sexta-feira, 15 de Agosto de 2014

Mógóróóó! Projeto 10X10

Mógóróóó! E todos ao centro para desarrumar o que está formatado; segue o jogo com muita atenção e imaginação, que é coisa requerida nas residências do projeto 10x10 (Descobrir/Gulbenkian). Quem orienta a dinâmica é o ator encenador Nuno Cardoso; todos participam (professores e artistas) numa brincadeira que ajuda a memorizar, promove a atenção exigindo uma resposta do corpo. Estamos todos descalços e confortáveis, numa das belas salas da Fundação, transformada em estúdio de experimentação.
Para quem não conhece este projeto em que estou envolvido, aqui ficam umas linhas que dão uma ideia sobre os objetivos e metodologia, mas não expressam bem a atmosfera que se vive neste momento inicial – a Residência!
Quantas vezes os professores se interrogam de como tornar a matéria interessante e relevante para o aluno tendo em conta as suas experiências e interrogações? Como ultrapassar a desmotivação? Como tornar estimulante o ensino de disciplinas como o português, a matemática, a filosofia e a biologia? Como tornar os alunos ativos no processo de aprendizagem? 
 projeto 10 x 10 tenta dar respostas a estas perguntas promovendo a colaboração entre professores de várias disciplinas do 10º ano e artistas de várias áreas. 
As respostas nem sempre são óbvias e fáceis de alcançar, e a colaboração com artistas foi algo importante neste processo tendo em conta que as práticas artísticas e criativas podem ser ferramentas pedagógicas úteis e eficazes para estimular a criatividade, o trabalho de equipa, a cooperação e a experimentação. Ferramentas capazes de mudar o paradigma de aprendizagem atual e de desmistificar o papel da escola. (in sítio Descobrir)
O projeto tem três momentos:
Residência – Conhecimento mútuo, entre professores e artistas, recheado de dinâmicas e partilha de pontos de vista.
As Aulas – Até ao natal, com um conjunto de aulas diferentes realizadas nos agrupamentos participantes, onde professor e artista aplicam um conceito criativo junto dos alunos das turmas escolhidas.
Aulas públicas – Finalmente, a partilha com uma comunidade educativa mais vasta dos resultados e caminhos percorridos, em sessões públicas a realizar na Fundação Calouste Gulbenkian (janeiro de 2015).
Mógóróóó! Como um grito tribal somos levados a usar o corpo, a voz, a música, enfim a expressão. Sucedem-se dinâmicas que nos libertam e podem ser úteis na sala de aula… Falamos de Micropedagogias. Mógóróóó! Sentamo-nos em círculo refletindo sobre a escola e a mudança. Tornamo-nos um corpo. Projetamos o futuro.

domingo, 10 de Agosto de 2014

"O lugre fantasma" - Narração oral no Museu Marítimo de Ílhavo

O pretexto para aprofundar um pouco mais o texto do conto “O lugre fantasma” surgiu agora com a celebração do aniversário do Museu Marítimo de Ílhavo onde tive o prazer de contar umas histórias com alguns disparates e poemas pelo meio. Apresentei este conto (primeira vez) nas Palavras Andarilhas (2012) numa brincadeira a que chamámos “Contos à deriva” : Contava eu histórias aos remos do barco do Hermes Picamilho, colocado propositadamente no lago do jardim municipal de Beja e recebia passageiros que se amontoavam na margem à espera de vez.
Agora em Ílhavo a personagem principal adquiriu um nome - Francisco Sarronca, pescador da Fuzeta que nos leva ao longo da narração, pela pesca do bacalhau, referindo sempre detalhes e pistas existentes no acervo do Museu Marítimo de Ílhavo. Procurei, li, registei, escrevi e devolvi ao público no sábado dia 9 de Agosto no interior de um navio (o “Faina maior”), montado numa das salas do Museu.
Aqui fica o texto que serviu de base para o momento de narração oral:
Francisco Sarronca, pescador da Fuzeta. Caçado á má fila pela GNR a cavalo nos sapais da Ria Formosa para ir para a “grande faina” do bacalhau: A paga pelo apoio à greve dos marítimos pescadores no ano de 1937. De novo na Terra Nova, num lugre desconhecido com um capitão que não conhecia. Apenas uma cara familiar: o troteiro (degolador) Sebastião, de ílhavo… Ainda ali andava, o velho…
Dois anos de castigo como salgador, de cócoras no porão distribuindo o sal pelos fieis amigos escalados, dispostos às camadas. Foi neste porão e naquela posição, de gatas, que foi surpreendido pelo início da guerra, a Grande Guerra, no mesmo dia em que lhe anunciaram que voltaria a pescar num dóri - linha na mão e fé em Deus!
Como pescar vem inscrito no sangue, não teve dificuldade em relembrar o ofício com a certeza de amealhar uns cobres no final da campanha. Esta seria a última: passaria a pescar na Armação de atum do Barril, uma famosa almadrava, que facilmente lhe garantiria o sustento dos seus, ainda por cima, mesmo ao lado de casa, no Sotavento Algarvio.
Manhã glacial, apesar de ser verão. Baixaram os dóris no oceano gelado e cada um lá seguiu no seu pequeno barco, isca farta de lula, que o bacalhau é bem guloso: Benza-o Deus! Ao fim de umas horas o cavername da pequena embarcação começou a ficar coberto de peixe. Dedos gretados pelo frio e pela força dos gadídeos, apenas as palmas da mão protegidas pelas népias, faixas de pano enrolando as manápulas. Mas eis que um terrível nevoeiro cobriu o mar todo. Nem se conseguia ver o velame do lugre, apenas se escutava uma sineta que servia para orientação dos marítimos, nestes casos. Remou, remou na direção do som rasgando o manto branco, mas o som cada vez era mais fraco. Ficou sozinho naquele mar desconhecido. E se um vapor lhe passasse por cima ou um iceberg surgisse na sua frente? A noite caiu e ele tiritando de frio enquanto roía a ração de pão e bacalhau entregue diariamente a cada pescador. Adormeceu por umas horas. Quando acordou, ainda estava imerso naquele branco gélido.
“Já na encontro o mê barco…” “A Senhora do Livramento que me proteja”
Já no auge do desespero vê surgir da poalha branca um vulto de navio, um outro lugre. E desata a berrar para os marinheiros que vislumbrou na amurada: “na encontro mê barque! Moçes, ajudem-me a encontrar o mê barque!”.
O grande barco vinha deslizando silenciosamente no mar agora calmo. Olhos encovados os marítimos desta embarcação aparecida olharam-no mudos, sem dizer palavra. “Ajudem-me a encontrar o mê barque!”- gritou ainda. Os marinheiros do lugre levantaram os braços apontando a direção da proa sem dizer palavra. E o lugre seguiu mudo sobre as águas sem parar para o recolher. Ainda teve tempo para ler o nome do barco: Maria da Glória.
Mesmo assim, resolveu seguir o rumo indicado pelos marinheiros: avante, seguindo a esteira. E remou na direção apontada pelos estranhos marítimos. Ao final da tarde, dissipou-se o nevoeiro e como por magia avistou o seu lugre mesmo ali à frente. Não conseguia conter a alegria: dava saltos no barco e chamava pelos companheiros. Os outros camaradas subiram-no a bordo e descarregaram a preciosa carga, empilhando o dóri desparecido na grande rima de barcos. Sebastião foi buscar uma garrafa de aguardente destinada a ser prémio para os que mais bacalhaus trouxessem e bombardeou-o com perguntas.
Chico Sarronca contou a sua aventura, como tinha sido ajudado por uns estranhos marinheiros de um tal lugre chamado Maria da Glória que apontaram silenciosos o rumo da salvação. Sebastião e os outros companheiros de destino mudaram de expressão ficando brancos como a cal:
“Foste ajudado por almas penadas…” “Hoje soubemos pela rádio, que pela madrugada, um submarino alemão afundou o Maria da Glória. Morreu toda a companha” - explicou Sebastião.
E o lugre mergulhou num silêncio só interrompido pelo ranger do madeirame embalado por uma suave ondulação.
Vale a pena visitar este museu que construiu o seu discurso expositivo partindo da pesca do bacalhau mas abraçando toda a tradição marítima da ria de Aveiro. Temos assim um museu transversal onde não falta um aquário encantado cheio de gadus morhua, com uma equipa eficiente, conhecedora e simpática. Ao mesmo tempo que contava histórias decorria uma oficina culinária onde os participantes aprendiam a cozinhar a “Chora de bacalhau”, umas maravilhosas caras deste gadídeo que lançaram um cheirinho tentador pelo museu.
Gostei de ter entre o meu público, os filhos da terra, alguns em linha direta com os pescadores da Terra Nova. Tranquilizou-me a sua aprovação. Percebi pelas suas expressões que tinham apreciado bastante o conto “António da Hora”…
Claro que na primeira fila tinha uma fila de pequeninos marujos sentados sobre almofadas colocadas no convés do lugre expositivo que não se perturbaram com as histórias para os crescidos e fartaram-se de rir com os disparates que fui dizendo, aprendidos em Alvor. Em dia de aniversário a casa estava bem composta: bastantes visitantes (muitos emigrantes) espalhados pelas diferentes salas.
Um sábado bem passado… 

quarta-feira, 6 de Agosto de 2014

Palavristas!

Já há algum tempo que as ideias bailavam na minha cabeça e na do Hugo Barata, na sequência da nossa anterior participação no projeto 10x10 Verão (2013). Sentíamos como era importante educar para a afirmação da opinião dentro dos museus, como parte de uma intenção mais lata de formação de público infantil e juvenil. Ao Hugo agradava-lhe muito o recurso ao conceito de Manifesto, como convocação de antigas vanguardas e fermentação de futuras. Pelo meu lado, elegi a palavra como veículo para essa afirmação, sob a figura tutelar de Almada Negreiros e do seu “Manifesto Anti-Dantas”; isto na linha da mediação leitora dentro dos museus.
Como as equipas educativas das oficinas deverão são compostas por 4 educadores artísticos (exigência da estrutura…), juntaram-se a nós mais dois elementos: A Joana Andrade trazendo a palavra dançada (ou o corpo e apalavra) e a Maria Remédio com o vídeo (a imagem da palavra). Ficou completo o conceito com a chegada do movimento e da imagem: tinha nascido a oficina "Manifestos Palavristas".
Daqui surgiu o plano de intenções que a seguir publico, bem como o vídeo resultante do trabalho em torno do corpo e da palavra nesta primeira semana de oficinas (um belo trabalho vídeo da Maria Remédio). Esta oficina será repetida a 18 de Agosto no Centro de Arte Moderna (Programa Descobrir) - Ainda há vagas!


“Manifesto-me! Manifesta-te! Tens uma opinião? Queres dizer alguma coisa? Serás um mestre Palavrista?
Nesta oficina vamos desafiar-te a encontrar formas criativas de manifestares o que pensas. Através de técnicas e materiais muito variados, e usando o poder das palavras, vamos desenhar, construir, escrever e inventar manifestos sobre a arte e o seu poder de mudar o nosso olhar, o nosso pensamento e, acima de tudo, o mundo em que vivemos.
É que um museu de arte é um espaço espantoso, cheio de obras desafiantes, palavras à solta e ideias importantes, uma espécie de grande livro aberto, vivo e em mudança permanente, sempre a propor-te maneiras criativas de o leres e (re)escreveres. E já agora, o que pensas sobre tudo isto? Anda cá dizer-nos!”

segunda-feira, 4 de Agosto de 2014

Discorrendo sobre mediação leitora e museus...

Colecção Berardo (Sintra 2002)
Discorrendo
Não vale a pena tentar separar as águas do conhecimento. O degelo das calotes já começou e o conhecimento adquire diferentes formas para circular e contornar o relevo social. Procuram-se palavras para definir o movimento das ideias. O corpo de conhecimento já não é sólido, mas sim líquido e flui através dos locais (virtuais ou não) de consumo cultural. Os atores culturais exercitam, experimentam novas capacidades de expressão artística. Escutamos palavras que se tornaram chavões, como transdisciplinaridade ou transversalidade, para definir um certo objeto cultural ou forma de fazer circular cultura. Surgem novas plataformas e antigas estruturas culturais adaptam-se aos tempos, sob um pano de fundo pleno de informação digital que circula seguindo o princípio de vasos comunicantes, ora lentamente ou numa imediata inundação. Os menos incautos sabem nadar: selecionam informação sem se deixarem afogar.
As paredes das estruturas culturais adquiriram as propriedades da membrana citoplasmática: deixam-se contaminar por osmose, experimentando novos formatos, garantindo a expansão e fidelização de públicos.
Servem estas linhas para olhar a mudança, aqui do ponto vista de um educador artístico que desenvolve o seu trabalho no interior dos Museus. O tema que abordarei é a influência da Mediação Leitora no trabalho desenvolvido pelos serviços educativos dos museus.
Contando o "João sem memória"
na entrada do Museu arqueológico de S. Miguel de Odrinhas (2004)
 Vamos lá…
Os serviços educativos têm vindo a convocar colaboradores oriundos de áreas aparentemente distintas das caraterísticas dos seus acervos. Assim, não é estranho encontrar gente da biologia ou da escrita desenvolvendo atividades em museus de arte. Essa variedade humana acaba por influenciar o modo como partilhamos as coleções. Surgem propostas em diálogo com os acervos, propondo pontos de vista novos, enriquecendo a relação pessoal que os visitantes estabelecem com os museus.
É cada vez mais frequente encontrar propostas de conto, narração oral, escrita criativa ou comunidades de leitores nos espaços museológicos. Nas oficinas criativas encontramos propostas que nos aproximam da palavra em relação com o exposto, sendo, por vezes, visível uma metodologia usada habitualmente na Mediação leitora. A Mediação Leitora tem incorporado na sua prática, muito da educação artística (sendo bons exemplos desse trabalho: Marina Palácio ou Portillo Vesga, apenas citando alguns sem desprimor dos outros), já o caminho inverso, dentro dos Museus, é mais raro.
Pessoalmente, tenho-me empenhado em tornar essa relação cada vez mais visível, não resistindo a dar alguns exemplos.
Um dos museus onde melhor trabalhei a escrita imaginativa foi no Museu Baleeiro das Lajes do Pico: as pequenas histórias ilustradas nos dentes de cachalote (Scrimshaw) e uma variedade enorme de objetos contadores de histórias, levaram as crianças à construção de pequenos textos, de uma forma muito natural (2006).
Museu Baleeiro das Lajes do Pico
 Ou então, a proposta de escrita epistolar no extinto Museu de Arte Moderna de Sintra (Coleção Berardo) a propósito da obra de ErichKahn (2004).
Mas a pensar em crianças mais novas, que não dominam a escrita, surgem propostas em torno da competência da palavra, como foi o caso de “Manifestos Palavristas”, oficina de verão pensada por Joana Andrade, Miguel Horta, Hugo Barata e Maria Remédio: a palavra desenhada, a palavra dançada, a palavra dita e finalmente filmada, partindo da exposição “Daqui parece uma Montanha” (Centro de Arte Moderna - 2014). (mais tarde, num outro post, falarei detalhadamente sobre esta oficina do CAM…).
"Manifestos Palavristas" (CAM)
Encontra-me uma palavra para esta peça.
As coleções falam connosco, impelem-nos à escrita. Uma ara romana do Museu Arqueológico de São Miguel de Odrinhas, resgata a memória de Pantera uma bela escrava negra tornada livre pelo seu senhor, perdido de amores. “Natacha” (António Soares -CAM) fala-nos de um amor entre esta bailarina Russa e um diplomata Cubano. Numa exposição temporária (CAM), as sequências fotográficas de João Tabarra levam-nos a narrativas mais negras, mergulhadas um caldo de referências cinematográficas. Salette Tavares ou AnaHatherly (entre outros) aproximam a poesia do desenho: Mas… Oh! Um curador imaginativo acaba de colocar uma moldura contendo um dos poemas ortográficos deAlexandre O’ Neill em diálogo com as duas autoras (Mas o homem não era só poeta?).
As crianças entendem bem o que é brincar com as palavras, como nos diz Álvaro Magalhães em “O brincador”.
A escrita é apenas mais uma forma de relacionamento do público com as coleções; não um exclusivo de curadores e críticos. E cada um escreve á sua maneira…Usar a escrita como forma de fruir o museu, é uma apropriação democrática da produção cultural exibida nesses espaços. Quando alguém escreve sobre aquilo que viu ou sentiu é como se dissesse: Entendi à minha maneira! É isso que queremos, novas interpretações, novos sentidos que perdurem e acrescentem futuro às nossas coleções.
Casa das Histórias Paula Rego

 A Palavra dita
A palavra dita vai fazendo o seu caminho dentro dos museus, quer através de performances ou de situações narrativas. O conto começou por entrar de forma incipiente, repetindo a fórmula gasta da “hora do conto”, depois ganho corpo com diferentes experiências em narração oral. É interessante verificar que cada vez mais educadores artísticos utilizam o livro infanto-juvenil em diálogo com as peças expostas. Mas há mais. António Fontinha prefere contar sem aparente relação com as obras expostas, deixando a interpretação e os sentidos a pairarem no ar do confronto entre duas expressões. Outros contadores escolhem do seu reportório contos que se relacionem, interajam com o exposto.
Eu gosto do labor do mineiro: primeiro aprendo sobre as obras, se possível falo com os artistas, escrevo o texto e devolvo tudo ao público num momento de narração oral (“Eisen” – CAM, 2014). Todas as experiências são válidas – procuramos novos relacionamentos com as coleções.  
Escrevendo as histórias sugeridas pelos Scrimshaw 
expostos no Museu baleeiro das Lajes do Pico
Uma última palavra sobre a importância das bibliotecas nos museus e o papel que estes espaços de leitura podem desempenhar, em relação íntima com os serviços educativos. Raro, eu sei. Mas um bibliotecário/a atento propõe leituras e relações com o exposto, relembrando que também eles são peça fundamental na educação das futuras gerações. Estas são apenas algumas notas sobre a possibilidade de um trabalho consistente em Mediação leitora no interior dos museus. Ficou muito por dizer… 

sexta-feira, 1 de Agosto de 2014

Um salvado...

Sessão de conto na Barraca (foto: Ouvir e Contar)
De vez em quando é preciso enviar algumas linhas sobre o nosso trabalho a quem nos solicita. Dei com este belo texto do José Barbieri (Memoriamedia) que dá um ponto de vista muito engraçado e poético sobre o meu trabalho…
"O pintor contador de histórias. Miguel cruza imaginários como quem mistura pinceladas de cor. Pragas algarvias, contos crioulos, histórias de pescadores, tudo cabe no seu saco. É mediador de livro e da leitura na Biblioteca António Ramos Rosa, bairro da Cova da Moura e conta contos pelo país. Miguel horta é um pintor, que escreve e ilustra os seus livros ao sabor do levante que sopra pela ria e pelos duros arrifes do barlavento. Desde criança que teve o contacto decisivo com o mar e com todos os mentirosos imaginativos que seguiam a bordo da embarcação. Depois, quando não havia oceano, existiam os livros com todo aquele mundo para ser lido através dos olhos dos outros. 
Talvez mais importante que os peixes, sejam as pessoas com as suas histórias; foi assim que se embrenhou pelo interior do país descrevendo outras vivências que podemos escutar nos seus textos ilustrados e nos contos partilhados. Provavelmente essa preocupação com o outro, em textura social, o tenham transformado num promotor do livro e da leitura reconhecido por todos que acolhem as suas oficinas educativas em bibliotecas ou intervindo diretamente em bairros problemáticos ou prisões.
A maré deixou-nos este mediador cultural pousado nas areias da nossa praia como se fosse um salvado do mundo contemporâneo"

sexta-feira, 25 de Julho de 2014

O Museu das Palavras

Um blogue muito interessante de Ricardo Soares e Sara Navarro

Museu Jorge Vieira
Casa das artes

Ao longo de 3 horas faremos uma pequena viagem pela obra de Jorge Vieira, com especial destaque para o acervo doado à cidade de Beja em 1994. As peças expostas serão ponto de partida para a partilha de diferentes formas de promover a palavra dentro dos museus: da escrita imaginativa ao conto, passando pelos exercícios gráficos ou a simples leitura junto às obras de arte, tomaremos contacto com a metodologia específica de intervenção nestes espaços.
E será possível montar um pequeno museu que conduza à escrita no nosso local de trabalho ou de intervenção? Apresentação da proposta “O museu das palavras”.

Reza assim a sinopse da oficina que apresentarei nas Andarilhas mas que não é mais do que um pequeno fórum de troca de experiências e ferramentas de intervenção, provando a contaminação alegre que a educação artística tem na mediação leitora e vice-versa. Quase um efeito de espelho com a sessão formativa que a minha querida amiga Marina Palácio apresentará no encontro. Como sempre, o sucesso das formações depende da sede dos participantes. Lá vos espero.

domingo, 20 de Julho de 2014

Andarilhas em Agosto

Narrando "Eisen" junto à peça "Durante o sono" de Rui Chafes
(Centro de Arte Moderna)
É já no final de agosto que chegam as XIII Palavras Andarilhas, encontro de referência para todos os contadores de histórias e mediadores do livro e da leitura do nosso país. Ao longo dos dias do encontro muito se aprende; conferimos a nossa prática de mediação leitora e comunicando rompemos o isolamento onde muitas vezes desenvolvemos o nosso trabalho. Também respondi a este chamamento de Beja: lá estarei partilhando com todos os andarilhos os contextos onde venho desenvolvendo a minha atividade de mediação leitora. Das prisões aos museus, passando pelas necessidades educativas especiais, acreditando sempre na palavra.
Em breve darei informação mais detalhada.