sábado, 29 de agosto de 2015

Rio de Contos - Encontro de narração oral de Almada

Com pouco mais de um ano de existência, a Laredo Associação Cultural procura afirmar-se, discretamente, em iniciativas e ideias fiéis aos seus princípios de mediação cultural, por oficinas, formação, eventos e outras propostas, dos museus e bibliotecas até ao mar, passando pelas escolas e pelo campo das necessidades educativas especiais, onde a palavra, a cidadania, a leitura e o livro ganham sentido e nos desafiam a criar, a colaborar com outros, e a inovar, em projetos como “Leituras em cadeia” (parceria Fundação Calouste Gulbenkian/ Delta Cafés/ Ministério da Justiça-Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais),“FOLIO Educa” (Festival Literário Internacional de Óbidos), "Miríade de Histórias" (com a Fundação Serralves) entre outros.
Chegou agora o momento de vos anunciar a realização do primeiro Encontro de Narração Oral de Almada - Rio de Contos, promovido pela Câmara Municipal de Almada e pela nossa Associação) nos dia 26 e 27 de setembro na freguesia da Trafaria/Monte de Caparica (União de Freguesias de Caparica e Trafaria). Um encontro dirigido às populações desta zona do concelho de Almada, dando eco do trabalho que tem vindo a ser desenvolvido na área da promoção da leitura pela Rede de Biblioteca de Almada e Junta de Freguesia (que inaugurou recentemente um espaço de leitura pública no coração da vila). Também um momento de convívio para todos aqueles que vêm seguindo com atenção o movimento de narração oral que se vem desenvolvendo pelo país; aqui fica o convite para os amigos de Lisboa para este Rio de Contos que se realiza às portas da capital.
Para além da participação dos narradores da Rede de Bibliotecas de Almada contaremos com a presença de António Fontinha, Cristina Taquelim, José Craveiro, Ana Sofia Paiva, Cláudia Sousa, Miguel Horta, Thomas Bakk e Paula Cusati. Como este é um encontro da palavra, teremos a presença de Raquel Lima, ilustre representante da “spoken word” (Slam poetry), apresentando alguns dos seus textos, marcando presença numa mesa redonda, em diálogo com António Fontinha e Cristina Taquelim. Podem vir até de barco e aproveitar para jantar ou almoçar num dos típicos restaurantes da Trafaria. Marquem nas vossas agendas!

Em breve disponibilizaremos o programa do Rio de Contos e mais informação sobre os protagonistas deste encontro.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Na rota do cachalote branco

Onde está o pintor? Uma bela foto de Gonçalo Barriga (F. C. Gulbenkian)
Como passar o gosto pelo Mar, uma consciência oceânica, aos mais novos sem que seja enfadonha e escolarizada? Essa tem sido a nossa reflexão e a nossa prática no Programa Descobrir/Gulbenkian através das oficinas que juntam biólogos a artistas num resultado que se pode confirmar em “Em busca do peixe perdido”, “A grande invasão” e, mais recentemente com a oficina “Moby Dick” (em colaboração com a Escola de Mar). Mas estas abordagens mediadas (educação não formal) têm acontecido com regularidade ao longo do meu trabalho em museus e bibliotecas; como exemplo disto, a colaboração com o Museu Marítimo de Ílhavo ou, com Vera Alvelos, no CCI. A oficina Moby Dick vai repetir-se para a semana, num ritmo marcado pela sucessão de acontecimentos narrados na obra de Herman Melville. Uma boa oportunidade para as crianças que estão de férias aqui na capital. A bióloga/artista de serviço será a Ana Pêgo. Promete.
Inspirados pelo trabalho dos scrimshaw,
 os nossos pequenos artistas fizeram a sua versão dos dentes de cachalotes gravados
foto de Gonçalo Barriga (F C Gulbenkian)
Ana Pêgo. Foto Gonçalo Barriga (F C Gulbenkian)


sábado, 8 de agosto de 2015

Oficina Moby Dick

Rockwell Kent
Acaba de terminar a primeira oficina Moby Dick promovida pelo programa Descobrir/Gulbenkian em colaboração com a Escola de Mar: Cansados mas satisfeitos com o resultado… Eu sempre olhei com curiosidade para os cetáceos, basta lembrar o meu livro “Pinok e baleote” onde um menino crioulo faz amizade com um rocal comum. Mas os peixes sempre foram os meus animais de referência. A colaboração com a bióloga Ana Pêgo veio mudar bastante a minha visão sobre estas criaturas oceânicas, acrescentando horizontes à minha visão sobre o mar. Com esta oficina reencontrei-me com a obra de referência de Herman Melville. Lembro-me, há muito tempo, de uma tarde passada no antigo ateliê de Maria Keil, junto à casa dos meus pais, quando ela me mostrou umas gravuras fantásticas de  Rockwell Kent para a edição de 1930. Estávamos no princípio dos anos 80 e a visão destas gravuras, confirmou o percurso que vinha fazendo na Gravura (CGP/Lisboa). Volvidos estes anos todos, estou de volta a esta obra que me marcou (sempre acompanhado pelas magníficas e curiosas notas de rodapé de Alfredo Margarido, o tradutor).
Mas como por de pé uma oficina dedicada às crianças sobre estas fantásticas criaturas, os cetáceos, sem a escolarização a que têm estado sujeitos os diferentes temas da educação ambiental? Ainda por cima uma oficina de férias… Foi isto que se fez, com uma equipa formada por biólogas (Ana Pêgo, Vera Jordão e Cristina Brito), uma atriz (Catarina Requeijo) e um artista visual. Um objeto em forma de semana de férias para crianças, que juntou literatura, leitura, biologia e artes plásticas em torno da ideia urgente da defesa dos oceanos. Seguindo o fio da história, registando com desenho e escrita em diários de bordo, fomos conhecendo melhor os cetáceos na companhia de Ismael e Queequeg, a bordo do Pequod. Houve tempo para gravar uma espécie de scrimshaw e cantar ritmadamente a partir das vocalizações de orcas, baleias, cachalotes e golfinhos. Gostei particularmente do Hip Pop do Francisco (um dos pequenos participantes) que perguntava “o que é que os cachalotes comem?” Lulas! Claro.

Próxima expedição baleeira: 31 de agosto a 4 de setembro.

terça-feira, 14 de julho de 2015

"Rimas salgadas" na lista do Plano Nacional de Leitura

Soube agora que o "Rimas salgadas" passou a integrar a lista de livros recomendados do Plano Nacional de Leitura (3º ciclo - leitura autónoma). Sempre pensei que o livro fosse mais indicado para o 1º e 2º ciclo...talvez seja mais abrangente. Esperemos pela opinião dos jovens leitores. Obrigado Rui Grácio pelo trabalho em equipa.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Segunda-feira

Esferográfica
Ainda o eco da exposição "Inside Outside" e o trabalho de Bárbara Fonte. Um rabisco feito numa folha de bloco, durante uma reunião do Projeto 10x10 (no ano passado). A reunião estava a ser muito interessante até se intrometer um cabelo...

domingo, 12 de julho de 2015

Inside Outside

José Barrias. Foto de Gianluca Vassallo, 2014. 
“(...) a razão essencial de cada diálogo habita sempre na diferença que o nutre, mas também que a razão que o estimulou e estimula foi e é a plataforma que o uniu, formando e amplificando o nosso percurso expositivo sob a forma de obras abertas a pensamentos, impressões, sensações (retinianas e não) que escorreram e escorrem entre nós e, sobretudo, para além de nós.
Alguém me pode explicar onde fica o território do indizível, aquele que é sempre perseguido pelo traço e pela escrita?
Fui percorrendo errante o labirinto onde as obras de Bárbara Fonte e José Barrias se misturam dialogando como iguais em “Inside Outside” (Plataforma Revólver – Junho/Julho 2015). Uma gramática feita de recursos variados da instalação ao desenho passando pela fotografia, vídeo e...livros.
Sou visitante, num eterno conciliábulo entre o artista, o mediador cultural, escrevinhador e o “gostador” que me habitam inquietos. Cheguei a interrogar-me como seria fazer uma visita-oficina a esta exposição especial… E como seria escrever para uma imagem…e porque não aquele desenho ali ou sobre a fotografia do canário morto entre os pelos púbicos de uma adolescente. Calma! Calma! É só um efeito de contaminação com a imagem ao lado: o canário está morto e vão enterra-lo, como no poema de Jacques Prévert (“le chat et l’oiseau”).
Por cortesia de Bárbara Fonte
Bem… Não se descreve esse território, mas sente-se. O corpo que o diga quando se confronta com as peças. Se deixarem o corpo fazer o que lhe apetece, fica a peça interpretada. Por pouco não fiquei ajoelhado religiosamente (como uma freira) em frente à sequência de fotografias onde a artista (Bárbara Fonte) dá corpo (rosto) a alguns vendavais da alma humana. De qualquer forma, tentei identificar devotamente os diversos verbos ali autorretratados.
Por cortesia de Bárbara Fonte
Essa sabedoria cutânea, instantânea e inconsciente que possuímos, devida apenas ao facto de estarmos vivos, é convocada nesta exposição. Penso: Eu já senti tudo isto, sei do que se trata… Bárbara Fonte confirma as minhas suspeitas no o seu vídeo, caderno de notas, onde página a página, exaustivamente, enumera sensações e desafios à interpretação pessoal. Preto e branco, som em bruto, real como um desenho acutilante; mas afinal fala-se de gente e somos levados para um território estranhamente familiar. Como se Bárbara nos dissesse: Vou explicar-te intimamente como funciona a tua cabeça… A certa altura, há uma janela com um lençol e um corpo de mulher entrevisto em segundo plano; o vento faz voltejar o tecido. O visitante incauto fica feliz pois julga ter vislumbrado uma relação entre esta janela de umbrais em pedra e outras na aldeia de Vilarinho das Furnas (cit. Vídeo “Barragem”, 1979, José Barrias) … São tontos os visitantes das exposições, vêm carregados de referências… (embora a reflexão sobre a ausência encontre eco nesta exposição)
Fotograma de um vídeo de Bárbara Fonte que mexeu comigo
A exposição contém uma enorme densidade de sensações mais profundas do que um qualquer “déjà vu ”, é preciso tempo para a percorrer. Ficamos com a sensação que a sucessão de salas é pequena para conter tanta informação vital. José Barrias Já montou um plano para registar tudo o que se sente: Vamos fazer um inventário humano! Documentar este limbo revertendo-o na nobre arte da literatura… É fundamental a existência de um livro, fechado, para que o nosso olhar nele penetre conferindo-lhe um conteúdo, evidentemente pessoal. Ele sabe que se pode desenhar o indizível com um lápis de palavras. Um dispositivo museológico (caixa de acrílico montada sobre uma peanha) exibe um pequeno conjunto de objetos/esculturas todos da mesma escala; uma espécie de salvados. Heresia: leio-os em sequência como se cada um fossem versos de uma poesia; o último verso é uma ave morta. Noutra sala, o artista conclui que naquele recanto ficava bem uma biblioteca – concordo: coloco os óculos e tento ler um romance em miniatura, consultando de seguida o escaparate.
Quase Nouveau Roman, 2014. Múltiplo de Quase Romance, edição de 5 exemplares, escala 1/10.Inside Outside, 2015. José Barrias com Bárbara Fonte, na Plataforma Revólver, Lisboa.
Adiante, mais desenho (e que desenhos!), sempre em fuga do óbvio, abrindo espaços para ausências e transparências, uma memória do imaginado. Traços que se rebelam do suporte, obrigando a uma leitura global da obra nas suas três dimensões, depois contaminam paredes e toda a galeria é já o ateliê do artista, lugar de experimentação livre. Sente-se a alegria na montagem da exposição e ficamos com a sensação que perdemos o essencial: o momento em se pronuncia a proposta, em que nos decidimos a partilhar um território profundamente humano de desencontro, conferindo-lhe uma resolução estética.
 Bárbara Fonte
Bárbara Fonte

Tempo ainda para falar de cabelos entrelaçados
unindo os dois discursos.
Afinal, toda a gente sabe que os cabelos são desenhados com minas muito, muito finas...