quinta-feira, 29 de março de 2018

Quintal das Palavras



Acaba de ser lançado, o projeto de intervenção e capacitação de mediadores culturais “Quintal das palavras”, uma iniciativa da Biblioteca Municipal de Oeiras e Fundação Aga Khan Portugal, no qual participarei como mediador/formador através da Laredo Associação Cultural. Trata-se de uma iniciativa em torno da mediação leitora e educação artística, acolhida pelo Projeto Embarca e grupos informais no Moinho das Rolas e Ribeira da Laje (Porto Salvo/Oeiras). Foi a incansável Rita Dornellas que, em boa hora, me trouxe para este território. Um projeto faseado, tranquilo, capacitador que pretende promover o conceito de Ludobiblioteca de proximidade, um espaço de comunicação e desenvolvimento de literacias. O projeto prevê a realização de workshops itinerantes pelos 3 núcleos de  Porto Salvo, e ainda, um conjunto de intervenções diretas em mediação do livro e da leitura e mediação pela arte junto dos habitantes dos bairros. Tudo isto, a par de uma intervenção específica da Biblioteca de Oeiras na estruturação do espaço de leitura.

quarta-feira, 28 de março de 2018

8 de Março em Almada


Há sempre uns momentos na vida em que tudo segue com demasiada pressa, nem sequer dando tempo para conferir as práticas e os dias aqui no blogue. Com algum atraso, cá seguem notícias da mediação pela arte e pela leitura.
Passei o dia 8 de março em Almada. De manhã, na Escola Secundária do Monte da Caparica e de tarde na Biblioteca Municipal Maria Lamas (Monte da Caparica/Raposo). A minha anfitriã da manhã foi a professora bibliotecária Ludovina Pereira. Foi gratificante trabalhar com crianças e jovens de diferentes origens, desaguando todos na nossa língua. Trabalhei essencialmente a poesia portuguesa, de forma dinâmica e divertida, não me esquecendo de homenagear as mulheres… Se conseguirmos estabelecer a energia correta numa sessão, isso pode ter resultados surpreendentes – e assim foi, com a ajuda de Alexandre O’ Neill, Gedeão, José Fanha e de todo o mar que consegui trazer dentro dos meus livros. Ainda brinquei com dois textos em crioulo para gáudio de um grupo de raparigas e rapazes com origens nas “ilhas”. De tarde rumei à Biblioteca Municipal Maria Lamas onde fui recebido por amigos da rede pública de leitura, a João Ferro e o Luís Barradas. Aguardavam-me duas turmas de jovens, igualmente variadas. Tarefa da tarde: transformar aqueles amigos irreverentes em poetas. Foi aí que entrou a Máquina da Poesia a funcionar em pleno! Escrevemos alguns versos e terminei com dois poemas: um do Fanha e outro de Álvaro de Magalhães. No final estava cansado mas contente pela energia que a malta nova me passou ao longo daquele dia.

terça-feira, 13 de março de 2018

OFICINAS IMPROVÁVEIS: Quando uma Biblioteca Escolar se transforma num laboratório criativo...


No dia 7 de março, na Biblioteca Escolar da Ventosa (Agrupamento de Escolas de S. Gonçalo/ Torres Vedras) teve lugar mais uma Oficina Improvável. De repente, tive a certeza de estarmos a viver um momento especial, quase fundador, ali na biblioteca escolar transformada em oficina inclusiva, com as crianças apropriando-se livremente dos recursos de expressão. A composição do grupo mantém-se transversal: as crianças em tandem (aluno especial e aluno regular, também muito especial); auxiliares de educação empenhadas; professoras de ensino especial; professora bibliotecária e mediador do livro e da leitura junto com duas companheiras da Biblioteca Municipal (promotora destas oficinas). Estas mediadoras do livro e da leitura, do Serviço Educativo da Biblioteca Municipal de Torres Vedras, têm vindo a fazer o seu percurso formativo comigo, acompanhando e intervindo ativamente nestas oficinas improváveis. Resolvemos levar o velhinho retroprojetor para a nossa sessão, começando por projetar (em grande) um livro de Hervé Tullet, captando o foco dos nossos meninos e meninas da Educação Especial. Naturalmente, as crianças começaram a brincar com as sombras, tal como Peter Pan, depois introduzi na projeção algumas personagens móveis, que já tinha recortado em papel. A brincadeira prosseguiu entre o retroprojetor e a imagem projetada na parede da biblioteca. A seguir, coloquei a água num pirex, onde nadaram as criaturas recortadas, acompanhadas de papel celofane colorido, muito agradável de tocar, quando está molhado. Pouco depois, já as crianças mergulhavam as mãos na água (quente da lâmpada de projeção) e manipulavam aquelas marionetas de papel colorido, imprimindo um movimento ondulatório ao recipiente de vidro-as ondas do mar… 
Rapidamente entraram em autogestão organizada em torno do retroprojetor. Dei por mim a interagir com outras crianças, noutra tarefa, enquanto os pares dos nossos meninos coordenavam, naturalmente, a parte técnica. Foi neste momento que surgiu projetado o movimento do meu spinner girando sobre a superfície luminosa. Todos gostaram do meu novo brinquedo que continuou a girar no chão, emitindo as suas cores vivas, acompanhadas de um som veloz. Neste ponto, introduzi um outro recipiente cheio de espuma de detergente e a “reinação” continuou naquela biblioteca transformada em laboratório estético e pedagógico. A sessão terminou com as crianças interagindo com a projeção do livro “Excentric Cinema” (Béatrice Coron). Consegui ler no rosto dos adultos um contentamento genuíno por aquela sessão que fez sorrir um menino autista por duas vezes e proferir algumas palavras. Enfim, uma manhã bem passada…


segunda-feira, 5 de março de 2018

O que nos diz um retrato?



A visita/oficina O que nos diz um retrato vai acontecendo no Museu Gulbenkian (Coleção do Fundador), agora com o percurso consolidado e abraçando o desafio de receber alunos do universo autista e multideficiências de baixo teor comunicativo. Tenho sempre o desafio de trabalhar com estes grupos com dificuldades de foco, num  museu carregado de visitantes. Há 3 anos atrás, tinha a possibilidade de trabalhar em sossego, com estes grupos especiais, no dia em que o museu está fechado aos visitantes – Era uma primeira ida (protegida) ao Museu, com resultados visíveis na segunda deslocação à Coleção, já no meio do público regular. Mesmo assim, os resultados são bem positivos, sobretudo graças ao recurso a Photoshop, criando imagens onde aparecem os nossos visitantes especiais encarnando as personagens das pinturas expostas. Ao mergulharem na pintura, acabam por consolidar os conhecimentos surgidos na mediação fixando imagens destinadas a permanecer na memória.


Em Sines com a Associação Cabo-Verdiana


No dia 27 de fevereiro, participei no interessante Seminário de Educação Intercultural que teve lugar no Centro Cultural de Sines. Compareci a convite da Associação Cabo-Verdiana de Sines e Santiago do Cacém, a quem agradeço na pessoa da sua presidente Gracinda Luz com um abrasu pertadu extensível a todos os companheiros desta IPSS. Falei sobre a importância da mediação leitora junto das pessoas excluídas e do seu poder inclusivo, dos livros à narração oral. Aliás, aproveitei para contar uma história em crioulo e outra da tradição cigana. Gostei particularmente de escutar o Bruno Gonçalves sobre os projetos que decorrem com a comunidade cigana e os docentes das escolas do Concelho de Sines que partilharam as suas iniciativas, algumas decorrendo na Biblioteca escolar. Agradeço à Tânia Brito (serviço educativo do Município de Sines) pelos pequenos textos e moderação do painel. Findo o seminário, fui conhecer o bairro Amílcar Cabral. Isso mesmo! Sines tem um bairro com as ruas batizadas com nomes fundamentais da história Cabo-Verdiana, não faltando uma artéria com o nome de Baltazar Lopes. Foi no coração desta comunidade que se ergueu a sede da Associação Cabo-Verdiana de Sines e Santiago do Cacém – um espaço intercultural de qualidade, servindo toda uma comunidade envolvente. Ficou a simpatia e a vontade de realizarmos em conjunto algumas iniciativas. Até breve.

domingo, 4 de março de 2018

Escutar é ser especial


No centro escolar da Ventosa (Agrupamento de Escolas S. Gonçalo/Torres Vedras), na sua Biblioteca Escolar decorre o projeto “Ler é ser especial” que pretende aprofundar o caminho que foi feito com o “Dilfícil Leitura” em torno da mediação inclusiva do livro e da leitura e seu efeito junto das crianças da Unidade de Ensino Estruturado e sala de Multideficiência. Um novo desafio da professora bibliotecária Joana Rodrigues, que resolvemos abraçar. Trata-se de um trabalho de laboratório, muito horizontal, com os professores de educação especial, auxiliares de educação, mediador da leitura e professora bibliotecária e, claro os alunos, trabalhando a par com os seus colegas da turma. A intenção é de pesquisa e profundamente inclusiva. Na última sessão, que decorreu a 22 de fevereiro, trabalhámos a literacia auditiva, a escuta ativa e a construção de narrativas, partindo da metodologia Dos sons nascem histórias (Apresentada pela primeira vez no projeto Tásse a ler/Alto Minho). São várias narrativas sonoras onde não existe nenhuma palavra em português mas que propõem horizontes interpretativos diferentes, tão diversos quanto o número de pessoas presentes na sala. São uma espécie de álbum sem texto, construído apenas por sons. Costumo trabalhar com estes trechos junto de crianças e adultos cegos, mas também com pessoas do universo autista. Mais uma vez o resultado foi surpreendente, talvez pelo facto de os sons estarem isolados, destacando-se claramente; as condições de escuta na biblioteca também são muito boas. Uma das gravações vai ser trabalhada com maior profundidade pela professora Isa Sá, para promover a comunicação (competência da palavra) com grupinho específico. Logo vos diremos como correu….