terça-feira, 22 de maio de 2018

Dos sons nascem histórias, com os utentes do Pisão


 A sala é muito luminosa, com uma vista quase de 360 graus para o verde do vale.
 Para aumentar a concentração, por vezes, é necessário usar vendas e mergulhar na escuta. 
Momentos únicos.

A 17 de maio desenvolvi a oficina “Dos sons nascem histórias” com grupo de utentes e técnicos do Centro de Apoio Social do Pisão (Alcabideche). Este workshop trabalha a escuta autónoma, a atenção às imagens interiores que se formam a cada estímulo sonoro, a competência da palavra quando se descrevem as imagens convocadas e a escrita, se a opção for pelo registo das narrações a partir do escutado. Por vezes peço que me façam uma ilustração a partir da trilha sonora apresentada. No início de cada oficina, trabalho a concentração e a harmonia (unidade positiva) do grupo através de pequenas dinâmicas de corpo/jogos, preparando o ambiente para as propostas seguintes. Estes workshops têm funcionado como janela de ideias, refrescando a prática, para os técnicos que todos os dias trabalham com doença mental nesta histórica instituição de Cascais.

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Na noite dos Museus



Hoje é o Dia Internacional dos Museus, ou melhor, a noite. Vamos poder dormir nalguns museus, outros terão as portas abertas até tarde; durante o dia ofereceram um grande número de atividades preparadas a quem lá quis ir. Sendo assim, aproveito para falar sobre aqueles que não podem ir lá, estão muito longe, em lugares recônditos da nossa sociedade, nunca lá foram ou desconhecem o que lá se passa. Existem muitas formas de Exclusão, da social à cultural, da religiosa à económica, as que resultam de diferenças físicas, psicológicas, étnicas, linguísticas e as geográficas. Muito tem sido feito neste movimento que vai abrindo com coerência as portas dos museus e orgulho-me de participar nessa senda. Para além deste trabalho em prol das Acessibilidades cabe agora à comunidade que trabalha nos museus, a promoção da Inclusão – essa mesmo! A que não faz distinção entre públicos e afirma que não deveria ser preciso ter dia, hora e momento especial marcado para se ter acesso a uma oferta educativa específica. Acessibilidade não é inclusão. Deixo-vos com esta bela menina Sassetti d'aprés Domenico Ghirlandaio que vive num vale escondido de Alcabideche, no Centro Apoio Social do Pisão, nosso público no Museu Gulbenkian, Oficina “O que nos diz um retrato”.
Ver também:
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quinta-feira, 17 de maio de 2018

Rã luminosa


Pequeno boneco luminoso - uma ajuda oportuna na mediação do livro junto de alunos especiais
Teve lugar a 3 de Maio mais uma sessão do projeto “Ler é ser especial” promovido pela Biblioteca Escolar da Ventosa em conjunto com as duas salas de Educação Especial da escola. Trabalhei em contexto de sala de aula, partilhando uma ferramenta pouco usual, a lanterna UV, aplicada à aprendizagem da leitura. Improvisámos um quarto escuro e brincámos com palavras luminosas inscritas em objetos do quotidiano. Uma ferramenta luminosa e pouco convencional que permite captar a atenção dos alunos, trabalhando o foco.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Rimas salgadas na Biblioteca Escolar da Francisco Arruda


No dia 10 de Maio tive uma manhã memorável na Escola Francisco Arruda. Fui recebido no auditório da escola pelos alunos dos diferentes ciclos de ensino, num “Encontro com o escritor”, a propósito do “Rimas salgadas. A professora bibliotecária Lurdes Caria organizou um concurso de ilustração e construção poética que envolveu uma grande quantidade de alunos com resultados extraordinários, basta lembrar-me do poema que a Nare, uma menina Arménia que conheço de outras criatividades (Museu Gulbenkian, ver aqui) escreveu. Os pais, orgulhosos da filha, compareceram no auditório para a entrega do merecido diploma, bem como de um exemplar do livro. E seguiram-se mais e mais diplomas, acompanhando bons textos e ilustrações expressivas, com especial destaque para o trabalho dos professores de educação especial, que conseguiram mergulhar os seus alunos no universo do livro. Aliás, a constante foi sempre o envolvimento dos docentes na proposta da biblioteca – quando chegou a altura de dialogar com o convidado, as questões colocadas foram pertinentes e o ambiente atento e contente. Pelo meio ainda disse uns poemas, contei uma história e cantei – imaginam os sorrisos naquelas caras? Os meninos e meninas do jardim de infância de Santo Amaro também participaram nesta brincadeira em torno do livro. Vale a pena espreitar na Biblioteca Escolar os trabalhos que surgiram a partir deste desafio. Já depois da sessão, fiz uma brincadeira com palmas e batuque, usando alguns poemas com um pequeno grupo especial, onde pontuava o Moisés, um menino cigano que já conhecia do bairro do Casalinho da Ajuda (Bairro Leitor) – foi uma festa que ficou registada pela professora bibliotecária.


Sala cheia. O grupo da Educação Especial
Uma família Arménia Especial. Obrigado Naré!

terça-feira, 15 de maio de 2018

Oficinas Improváveis: Uma escultura no centro da praça

Na recta final das Oficinas Improváveis, estivemos na Biblioteca escolar do Agrupamento de Escolas Madeira Torres (Torres Vedras), mediando o livro com jovens autistas, numa sessão muito participada. "Apresentei" alguns livros aos alunos, professores e auxiliares de educação, explicando o porquê da mediação de cada livro. Os livros circularam à volta da mesa, com tempo, respeitando as diferenças entre os alunos, procurando os olhos, uma porta de entrada para a comunicação e o prazer da descoberta. nesta sessão destaquei a importância da intertextualidade, cruzando os universos de dois livros distintos num exercício prático.
Para além de se trabalhar com jovens especiais, estas Oficinas Improváveis têm o valor das propostas práticas, entusiasmando os professores de Educação especial e Professores Bibliotecários para a utilização da ferramenta livro e enriquecimento das coleções das Bibliotecas na direção da Inclusão.

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Necessidades educativas especiais: Regresso à Galiza


Depois do Encontro de 20 de fevereiro em Santiago de Compostela, “Biblioteca Inclusiva, Leitura e diversidade”, onde apresentei o Projeto Dilfícil Leitura, numa formação dedicada a professores bibliotecários (Rede de Bibliotecas Escolares da Galiza) e, também, a professores de educação especial, estarei de regresso amanhã para nova intervenção, desta vez no “Encontros Plan de Mellora de Bibliotecas Escolares”. Espero que esta formação relâmpago seja tão produtiva e descontraída como a anterior.
Este projeto que partilharei na Galiza, atualizado com as últimas iniciativas pedagógicas, teve início há 3 anos por iniciativa de Goretti Cascalheira, Biblioteca Municipal de Torres Vedras, lançando as Oficinas improváveis que têm percorrido as bibliotecas escolares do concelho promovendo a leitura inclusiva e a acessibilidade aos livros. Trata-se de um projeto colaborativo que decorreu durante 2 meses intensos numa biblioteca escolar rural (no meio das vinhas) no Centro Escolar da Ventosa (Torres Vedras) e envolveu crianças com necessidades educativas especiais, maioritariamente do perfil autista (severo), crianças das diferentes turmas que se constituíram em tandem para leitura a par e mediação da leitura, 1 professora bibliotecária, 3 professoras de educação especial e 3 auxiliares de educação (muito experientes neste campo) e eu como mediador da leitura no contexto das necessidades educativas especiais. Esta iniciativa teve um forte envolvimento da Rede de Bibliotecas Escolares e da Laredo Associação Cultural e do Agrupamento de escolas de S. Gonçalo (Torres Vedras). O trabalho foi desenvolvido em laboratório, na biblioteca escolar onde foram criadas as condições para o seu desenvolvimento a par da aquisição de um conjunto de livros que foram testados pelas crianças e adultos. Um dos objetivos do projeto, para além da pesquisa pedagógica, é contribuir para retirar as unidades de ensino estruturado (multideficiência e autismo) do isolamento que vivem na escola. Por outro lado, interessava-nos clarificar a diferença entre acessibilidade e inclusão, e foi com este fito que pensámos a escolha dos livros, permitindo a fruição, tanto pela criança autista, quer pelo seu par. Sobretudo importava mostrar que a biblioteca é um lugar onde cabe toda a gente e que as metodologias não-formais usadas na “casa dos livros” tinham um efeito positivo sobre as crianças, propondo um caminho mais aberto, diverso das práticas correntes do ensino especial no nosso país. Também valorizámos o empréstimo domiciliário no contexto da sala de ensino especial, mesmo sabendo que algumas das nossas crianças poderiam danificar os livros. Outra decisão deste projeto, foi valorizar o papel das auxiliares de educação, referentes sólidos das crianças especiais (autismo e multideficiência) no interior da escola, como mediadoras de leitura especializadas, a par dos docentes e do mediador da leitura. Este projeto envolveu toda a comunidade escolar, incluindo as famílias, e aponta um caminho possível para a inclusão, onde a biblioteca escolar desempenha um papel proactivo e central. Este projeto, que tem permitido aprofundar o debate em torno do papel das bibliotecas escolares e propor novos caminhos na educação especial, tem gerado reações positivas, estando prevista uma nova intervenção especializada noutro concelho do distrito de Lisboa.
Em Fevereiro foi assim...