segunda-feira, 1 de maio de 2017

BALEIZÃO, o valor da memória

Estreia. Sábado 6 de Maio. 11h. Museu do Dinheiro

"Não me lembro quando é que se instalou a cotação do Baleizão lá em casa, mas lembro-me muito bem da minha Mãe utilizar o Baleizão sempre que eu queria uma coisa que os meus pais não tinham possibilidade de comprar. Dizia-me assim: Sabes, isso não posso comprar porque é muito caro. E eu perguntava, caro, quanto? E ela dizia, muitos Baleizões! Às vezes, quando eu insistia, dizia-me a quantidade, 5, 10, 20, ou 30, conforme os casos.
O Baleizão, que a minha mãe utilizava para cotar o valor das coisas impossíveis, era um gelado de uma cervejaria com o mesmo nome, da cidade onde eu vivia. Luanda, em Angola. Custava 2$50!"

Esta é a carta que dá início ao exercício de memória e de celebração da vida, entre dois amigos, realizada através da troca de cartas, textos, desenhos e fotografias sobre as suas infâncias vividas há cerca de 50 anos.

 Aldara Bizarro | conceção e direção
Miguel Horta e Aldara Bizarro | cocriação

Museu do Dinheiro (Banco de Portugal)
Informações úteis
Largo de S. Julião, Lisboa (Baixa/Chiado)
Reservas
T. +351 213 213 240
info@museudodinheiro.pt
Entrada e participação gratuitas nas atividades

domingo, 30 de abril de 2017

Um abraço de contos


Torres Vedras - 21 de Abril - IX Abraço de Contos
Cheguei cansado da Beira Alta...Mas a sessão de conto com o Luís Carmelo correu bem. A voz do Luís e a toada do acordeão marcaram a noite na sala cheia da Biblioteca Municipal de Torres Vedras.
Gostei dos disparates que umas meninas traquinas nos disseram no final da sessão, respondendo aos nossos contos brincalhões. Acho que a Goretti Cascalheira e as mediadoras da sua equipa estavam felizes no final da noite... Obrigado.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Elos na Beira Alta

Na escola de Vale de Madeiros
Regressar a Canas de Senhorim e Nelas é sempre um prazer. Acabo sempre por rever amigos e paisagens, usufruindo da habitual hospitalidade beirã. Fiquei muito bem instalado no pombal das Casas do Visconde, retemperando energias. Desta vez, respondi ao convite para participar nos "Elos de leitura", iniciativa da Biblioteca Municipal de Nelas. Para além de ter apresentado o meu livro “Rimas salgadas”, conduzi a oficina “Recolectores de Palavras” pelas ruas de Nelas e de Canas. Mas a minha primeira paragem, neste breve circuito, foi na Escola Básica de Vale de Madeiros onde voltei a estar com os meus leitores. Como cresceram… foi uma sessão um pouco disparatada mas que nos soube a todos muito bem. 
 Nelas: perguntado ao Sr. Américo qual era a sua palavra favorita
 Encontrámos "honestidade" nas paredes de Nelas
 Nelas
Construindo o poema em torno de uma mesa (coletivo)
No dia seguinte pela manhã, andámos pelas ruas da cidade de Nelas em busca de palavras para construir um poema coletivo na Universidade da Terceira Idade. Eramos muitos, cerca de 80, mais velhos e mais novos, perguntando a quem passava pela sua palavra mais querida (palavra favorita) e recolhendo outras pelas paredes, pelo chão ou em jornais esquecidos. Em Canas de Senhorim a tarde foi muito animada, tendo o grupo atingido plenamente os seus objetivos – ficámos todos contentes! O encontro da manhã de 21 de abril na EB 2.3 de Nelas, na sua Biblioteca escolar, foi o mais forte e mais participado deste périplo. Seguindo o mote da Liberdade, foram surgindo questões cada vez mais profundas, algumas difíceis, mas todas encontraram a sua resposta naquela casa das palavras. De tarde estive numa outra biblioteca escolar, a de Canas de Senhorim; perante uma assistência pasmada, apresentei a minha obra, mostrando também alguns originais do meu livro. Depois foi tempo de fazer as malas e descer do planalto beirão em direção a Torres Vedras, onde me esperava uma sessão de contos com o meu companheiro narrador Luís Carmelo.

domingo, 23 de abril de 2017

Dia Mundial do Livro: Bem-vindos à Biblioteca do Bairro!


Neste Dia Mundial do Livro, publico aqui o cartaz que anuncia a inauguração da Biblioteca do Bairro (no próximo dia 26 de abril às 10 horas) uma biblioteca híbrida com morada na Escola Básica Homero Serpa no Casalinho da Ajuda (Um território educativo de intervenção prioritária). Esta iniciativa é uma das frentes de intervenção do Projeto Bairro Leitor (Bip Zip) e tem sido animada pela comunidade educativa da escola. São 3 mulheres de grande valor, a par de funcionárias e professores da escola, que animam e coordenam este espaço: Mónica Cordeiro (Academia de Jovens do Casalinho da Ajuda - fundamental na ligação real ao bairro), Lurdes Caria (Professora Bibliotecária -.Agrupamento de Escolas Francisco Arruda) e a minha companheira de Associação Maria José Vitorino (Laredo A. C.). Num território de grandes problemas sociais, de intervenção prioritária, onde o trabalho em torno das literacias é urgente, esta biblioteca propõe-se como lugar de partida, recuperando a escola como espaço social de referência em comunidades excluídas. Acreditamos que a leitura, entendida num conceito contemporâneo mais lato, contribui para a humanização dos territórios urbanos. 
Se quiserem aparecer na inauguração, são bem-vindos/as!  

segunda-feira, 17 de abril de 2017

3Is com crianças ciganas


Palavras quase arrazoadas
no final de mais uma sessão
Biblioteca Municipal de Pombal
Conversando em circulo sentados no chão da Biblioteca municipal de Pombal

Trabalhar a escuta, o volume da voz, esperar pela palavra do outro. Propor o pensamento junto com o olhar atento. Fomentar o trabalho colaborativo em diferentes desenhos de grupo (tandem, companha ou grande grupo). Promover a justiça nas relações. Promover as diferentes linguagens como veículo de comunicação. Enfraquecer a agressividade gratuita, substituindo-a por uma autoestima trabalhada atentamente pelos mediadores. Propor momentos de reflexão coletiva onde todos têm direito à palavra. Na realização destas intenções surgem dinâmicas de grupo, onde o corpo em movimento e a voz permitem a construção de momentos de verdadeira alegria. O livro, o desenho e o canto entram neste fazer em conjunto. Rir! Não esquecer de trazer a necessária intuição, paciência, bem como objetivos bem traçados para o trabalho em Biblioteca.
Rir! Disparatar!
Mais livros!
Há livros com buracos...
Deixei ficar, com os técnicos da Biblioteca Municipal, algumas propostas de trabalho, a que poderão dar continuidade, Estarei de regresso no Verão...


domingo, 16 de abril de 2017

Com as crianças ciganas de Pombal

No dia 10 de abril, iniciei na Biblioteca Municipal de Pombal um ciclo de mediação artística e leitora junto de um grupo de aproximadamente 20 crianças ciganas. Quem me desafiou para estas intervenções foi a Ana Maria Cabral, coordenadora da Biblioteca Municipal de Pombal. Integro um projeto “Escolhas” que decorre localmente – “3Is-Intervir, Integrar e Incluir-E6G”. Esta primeira sessão que decorreu animadamente na sala infanto-juvenil teve a presença das vereadoras Catarina Silva e Ana Gonçalves, para além das representantes do programa “Escolhas”, sob o olhar atento do pastor Manuel da Igreja Filadelfia Cigana. Iniciei a manhã com uma pequena dinâmica de concentração que truxe logo muita risada à atividade. Segui pelo conto e outras brincadeiras em oralidade e apresentei um uma serie de livros divertidos a uma plateia muito interessada. Fechámos a sessão com uma atividade gráfica em torno do corpo (Eu sou Tu) que continuará na próxima segunda-feira.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

A "Máquina da Poesia" com os jovens da ETAP/Cerveira



Já não me lembrava deste vídeo feito pelo Patrick Esteves (ETAP/Cerveira) numa das minhas idas à Biblioteca Municipal de Vila Nova Cerveira. Quem conhece a "Máquina da Poesia" vai reconhecer os movimentos todos... Também não faltou o Kuduru de "Calçada de Carriche" (António Gedeão)... Arquivado. Obrigado Patrick.

Oficina Improvável inclusiva em Torres Vedras

As “oficinas improváveis” continuam a percorrer as Bibliotecas Escolares do Concelho de Torres Vedras, uma iniciativa da Biblioteca Municipal dedicada aos alunos com necessidades educativas especiais. A oficina de Abril teve lugar (de novo) no Agrupamento de Escolas Madeira Torres mas com um outro grupo de alunos. Uma realidade bem distinta do grupo anterior, que precisou de maior recolhimento, outras dinâmicas e outros livros. Trabalhar com o espectro do autismo requer uma abordagem específica mas que deverá apontar sempre para a inclusão. A sessão de 4 de abril foi completamente inclusiva! Tinha pensado fazer uma sessão tranquila na Biblioteca Escolar, mas era o último dia de aulas e as crianças andavam de um lado para o outro numa agitação própria já dos dias de férias – entravam na biblioteca para ver o que se passava ali… Acabei por propor que se fossem juntando ao grupo especial que ali estava já sentado. Não mudei muito o programa. Apresentei os livros que tinha preparado para os alunos especiais, apenas acrescentando umas quantas histórias disparatadas, pois a biblioteca tinha acabado de ser invadida por meninos e meninas de Jardim-de-infância que se juntaram a outros alunos de várias proveniências que já lá estavam... Foi uma festa! Muita risada… Reparei que os professores iam tomando notas dos livros mediados e participando em todas as brincadeiras propostas. Assim vale a pena... Foi por iniciativa de Goretti Cascalheira (obrigado, amiga!) que surgiram estas corajosas oficinas improváveis que têm funcionado, também, como laboratório, permitindo ir aferindo metodologias, selecionar livros e adequar a comunicação. O modelo está testado, podendo ser aplicado noutros concelhos do país, por iniciativa das bibliotecas locais. Agora é preciso chegar às famílias, batalhar pelo empréstimo domiciliário especializado e promover lugares inclusivos nos espaços de leitura pública.

terça-feira, 11 de abril de 2017

8 de Abril

Finalmente fui à Biblioteca Municipal de Santo André (Santiago do Cacém) contar histórias. O namoro durava há dois anos e eu sem encontrar uma data para me fazer à estrada, Alentejo fora. Lá participei nos “Contos Traquinas”, tratando de me portar convenientemente mal, fazendo jus ao título da sessão. Parece que a assistência, de boa escuta, apreciou a minha prestação. Muito obrigado à Ana Peredo e equipa pelo carinho e profissionalismo. Foi bom ver algumas caras conhecidas. Da próxima vez arranjo mais tempo para aproveitar e conhecer as lagoas da Sancha e Santo André.

domingo, 2 de abril de 2017

Leituras em cadeia: ilustração

Uma das propostas que tem vindo a ser lançada no projeto “Leituras em cadeia", que vem decorrendo no estabelecimento Prisional de Tires, é a escrita imaginativa aliada à ilustração. Não se trata de uma atividade exclusiva para quem tem competências de escrita consolidadas ou com especial “queda” para o desenho, estas oficinas que decorrem na Biblioteca Prisional são transversais às residentes no pavilhão 1 – qualquer uma pode participar. Particularmente interessante foi aquela em que trabalhámos o livro “Greguerias” (Ramon Gómez de la Serna) como texto de ignição para as ilustrações. Neste dia 30 de março abordámos o universo do trabalho, visionando alguns vídeos sobre o 1º de maio e debatendo os direitos da mulher. A sessão foi conduzida pelo professor Luís Dias e por mim. Surgiram textos bem interessantes, um deles rimado , quase um hip pop. Algumas reclusas começaram os seus desenhos…vão terminá-los na cela. É notória a evolução das participantes que estão a trabalhar a Língua Portuguesa com o professor Luís – estes momentos de ateliê em biblioteca servem para consolidar as conquistas e ganhar segurança leitora. Uma última nota para a Mara (nome fictício), uma das reclusas/formandas responsáveis pela Biblioteca Prisional que discretamente acompanhou a atividade garantindo a logística necessária enquanto a outra colega garantiu o “balcão”. Um destes dias peço à minha colega de projeto, Maria José Vitorino, que faça aqui uma narrativa sobre o estado atual do trabalho bibliotecário destas detidas. Até breve.

quinta-feira, 30 de março de 2017

Bairro leitor: a mediação leitora continua

A Biblioteca Híbrida do projeto Bairro Leitor vai multiplicando iniciativas. No dia Mundial da Poesia tivemos a presença de uma mediadora do livro e da leitura muito especial: Andreia Brites. Calculo que tenha sido trabalhoso lidar com os nossos leitores, mas tenho a certeza que no final compensou. Aguardamos mais uma vinda da Andreia ao Bairro do Casalinho da Ajuda… Desta vez, qual será o desafio? Também andei pelo mesmo agrupamento de escolas, mas na escola sede (Francisco Arruda) num encontro com jovens leitores. Apresentei o “Pinok e baleote”, muito bem trabalhado por professores e alunos e “disse” alguns poemas do “Rimas salgadas”. 
Respondi a uma saraivada de perguntas e respondi com outras tantas questões que fizeram pensar quem esteve na sessão. Também mostrei algumas ilustrações originais. Espero que tenham gostado…Reconheci algumas caras bonitas do Casalinho da Ajuda. Um dos miúdos disse, muito feliz: Temos um escritor no bairro e eu não sabia!… Gostei muito da biblioteca e da criatividade contagiante de Lurdes Caria (1), a professora bibliotecária.
(1) Lurdes Caria tem feito equipa com a Maria José Vitorino pondo de pé uma biblioteca que queremos venha a servir a comunidade escolar do Bairro do Casalinho da Ajuda.

domingo, 26 de março de 2017

Eu também paguei a pintura!


O que nos diz um retrato? 
Para além da evidência do suporte e da técnica utilizada pelo artista, que histórias estão escondidas? 
Que narrativa está misteriosamente velada por um olhar ou por um gesto congelado no tempo?
 Como poderei criar uma narrativa pessoal a partir da observação de um retrato? 
Foto: Teresa Barreto
 As oficinas em continuidade, como a atual “o que nos diz um retrato” (Fundação Calouste Gulbenkian, incluída aqui na programação), implicam um grau de compromisso dos visitantes, difícil de cumprir no caso dos públicos com doença mental. Embora enquadrados em estruturas especializadas, nem sempre estão na disposição de se deslocarem ao museu. As manifestações próprias da doença a par dos ciclos de medicação têm influência na resposta ás propostas do museu. Existe uma espécie de volatilidade que pode ser contrariada pelos técnicos que acompanham os grupos. Feito o circuito total desta oficina que é composta por 3 sessões, o resultado pode ser surpreendente. Ao longo das diferentes sessões percorremos os dois núcleos do Museu Gulbenkian, a Coleção do Fundador e a Coleção Moderna, terminando com um dia de oficina, onde a realização plástica promove a síntese dos conteúdos. Tento ser comunicativo, interagindo, puxando pela participação do público e revelando as histórias escondidas por detrás de cada peça. A peça “Sagrada família e doadores” de Vittore Carpaccio  desperta muito interesse como atesta a montagem surgida na oficina final com o título “Eu também paguei esta pintura!” feita por um dos amigos do CASP. 
Eu também paguei esta pintura!
A intenção é falar de história de arte de forma acessível, com uma pedagogia ajustada onde a interpelação, o desafio e a liberdade são a tónica geral. Se um dia se cruzarem connosco na Coleção Moderna e escutarem um pedacinho de um fado em frente a um conjunto de litografias de Jorge Barradas (com Lisboa e seus habitantes como tema ) não se admirem, faz parte da proposta. 

terça-feira, 21 de março de 2017

Miríade de Histórias 2017: Philippe Parreno

A terceira edição de “Miríade de histórias” já está no terreno! Um projeto inclusivo de mediação no Museu de Serralves em estreita relação com a comunidade escolar da Escola da Ponte. Um projeto a três: Mediadores culturais da Laredo Associação Cultural, Educativo do Museu de Serralves e os professores da Escola. À semelhança dos anos anteriores, o desafio colocado às crianças é o de criarem um discurso próprio, autónomo, imaginado livremente e pesquisado em pequenos grupos, construindo um percurso expositivo a partilhar no dia 9 de Abril com os visitantes do Museu de Serralves. Nesse domingo, qualquer um (criança ou adulto) poderá escolher uma das três visitas/desafio preparadas pelos alunos desta escola de Santo Tirso. Os pequenos participantes criadores são do núcleo de iniciação da escola da Ponte. O grupo deste ano é composto por 18 crianças com idades entre os 8 e os 10 anos. É um grupo inclusivo, com alunos que apresentam uma grande diversidade de competências, níveis de participação, mas partilham entre si a curiosidade e entusiasmo que caracterizam os alunos desta escola singular. Os alunos da Escola da Ponte já visitaram o Museu de Serralves contactando com a obra de Philippe Parreno numa visita orientada pela Joana Mendonça (monitora do Museu de Serralves). Foi uma visita muito participada e do agrado de todos, como atestam os pequenos depoimentos recolhidos depois de uma manhã bem passada. Vejam só o que escreveu a Inês com as suas vírgulas: “O Museu não é só arte, é amor, porque é como a criatividade, o valor da vida, senti mais o valor que senti, foi não só o que eu disse mas sim o amor que sente o artista”. Miguel Horta e Joana Macedo orientaram junto com os docentes o segundo encontro de construção da visita. Foi uma manhã intensa em torno de uma grande mesa, com boa disposição e uma espantosa capacidade de concentração em torno do tema: trabalhámos quase três horas (com um intervalo para um lanchinho)… Escutámos pequenas histórias muito ilustradas que surgiram após a vista ao Museu. O Museu enquanto local de cultura deve ter sido muito debatido na nossa ausência, basta olhar para estes desenhos que publicamos para se entender a profundidade a que chegam estas crianças. 

Entretanto, citando Philippe Parreno, fiz uma pequena brincadeira de aquecimento com um conjunto de pequenos desenhos que fui fazendo a partir dos balões de Banda Desenhada – acho que gostaram e serviu para fazer a ponte com a proposta apresentada em Serralves pela Joana Mendonça. Depois começámos a debater a questão da mediação: Qual a diferença entre uma vista guiada e uma visita mediada? Qual a diferença entre um guia e um mediador? Terminámos com uma brincadeira com um balão esvoaçante. No terceiro encontro, no dia seguinte no Museu, os alunos regressaram à exposição dividindo-se em três grupos temáticos ou que congregavam um ponto de vista específico sobre a obra exposta. Cada aluno ficou com um balão colorido onde registou palavras/ sensações recolhidas durante o percurso. 
No final pareciam pequenos aikus escritos em balões. Lá fomos percorrendo as salas do Museu: surgiu um fantasma que assombrava a exposição chamando pelos alunos, uma dança elétrica cor de laranja, um chapéu de ideias… Sabe-se lá o que se vai preparando no interior daquelas fantásticas cabeças… Cada grupo vai imaginar e preparar uma intervenção, que poderá ser uma vista, uma performance, apenas uma leitura de um texto, um desafio de desenho ou uma mediação dramatizada, que surpreenderão os incautos visitantes no dia 9 de abril. Nessa última semana, ainda voltaremos à escola da Ponte para ajudar a afinar os detalhes deste desafio. Lá vos esperamos em Serralves!

Sobre a Escola da Ponte
 A Escola Básica da Ponte situa-se em S. Tomé de Negrelos, concelho de Santo Tirso, distrito do Porto. Abrangendo o Pré-escolar, 1º, 2º e 3º ciclo, a escola apresenta-se com práticas educativas que se afastam do modelo tradicional. Está organizada segundo uma lógica de projeto e de equipa, estruturando-se a partir das interações entre os seus membros (alunos orientadores educativos e encarregados de educação), alicerçando as suas práticas nos seguintes princípios orientadores:
-Concretizar uma efetiva diversificação das aprendizagens tendo por referência, uma política de Direitos Humanos;
-Garantir a igualdade de oportunidades educacionais e de realização pessoal a todos os cidadãos;
-Promover, nos diversos contextos em que decorrem os processos formativos, uma solidariedade ativa e uma participação responsável.
A sua estrutura organizativa (facilitada pela existência de espaços amplos), desde o espaço ao tempo e modo de aprender, exige uma maior participação dos alunos, em conjunto com os orientadores educativos, no funcionamento e organização de toda a escola, no planeamento das actividades, na regulação da sua aprendizagem e avaliação. Assim, a divisão por anos de escolaridade ou ciclos deu lugar à organização por Núcleos. Existem 3 Núcleos: Iniciação, Consolidação e Aprofundamento. Estes são a primeira instância de organização pedagógica e correspondem a unidades coerentes de aprendizagem e desenvolvimento.

sábado, 11 de março de 2017

Ser do mar - Aula pública na Fundação Calouste Gulbenkian

Registo vídeo da aula pública
Mais aqui

Djunta mon pa kaza di nos tudu!

Relembrando Eduardo Pontes
na data do seu nascimento


Djunta mon! É isso… Construir a casa comum com a ajuda de todos. Ousar a inquietação e a utopia, concretizando as ideias. Na imagem, Eduardo Pontes carrega um tijolo durante a construção da atual sede do Moinho da Juventude.  Assim era o nosso Nhu Eduardo.

Conheci o Eduardo quando tinha 16 anos, era eu militante do Movimento de Esquerda Socialista (no setor juvenil – Núcleos Estudantis de Intervenção Política) e ele referenciado por todos como sendo sábio. Acho que a primeira conversa foi nas escadas da sede do MES na avenida D. Carlos I… Ficará sempre a imagem do afeto, profundidade e sentido de humor, com tempo disponível para os mais novos, sempre com uma história a propósito de algo que dizíamos. Voltei a encontrar o Eduardo Pontes na Associação Cultural Moinho da Juventude. Juntamente com a sua companheira Lieve, tinham erguido, compondo de raiz, junto com outros moradores, o Moinho, referente para todos aqueles que fazem intervenção sociocultural em bairros desfavorecidos. Eduardo e Lieve são habitantes do bairro, com uma mesma força da palavra e da ideia concretizada. Juntamente com Isabel Marques e outros companheiros ergueram este espaço de defesa de uma textura social e humana ímpar no nosso país: O Moinho da Juventude no bairro da Cova da Moura. Desde o primeiro momento, a Biblioteca foi mote para uma transformação social profunda, apostando nos vizinhos como protagonistas da sua própria história e do lugar que habitam. Paradigmático deste afã é confirmação de um elevado número de jovens, oriundos do bairro, que se dedicam a este trabalho cultural e social dando força às traves mestras que sustentam esta ideia. Com o Eduardo, voltou a crescer dentro de mim o espírito Crioulo e um entendimento maior desta cultura que tem acompanhado o meu percurso, também passei a ter redobrada atenção à diáspora do povo cabo-verdiano, à realidade da imigração. Habituei-me a encontrar o Eduardo na nossa biblioteca António Ramos Rosa Havia sempre um novo livro para ler, uma opinião para conferir, uma peça de artesanato desconhecida e um vizinho com o qual seria importante falar, com tempo, o que quer mesmo dizer – sem pressa. Entendi o significado de Morabeza, cada vez que subia as escadas da sua casa para dois dedinhos de conversa (com direito a groguinho e uma risadinha no final de cada frase). Hoje sou mais um sócio do Moinho que colabora, quando a vida o permite (transporto comigo a mágoa de não poder estar sempre presente). Aprendi a ler as dinâmicas do bairro através do olhar do outro, antes de opinar e propor. O Eduardo partiu na mesma data em que assassinaram Amílcar Cabral (20 de janeiro 1973 - Guiné Conacri). Sobre Amílcar diz o povo: Bu more sedu! O Eduardo não podia ficar mais por aqui (o corpo trai-nos)… para nós, será sempre cedo demais. A única maneira de ele permanecer vivo na fundu da petu é continuar a lutar pela requalificação do bairro, preservando a textura social e cultural, tendo tempo disponível para o outro, o nosso vizinho e fazer crescer a ideia, sempre.
Às vezes um passeio pelo bairro ficava registado no meu Diário Gráfico:
Vizinhos jogando Uril no café de Nhu Vitorino

quinta-feira, 9 de março de 2017

Bairro Leitor: Já sou casado!

De sussurrador na mão ao lado da Professora de História.
No próximo dia vamos sussurrar poesia...
As janelas estão todas decoradas...

Ora cá estou dando notícias do Projeto Bairro Leitor. Na sequência da anterior intervenção no dia dos namorados, esta semana, no dia 8 (dia da Mulher) levei a “Máquina da poesia” aos alunos da turma Pief. Já calculam a energia da sessão… Surpreender, fazer pensar e levar à descoberta – foram os objetivos simples que segredei para mim logo no início da sessão, enquanto lia o texto “As gajas são lixadas” de José Fanha – fez-se um silêncio enorme no final. “A maneira como você leu… nunca vi nada assim”. Disse um dos rapazes de semblante sério e surpreso. E fui, por ali fora com a proposta, ajudando a vencer resistências, com dinâmicas de corpo e dando a palavra aos jovens e mantendo a autoridade do mediador. As dificuldades são muitas e as estratégias de educação não formal conseguem chegar mais próximo dos alunos. E não é que aquelas fantásticas e difíceis criaturas escreveram! Algumas frases poéticas surpreenderam-me pela qualidade do conteúdo. Quando quis tirar uma fotografia do grupo, colocou-se logo a questão das autorizações. Dois jovens insistiram em ser fotografados. Um deles disse-me “que já era casado e que os pais não se ralavam com esses assuntos”. “Nós (ciganos) temos mais responsabilidades que “os outros” da nossa idade, a idade não conta. É esta a densidade humana que encontramos quando nos disponibilizamos a partilhar a leitura em meios abandonados e sem acesso a bens culturais. O trabalho continua… e a sala da escola vai-se compondo, ganhando corpo como biblioteca híbrida (comunitária), graças à teimosia dos parceiros do projeto e de duas professoras bibliotecárias visionárias. A inauguração oficial está prevista para o dia 26 de abril. Ainda mais uma surpresa agradável: a sessão foi acompanhada por um grupo de 5 docentes participativos que estiveram lado a lado dos alunos ajudando a vencer obstáculos...

domingo, 5 de março de 2017

Oficina Improvável - Março

Escutando em estéreo o poema do Vento de António Torrado
Teve lugar no dia 2 de março no Centro escolar da Ventosa, na sua Biblioteca Escolar, mais uma sessão das “Oficinas improváveis” promovidas pela Biblioteca Municipal de Torres Vedras e dedicadas a crianças com necessidades educativas especiais. Ao longo do ano, têm lugar nas diferentes bibliotecas escolares, estas sessões de mediação leitora que são simultaneamente momentos formativos, com partilha efectiva de recursos e práticas úteis á biblioteca e às unidades de ensino especial. Na Ventosa, juntámos dois grupos distintos de meninos e meninas para trabalhar em torno do som; um grupo da multideficiência e outro do ensino estruturado. E lá fomos das histórias sonoras aos sussurradores passando pelas lenga-lengas. Partimos da obra de José Fanha e António Torrado para sussurrar em segredo ao ouvido e bem alto quando lançámos as palavras pelo ar: “E viva o V!”. Na ocasião, divulguei o trabalho que vem sendo desenvolvido nas Bibliotecas Escolares do Concelho Mafra em torno dos livros sensoriais. Um agradecimento especial ao Centro de Recursos Poeta José Fanha pelo empréstimo destes livros especiais. A propósito do livro da “Torneira” aqui fica mais informação sobre estas histórias multissensoriais e outros recursos: Brochura RBE

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Bairro Leitor: Até de olhos fechados escrevo poesia!

“Ainda não tinha conseguido que escrevessem alguma coisa este ano”… desabafou a professora, já perto do final da nossa sessão na biblioteca do Bairro Leitor (Casalinho da Ajuda). Fui ajudado por três professoras (ainda bem!), na tarefa de levar a “Máquina da poesia” a duas turmas agitadas mas com algumas estrelinhas: um pequeno grupo muito trabalhador e criativo do 4º ano que cooperou bem e “contaminou” com interesse os colegas menos focados (com maiores dificuldades). Propus a organização em tandem, assim ajudavam-se mutuamente na correção de erros ou na procura das palavras. Comecei por dizer alguns poemas disparatados de Fernando Pessoa a Álvaro de Magalhães e mais algumas brincadeiras minhas. Lá fomos para o papel de cenário, enchendo os espaços com as palavras que conhecíamos, sempre em dupla e … agitadamente. Depois foi a brincadeira da venda nos olhos … e lá começaram a surgir pequenas frases poéticas. Houve crianças que nem sequer entenderam o enunciado da minha brincadeira… Acho que vou promover algumas dinâmicas de focagem e colaboração na próxima sessão, para combater a dispersão interior destas crianças, a que não é estranha a sua origem cultural (étnica). No final apresentei a ferramenta que nos vai ocupar a próxima sessão: O sussurrador! E foi vê-los a sussurrar o que tinham escrito, uns aos outros, até em estéreo. É verdade, a professora requisitou um livro de poesia para a infância de Fernando Pessoa para releitura na sala de aula...

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Os cavalinhos não pisam crianças!

A minha colega Joana Andrade, mulher da pedagogia da dança, insistiu para que partilhasse aqui no blogue a brincadeira que fiz com os meninos e meninas participantes na oficina de Natal do Descobrir (Fundação Calouste Gulbenkian). (Se fosse no Projeto 10x10, chamaríamos de micropedagogia esta pequena proposta.) As crianças deitam-se no chão com as pernas e os braços esticados até tocarem o corpo uns dos outros; podem tocar com a cabeça, com os pés e com as mãos, deixando ficar uns buraquinhos onde se vê o chão. Pomos a tocar uma música que dê vontade de dançar suavemente, sem pressas e com muita elegância. As crianças deverão dançar percorrendo a sala, usando os buraquitos disponíveis entre os corpos, sem pisar os colegas, tudo isto em silêncio, escutando o som em movimentos leves. Depois voltam a deitar-se no chão, num outro lugar, tocando os outros e deixando ficar um pequeno espaço. A brincadeira deverá seguir em continuado, sem choques, atá ao final da música. Passei a utilizar esta metodologia para trabalhar o movimento com crianças com necessidades educativas especiais, sobretudo com autistas que têm dificuldade em percorrer a sala sem pisar os colegas. Trata-se de um recurso de psicomotricidade aliado a uma expressão artística. Toca a dançar!



Mais sobre DANÇA neste blogue

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Mithos a Ler: Formação em Vila Franca de Xira

Ninguém se aborrece nesta formação...
Teve lugar mais uma formação de mediadores voluntários da leitura na Biblioteca da Mithos, inserida no projeto “Mithos a ler”. Depois de ter apresentado algumas ferramentas simples de apoio à mediação de livros e contos, apresentei alguns livros facilitadores da comunicação e mediação leitora. A segunda metade da nossa formação foi ocupada com a “máquina da poesia”. Encerrámos a sessão, sussurrando uns aos outros os poemas escritos durante a tarde. Não falhem a próxima formação: vamos construir sussurradores e treinar a mediação de livros.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Bairro Leitor em Fevereiro

Em cima de uma cadeira, trabalhando o livro "Zoom"
Bairro Leitor: um projeto também é composto por confluências. Assim, tiveram lugar no Dia dos namorados duas sessões de mediação leitora com alunos da Escola do Casalinho, na nossa biblioteca comunitária, que vem sendo dinamizada por Maria José Vitorino e pela professora bibliotecária Lurdes Caria em colaboração com a equipa da escola. A nossa biblioteca ocupa um espaço muito simbólico – foi aqui que Conceição Rolo desenvolveu no final dos anos 90, um importante trabalho de mediação para  a literacia e leitura em contexto escolar. A primeira sessão com alunos PIEF foi duríssima – uma espécie de combate afetivo pela literacia no meio de rapazes e raparigas que já não acreditam na escola. Usei tudo, da paciência aos livros, passando pela narração oral e pelo hipop… Parece que gostaram. Fiquei de fazer mais uma sessão com eles, aproveitando o grande ritmo que todo o jovem cigano tem. Com os mais pequeninos correu mais fluidamente – é preciso trabalhar a escuta com estas crianças. A fotografia é a possível – tirada com um telemóvel.
O trabalho de mediação cultural pode assumir diferentes contornos consoante a exigências do projeto. Consolidando a relação entre os promotores do projeto e as associações locais, ao longo de duas semanas desenvolvi o logotipo da Academia de Jovens do Casalinho. Começámos a trabalhar imagens a partir da ideia de bairro, depois fomos para os animais, primeiro o falcão e por fim o galo. Acabou por ficar um galo muito simples por influência da Torre do Galo (Ajuda). A escolha final é sempre da responsabilidade do “cliente” associativo…

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Um curso especial

 As criaturas amigáveis da Ana Neves (ler texto)
Maria José Vitorino em ação
Ia para começar a discorrer sobre o último curso “Inclusão, escola, biblioteca- Mediação leitora, educação artística e necessidades educativas especiais” quando dei com a reflexão que a Maria Teresa Ferreira nos enviou. Quase que fica tudo dito nestas linhas… Na área da mediação leitora inclusiva não posso deixar de destacar a qualidade da partilha nos fóruns: o manancial de recursos apresentados, comentados e divulgados constituíram para mim uma verdadeira formação “entre pares” e suscitaram percursos reflexivos e o questionamento da minha prática, a da minha BE e, a montante, a da minha escola, relativamente às questões da inclusão e da diferença e dos impactes nas aprendizagens dos alunos. Saliento ainda a este nível o muito bom ambiente de trabalho entre os pares, facto nem sempre presente em ações de formação em que tenho participado nas quais a pouco sã competitividade se sobrepõe à aprendizagem e à partilha dos saberes. Não tenho memória de ter um grupo tão produtivo e participativo, basta olhar para os textos publicados na plataforma moodle do Centro de Formação António Sérgio para ver a grande variedade de contributos e o grau de profundidade das opiniões. Realmente, assistimos a um diálogo entre o ensino especial e as bibliotecas escolares. Recordo aqui uma partilha da Ana Neves (Professora de Ensino Especial) que nos trouxe o seu saquinho das emoções, contendo pequenos bonecos amigáveis que as crianças manipulam no momento de chegada à sala de ensino especial. Todos os bonequinhos têm nome, são atraentes e fofinhos, contribuindo para fazer desaparecer tensões enquanto se vai falando, ganhando a tranquilidade para receber as atividades propostas. Obrigado a todas! 

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Oficina improvável na Ventosa

"Tirar e por"
Hoje teve lugar mais uma “Oficina improvável” no centro escolar da Ventosa (Torres Vedras) dedicada aos alunos com necessidades educativas especiais. Trata-se de uma iniciativa mensal que se prolonga até Junho, da responsabilidade da Biblioteca Municipal, decorrendo em contexto de Biblioteca Escolar. Desta vez trabalhei com meninos e meninas da unidade de ensino estruturado (autismo). À medida que ia trabalhando os livros (mediação leitora) junto das crianças, reparei que os professores iam tomando nota dos livros e recursos partilhados – é mesmo essa a ideia, partilhar e promover a leitura junto de crianças diferentes. O segundo passo é emprestar os livros, propondo aos pais diferentes formas de os apresentar às suas crianças. É importante propor livros de imagens mas sem a presença dos SPC (pictogramas) – Assim, vai-se fazendo o “desmame” das técnicas de “comunicação aumentativa” – afinal uma boa ilustração substitui um SPC. Nesta relação com estes leitores diferentes, o corpo (a presença física) é mesmo a primeira ferramenta, chega a ser mais importante do que o livro que se quer apresentar. Importa saber escolher os livros certos para crianças do espectro do autismo; sabemos que cada menino/a é especial, tem a sua personalidade e preferências (ou “especializações”), mas já confirmámos uma maior adesão aos livros em que a ilustração é mais clara (objetiva), com os motivos centrais bem visíveis e sem ruído de fundo. Os livros que têm truques gráficos também convencem estes leitores especiais.
"Livro com um buraco"

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Bairro Leitor: Quem sabe a origem dos ciganos?



As imagens que contam a história toda...
O café do Senhor Fernando estava à cunha de moradores pequenos e grandes, a par dos colegas de projecto. Conseguimos montar no café o projector de vídeo e um ecrã; os cafés e o bolo-rei foram por conta do projecto “Bairro Leitor”. Coadjuvado pela Maria José Vitorino (Laredo) e pelos companheiros da Academia de Jovens do Casalinho, da AASPS e da Junta de Freguesia da Ajuda, lá comecei a nossa sessão. Contei uma versão de “Jack e a Morte” mas passada no Casalinho da Ajuda, tendo a morte ficado fechada numa garrafa de água vazia – as crianças portaram-se muito bem. Esta sessão com a comunidade cigana sobre a sua história foi preparada ao longo do mês de dezembro e janeiro – fartei-me de ler para poder partilhar alguma informação. E, de repente, a sala encheu-se de gente tisnada, falando alto, opinando afirmativamente sobre a origem dos seus. Lá fui falando da diáspora e sua origem no sul da Índia/Paquistão, enquanto projectava imagens sobre a comunidade e um mapa para melhor exemplificar os caminhos percorridos. O público agitou-se; uns afirmavam a sua origem bíblica, talvez descendentes de Caim (filho de Noé), outros garantiam a atmosfera de mistério e desconhecimento que envolve a raça, talvez, quem sabe, a tribo perdida de Israel... Discretamente um morador cigano segreda-me a sua concordância com a minha versão. Ficou claro que a comunidade cigana tenta defender as suas tradições, criando uma defesa de identidade, num mundo com existências cada vez mais diluídas. Tive de me aguentar no meio de uma saraivada de palavras, sempre atento e respondendo, por saber que estes momentos de comunicação entre moradores são bem importantes - afinal, o bairro é conversável.

Uma confluência entre 3 iniciativas do projeto: 
Biblioteca de Bairro
Casa das Artes
Comida com Histórias