domingo, 13 de Abril de 2014

Desenhar na Páscoa

Uma das nossas máquinas de desenho: 
desenhar com um berlinde embebido em tinta
Trabalho em dupla 
 Chegou ao fim mais uma oficina de férias promovida pelo Centro de arte Moderna (Programa Descobrir) – “”Mãos imaginantes – Máquinas de desenhar”. Cansados, mas contentes com o resultado. Esta oficina que partilhei com o Hugo Barata, a par de Carla Rebelo e Rita Cortez Pinto, suscita uma série de reflexões que vale a pena ter em conta. Ao valorizar o fazer, em todas as vertentes do desenho, demonstra como podem ser divertidas e formativas as férias passadas junto de quatro artistas visuais. Mais do que monitores fomos artistas partilhando técnicas que utilizamos nas nossas obras. Como costumo dizer: quando as mãos fazem, a cabeça ri. Aprendi com o Hugo alguns recursos que vão ter reflexo, também, na minha prática pedagógica. Por outro lado foi a oportunidade de trazer para o terreno alguns conceitos que me são queridos na apreensão das intenções dos artistas. Ficou de fora, por falta de tempo, uma abordagem mais tradicional do desenho, trabalhando o figurativo em torno das sombras e recortes, promovendo assim a deambulação desenhadora pelo mundo que nos rodeia. Ficará para a próxima. O desenho é uma forma eficaz de confirmar a existência
Rolámos um grande bola de Pilates negra pelo jardim Gulbenkian.
Uma das esculturas "lua" era agora nossa.
Como ficará esta escultura no jardim? Como encontrar o lugar ideal para a instalar?
No meio do nosso trabalho a surpresa: Aparece o escultor Rui Chafes à nossa frente.
Relembra às crianças como é importante escolher o local exacto para colocar uma escultura.
Já no atelier, trabalhámos sobre uma fotocópia onde estava representada a nossa escultura.
Desenhar a amarelo o leve...
Da escuridão para a luz.
Antes de ser árvore foi uma folha toda negra de carvão.
 Depois foi começar a abrir a luz (branco) com ajuda de uma borracha "miolo de pão"

Partindo do "Xadrez das cores" (Kandinsky)
fizemos o nosso jogo dos pretos (grafismos e tons)
Um jogo em dupla
Um desenho mal comportado a tinta-da-china.
Não. Não há canetas, apenas pauzinhos...
Depois de uma "máquina de desenhar"
Desenhando galáxias de forma mal comportada...
Rodopiando sobre o papel, lá vai a "máquina de desenhar"
deixando o seu rasto ritmado sobre uma grande folha de papel...





terça-feira, 8 de Abril de 2014

Máquinas de desenhar!

Em plena oficina de Páscoa no Centro de Arte Moderna (“Mãos imaginantes – Máquinas de desenhar") com Hugo Barata, Miguel Horta, Carla Rebelo e Rita Cortez Pinto… Acho que hoje me diverti mais do que as crianças: O Hugo apareceu com uma bela máquina para desenhar. Um copo, pilhas, um motor de um velho de brinquedo, marcadores, uma grande folha de papel de cenário e muitas risadas! Se de manhã já tinha sido engraçado com os meus desenhos mal comportados a tarde foi fantástica! Boa Hugo!
Ora espreitem este aparato simples feito com reaproveitamento de outros materiais.


terça-feira, 1 de Abril de 2014

Dia das Mentiras em Lagos...

E se um menino crioulo fosse amigo de uma baleia pequenina, era mentira?
Cá estou eu, por Lagos, pela mão da Maria Eugénia Patameira (afilhada da minha querida avó Felisbela), falando das palavras e desenhos pelas escolas desta cidade. Uma manhã chuvosa mas afetuosa, primeiro na escolinha da praia da Luz onde os meninos e meninas estão a ler os meus poemas sobre as criaturas do mar, de tarde na bela escola do bairro operário, com uma conversa inteligente e acordada com o pessoal do 4º ano. Como não poderia deixar de ser no Dia das Mentiras falámos muito sobre o meu menino crioulo de “Pinok e baleote” com os alunos da professora Maria que têm a tarefa de escolher um trecho para ler no Concurso de Leitura que terá lugar esta semana. Mas não só: na outra turma do 4º ano o Miguel prepara uma leitura dos “Dragões das Furnas” (Dacoli e Dacolá”). A curiosidade foi muita, recheada de perguntas sobre os livros. Tal foi o conteúdo da nossa conversa que o tema do divórcio foi a debate, a propósito do conto “Carminho” (Dacoli e Dacolá”). Mas como estamos no dia das mentiras, lancei a pergunta aos alunos: Qual diferença entre mentira e fantasia? E ficámos todos a pensar…

quinta-feira, 27 de Março de 2014

Desenhar! Desenhar nas férias da Páscoa...


Especial Páscoa

Mãos imaginantes e máquinas de desenhar

Oficina de desenho


A partir da exposição O Peso do Paraíso de Rui Chafes


Até onde vai o nosso olhar quando estamos a desenhar? De que formas podemos levar uma linha a passear? A partir da prática do desenho e de diferentes materiais e ferramentas, vamos experimentá-lo como uma vontade libertadora e como forma de expressão total.
Vamos dar vida ao imaginário e transmitir emoções, riscando e rabiscando, desenhando palavras e formas, símbolos e sombras. Desenhar é designar, escolher e ir além. Traços, projetos, construções, invenções e linguagens são formas de conhecimento que o desenho permite.
Tudo pode ser um desenho. As linhas do nosso corpo, as formas da natureza, as letras e as escritas, as pautas de música, a fotografia… A vida é um grande desenho!

Conceção e orientação
Carla Rebelo, Hugo Barata, Miguel Horta, Rita Cortez Pinto
Para saber mais sobre esta oficina do Programa Descobrir/Gulbenkian: http://descobrir.gulbenkian.pt/Descobrir/pt/Evento?a=6033

quarta-feira, 26 de Março de 2014

Quando a cor dá uma ajudinha no autismo...

Estamos constantemente a pensar em recursos novos que se possam utilizar nas nossas oficinas dedicadas a públicos com necessidades educativas especiais. É preciso inventar todos os dias, sobretudo quando o público é composto por crianças do espectro do autismo.
Como as cores podem ajudar no trabalho com autismo? Na nossa oficina Com pés e cabeça (Descobrir/Gulbenkian) , quando o grupo assim o exige, utilizamos um código de cores simples e figuras geométricas claras para os nossos exercícios de corpo. Privilegiando o trabalho em tandem, tanto o monitor com o participante têm o mesmo código de cores (um círculo) o que ajuda bastante na concretização de percursos psicomotores ou na identificação da figura humana, neste caso o “recorte” dos seus corpos. Na abordagem das diferentes partes do corpo, utilizamos o código de cores simples em molas de roupa que servem para identificar um braço, perna, barriga, orelha…e por aí fora.
 Este é apenas um exemplo dos recursos em Psicomotricidade que costumamos utilizar nas nossas oficinas. Mas há muito mais…
Já agora… apresento-vos o jogo da bola, uma espécie de jogo de damas cromático e tridimensional, para identificação simples das cores. Joga-se á vez, com molas de roupa coloridas. Amanhã invento mais...

terça-feira, 25 de Março de 2014

"Somos nós o livro"

Terminou hoje o meu ciclo de sessões formativas integradas no projeto “levar a Ler” (projeto de promoção do livro e da leitura promovido pela câmara municipal de Cascais). A seguir, será a vez de Rodolfo Castro e Rita Pedro. Uma primeira sessão dedicada às lengalengas, canções e outras brincadeiras sonoras a partir da poesia, com tempo para experimentar “A máquina da poesia”. Uma segunda sessão em torno das competências leitoras, manipulação de livros e do som como gerador de narrativas. Hoje, de novo os livros e o “Eu sou Tu (“quando o corpo conta histórias”). Acho que este grupo de educadores de infância e professores do ensino básico ficaram com uma noção do que é a “mediação leitora” ao contactarem com algumas ferramentas que poderão se importantes para a sua prática pedagógica. Uma coisa é certa: divertiram-se com a proposta do “Eu sou tu” como provam as fotografias…

segunda-feira, 24 de Março de 2014

Columbina 2014 - Com o coração em Santa Vitória

Cristina Taquelim conduzindo a sessão com os mais velhos em Santa Vitória (Beja)
Gestos que ilustram o poema
22 de Março
Bonito e importante, o trabalho que Cristina Taquelim (Biblioteca Municipal de Beja) desenvolve nas aldeias do Concelho de Beja com os mais velhos.… Escutar, ir entrando devagarinho e conhecendo o grupo de idosos. Gostei de conhecer neste grupo de homens e mulheres de Santa Vitória (Beja). A mediação leitora começa na comunicação, na partilha das histórias de vida. Só depois vêm os textos que se cruzam com as realidades individuais ou estabelecem intertextualidades com o conversado em círculo. Por vezes os textos são ditos acompanhados por gestos que ilustram o conteúdo, uma pequena coreografia de ideias. Alguns destes amigos mais velhos são leitores, outros não; isto não impede que se trabalhe a escuta, a apropriação de narrativas. No meio do grupo temos um poeta popular, preocupado com a exploração do povo e sempre com a revolução dos cravos bem presente. Outra voz chega-nos do Minho, uma senhora traz consigo um exemplar de “A morgadinha dos canaviais” gasto pelo uso da leitura. Proponho-lhe que use uns versos, logo no início do livro; podem ser cantados como se fosse um vira da sua terra.
Digo um poema e proponho a brincadeira da “Máquina da poesia”, desta vez como se fosse um jogo de tabuleiro (sugestão da Cristina). Ao fim de pouco tempo temos pequenos poemas escritos depois de um trabalho bem interessante de encadeamento de ideias e palavras, construindo os nossos versos. Funciona bem esta intervenção em torno das palavras: como reforço do léxico, memória (importante para doentes de Alzheimer) e exploração da semântica. Estes pequenos poemas coletivos ocuparam o seu lugar nas patas dos pombos que soltámos na Feira da água, sendo recebidos 45 minutos depois pelos participantes de Castro Verde, lá no quintal do Quinito.
 Deixo AQUI o link da “Biblioteca Andarilha” para ficarem com a noção da profundidade deste trabalho de mediação leitora (investigado recentemente por Maria Morais – estudo vencedor do Prémio Raul Proença organizado pela BAD e DGLAB
A solta dos pombos  na Feira da Água em Beja