quinta-feira, 20 de Novembro de 2014

Criadores no Cosmos

Kepler - 16L
Não sei se a professora Ana Pereira, companheira do Projeto 10x10, concorda… Mas sinto os alunos muito empenhados na criação de um planeta imaginário. Pesquisam, ponderam hipóteses, fazem estudos sobre as criaturas que o habitam e desenhos, antevendo o aspeto final do astro. Decidem a sua localização no espaço (galáxia) e tipo de sistema solar a que pertence. Vão construindo uma argumentação poderosa para defender a possibilidade real do seu planeta e, também, argumentos para questionar as outras equipas participantes – São quatro equipas, quatro planetas, alguns já batizados e habitados por seres surpreendentes. O estudo da matéria e o espírito científico são fundamentais para esta criação cósmica. A equipa de Denys, de volta de um planeta enxofrado ("Kepler-16L"), resolveu fazer a antevisão da orbe no Photoshop…

domingo, 16 de Novembro de 2014

Dia do Mar com contos e ilustrações

foto: Penélope Argos
Regresso a Ílhavo para comemorar o dia do Mar no Museu Marítimo de Ílhavo. Gosto sempre de voltar a este museu onde sou muito bem recebido… Logo ao início da tarde, promovemos um workshop de ilustração para iniciados, a pensar nas famílias. Uma sala bem composta com gentes de todas as idades. Experimentámos diferentes materiais, desenhámos peixes verdadeiros (estava um cheiro a carapau na sala…), transformámos uma faneca (verdadeira) em matriz de gravura - explorámos as possibilidades do desenho. Gostei de ver os crescidos a desenhar ao lado das crianças.
Ao fim da tarde contei histórias no aquário dos bacalhaus. Imaginem uma grande janela do aquário como cenário para uma sessão de contos…Contar histórias e dizer poemas sobre o mar enquanto um gordo gadídeo nada atrás de nós, faz a diferença; ainda por cima com um público fantástico e variado. Quando forem a Ílhavo não se esqueçam de visitar este museu. Fica aqui um abraço para a Márcia e para o Hugo, extensível a toda a equipa que me apoiou em mais uma aventura no mar.

sexta-feira, 14 de Novembro de 2014

Uma visita no Domingo - Salette Tavares

"Alquerubim" -. Salette Tavares (Centro de Arte Moderna - FCG)
Recordo-me de Salette Tavares nos meus primeiros anos de estudo no AR.CO. Uma senhora de cabelo montado com um subtil sentido de humor comunicando bem com um bando de estudantes de imagem pouco cuidada (na altura tinha o cabelo bem comprido…). Lembro-me de ter visto a exposição na galeria Quadrum  - a “Bailia” (peça exposta no CAM) estava montada num espaço criado com lençóis que pendiam do teto, a sombra do poema projetava-se contra o tecido suspenso. Este Domingo vou fazer uma visita à obra de esta artista pouco conhecida. Sinto um certo peso da responsabilidade. Mas espero que todos aqueles que apareçam no Cam pelas 12 horas de Domingo, se divirtam e entendam melhor esta obra de poesia visual/espacial. “Visita à obra de Salette Tavares exposta na galeria de exposições temporárias, de papel e lápis na mão. O desenho como fiel amigo da memória, ferramenta reveladora de imagens aparentemente ocultas. A mesma mão que escreve o poema brincado, segue o seu caminho no traço de um lápis: o visto toma forma no registo.”

quinta-feira, 13 de Novembro de 2014

"A cor das histórias" no Linhó - A leitura faz o seu caminho

Finalmente começam a chegar respostas aos meus desafios: poemas escritos e ilustrados pelos reclusos. De vez em quando temos que trabalhar a escrita a partir da língua materna dos participantes; começamos com o poema em Crioulo e todos ajudam a traduzir para Português – ficam espantados com o poder das palavras numa língua que dominam mal… Dão bom uso aos cadernos e canetas que ofereci… No grupo há um jovem Colombiano que se farta de ler… Ontem levou um livro de Luís Sepúlveda (“Expresso da Patagónia” ); já lamentámos não ter um livro de Garcia Lorca para ler aos outros reclusos.  A biblioteca vai melhorando – o recluso faxina está a organizar os livros segundo a CDU - vai ser muito mais fácil encontrar o que procuramos. Passou a ficar uma lista de recomendações de leitura junto deste “bibliotecário” acidental, com indicações precisas da pessoa a quem se destina determinado livro.  As pessoas do exterior, bem-intencionadas, por certo, continuam a oferecer às prisões livros obsoletos e pouco interessantes para esta população específica. Diz-me o faxina bibliotecário: “Ó professor…quem vai ler este livro do Lenin ou o “Anuário da Marinha”? Concordo, ninguém. Mas no meio da doação encontro algumas pérolas, já gastas – um livro de Gedeão encontrou logo um leitor. As minhas propostas de leitura vão fazendo o seu caminho no pequeno grupo com hábitos de leitura mais enraizados: Italo Calvino (“O visconde cortado ao meio” – lembrei-me logo da Helena Gravato) e Nicolai Gógol (“O retrato”). Este trabalho de mediação leitora em contexto prisional necessita de mais tempo para se desenvolver. Consegui que o um dos reclusos lesse em voz alta dois poemas de José Fanha (Antologia) – O Fanha faz milagres neste contexto… Outros autores lidos na sessão: Álvaro Magalhães, Ondjaki (“os da minha rua”) e, de novo, Alexandre O’ Neill (muito apreciado nesta comunidade de leitores). Encerrando a sessão, um livro de imagens de David Wiesner (“Tuesday”) fez as delícias dos presentes.
Poema escrito e ilustrado pelo Nilson. Há muitos cadernos com escrita escondidos nas celas.

terça-feira, 11 de Novembro de 2014

Trabalhando as emoções no estabelecimento prisional do Linhó

Miguel Horta - "Jogo das expressões
Nem sempre conseguimos a regularidade das presenças nas oficinas de leitura e escrita quando trabalhamos em contexto prisional. É preciso que a informação circule e que a segurança autorize a circulação dos reclusos atempadamente. Por outro lado, são muitos os projetos de voluntariado que chegam às prisões, dispersando os reclusos com a variedade da oferta antes que eles se consigam centrar nos seus objetivos com clareza. A leitura e a escrita levam tempo, subtendendo uma relação entre mediador e recluso que necessita de espaço e tempo para que se desenvolva nos seus conteúdos. Por vezes, só na terceira sessão, os participantes entendem os objetivos do meu trabalho; é difícil entender o labor do mediador: não sou padre, voluntário, professor nem educador prisional. As relações levam sempre tempo a construir ; importa que surja uma plataforma de entendimento e crescimento… Na semana passada usei o “jogo das expressões” (construído a pensar nas necessidades educativas especiais) junto dos meus reclusos. Serviu o jogo para trabalhar os adjetivos que caracterizam o outro, partindo da pergunta: Será que consigo realmente ler as expressões de rosto no outro? Como calculam o debate foi bem interessante, experimentando diferentes possibilidades de expressão de emoção, cada um na sua vez, sobre a grande mesa da biblioteca prisional do Linhó. Nessa sessão, todos colaborámos na tradução de um poema em crioulo para português…acho que o autor ficou contente… Textos? Bem, lemos Alexandre O’ Neill e José Fanha 

domingo, 9 de Novembro de 2014

10x10: Nas estrelas!

Inventando um novo planeta
Pois as aulas de geologia do projeto 10x10 correm bem! É um grupo de alunos pequeno e descontraído que aos poucos vai vencendo esta “matéria” rochosa. Resolvemos lançar um desafio aos nossos jovens: inventem um planeta diferente da terra, usando a vossa imaginação e os conhecimentos que já adquiriram. Vale tudo, desde que a mentira seja bem engendrada. Terão que convencer o resto da turma sobre a possibilidade real do vosso planeta: Composição do astro? Morada no universo? Existência de vida? Se tudo correr bem, faremos uma pequena escultura/modelo. Os 5 grupos trabalham afincadamente… Um dos planetas pertence a um sistema com duas estrelas, noutro a sílica é o elemento fundamental, outro tem um núcleo envolto em diamante e, finalmente, uma orbe aquática com a vida surgindo na base do enxofre. Gosto bastante dos esboços e rabiscos que vão surgindo no interior de cada grupo.
Resolvemos começar a última aula no átrio interior de entrada na escola com um exercício de corpo em que se simulava o movimento dos astros. Parti de uma proposta da Sofia Cabrita e inventei. Colocámos a estrela (a professora Ana Pereira) no centro do grupo. Dividimos o grupo em duplas: um planeta e o seu satélite (com velocidades e comportamentos diferentes) e orbitámos em torno do nosso sol, cumprindo elipses diferentes…sem choques. Daí a pouco já tínhamos seduzido dois alunos de outra turma que ali estavam sem aulas. Agora com mais astros, transformámo-nos em loucos asteróides que tinham de se afastar do seu duplo ocupando todo o espaço do átrio. Finalmente, o choque dos asteróides, massa cósmica, formando planetas: Pensem secretamente num asteróide/colega e colem-se a ele: formaram-se dois planetas. A professora Ana sorria... os alunos das outras turmas e os assistentes operacionais olhavam-nos espantados. Ninguém queria parar, mas tínhamos outro desafio para cumprir…

sexta-feira, 31 de Outubro de 2014

Roda viva

A equipa das Necessidades Educativas Especiais do Centro de Arte Moderna tem andado numa roda viva neste mês de outubro. Primeiro com o encontro (fórum) “Descobrir a Diferença” que teve lugar no sábado passado no edifício sede da Fundação Calouste Gulbenkian, depois em Setúbal com uma meta-oficina promovida pela Câmara Municipal, sobre o rosto e a identidade e, agora, em Viseu (Teatro Viriato) de onde vos escrevo, com o curso “mediar públicos com necessidades educativas especiais”. Não estávamos à espera de uma grande adesão ao fórum “Descobrir a diferença”, mas a sala encheu-se com um debate vivo. Faltam espaços para troca de ideias entre pais, técnicos e professores; foi isso que sentimos. A nossa convidada Ana Salgueiro foi respondendo às questões que lhe foram sendo colocadas: o debate rodou, primeiro em torno das questões da comunicação e convivência entre pais, técnicos, professores de ensino especial e claro, sobre a escola no seu todo. Falou-se de inclusão e da legislação portuguesa, considerada por Ana Salgueiro como muito avançada no universo europeu. Socorro-me de algumas notas da minha colega Margarida Rodrigues para avivar a memória: falou-se de intervenção precoce, tema forte para Ana salgueiro, tendo sido referido um ponto que me chamou a atenção: “Frequentemente, são as educadoras de infância que reconhecem os primeiros asinais da diferença, sobretudo no que diz respeito às perturbações do espectro do autismo.”Leio, nas notas da Margarida: “que a intervenção precoce volte a trazer a relação entre técnico/medico/família/professor… para que em vez de estar tudo dividido e espartilhado, numa situação em que os pais/família são quase como bola de pingue-pongue, passe a estar tudo incluído num mesmo todo, com mais relação e apoio.” Na primavera voltaremos a promover mais um fórum, desta vez com a presença dos “Pais em Rede”- a urgência, obriga-nos.Em Setúbal o interesse pelas nossas ideias tem aumentado – esta é a segunda vez que fazemos uma intervenção formativa pela mão do Município. Quero agradecer à Sónia Eleutério o carinho com que nos recebeu, mais uma vez, em Setúbal. Soube bem sentir a reação de aprovação daqueles formandos experientes à nossa abordagem das questões da identidade, sua representação e relação com o corpo que a habita. Se tudo correr bem, voltaremos. Em breve vos darei conta do nosso trabalho aqui em Viseu. Até já. 
Corpo e identidade...