramente as coleções que possuem (caso da oferta Descobrir/Gulbenkian que abrange os jardins e os dois museus da Fundação, respostas locais, como no Museu de S. Miguel de Odrinhas, Museu do Azulejo, Museu de Serralves e tantos outros)
Foto Carlos Azeredo (FCG)
 Aprofundando as respostas
Quando realizamos percursos e oficinas que respondem às características específicas de cada grupo especial, estamos a desenvolver um trabalho especializado importante mas sem inclusão. Incluir é conseguir desenhar propostas que juntem os públicos especiais com os públicos regulares, conseguindo fazer chegar a todos a mensagem, de forma clara. Cumprindo este objetivo, temos observado o nascimento de iniciativas muito marcadas pela pedagogia de projeto, como é o caso de “Miríade de histórias” (Museu de Serralves ) que integram, na sua génese, o conceito de inclusão, garantindo uma presença justa no museu. Também o programa Descobrir/Gulbenkian propõe atividades dedicadas às famílias especiais onde todos podem participar.
Dizia-me uma amiga (Mãe se um jovem autista) da associação “Pais em Rede” a propósito de inclusão e espaços culturais que “não deveria ser necessário ter de fazer uma marcação para poder fruir do lugar livremente”. Fica a reflexão…
Mas o que fazer quando nos deparamos com visitantes especiais no meio de uma visita? E quando, sem aviso prévio, nos surge um grupo aparentemente regular mas que um olhar atento rapidamente o identifica como diferente? Concluímos que devemos prever estas situações, apostando na construção da resposta e na formação das equipas, salientando a importância de uma identificação prévia do grupo no momento da marcação da atividade.
A prática da anamnese de públicos, antecedendo a atividade no museu, apenas se encontra referenciada (e instituída) no programa Descobrir/Gulbenkian, constituindo-se como recomendação para todos os museus que desejam receber públicos diferentes.
Foto: Por cortesia do Museu Municipal Carlos Reis
Gambozinos
Relembram-nos os teóricos que os Museus são lugares de poder onde, atualmente, a gestão financeira chega a ter mais importância do que a existência da coleção. Existe grande preocupação com o número de visitantes -Mas os serviços educativos acabam de salvar o dia! Uma boa fatiadas visitas e atividades promovidas pelos museus contam com o público escolar (demasiadamente…), compondo os números no momento de avaliação. Também a frequência de públicos especiais contribui (em alguns museus) para estes números.
E que tal trazer outros públicos, excluídos ao Museu?
Esquecida a Revolução Francesa, ficou a populaça proibida de passear pelas arcadas do Louvre…
Falemos, por exemplo, de comunidades ciganas ou público de origem cabo-verdiana? Por mim, estou preparado para fazer uma vista em crioulo sobre qualquer autor contemporâneo… (O crioulo é a segunda língua mais falada na grande Lisboa e Setúbal e não só…). Importa que cada mediador se questione sobre a sua missão nos museus, reconhecendo a vastidão e compromisso do seu papel educativo, contribuindo com a sua criatividade para a construção de respostas assertivas direcionadas para públicos improváveis.
De novo, poderemos abraçar a pedagogia de projeto, construindo ideias que devolvam os olhos aos museus, formando e fidelizando novos públicos. E tudo isto tem uma metodologia própria. Temos um grande número de projetos (como exemplo na Casa da Música, Intervir/Cam e tantos outros em tantos museus) a exigir persistência e continuidade.O resto será mediar o conhecimento com o público com presença e alegria, não esquecendo que parte da nossa missão é servir.  Pois como todos sabem, não existem Gambozinos…
Falemos agora de comunicação, esta outra do interior do museu para a comunidade envolvente. A condição de exclusão ou diferença leva a um isolamento deste tipo de públicos; fechados nas suas casas, instituições ou escolas, não acedem à comunicação produzida pelos museus. Esta situação aconselha os serviços educativos a terem uma atitude ativa na divulgação das propostas, devendo elaborar uma base de dados específica para esta área de trabalho. A produção de materiais de divulgação específicos (como o convite em língua gestual publicado no sítio de Serralves) pode ser decisiva. O contacto pessoal (telefónico ou presencial) assume grande importância, transcendendo a publicação de folhetos, mas nada melhor do que uma ajudinha dos Media, sobretudo aqueles que devem cumprir serviço público. Acrescentar propostas formativas para públicos específicos,organizar fóruns de partilha e informação de conteúdos na área das acessibilidades, dando a palavra aos verdadeiros protagonistas, melhora o nosso trabalho e pode ajudar a abrir a porta dos museus. Estabelecer parcerias com associações ou a colaboração com municípios focada neste campo de trabalho pode contribuir para o surgimento de projetos com elevado impacto social, relembrando a responsabilidade social dos Museus, estreitando laços com a comunidade envolvente.
Enfim…
O Museu é um bom lugar para se olhar, com olhos grandes, o mundo contemporâneo.




terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Pico Pico, quem te deu tamanho bico?

Um dos nossos meninos especiais achou que seria melhor descalçar-se e ficar confortável na biblioteca.
E que melhor lugar para guardar as sapatilhas do que uma estante com livros?
Dizia-me, no outro dia, uma amiga Mãe que pertence à associação “Pais em Rede” que “não deveria ser necessário ter de marcar uma data para usufruir da oferta dos espaços culturais”. Pois é, tudo deveria ser acessível, incluso; a estrutura informada e preparada para fazer esse acolhimento. É, também, para construir este objetivo que existe o projeto “Um sentir especial” que tem lugar na Biblioteca Municipal de Torres Vedras, muito por persistência e inspiração de Goretti Cascalheira, bibliotecária responsável pela ideia. No passado sábado foi dia de mais uma sessão de mediação leitora junto de famílias especiais. Têm sido pequeninos os grupos que acorrem a esta iniciativa – poucos mas muito interessados. Livros de imagem, pequenos poemas, lengalengas, canções e ...também fomos "à caça do urso" (Michael Rosen/Helen Oxenbury). Aos poucos vamos recolhendo informação que permite ir transformando o espaço de leitura pública inclusivo, contendo respostas adequadas na sua coleção e partilhando formas de mediar a leitura  lá em casa e em todo o lugar que se preste para abrir um livro. Este sábado tivemos uma visita muito especial, o João Pedro Costa da Rádio Miúdos que, como bom jornalista curioso, quis saber junto das crianças o que estavam ali a fazer… 
Ensinado o "Pico Pico Sarapico" a um avô; 
beliscando os dedos que se vão escondendo ao longo da lengalenga.
Toque e sílaba juntos numa brincadeira importante o para a oralidade e motricidade.
existem diversas versões desta lengalenga. 
Aqui fica uma possível:
Pico, pico, Sarapico, quem te deu tamanho bico?
 Foi a Gata Borralheira que come ovos na banheira. 
Salta a pulga na balança. Dá um pulo até à França!
Os cavalos a correr. As meninas a aprender.
 Qual será a mais bonita que se vai esconder?
 Sarapico, pico, pico, quem e deu tamanho bico? 
Foi a velha chocalheira que andava pela ribeira
 Os ovinhos de perdiz prà menina do juiz.
 Os cavalos a correr. As meninas a aprender.
 Qual será a mais bonita que se vai esconder? 

domingo, 31 de janeiro de 2016

Os mistérios da CDU

Nas últimas sessões do “Leituras em cadeia”, Maria José Vitorino, companheira de projeto, tem vindo a trabalhar com as “residentes” (reclusas) diversos aspetos da biblioteconomia. A tarefa do desbaste, aparentemente simples, acabou por se revelar didaticamente complicada, dando-nos uma imagem clara do percurso do livro à chegada, até ao momento de queda em desgraça; mas aprendi que não vai para o lixo… É muito interessante ver como a Maria José vai comunicando com as reclusas responsáveis da biblioteca prisional do E. P. Tires (Pavilhão A). Tenho até uma ponta de inveja: como mulher que é, tem acesso privilegiado ao universo das reclusas. Trata-se, portanto, de uma formação no feminino. Até eu estou ser introduzido no misterioso mundo da Classificação Decimal Universal. O que é certo é que todo este labor em torno da organização do espaço de leitura está a dotas as detidas de um conhecimento bem razoável da coleção, ficando em condições de aconselhar um livro a quem anda perdido pelas estantes. Cada vez gostamos mais deste projeto.

sábado, 23 de janeiro de 2016

Espelho meu...

Só agora em 2016 regressei às oficinas do programa descobrir/CAM dedicadas aos públicos com necessidades educativas especiais. A oficina espelho meu está muito bonita, propondo um percurso coerente entre a exposição e o trabalho de ateliê, essencialmente focado no corpo. As esculturas escolhidas, uma de Waltercio Caldas e outra de José Pedro Croft, conduzem-nos a um confronto invisível com o corpo e ao entendimento do espaço desenhado pelas formas instaladas. De uma forma lúdica e interativa, os participantes questionam-se, movem-se e respondem aos estímulos propostos pelos artistas, abrindo a porta para a sequência seguinte de trabalho em torno do corpo que se desenvolve no espaço oficinal. Assim, são surpreendidos com uma espécie de instalação de planos, formas e luz que servem de base a movimentos (interligando o corpo com o dispositivo) e à dança em frente ao espelho, onde para além da proposta coreográfica simples (promovendo a atenção e a resposta motora) é dado um ênfase especial à lateralidade proposta pelas imagens invertidas no espelho. Margarida Vieira/Miguel Horta. Reservar


quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Djunta Mon!



No dia em que se assinala o assassinato de Amílcar Cabral na Guiné Conacri, partilho aqui um registo vídeo da minha primeira incursão na dramaturgia com a peça “Retratinho de Amílcar Cabral” levado á cena pelo Teatro Mosca com o Tozé (moço da Cova da Moura) como Mika, o protagonista de uma história passada na mata da Guiné, junto à grande árvore do Polon (com Suzana Branco como encenadora e Braima Galissa tocando o seu maravilhoso Kora) - A minha forma de recordar Eduardo Pontes (no aniversário da sua morte) e também Nuno Teotónio Pereira, grande amigo do bairro, que hoje nos deixou. Nos kontinua djunta mon pa rekualificason di bairu i pa dan un volta redondu ness condison di vida de nos genti di Cova da Moura.

sábado, 2 de janeiro de 2016

Viseu: Residência artística na Cadeira Amarela

Aquilino Ribeiro tinha um ex-Libris que anunciava no rosto dos seus livros uma intenção sobre a vida - “Alcança quem não cansa”, lia-se na vinheta que representava também um cão perseguindo o seu dono que, a cavalo, se fazia a um longo caminho. Vale a pena procurar este registo, que associo à Cláudia e a outras boas pessoas da Beira. Cláudia Sousa é uma mediadora cultural de mão cheia, associada agora ao movimento de recuperação do Bairro Municipal de Viseu através da associação Movimento pelo Bairro, propondo uma residência artística em torno da palavra, (inspirada no seu projeto “Flores de Livro”) que acontecerá de 4 de janeiro a 6 de fevereiro. Mas nada melhor do que as palavras da Cláudia para explicar, um, pouco melhor, as intenções desta iniciativa: O primeiro passo para esta residência foi em Outubro e para mim, que dinamizo o projecto Flores de Livro, era importante que acontecesse em Janeiro. Queria criar grupos de trabalho e Momentos de Contar. As oficinas para dinamizar os grupos de trabalho teriam de ser pagas, questões de sobrevivência de qualquer pessoa, mas os participantes poderiam recuperar, através da apresentação de trabalhos nos Momentos de Contar, pelo menos parte desse investimento. A Cadeira Amarela e a Companhia DeMente acolheram este projecto e, desde o início, que contribuem para a sua concretização. No início de Dezembro, alargar esta residência até ao Bairro Municipal pareceu-me que também devia ser prioridade. Por achar que a poesia tem, muitas vezes de forma rápida e curta, o remédio, ainda que momentâneo, para os males desta vida, e articulando com o Movimento pelo Bairro, convidou-se o Miguel Horta, o Carlos Clara Gomes e o António do Gil a fazer uma selecção de livros de poesia para partilhar com moradores e com quem mais se quisesse juntar ao Bairro, no bairro. À Cláudia Beatriz Carvalho Fonseca, pedimos que dinamizasse uma sessão de Canto de Colo, para bebes até 3 anos e suas famílias (mãe, pai, avós,…) também no bairro. Simbolizar a necessidade de cuidar, para garantir os direitos humanos e um futuro com gente pequena crescendo saudável e feliz. E fiquei muito contente quando no final de Dezembro soube que o projecto Casa de Histórias, do Movimento Pelo Bairro foi contemplado com o apoio do programa Viseu Terceiro, e também que aceitaram suportar despesas com os convidados que vêm de mais ou menos longe para ajudar a construir este projecto. Nesta altura já a exposição do Sami Wilfred Hildonen estava a ganhar consistência, e a Sidarta se via envolvida na apresentação das Rimas Salgadas/encontro com o autor e conversas participadas sobre Intervenção pela Arte com a Laredo, a Companhia DeMente, Flores de Livro e com quem mais, da comunidade local, se queira juntar a esta conversa. Mais ou menos a meio do caminho, entre a Cadeira Amarela e o Bairro Municipal, mesmo antes do Natal, o Hotel José Alberto disponibilizava-se para acolher colaboradores e receber um Momento de Contar para adultos/comunidade. É lá que vão acontecer os Contos Eróticos pela Cláudia Beatriz Carvalho Fonseca, que costuma gostar de ser surpreendida por ouvidores que tragam qualquer coisa para dizer, contar e/ou cantar. A associação desta residência com o Workshop de Iluminuras, que já estava a ser desenvolvido na Cadeira Amarela, pela Teresa Gama, também fez todo o sentido e irá permitir algum cruzamento entre uma forma muito específica de ilustração, tradição oral e histórias. Agora é tempo da participação e dinamização, tempo de morar nesta residência. Espero que seja muito construtiva para todos os que optem por participar. O primeiro Momento de Contar conta com a participação especial da D. Felizarda Cataistórias. Estou grata a toda esta gente, à Ana Rosa Assunção pelo desenho e design e a mais uns quantos que não valerá a pena mencionar, mas que vou levando comigo na bagagem e/ou nas linhas da minha mão. Adiadas ficaram algumas ideias, mas estamos no início do ano e nenhum projecto acaba no final desta residência.

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Leituras em cadeia : Pontos de vista sobre a coleção

Em breve teremos estantes novas, aumentando a capacidade para a coleção.
De momento, prosseguimos com o desbaste e  tratamento tecnico, integrando a bom ritmo novas aquisições.
Numa das nossas sessões com o grupo restrito de reclusas, responsável pela biblioteca prisional do pavilhão a do estabelecimento prisional de Tires, propusemos que indicassem as diferentes ofertas (em papel) que a biblioteca deveria conter para dar resposta às residentes. Ao mesmo tempo, solicitámos que acrescentassem na lista os géneros literários e outros de que mais gostavam.
Seguiu-se um debate animado sobre o que deveria ser a oferta da biblioteca prisional, concluindo todos que deveria ser bastante variada, desde os livros para colorir, revistas, tio patinhas até à “grande” literatura. Começámos, assim, a construir aquilo a que chamámos o “perfil leitor” do pavilhão, referente ao momento atual.
Desse trabalho surgiu um questionário a apresentar às reclusas que frequentam o espaço da biblioteca - uma extensa lista de géneros e tipos de oferta (em papel), da qual se deveriam escolher apenas 5 hipóteses, as mais significativas para a utilizadora inquirida. Esta pequena dinâmica permite que as responsáveis pelo “balcão” ( atendimento, empréstimo e serviço de referência) aprofundem a consciência e o conhecimento da coleção que pretendem divulgar e da sua utilidade, impacto e assertividade para a frequência atual do espaço. Por outro lado, ajuda a percecionar os grupos de afinidade entre as leitoras potenciais. Para os mediadores do livro e da leitura, dá pistas sobre os interesses e aparentes desinteresses das reclusas,  muito útil para a renovação da coleção e para o desenho de futuras intervenções junto deste universo de detidas.
Duas semanas depois de iniciados os inquéritos, poderemos partilhar as respostas predominantes, uma espécie de retrato robô das utilizadoras da biblioteca prisional: Anedotas e humor – 23, Artesanato e trabalhos manuais – 11, Aventura – 14, Banda desenhada – 7, Cinema – 8, Culinária/Gastronomia – 11, Erotismo – 9, Filosofia – 7, História – 10, Horóscopos/Astrologia – 13, Histórias da vida real – 18, Moda – 7,Música – 8, Passatempos (Sudoku, palavras cruzadas …xadrez) – 8, Poesia – 10, Policiais – 7, Psicologia – 7, Religião – 9, Revistas – 10, Romances de amor -20, Saúde - 9