Tanto Mar!


Desde o início do ano
já passei por 8 grupos
fora de portas
levando comigo o Mar
e a visão única de dois artistas
sobre os Elementos


Tem sido realmente interessante e motivador levar o Museu Gulbenkian para “Fora de Portas” com a nossa/minha oficina “O movimento das águas” que parte da obra “Naufrágio de um cargueiro” (pintura) de William Turner e “Mar II” de Fernando Calhau (vídeo) para um trabalho mais profundo nas instituições e escolas de origem dos nossos visitantes. Um programa nascido durante a pandemia que permanece, apresentando uma oferta variada do nosso serviço educativo (Fundação Calouste Gulbenkian). (Esta proposta surge na sequência da oficina "A tempestade") Tenho andado por Instituições (vulgo Cercis) e núcleos de ensino especial de vários níveis de ensino em agrupamentos da “Grande Lisboa”. Tenho recebido um eco muito positivo dos colegas mediadores que me antecederam e sinto que a relação com o Museu, cada vez mais presencial, se estreita fidelizando este público. Por outro lado, sinto o grau de informação e efetiva intervenção desenvolvida em cada local com estas pessoas com necessidades educativas específicas. Questionam-me frequentemente sobre oportunidades de formação neste campo de trabalho pedagógico. Referem ser um privilégio esta vinda do museu à escola!


Esta oficina trabalha o conhecimento das obras de arte, fomenta o desenvolvimento de uma opinião estética individual, reforça a capacidade de interpretação do que é visto; depois trabalha o movimento do corpo, ondulante como as vagas, a velocidade do vento espessa em grafismos livres que acontecem em grandes folhas de papel, o desenho da chuva (consegue-se escutar o som do grafite desenhando as bátegas sobre papel)... A vida dos autores, enquadradas pelas respetivas épocas é abordada de forma acessível e adaptada (às vezes narrada como num conto), assim como alguns conceitos da história de arte. Não podendo transportar as obras de arte para a escola, projetamos imagens com boa definição sobre a parede, sempre que possível à escala. Mostro imagens de navios do séc XIX, enquanto conto alguns episódios interessantes da aventura artística de Turner. Durante esta hora e maia de ateliê falamos muito sobre o mar e surge sempre mais um conhecimento novo sobre os oceanos. Os grupos são variados e sublinho aqui a adaptação específica que é necessário fazer para a presença de perturbações do espectro do autismo, concomitantemente com a respeito das características próprias de cada nível etário. O grande desafio é conseguir a comunicação, um vínculo conquistado durante hora e meia de oficina, fixando os nomes de cada um e atendendo a situações individuais; criada essa empatia, o nosso Museu fora de portas flui naturalmente. Não há uma oficina que seja igual à outra; como se existisse um perfil específico de cada grupo de participantes a que é necessário responder, o que acontece por intuição e o gosto do mediador cultural. Espero que esta oferta se mantenha e que sejam convidados jovens mediadores a executarem esta bela aventura educativa.



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