sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Dilfícil Leitura: quase em Óbidos

Esta imagem tem um grande significado para mim...
Fala muito sobre a equipa que está a trabalhar no centro escolar da Ventosa.
Quando uma Professora de ensino especial trabalha com o livro...
Estamos prontos para ir a Óbidos partilhar os nossos livros e a nossa forma de trabalhar. Os alunos monitores, que formam tandens com meninos e meninas do ensino especial, estão a ficar bem afinadinhos. A professora Joana Rodrigues já alinhavou um guião para nos orientarmos e, em breve, teremos uma ficha de exploração (proposta) para cada um dos livros apresentados. As auxiliares de educação estão entusiasmadas. As professoras de ensino especial empenhadas. O agrupamento solidário. A Biblioteca Municipal (que é a "culpada" disto tudo), atenta, garante o transporte. E a organização do Folio/Educa tem sido fantástica com o nosso grupo especial, garantindo a logística. Obrigado aos Pais por confiarem em nós e na natureza do nosso trabalho. Já sabemos que vamos receber um grupo de Cadaval, da parte da tarde. A organização do Folio/Educa tem sido fantástica com o nosso grupo especial.
Querem colaborar na revolução inclusiva? Lá vos esperamos no dia 24 no Espaço O

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Bairro leitor - Leitura de proximidade


Notas alinhavadas para a comunicação no Colóquio
"Leitura, Literacia e Cidadania: Práticas e desafios"
promovido no âmbito do projeto Bairro Leitor
11 de outubro 2017
 Antes de falar de algumas iniciativas de mediação leitora no projeto Bairro Leitor, gostaria de abordar um tema em que tenho pensado ultimamente: a deontologia e a sinceridade na mediação cultural, junto de comunidades em exclusão.

História de uma relação
 No dia em que Ele lhe disse, quero-te para ti, a relação mudou completamente. Ela pode medrar livremente, tornando-se ainda mais interessante do que já era. Cresceu, ganhou autonomia e personalidade. E Ele, cada vez mais apaixonado, conseguiu conservá-la sempre junto a si, não porque a prendesse ou manipulasse mas porque dela se aproximava subtilmente, sem intrusão, solidário a cada iniciativa, enfim com um profundo respeito e sem gota de paternalismo.
Aqui poderemos começar a brincar aos contextos das relações.
Ela, neste contexto, será sempre a comunidade/bairro e o papel atribuído a Ele poderá ser assumido por diferentes personagens, vejamos.
Primeiro. Ele é político e respeita a comunidade sem a querer manipular, apoia-a, e ela reage reconhecida. Ele não olha para ela como uma reserva de caça aos votos e resiste às diversas tentações dos políticos…
Segundo. Ele é uma IPSS, associação sociocultural (…)  Ela é fundamental para a sobrevivência da estrutura. Precisa daquela comunidade para continuar a pagar os salários aos seus funcionários com projectos e subsídios recebidos… Será que Ele quer que Ela melhore, evolua ou cresça muito?
Terceiro. Ele é uma associação local só crescerá se houver dinâmica, mudança visível nela. E se Ela não se quiser transformar? Se não tiver consciência da importância da mudança?
Quarto. Ela é comunidade/bairro e pretende ficar solteira, ponto. No entanto sabe que quer mudar e só precisa de Ajuda e apenas querendo que a oiçam, quando pensa em conjunto.
Quinto. Ele é mediador cultural (1), está encarregado de promover o livro, a leitura, as artes, as literacias de um modo geral. Vem animado de uma crença transformadora. Não tem ambições territoriais pois já está comprometido. A sua primeira tarefa é conhecê-la. Sim! A Ela, a comunidade! Estudar. Passear pelo bairro. Ver e ser visto. Interagir. Registar. Pensar. E começar a construir o Perfil Leitor (2) do bairro, o que implica ter uma ideia quase completa do nível de literacia da comunidade. Fica a saber onde pode ser útil. Ele sabe que os processos de transformação se conseguem pelo lado de dentro, recuperando a comunicação, o diálogo, reerguendo a Ágora de forma justa. Uma justiça de trato e na relação com os habitantes.

A mediação cultural

O trabalho desenvolvido numa comunidade, em torno das literacias e de diferentes leituras conduz a um maior entendimento do mundo e à autonomia operativa das populações. A existência de uma Biblioteca viva ou outro lugar de comunicação, contribui para a melhoria da qualidade de vida e permite retirar as pessoas do isolamento, nos bairros ou nas suas células familiares, num mundo que fez o seu retorno ao privado (3). O mediador sabe como é importante preservar os nichos culturais, a sua cultura idiossincrática, tradições, línguas, rotinas e eventos, em articulação saudável com o mundo contemporâneo. Um mundo em mutação rápida, líquido, que urge entender para dar segurança aos passos que damos (4).  
As pessoas não entendem logo os processos da mediação cultural. Estão habituadas ou a calar ou falar aos berros com as estruturas. O mediador é mesmo estranho: não é da Junta, não é da “Judite”(5) , nem de nenhuma seita invasiva e fala de leitura onde ninguém lê… De arte onde quase ninguém vai ao museu. Não trabalha pelo outro, não trabalha para o outro… trabalha com o outro, coopera (6).  A mediação cultural (neste projeto com as dimensões da arte e das literacias) promove a comunicação e o diálogo através dos livros, do conto, do movimento, do desenho, de dinâmicas variadas todas elas seguindo uma metodologia própria. Usa métodos colaborativos. Interage questionando, deixando que o outro construa a sua resposta pessoal. A mediação cultural é paciente e conhece o valor do tempo. Gesta lenta, persistente como uma combustão sem chama.
Imagem colhida durante a formação
"Ler, Escrever, Contar Histórias"
7 e 14 de outubro - Biblioteca do Bairro
 A mediação do livro e da leitura permite experimentar diferentes emoções, encantamentos e outras reações, promovendo o diálogo interior e exterior de quem participa nas sessões. Uma abordagem não formal na partilha do conhecimento, longe dos cânones, promovendo a qualidade do tempo na companhia do outro. Uma miríade de possibilidades!... O mais difícil é passar a umbreira da porta da biblioteca ou do outro.
Links (exemplos) para 3 situações citadas, realizadas durante esta fase do projeto Bairro Leitor (Bip/Zip):
Comunidade Cigana: Aqui
Comunidade de origem Cabo-verdiana: Aqui
Trabalho transformador na escola local: Aqui

Notas
(1) O mediador dedica-se a estabelecer pontes de passagem para o conhecimento, potenciando experiências culturais significativas capazes de operar transformações no indivíduo e no meio envolvente. Assenta na crença de que a fruição da produção cultural e dos seus meios de expressão permitem um entendimento mais claro do mundo que habitamos, tornando cada um de nós um cidadão mais capaz de agir sobre os destinos do planeta, das comunidades e da sua própria vida.
(2) Conceito Laredo desenvolvido ao longo do projeto “Leituras em Cadeia” (Projeto da Fundação Calouste Gulbenkian)
(3) Citando Orlando Garcia
(4) Citando Zygmunt Bauman
(5) Polícia Judiciária

(6) Djunta Mon. Na língua cabo-verdiana para além da cooperação, traz consigo a ideia de construção física, por exemplo, uma casa

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Nova temporada de "Baleizão, o valor da memória"



A nova temporada de BALEIZÃO,o valor da memória está aí! Estão previstos espetáculos para Lisboa no Museu do Dinheiro (19, 20 e 21 de outubro - Gratuito) e no Festival Ar com presença em Tábua e Mira… No final do espectáculo haverá uma conversa entre os dois artistas, Aldara Bizarro e Miguel Horta e o público presente, sobre as memórias convocadas no palco.
 Não me lembro quando é que se instalou a cotação do Baleizão lá em casa mas lembro-me muito bem da minha Mãe utilizar o Baleizão sempre que eu queria uma coisa que os meus pais não tinham possibilidade de comprar. Dizia-me assim: Sabes, isso não posso comprar porque custa muitos Baleizões. Às vezes, quando eu insistia, dizia-me a quantidade, 5, 10, 20, ou 30, conforme os casos. O Baleizão, que a minha mãe utilizava para cotar o valor das coisas impossíveis, era um gelado, de uma cervejaria com o mesmo nome, da cidade onde eu vivia, Luanda, em Angola. Custava 2$50!
 Esta é a carta que dá início ao exercício de memória e de celebração da vida, entre dois amigos, realizada através da troca de cartas, textos, desenhos e fotografias sobre as suas infâncias, vividas em países diferentes, na década de 70. No palco, convocam memórias das suas infâncias; uma vivida em Angola durante a guerra colonial; a outra em Lisboa, com uma forte marca do barlavento algarvio.
Concepção e direcção de Aldara Bizarro
Interpretação e co-criação de Miguel Horta e Aldara Bizarro
Coprodução do Museu do Dinheiro 2017.
Apoio da SMUP

Em circulação, disponível para Teatros, Museus, Bibliotecas (...)
Nota de 1 Baleizão (1B$) - A moeda única da Memória
Uma criação de Miguel Horta para o espectáculo "Baleizão, o valor da memória"

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Bairro leitor: Contos no Casalinho da Ajuda


Algum dia teria que ser…
Lá contei em conjunto com o Adriano Reis numa sessão que batizámos de “Na boka note”. O evento decorreu na Escola Básica Homero Serpa que generosamente abriu as portas à comunidade na sexta-feira dia 6 de Outubro. O Adriano trouxe as suas histórias de Santo Antão (até fiquei a saber a verdadeira história da fajã das Janelas). Ficámos com umas ideias a bailar na cabeça… Acho que foi bem engraçado e o público, maioritariamente de origem cabo-verdiana esteve muito atento às histórias que iam surgindo ora em português ora em crioulo. Uma iniciativa do projeto Bip/Zip “Bairro Leitor” que está a chegar ao final da primeira fase.

Uma intervenção enquadrada na Biblioteca do Bairro, com petiscos pelo meio (uns maravilhosos pasteis de milho com recheio de atum)

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Oficinas improváveis regressam a Torres Vedras

Aprendendo a fazer o "Luzinhas"
Torres Vedras, 4 de Outubro. Recomeçaram as “Oficinas Improváveis”, com a primeira sessão na biblioteca escolar da Escola Básica nº1, no centro da cidade. Trata-se de uma iniciativa com a assinatura da Biblioteca Municipal de Torres Vedras que envolve várias bibliotecas escolares e unidades de ensino especial do concelho em torno dos livros e da palavra. Com periodicidade mensal, estas oficinas intervêm junto de crianças e jovens com necessidades educativas especiais, promovendo a utilização do livro e de outros recursos das bibliotecas, numa perspectiva inclusiva.  Ano após ano, a Biblioteca Municipal tem apostado neste campo tão específico da mediação leitora junto das necessidades educativas especiais. Como consequência deste labor continuado, este ano, o Folio/Educa, desafiou-me a apresentar uma proposta para partilha durante o festival. Assim surgiu o “Dilfícil Leitura” que está a ser construído em conjunto no Centro Escolar da Ventosa (Agrupamento de Escolas de S. Gonçalo). As oficinas deste ano apresentam uma componente formativa, sendo desenvolvidas por duas mediadoras da Biblioteca Municipal de Torres Vedras coadjuvadas por mim – vamos construindo autonomias… Nesta primeira sessão, trabalhei essencialmente a literacia auditiva (a partir da  metodologia “dos sons nascem histórias” e a construção de narrativas, que foram desenvolvidas em conjunto com alunos tutores das turmas de inclusão. Claro que nessa sessão o "Luzinhas" apareceu, interagindo com as crianças… 

Bairro Leitor: Persistente, como combustão sem chama

"Uma biblioteca é uma casa onde cabe toda a gente" - Sessão de conto "Na boka note"
Fotografia de Clara Silva
Logo no início do trabalho do Bairro Leitor (Bairro do Casalinho da Ajuda, Lisboa - Bip/Zip), um dos problemas identificados por promotores e parceiros do projecto, nomeadamente pela  Academia de Jovens do Casalinho da Ajuda, era o evidente isolamento da única escola pública do bairro, a E B Homero Serpa, face à comunidade envolvente. Um ano depois, grande contraste este, que agora reconhecemos: ver a escola aberta, ocupada por uma formação que está a decorrer aos sábados, ou por uma sessão de contos ("Na boka note") que fez entrar pela porta da frente um pequeno grupo da comunidade de origem cabo-verdiana, na última sexta-feira… Acreditamos que o desenvolvimento da Biblioteca do Bairro, transformando gradualmente a biblioteca escolar, vem contribuindo para esta mudança, melhorando a vida do bairro e desenhando um modelo saudável e sustentável. Para tal, a par das sessões de mediação em torno do livro da leitura e das artes, contámos com a presença regular de uma mediadora, formadora e bibliotecária, em cooperação estreita com as professoras bibliotecárias, os docentes e não docentes da escola, a gestão do agrupamento, com envolvimento directo da Academia de Jovens do Casalinho da Ajuda, da agir XXI e da Estal. A biblioteca do bairro, gerada e nascida na escola, poderá assumir-se como plataforma de mediação para todas as literacias, propondo-se à comunidade envolvente.  
Gesta lenta e persistente, como combustão sem chama.
"Ler, escrever e contar" - Formação da Biblioteca do Bairro/Casa das Artes, creditada pela ESTAL
Primeira sessão 07/10/2017
A formação, que começou no sábado passado e se prolonga no próximo, incide sobre práticas de mediação da leitura, do livro ao conto, passando pelo corpo com destaque para a voz, o movimento e a escuta. A compreensão do fenómeno da leitura em contexto de comunicação com o outro é fundamental em qualquer acto de mediação cultural. Comecei o curso com algumas dinâmicas simples (micropedagogias) muito úteis na gestão de grupos; de seguida, partilhei diferentes livros e sobre eles debatemos, trabalhámos e levantámos questões incontornáveis em educação no contexto dos bairros. Parceiros do projecto envolvidos diretamente na proposta: Estal - Centro de Formação, Laredo Associação Cultural e  Agrupamento de Escolas Francisco Arruda. O grupo participante está bem composto por docentes, mediadores da leitura, técnicos da Rede de Bibliotecas Municipais de Lisboa (BLX), uma professora bibliotecária e uma mediadora da associação local Academia de Jovens do Casalinho da Ajuda. Um curso intenso, com um belo ambiente.... 

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

"Dilfícil Leitura" : Os alunos tutores

Personagem para comunicação com crianças especiais em momentos fundamentais
.
Uma espécie de fantoche/mão
 Mais uma crónica de projeto em Biblioteca Escolar 
a acontecer no mês das Bibliotecas Escolares. 
Porque há Bibliotecas Escolares corajosas, 
que propõem ideias de inclusão e leitura, 
onde a maioria acha impossível
a presença dos livros.
Uma revolução que emerge lentamente
de um coletivo consciente, 
que deseja a escola pública ainda mais inclusiva.

Ontem foi um dia emocionante no projeto “Dilfícil leitura” que vou apresentar no FOLIO/Educa em conjunto com a comunidade educativa do Centro Escolar da Ventosa (Agrupamento de escolas de S. Gonçalo/Torres Vedras). A equipa que vem desenvolvendo a ideia, é composta por alunos com necessidades educativas especiais e por colegas das turmas de inclusão, auxiliares de educação, professores de ensino especial e a professora bibliotecária Joana Rodrigues. Emocionado, porque conheci uma mão cheia de crianças generosas e participativas que estão a dar sentido à palavras Inclusão. Ontem reunimos os alunos tutores, responsáveis pela leitura a par, com alguns colegas do ensino especial. Foi muito divertido! Explicámos a nossa ideia, contando o que temos feito. Experimentámos livros, partilhámos as “leituras dilfíceis” das anteriores sessões. Os tutores puderam folhear os livros e rindo-se muito de algumas brincadeiras de comunicação que mostrei, como os meus dedos falantes, intrigantes e luminosos  (personagens para comunicação)… Que bom é reconhecer o envolvimento das “assistentes operacionais”, que são quase família destes meninos e meninas, neste projeto que aos poucos vai fazendo o seu caminho.
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