segunda-feira, 23 de maio de 2016

Sarrazola (Colares): Leituras Diferentes

Sussurrando e escutando em estéreo...
 Está mesmo a chegar ao fim o trabalho na Escola da Sarrazola (Agrupamento de escolas do Monte da Lua). Só falta mesmo uma ida à Praia Grande combinada para 4ªfeira dia 25 – espero ter oportunidade de ler alguns poemas sobre o mar a este maravilhoso grupo de jovens especiais. Hoje trabalhámos a máquina da poesia na sua versão de “Caixas de poesia” e resultou muito bem. Até conseguimos falar sobre o significado de algumas palavras e também de metáforas (coisa difícil…). Cada um escolheu uma frase poética obtida com a “máquina” e começámos a sussurrar uns aos outros, por vezes em estéreo. E que tal levarmos os sussurradores para a praia?
Uma equipa sussurrante 

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Mediação leitora e necessidades educativas especiais - Sintra

 EB 1 Mem Martins - Trabalhando o livro 3D "Jim o curioso"
(Obrigado Cláudia Sousa por me teres mostrado este livro...)
A mediação leitora tem sido uma constante no trabalho que venho desenvolvendo no projeto “Leituras diferentes” que decorre em dois agrupamentos de escolas do Concelho de Sintra (AE Monte da Lua e AE Ferreira de Castro) . Uma das intenções subjacentes ao projeto é conseguir elaborar uma lista de livros pensando nas especificidades dos alunos com necessidades educativas especiais. Pegar no livro, manipular o objeto, estabelecer a comunicação, interrogar, devolver perguntas – tudo isto é mediar a leitura. É muito importante que existam livros específicos numa unidade de ensino especial, concomitantemente com uma relação constante com a biblioteca escolar e respetivo professor/a responsável. Através dos livros, trabalham-se diferentes competências dos alunos: da memória leitora à antecipação leitora, passando pela perceção, o conhecimento do meio, a recoleção e a articulação das palavras, e tantas, tantas pistas de trabalho convocadas por estes suportes de leitura. Nesta relação é fundamental poder contar com professores bibliotecários na seleção de outros suportes e recursos não livro como dvd, jogos, áudio, documentos em suporte informático físico (Cdrom, pendrive, etc) ou virtual (na “nuvem”) tais como recursos educativos de livre acesso; O caso do Cata Livros onde se trabalham competências de leitura e Fanfarre que recolheu o aplauso dos nossos alunos do espectro do autismo. É impensável, nos dias de hoje, conceber uma sala de ensino especial que não tenha acesso livre a meios informáticos e possibilidade de navegação na internet. Um dos pontos mais significativos deste projeto foi a possibilidade de acrescentar novos títulos à lista de livros que têm provado o seu valor comunicativo junto das crianças do espectro do autismo. Em cada sessão de trabalho, surgiu sempre um novo livro para ser mediado com calma suscitando as reações mais diversas; depois da história, mãos ao trabalho!
Feliz dento do livro "Book with a hole"! (vejam aqui outras possibilidades deste livro fantástico de Hervé Tullet,
 pista para a construção de outros materiais de educação artística)

Caixas com poesia inclusiva

Pequenos papeis com palavras ilustradas pelos alunos mais novos
Caixas e primeiras frases sobre a mesa
Aprendemos sempre com o erro. Quando em 2014 tentei aplicar a “Máquina da poesia” a um grupo de alunos com necessidades educativas especiais com um perfil um pouco mais profundo, deparei-me com imensas dificuldades: tinha colocado a fasquia das expectativas demasiado alta e não tinha feito as necessárias adaptações da metodologia de escrita imaginativa a esta nossa realidade específica. Sobretudo não tinha levado em linha de conta a dificuldade de descodificação da metáfora por parte dos alunos do espectro autista. Este ano letivo no projeto “Leituras diferentes”, que envolve dois agrupamentos de escolas do concelho de Sintra, lançámos a “Máquina da poesia” complementada com os “Sussurradores” (ferramenta). 
Construindo os sussurradores
Por um lado trabalhávamos a escrita poética, por outro a palavra dita, a comunicação. As oficinas ainda decorrem mas podemos falar já de parte do trabalho desenvolvido no Agrupamento de escolas Ferreira de Castro. Na escola básica nº1 de Mem Martins a proposta foi inclusiva, tendo envolvido a turmas do 1º ao 4º com ou sem meninos/as da “sala dos corajosos” (unidade de ensino especial). As categorias das palavras referidas na metodologia (ver link) foram substituídas por caixinhas onde os alunos colocaram nomes simples, verbos, lugares, emoções e adjetivos. Os primeiros versos foram escritos recorrendo às palavras (os mais pequenos ilustraram palavras simples) que, à vez, foram sendo retiradas das caixas, construindo uma frase. Depois de entendido o mecanismo, começámos a brincar com as palavras, registando o resultado obtido por inspiração do momento na turma. As sessões produtivas (e muito...) tiveram lugar na Biblioteca Escolar e na sala de aula. Na unidade de ensino especial, fizemos uma abordagem mais individualizada da ideia. As crianças construíram frases simples que sussurraram aos ouvidos dos colegas e professores usando os seus tubos de comunicação (sussurradores) – Algumas frases saíram mais elaboradas, outras participações reduziram-se a uma pequena palavra ilustrada sonoramente no momento de partilha sussurrada. Os sussurradores também permitiram trabalhar a cooperação e a clareza nas palavras ditas quase ao ouvido.

Nos meus próximos textos falarei de outros aspetos e experiências vividas nas escolas, sem esquecer a referência à mediação de livros específicos. 
Toca a sussurrar!

quarta-feira, 18 de maio de 2016

A "Máquina" foi à Ericeira.

Um 5º ano muito empenhado na Biblioteca escolar da Ericeira
Um belo ambiente...
Na sexta-feira 13 (não houve nenhum azar…) estive nas bibliotecas escolares da Ericeira, a convite da Biblioteca Municipal de Mafra, para brincar com as palavras através da máquina da poesia. Gostei muito de trabalhar com os alunos do 5º ano que se atiraram à escrita sem medo. Deu para entender pela expressão das professoras que gostaram da sessão… Eu também: foi uma manhã bem passada. De tarde estive com um 4º ano tagarela na escola básica da Ericeira – demorou a aquecer mas lá se divertiram com escrita poética. Saíram textos muito bons! Obrigado à Carla Rodrigues pela disponibilidade atenta. E vivam os Jagozes! 

terça-feira, 17 de maio de 2016

Trabalhando com crianças especiais no Monte da Lua

A difícil tarefa de desenhar o outro...(EB 2.3 D. Fernando - Sintra)
Está quase a chegar ao fim o projeto “Leituras diferentes” que decorre em 3 escolas do Agrupamento de Escolas Monte da Lua e na EB 1 de Mem Martins (AE Ferreira de Castro). É tempo de falar do que correu bem, entender e corrigir os pontos mais fracos e, sobretudo, construir conhecimento a partir das metodologias experimentadas. Uma das propostas apresentadas, “O cartão de cidadão” (Agrupamento de Escolas Monte da Lua), trabalha a identidade construída passo a passo, do autorretrato à visão que o outro tem de nós (recorrendo à fotografia e ao desenho) passando pelo registo do corpo à escala (em desenho). Concomitantemente, propomos uma recolha de adjetivos que caracterizem cada um dos participantes, palavras colhidas entre os colegas, na comunidade escolar e na família – é esta matéria-prima de palavras que é utilizada para trabalhar o programa “Tagxedo”, obtendo um autorretrato gráfico. (em baixo: exemplos dos trabalhos obtidos com os alunos da Secundária de Santa Maria/Sintra)

 No final, todas estas peças são coladas num único suporte, um cartão de cidadão de tamanho gigante construído com a colaboração dos colegas no chão da biblioteca escolar. Em todas as sessões – a presença de um livro mediado para todos (quase sempre um livro de imagens). Amanhã falarei da adaptação que fiz da máquina da poesia para trabalhar com alunos mais novos e, também, com o ensino especial.
Construindo um "cartão de cidadão" gigante com a ajuda dos colegas
(Biblioteca escolar da Sarrazola/Colares)

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Um perfeito peixe-voador!

De um lado para o outro promovendo o meu livro “Rimas salgadas” e apresentando o “Arribalé!” (narração oral e oceanos) nos espaços de leitura. Um périplo que começou na semana da leitura terminando hoje na biblioteca “Refúgio das Letras” (Milharado/Venda do Pinheiro). A 25 de abril teve lugar na Biblioteca Municipal do Cadaval uma apresentação do Arribalé que correu bastante bem: sala cheia de adultos e crianças. Espero que o senhor presidente da Câmara não tenha ficado aborrecido por ter sido recrutado entre a assistência para arbitrar (com apito condizente) o poema "Relato" do meu livro "Rimas salgadas"...Aproveito para agradecer a Tânia Camilo que foi incansável! No dia seguinte já estava no alto Minho para um encontro com os leitores no Colégio de Campos. Sala cheia e ambiente divertido. Recebi uns belos presentes que não consegui trazer para sul: os alunos fizeram uma peça cerâmica e dois grandes peixes a lápis de cor que não cabiam na minha mala. É sempre muito gratificante ir a Campos. No dia seguinte, já em Vila Nova de Cerveira, trabalhei com livros de imagem (álbuns) com um grupo de alunos com necessidades educativas especiais…acho que gostaram. Para fechar com chave de ouro a passagem pela “vila das artes”, fiz a “máquina da poesia” com um grupo de jovens da ETAP. Nessa mesma noite fui dormir a Viseu, pois no dia seguinte tinha um encontro com jovens do 7º e 8º ano da escola Viriato envolvidos no programa do Plano Nacional de Leitura “Ler+Mar”. Foram dois encontros muito dinâmicos que decorreram na Biblioteca Escolar. No dia seguinte já estava em Celorico da Beira, na Biblioteca Municipal, para falar da minha obra aos alunos da Vila. Quem me conhece sabe bem que me divirto bastante a trocar as voltas aos “pilantrinhas” do 5º e 6º ano. Para além disto, comprovei a proverbial hospitalidade serrana. Estava um dia gloriosamente luminoso, de tal forma que no caminho de regresso a Canas de Senhorim, vim conduzindo muito devagarinho por estradas secundárias ladeadas de flores e encimadas por redondos penedos de granito – que bonita é a Beira Alta.
 "Arribalé" - Biblioteca do Cadaval (foto David Leiroz)
 Com os alunos da ETAP de Vila Nova de Cerveira 
Um belo ambiente!
Pela estrada fora... Entre Celorico e Gouveia

Hoje estive na Escola Básica do Milharado (Venda do Pinheiro/Mafra) a convite do professor Pedro Moura. Já conheço bem a escola: trabalhei o sítio Cata Livros nesta casa e tenho apresentado os meus livros na Biblioteca Esconderijo das Letras. Primeiro conversei e disparatei com os alunos do 4º e 3º ano… pela cara que levavam à saída da Biblioteca Escolar, acho que se divertiram. Mas o momento mais forte foi a sessão de conto e poesia para as famílias que decorreu no mesmo espaço ao final da tarde. Quase 50 pessoas da comunidade acorreram à sessão! Comovente, a qualidade deste trabalho das bibliotecas escolares.
Na Biblioteca Escolar Esconderijo das Letras (Milharado)