quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Sintra: escola inclusiva pela arte e pela poesia

Com janeiro chegaram novas sessões de mediação junto de alunos com necessidades educativas especiais do Concelho de Sintra, uma proposta da divisão de educação do Município, abraçada pelas escolas que, por candidatura, apresentaram os seus projetos que decorrem agora nas escolas. No agrupamento de escolas escultor Francisco dos Santos (Rinchoa-Fitares) prossegue o “Leituras diferentes” com os alunos da sala SAF e com duas turmas da escola, numa perspetiva inclusiva. A professora Regina continua a desenvolver a proposta da “Máquina da poesia” e, nas outras turmas, já se preparam os “Sussurradores”. Todas as sessões começam com um livro novo, desta vez com o álbum “MÁAAS” de Peter Schossow , muito bem recebido pelas crianças. Escolhi um poema simples ("animais de estimação") de Álvaro Magalhães para ler (leitura expressiva) aos nossos meninos e depois falámos dos seus bichos de estimação. Os alunos já começaram a requisitar os livros referenciados para este projeto – É fundamental o papel da Biblioteca Escolar neste percurso de promoção do livro e da leitura junto dos alunos com necessidades educativas especiais, com contaminação positiva ao resto das turmas envolvidas.
No agrupamento de escolas Ferreira de Castro (Mem Martins), o “Leituras Diferentes” segue com as mesmas características inclusivas, a par de um trabalho específico junto de crianças do espectro do autismo. Nesta escola, para além de trabalharmos a construção de narrativas, promovemos sessões de mediação leitora especializada junto das crianças da unidade de ensino especial. Os livros utilizados na primeira sessão foram o “Popville” e “Zoom”; no final da sessão o livro de Istvan Banyai seguiu para casa de uma menina…

Janeiro marca, também, o começo do projeto “O corpo das ideias” no agrupamento “Monte da Lua”. Como facilmente se pode depreender pelo nome, este projeto tem como tema central o corpo como ferramenta para a construção de narrativas e autoconhecimento. Correu bastante bem a sessão inaugural com os docentes que assim ficaram a conhecer, pela prática, a forma como a ideia se desenvolverá nas escolas do agrupamento. Por aqui, irei dando notícias fresquinhas deste trabalho a decorrer nas escolas de Sintra… 

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Nhas Mantenha, Nhu Eduardo!

Djunta mon! É isso… Construir a casa comum com a ajuda de todos. Ousar a inquietação e a utopia, concretizando as ideias. Na imagem, Eduardo Pontes carrega um tijolo durante a construção da atual sede do Moinho da Juventude. Assim era o nosso Nhu Eduardo.
Conheci o Eduardo quando tinha 16 anos, era eu militante do Movimento de Esquerda Socialista (no setor juvenil – Núcleos Estudantis de Intervenção Política) e ele referenciado por todos como sendo sábio. Ficará sempre a imagem do afeto, o tempo disponível para os mais novos, com uma história a propósito de algo que dizíamos…algo de pouco político, mas certamente mais humano. Voltei a encontrar o Eduardo Pontes na Associação Cultural Moinho da Juventude. Juntamente com a sua companheira Lieve, tinham erguido, compondo de raiz, junto com outros moradores, o Moinho, referente para todos aqueles que fazem intervenção sociocultural em bairros desfavorecidos. Eduardo e Lieve são habitantes do bairro, com uma mesma força da palavra e da ideia concretizada. Juntamente com Isabel Marques e outros companheiros ergueram este espaço de defesa de uma textura social e humana ímpar no nosso país: O Moinho da Juventude no bairro da Cova da Moura. Desde o primeiro momento, a Biblioteca foi mote para uma transformação social profunda, apostando nos vizinhos como protagonistas da sua própria história e do lugar que habitam. Paradigmático deste afã é confirmação de um elevado número de jovens, oriundos do bairro, que se dedicam a este trabalho cultural e social dando força às traves mestras que sustentam esta ideia. Com o Eduardo, voltou a crescer dentro de mim o espírito Crioulo e um entendimento maior desta cultura que tem acompanhado o meu percurso e, também, uma atenção redobrada à diáspora do povo cabo-verdiano e à realidade da imigração. Habituei-me a encontrar o Eduardo na biblioteca António Ramos Rosa (da nossa associação):Havia sempre um novo livro para ler, uma opinião para conferir, uma peça de artesanato desconhecida e um vizinho com o qual seria importante falar, com tempo, o que quer mesmo dizer – sem pressa. Entendi o significado de Morabeza cada vez que subia as escadas da sua casa para dois dedinhos de conversa (com direito a uma risadinha no final de cada frase). Hoje sou mais um sócio do Moinho que colabora, quando a vida o permite (transporto comigo a mágoa de não poder estar sempre presente). Aprendi a ler as dinâmicas do bairro através do olhar do outro, antes de opinar e propor. O Eduardo partiu na mesma data em que assassinaram Amílcar Cabral (20 de janeiro 1973 - Guiné Conacri). Sobre Amílcar diz o povo: Bu more sedu! O Eduardo não podia ficar mais por aqui (o corpo trai-nos)… para nós, será sempre cedo demais. A única maneira de ele permanecer vivo na fundu da petu é continuar a lutar pela requalificação do bairro, preservando a textura social e cultural, tendo tempo disponível para o outro, o nosso vizinho e... fazer crescer a ideia, sempre.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

10x10: Micropedagogias

Satisfazendo alguns pedidos que vêm chegando, aqui deixo o link para o PDF “Micropedagogias” (projeto 10x10) que dá uma imagem bem aproximada do trabalho desenvolvido das duplas (professor-artista) nas escolas secundárias abrangidas. Texto retirado do sítio do Programa Descobrir/Fundação Calouste Gulbenkian. Concretamente, este documento debruça-se sobre um conjunto de pequenas estratégias que podem ser muito úteis na sala de aula. Vale a pena ler; serve para abrir o apetite para as Aulas Públicas que se aproximam (é já no próximo fim de semana, no auditório 2 da Fundação C. Gulbenkian). Documento aqui. Boas leituras!

domingo, 18 de janeiro de 2015

10x10: Ainda o vulcão...


Vídeo: Judith Silva Pereira
Olha…a experiência da erupção... Pois não é novidade nenhuma, todos os professores propõem esta experiência aos alunos. O que é verdadeiramente diferente é a maqueta do vulcão -.A maior parte dos modelos são feitos em barro e têm essa mesma aparência argilosa. Esta maquete feita com cartão, gesso e tinta acrílica, ganhou outra personalidade. O primeiro passo foi fazer um modelo mais realista, bem próximo da matéria que se estava a dar nas aulas. A cor é importante, pois diz muito sobre a composição das lavas expelidas. No nosso caso, cinzento ou preto, mais ricas em ferro e menos em sílica. Também a morfologia, o tipo de lavas (viscosidade e aparência depois de consolidada) é reconhecível no modelo executado pelos alunos do 10º ano de Geologia/Biologia (projeto 10x10 descobrir/Gulbenkian). É natural que se pareça com o vulcão da Chã das Caldeiras (Ilha do Fogo, Cabo Verde) – afinal, entrou em erupção enquanto estudávamos a matéria. A atualidade do planeta foi bem aproveitada para as nossas aulas.
Nem sei como o alarme de incêndio não disparou!… Agora, é só assistir à erupção deste vulcão, com evidente efusividade. 

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

10x10: No Museu Gulbenkian

A turma de Geologia, a tal da "mentira cósmica", esteve no Museu Gulbenkian, numa visita sabiamente conduzida por Rosário Azevedo, dedicada à Coleção Lalique. A escolha recaiu sobre este ourives/artista francês pela síntese evidente entre o mundo orgânico e o mineral que apresenta nas suas criações. A par do ouro, platina, vidro e gemas podemos encontrar o couro, o marfim, o nácar e tantos outros materiais reunidos em harmonia sobre peças de ourivesaria Arte Nova. Fizemos, assim, a ponte entre a Geologia e a Biologia, matéria a abordar no 2º período, onde se esperam 10xmais aventuras em torno do conhecimento.
Diadema "orquídeas"
França, c. 1903-1904,
                                                                                                 Chifre, marfim, ouro e citrino
                                                                                                    Foto: Museu Gulbenkian


terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Poesia no projeto "Leituras diferentes"

Ler em voz alta...
De volta à EB 2.3 Escultor Francisco Santos (Rinchoa/Fitares) para mais uma sessão de “A máquina da poesia” com o 5º ano da Professora Florinda; uma sessão incluída no projeto “leituras diferentes” que trabalha a mediação leitora de forma inclusiva.

Foram 90 minutos intensos de leitura e escrita que terminaram com a construção de um poema coletivo sobre a “Imaginação”. Mais sobre este projeto: Aqui

domingo, 11 de janeiro de 2015

Laredo inclusiva no Museu de Serralves


Teve lugar a 8 de janeiro a primeira intervenção da LAREDO (associação cultural) na Museu de Serralves, integrada no projeto “Miríade de histórias” a decorrer com alunos e docentes da Escola da Ponte. Um projeto muito bonito da Laredo com a Museu de Serralves e a Escola da Ponte, conduzido com entusiasmo por Joana Macedo (Laredo Porto) e por Miguel Horta. Para além de criar laços entre esta escola de referência do Movimento da Escola Moderna e o Museu, divulgando a obra de artistas contemporâneos, o projeto pretende que os alunos recolham material significativo para exploração pedagógica, inserido na sua metodologia própria, e se apropriem desses conteúdos, estando previsto um momento de partilha final com o Museu. Este projeto de pendor inclusivo propõe-se, assim, desenvolver uma relação de entendimento e familiaridade com a Museu de Serralves, num ritmo de continuidade garantido pela Laredo.
Foi um privilégio poder conduzir esta visita inclusiva e dinâmica, juntamente com a Joana Macedo, no magnífico espaço que é o museu de Serralves. Usando recursos pedagógicos simples, percorremos a exposição do Processo SAAL, destacando a obra de Ângela Ferreira e obra feita de espelhos da iraniana Monir Farmanfarmaian. Tocou-me ver a forma como os alunos orientavam a sua pesquisa, tomando notas e recolhendo imagens como memória de uma manhã bem passada na Museu de Serralves. Fica aqui o nosso agradecimento a Liliana Coutinho e à equipa pedagógica de Serralves pelo acolhimento e empenho ativo neste projeto.