sexta-feira, 25 de Julho de 2014

O Museu das Palavras

Um blogue muito interessante de Ricardo Soares e Sara Navarro

Museu Jorge Vieira
Casa das artes

Ao longo de 3 horas faremos uma pequena viagem pela obra de Jorge Vieira, com especial destaque para o acervo doado à cidade de Beja em 1994. As peças expostas serão ponto de partida para a partilha de diferentes formas de promover a palavra dentro dos museus: da escrita imaginativa ao conto, passando pelos exercícios gráficos ou a simples leitura junto às obras de arte, tomaremos contacto com a metodologia específica de intervenção nestes espaços.
E será possível montar um pequeno museu que conduza à escrita no nosso local de trabalho ou de intervenção? Apresentação da proposta “O museu das palavras”.

Reza assim a sinopse da oficina que apresentarei nas Andarilhas mas que não é mais do que um pequeno fórum de troca de experiências e ferramentas de intervenção, provando a contaminação alegre que a educação artística tem na mediação leitora e vice-versa. Quase um efeito de espelho com a sessão formativa que a minha querida amiga Marina Palácio apresentará no encontro. Como sempre, o sucesso das formações depende da sede dos participantes. Lá vos espero.

domingo, 20 de Julho de 2014

Andarilhas em Agosto

Narrando "Eisen" junto à peça "Durante o sono" de Rui Chafes
(Centro de Arte Moderna)
É já no final de agosto que chegam as XIII Palavras Andarilhas, encontro de referência para todos os contadores de histórias e mediadores do livro e da leitura do nosso país. Ao longo dos dias do encontro muito se aprende; conferimos a nossa prática de mediação leitora e comunicando rompemos o isolamento onde muitas vezes desenvolvemos o nosso trabalho. Também respondi a este chamamento de Beja: lá estarei partilhando com todos os andarilhos os contextos onde venho desenvolvendo a minha atividade de mediação leitora. Das prisões aos museus, passando pelas necessidades educativas especiais, acreditando sempre na palavra.
Em breve darei informação mais detalhada.

quinta-feira, 10 de Julho de 2014

Os escultores da Persona

Jeppe Hein - Cage and mirror
Uma dos grupos mais fieis que têm vindo ao Centro de Arte Moderna para as nossas oficinas Museu Aberto (NEE) tem sido a Associação Persona. Existe um grau de cumplicidade com os técnicos que acompanham os visitantes e já vamos conhecendo estas pessoas (com perturbações psiquiátricas) que continuamente nos surpreendem pela qualidade dos trabalhos que produzem em oficina, expressão clara do entendimento que fazem das exposições patentes no Centro. A propósito da exposição coletiva “Daqui parece uma montanha”, atualmente patente no museu (aconselho vivamente a vista!) aqui vos deixo algumas fotografias tirada spela Maria Vidagany (em observação para uma tese universitária) que mostram bem a qualidade do produzido. Um trabalho de passagem do desenho para o tridimensionalidade, sendo o arame a linha que corporiza no espaço.

domingo, 6 de Julho de 2014

Assistentes operacionais

Partindo deste ponto de vista exterior à escola, e pensando na intervenção junto de alunos com necessidades educativas especiais, penso muitas vezes no papel dos/as assistentes operacionais (“auxiliares de educação”) nesta área de trabalho. Já encontrei senhoras que se propõem como segundas avós destas crianças especiais, cobrindo-as de beijinhos, exibindo a pena, como se daí resultasse algum milagre terapêutico (o pior é acharem que não vale a pena o esforço que fazemos...) Já outras, intuitivamente têm a atitude correta, acrescentando intenção ao trabalho que está a ser desenvolvido pelos professores de ensino especial. Outras há que, de tão entrosadas com o trabalho com estas crianças quase não se distinguem dos professores especializados. Os assistentes operacionais são demasiado preciosos para serem dispensados do envolvimento nos projetos terapêuticos/educativos.
Todos sabemos que são os/as assistentes operacionais que na escola acolhem e acompanham ao longo de todo o dia as crianças com necessidades educativas especiais, numa ação paralela à tarefa pedagógica desenvolvida pelos docentes.
Muitos/as tornam-se referência para estas crianças especiais, interagindo com elas um elevado número de horas, não tendo consciência (a maioria) do valor terapêutico e educativo do seu trabalho. Os/as assistentes operacionais estão presentes na sala de ensino especial, na biblioteca escolar, no pátio do recreio, à hora da refeição ou, mesmo, interagindo com os pais logo pela manhã ao começo das aulas; podem ser decisivos num projeto de intervenção inclusiva ou especializada.
Importa apostar com urgência na formação destes profissionais, partilhando conhecimento e ferramentas que contribuam para o enriquecimento da prática educativa. Do conhecimento da problemática da deficiência ao contacto com experiências partilhadas, passando pelo conto e a oralidade, mediação leitora e educação artística, tudo isto poderá ser conteúdo de formação. Todos somos educadores “especiais”…

sexta-feira, 4 de Julho de 2014

A casa de Canas

A luz coada da casa ajuda-me a pensar. Movimento-me nas penumbras silenciosas, acariciando cantos acolhedores. A casa fala comigo, sinto-o. Fico mais calmo, mas sem conseguir ler. Não é uma insónia, lá fora brilha o sol e reina o vento, é antes uma vigília de ideias que me assalta no corredor entre a sala e a cozinha. A casa, como uma concha, fecha devagar as paredes sobre mim, como um manto seguro sob o qual  posso adormecer. Os amigos estão lá, movem-se também, com as suas vozes, pela luz escassa e espessa que desenha as divisões; a sua presença acentua a disponibilidade do espaço, íntimo. Do âmago desta casa tenho um bom ângulo de visão sobre a minha vida: protegido posso olhar através das paredes em direção ao futuro.

sábado, 28 de Junho de 2014

Borrachinhas para os lápis (Ferramenta)

Ora aqui vai um pequeno truque aprendido com a Isabel Barbosa (uma mãe dos "Pais em Rede"), para que os nossos meninos segurem melhor o lápis, sem escorregar, vencendo as partidas da motricidade fina. Estas borrachinhas ajudam a dominar a ferramenta lápis: a aprendizagem torna-se mais fluida. E que tal utilizar os elásticos da moda para resolver este problema? Aqui fica a solução pensada por uma menina daqui de Mafra,  usando o mesmo material das pulseirinhas…

sexta-feira, 27 de Junho de 2014

Autorretatos de Alberto Vale

fotografia de Alberto Vale - Direitos reservados - Publicada por cortesia do autor
De vez em quando, as unidades de ensino especial são bafejadas pela colocação de um professor contratado Artista que vem reforçar o trabalho criativo que vem decorrendo no terreno. É o caso do Alberto Vale, uma perfeita “caixinha de surpresas” que tem acompanhado as crianças especiais de Fitares (agrupamento de escolas escultor Francisco dos Santos - Sintra). Além de muito atento às novas tecnologias e a meios menos convencionais de trabalho com as crianças, tem uma vertente de fotógrafo que encaixa bem no nosso trabalho sobre a identidade e a comunicação. Os seus autorretratos quase monocromáticos abordam diferentes expressões humanas através do poder do olhar, concordante com a postura do corpo. Fotografias limpas, sem ruído, exatamente o que necessitamos para trabalhar com autismo e alguns défices cognitivos. A mensagem é clara, resta escutar a reação dos alunos. Atrevo-me a sugerir que ele dê continuidade a este trabalho, pegando nas expressões básicas do ser humano, atribuindo a cada imagem um adjetivo. É fácil fazer um guião de trabalho… Fiquei com vontade de trabalhar estas imagens com as nossas crianças… Saibam mais sobre o seu trabalho aqui!
E de repente, lembrei-me de um outro autorretrato de que gosto muito: Gustave Courbet…