sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

(Re)pensar a intervenção nos bairros

Mural na parede da sede, relembrando Eduardo Pontes, mediador cultural de referência, cofundador da Associação Cultural Moinho da Juventude - Bairro da Cova da Moura
Respondendo ao desafio da Mafalda Teixeira
do Município da Lourinhã, a quem agradeço o convite,
estive presente no Seminário (RE)pensar a intervenção em bairros sociais.
Tive o grande prazer de rever Orlando Garcia,
companheiro do movimento associativo dos animadores culturais
da segunda metade dos anos setenta do século passado,
e fartei-me de aprender! Daqui vai um abraço para os meus colegas de painel:
Miguel Guterres, Susana Sousa e Marta Santos
Aqui publico, a pedido de alguns participantes, algumas notas[1] 
que estiveram na base da minha intervenção,
bem como o poema “Ágora”, pertencente a um livro que teima em não ser editado.


Ágora

Quero
de novo
a ágora
preenchendo os nossos espaços
sílabas batidas
entre lábios e dentes

Quero
o sorriso concordante
a gargalhada dissonante
e o tempo de partilha
numa ilha feita gente

Quero
o momento do contacto
com o outro
ao meu lado
num só acto

E responder-te
do fundo do palato:
É comunicando
que se aprende!

(Transversais, Miguel Horta)


Maria José Vitorino (Laredo AC) - Bairro leitor/Biblioteca do Bairro

Sobre a Laredo Associação Cultural

Andei à procura de algumas palavras que pudessem apresentar o trabalho da Laredo Associação Cultural e consegui reunir uma mão cheia delas: Leitura, Literacia, Educação, Inclusão, Conhecimento. Ainda, algumas características do nosso trabalho: colaborativo, em rede, em tandem, em filosofia de projeto, transversal, diverso, plural… Sobretudo, trata-se de um trabalho inclusivo, porque existem diferentes exclusões: culturais, linguísticas, económicas, físicas e mentais, geográficas, de género (…)
Trabalhamos em Estabelecimentos Prisionais, promovendo Bibliotecas capazes de um trabalho autónomo de promoção das literacias e de mediação leitora, geridas por reclusos com apoio da estrutura educadora (escola, tratamento prisional e biblioteca municipal). Trabalhamos com Museus na acessibilidade e inclusão, propondo metodologias criativas e desenvolvendo formação, pesquisando constantemente ferramentas de mediação artística. Trabalhamos com Bibliotecas (Rede Pública, RBE e comunitárias) promovendo as literacias, a inclusão, a leitura, o livro, e o digital. Também aqui temos uma oferta formativa. Trabalhamos o laredo, a zona entre marés, porque acreditamos que é fundamental promover uma efetiva literacia oceânica, de forma inclusiva, e formando guardiões do mar. Trabalhamos junto de pessoas com necessidades educativas especiais, e com elas, desenvolvendo conhecimento e ofertas inclusivas nos mais variados contextos, do escolar ao institucional, passando pela vizinhança. 
E trabalhamos em bairros, com a sua realidade…
Envolvemo-nos em Lisboa num projeto Bip Zip – “BairroLeitor” (Casalinho da Ajuda), agora em fase de sustentabilidade. Mas também na Cova da Moura (Amadora) com o Moinho da Juventude, e em breve, se tudo correr bem, em Porto Salvo (Oeiras) e Zambujal (Amadora).
O que une todos estes lugares? O trabalho em torno das literacias, da leitura… enfim, caminho que sempre foi de bibliotecas. Bibliotecas comunitárias, às vezes tentando hibridar a partir de bibliotecas escolares. Propondo sempre contra a exclusão. Por vezes, estas bibliotecas assumem características de Ludoteca, ou poderão surgir a partir de casas comunitárias ou coletivas - exatamente como acontece no município da Lourinhã ou na Bela Vista de Setúbal - mas serão sempre de leitura de proximidade, num trabalho em torno das literacias como objetivo e também como meio para melhorar a qualidade de vida e gerar harmonias locais. Recomenda-se que estes lugares de comunicação sejam criados de forma orgânica, fluida, acrescentando valências surgidas naturalmente por proposta da população ou pelas dinâmicas geradas pelo projeto.
Vivemos um mundo contemporâneo líquido e veloz, o que exige dos mediadores e dos espaços comunitários uma constante adaptação às mudanças, só possível se as ideias estiverem alicerçadas em projetos pedagogicamente sólidos, partilhados, colaborativos, com lideranças evidentes e seguras. Estes espaços comunitários de partilha e promoção das literacias deverão ser lugares com mais-valia educativa, seguindo metodologias não formais, trabalhando na direção do crescimento interior dos habitantes (vizinhos) através do conhecimento. É neste desiderato que assenta a mediação leitora[2].

O Mediador

Costumamos dizer que a leitura ensina a ler o mundo nas suas diferentes cambiantes e que nós, mediadores da leitura, estamos lá na biblioteca comunitária, disponíveis para colaborar nesse caminho de crescimento interior que todo o leitor faz quando segue a sua curiosidade e intuição leitoras. Paulo Freire afirmava que “a leitura do mundo precede a leitura da palavra”[3].
Dizia-me uma professora, coordenadora de uma escola básica inserida numa zona problemática, mas sem ser considerada escola TEIP. Neste bairro a coisa é complicada, já não existe um patriarca cigano nem se respeita a lei oral que tradicionalmente rege as famílias caló. Discutem violentamente entre si e vociferam com a escola. Perderam a sua identidade. São culturas em perigo, perdidas na voragem contemporânea. O mediador[4] sabe como é importante preservar os nichos culturais, a sua cultura idiossincrática, tradições, línguas, rotinas e eventos, em articulação saudável com o mundo contemporâneo. Um mundo em mutação rápida, líquido, que urge entender para dar segurança aos passos que damos. As pessoas não entendem logo os processos da mediação cultural. Estão habituadas a calar ou falar aos berros com as estruturas. O mediador é mesmo estranho: não é da Junta, não é da “Judite”[5], nem de nenhuma seita invasiva, nem do RSI[6] e fala de leitura onde ninguém lê… De arte onde ninguém vai ao museu. Não trabalha pelo outro, não trabalha para o outro… trabalha com o outro, coopera. Usa métodos colaborativos. Não quer a comunidade para si[7], não a quer manipular, não quer tirar vantagem, prefere que ela evolua livremente de acordo com a matriz humana que a caracteriza. Interage questionando, deixando que o outro construa a sua resposta pessoal.
A mediação cultural é paciente porque conhece o valor do tempo. Gesta lenta, persistente como uma combustão sem chama. E depois do trabalho feito, partimos e deixamos tudo aos vizinhos.
Jovens ciganas construindo sussurradores na Biblioteca Comunitária

[1] Fica de fora a longa resposta à pergunta: Como se monta uma biblioteca comunitária? 
[2] A Mediação Leitora, a Mediação Social, a Mediação em Museus (Educação artística) entre outras, pertencem à família maior da Mediação Cultural. Deixaremos de lado, nesta comunicação, a mediação artística, e a Educação de Adultos, considerada como Educação Permanente, outras ferramentas base da nossa associação.
[3] Paulo Freire. Abertura do Congresso Brasileiro de Leitura, Campinas, Novembro de 1981
[4]O mediador dedica-se a estabelecer pontes de passagem para o conhecimento, potenciando experiências culturais significativas capazes de operar transformações no indivíduo e no meio envolvente. Assenta na crença de que a fruição da produção cultural e dos seus meios de expressão permitem um entendimento mais claro do mundo que habitamos, tornando cada um de nós um cidadão mais capaz de agir sobre os destinos do planeta, das comunidades e da sua própria vida.” in Leituras em Cadeia Projeto Gulbenkian, publicação a editar em 2018
[5] Designação popular urbana de Lisboa para Polícia Judiciária.
[6] Designação corrente de Rendimento Social de Inserção, medida de política social criado no séc. XXI. Nos bairros populares portugueses, usa-se a sigla para referir os técnicos de serviço social que acompanham as populações carenciadas e a atribuição de subsídios e apoios sociais.
[7] Deontologicamente, não deverá possuir intenções eleitoralistas.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Oficinas improváveis em Campelos


Decorreu hoje, na Biblioteca Escolar de Campelos (Agrupamento de Escolas Padre Vitor Melícias – Torres Vedras), mais uma sessão das Oficinas Improváveis. Trata-se de uma iniciativa da Biblioteca Municipal de Torres Vedras em colaboração com a rede de bibliotecas escolares do concelho que pretendem levar a mediação leitora junto de alunos com necessidades educativas especiais e partilhar livros e metodologias com os docentes de ensino especial e professores bibliotecários. Estas sessões têm a particularidade de serem conduzidas por mim e por duas técnicas da biblioteca municipal (Vera Fortunato e Ana Gonçalves) que assim vão fazendo a sua formação neste campo específico. A sessão foi toda preenchida de livros na mão, contando histórias escolhidas especificamente para o grupo especial de meninos e meninas de Campelos. Gostei particularmente da história de um pombo porcalhão que lá acabou por tomar banho…No final, trocámos impressões sobre os livros utilizados, explicando as razões da nossa escolha.

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

A ilha do Amor - Museu Gulbenkian

Último texto, num total de três, que aqui se publicam, referindo obras do Museu Gulbenkian, Coleção do Fundador, nasceram de um desafio que me foi lançado para criação de suporte escrito para áudio-guias. Agradeço este interessante desafio, apesar de ainda não se ter concretizado. Deu-me oportunidade de estudar, e de apresentar um ponto de vista vivo sobre a coleção, escrevendo interpelações a cada visitante. Aqui vos deixo esta pequena viagem pelos olhos de um pintor/mediador.

Festa em Rambouillet ou A Ilha do Amor
Jean-Honoré Fragonard ; (1732-1806) ; França; c. 1770; Óleo sobre tela

Deixemos que o olhar deambule por esta pintura a óleo de Jean-Honoré Fragonard, repleta de estímulos visuais, gerando a sensação de conter um secreto mistério que nos obriga a vaguear pela poderosa floresta retratada, procurando um sentido para a obra. A atmosfera misteriosa adensa-se em recônditos escuros; no meio do arvoredo denso que domina quase toda a tela, uma árvore nua ergue os seus ramos rasgados em direção ao céu; outra parece assumir as formas de um torso de mulher. Uma outra figura feminina aparece recortada pela luz, sem se deixar identificar, talvez assinale o lugar onde se forma um rio caudaloso que se precipita em cascata sobre o mar. Quem são os passageiros elegantes que chegam em barcos de passeio à foz do pequeno rio? Talvez venham para uma festa… Outro grupo, quase engolido pelo constante jogo do claro e do escuro, desce uma escadaria, observando as águas. A paisagem natural é transfigurada por uma cenografia fantasiosa, quase anunciando o Romantismo ,dominando o nosso olhar incauto ao percorrer o quadro. Provavelmente, o essencial não é visível... Acredita-se que Fragonard não procurou representar nenhum lugar específico nesta abordagem Rococó ao tema da Festa Galante, neste caso campestre, apenas deixou fruir a sua gramática pessoal na representação da natureza. Calouste Gulbenkian adquiriu esta pintura em 1928 e, dois anos mais tarde, comprou outra com o mesmo tema da Festa Galante, de Nicolas Lancret, que para além de revelar uma intencionalidade colecionadora, permite ao visitante estabelecer um contraste entre dois estilos plásticos distintos.

"Festa Galante",Nicolas Lancret, Museu Gulbenkian

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Libelinha de René Lalique - Museu Gulbenkian

Este é o segundo texto, num total de três, que aqui se publicam, referindo obras do Museu Gulbenkian, Coleção do Fundador, nasceram de um desafio que me foi lançado para criação de suporte escrito para áudio-guias. Agradeço este interessante desafio, apesar de ainda não se ter concretizado. Deu-me oportunidade de estudar, e de apresentar um ponto de vista vivo sobre a coleção, escrevendo interpelações a cada visitante. Aqui vos deixo esta pequena viagem pelos olhos de um pintor/mediador.

Peitoral – Libélula
René Lalique; (1860-1945); França; c. 1897-1898; Ouro, esmalte, crisópraso, calcedónia, pedras de lua e diamantes


Ao entrar na sala dedicada ao ourives francês René Lalique, notamos que a “Mulher-Libélula” ocupa um lugar de destaque. Foi apresentada com enorme sucesso na Exposição Universal de Paris de 1900, consagrando o artista como joalheiro de referência no estilo Arte Nova. O olhar percorre esta peça de ourivesaria, um peitoral, surpreendendo-se com a miríade de materiais que compõem este inseto híbrido. Materiais nobres ou raros convivem harmoniosamente ao lado de outros mais comuns, dando corpo a esta peça de asas abertas, onde o esmalte vitral brilha, enriquecido por diamantes finamente encastoados numa estrutura de ouro. O longo abdómen deste odonata é pontuado por pedras de lua sobre a base de esmalte e ouro. Duas grandes garras em ouro, para prender o peitoral aos generosos vestidos da época, sugerem poder á mulher que o usar. Do interior do corpo da libélula, surge uma bela mulher adormecida, suavemente talhada em crisópraso com dois escaravelhos em ouro esmaltado de cada lado da cabeça, no lugar biológico dos olhos do inseto. Esta metamorfose de libelinha, alude ao estágio de ninfa destes insetos e cita subtilmente as náiades, divindades gregas das águas de rios e lagos, que sempre interagiram misteriosamente com os homens. 
Calouste Sarkis Gulbenkian colecionou metodicamente quase toda a produção do seu amigo René Lalique. Mas quem foram as mulheres que usaram todas estas joias do colecionador, como por exemplo, a “Mulher- libélula”?  Apenas temos notícia da atriz Sarah Bernhardt, amiga de Gulbenkian, confirmada por fotografias onde aparece com peças de Lalique, como é o caso da tiara das serpentes, ao incorporar a personagem Cleópatra
Libelinha emergindo do seu invólucro de ninfa.
Sarah Bernhardt no papel de Cleópatra. 

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Cabeça do rei Senuseret III - Museu Gulbenkian

Os três textos que aqui se publicam, referindo obras do Museu Gulbenkian, Coleção do Fundador, nasceram de um desafio que me foi lançado para criação de suporte escrito para áudio-guias. Agradeço este interessante desafio, apesar de ainda não se ter concretizado. Deu-me oportunidade de estudar, e de apresentar um ponto de vista vivo sobre a coleção, escrevendo interpelações a cada visitante. Aqui vos deixo esta pequena viagem pelos olhos de um pintor/mediador.
Fundação Calouste Gulbenkian

Cabeça do rei Senuseret III
Egipto; Império Médio; XII dinastia; c. 1860 a.C.; Obsidiana
Museu Gulbenkian

Quase de imediato, apercebemo-nos que a cabeça exposta pertencerá a uma pequena escultura de corpo inteiro representando um faraó. Trata-se de Senuseret III que reinou no Egipto durante a XII dinastia, do Império Médio, aqui retratado como um homem mais velho, sabiamente humano, ao contrário das representações tradicionais dos monarcas do Nilo que aparentavam a juventude eterna dos deuses. Existem numerosas esculturas com a imagem deste faraó e todas elas revelam um mesmo olhar de pálpebras proeminentes, descidas, semicerrando os olhos conferindo-lhe uma espécie de serenidade adormecida. O faraó apresenta um toucado (nemes) encimado por Uraeus, serpente sagrada que representa o poder régio. Para retratar o monarca, nesta peça criada cerca de 1860 AC, o escultor/artesão utilizou obsidiana, uma rocha ígnea fruto de erupções, mas difícil de trabalhar pela sua clivagem caprichosa. No Egipto dos faraós não existia a noção de artista, sendo estes homens tratados como artesãos, vivendo em comunidades próprias, subvencionadas pelos monarcas. No momento da sua morte, eram encerrados nos túmulos junto com as suas ferramentas.
 Artesãos. Embora sendo um afresco do túmulo de Nebamun (Tebas, XVIII Dinastia) 
executado 470 anos mais tarde, resolvi introduzir a imagem 
pela riqueza descritiva dos diferentes ofícios dos artesãos do Antigo Egipto. 

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Oficinas improváveis no A E Madeira Torres.

Ana Gonçalves trabalhando o livro "Zoom"
As oficinas improváveis continuam pelas Bibliotecas Escolares do concelho de Torres Vedras. A última sessão foi no Agrupamento de Escolas Madeira Torres, e constituiu-se como um momento inclusivo na Biblioteca Escolar. Os alunos do ensino especial estiveram lado a lado com os colegas de uma turma do  ano. Boa parte da sessão foi conduzida pelas mediadoras Vera Fortunato e Ana Gonçalves que deram bem conta do recado. Estas intervenções nas escolas têm sido aproveitadas para formar as técnicas da Biblioteca Municipal de Torres Vedras em mediação leitora e divulgar metodologias e livros muito úteis junto dos alunos com necessidades educativas especiais. Mais aqui.

domingo, 12 de novembro de 2017

Na rota dos contadores...

Na sexta-feira à noite participei na Rota dos Contadores, promovida pelas Bibliotecas de Lisboa (BLX). A sala da Biblioteca Camões estava bem composta e o público com uma boa escuta. Contei na sala mais misteriosa, a mais antiga… Com o ambiente certo para contar a história dos dois fantasmas. A Cristina Flor tirou as fotografias que dão ideia da atmosfera da biblioteca. Comecei por um trio de contos de África e depois perdi-me alegremente com o público, escolhendo as histórias e poemas, ao correr da água. Na assistência, muitas caras conhecidas, amigas, dando conforto ao narrador. Obrigado ao Luís e aos outros técnicos da biblioteca. Temos de repetir!...

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

10x10: Uma locomotiva pedagógica no Entroncamento

 De parede em parede, antes de um Mógóró!
Em grupo
25 de outubro de 2017
A vida corre sempre muito veloz… Antes que me esqueça, quero dar-vos notícia de uma oficina do Projecto 10x10 (Gulbenkian/Descobrir) que nesta reta final do ano promove o livro “Ensaios entre e arte e educação” com especial enfoque nas micropedagogias propostas. Desta vez, coube-me a mim e à Maria Gil, promover a oficina na Escola profissional Gustave Eiffel (Entroncamento) junto de um grupo de professores motivado e bem-disposto. A formação decorreu num fantástico ateliê de expressões, com porta virada para a rua. Já conhecia a escola de um encontro anterior e tinha ficado agradavelmente surpreendido pela qualidade do espaço (e espantado ao ver uma bela locomotiva a vapor, adormecida no meio das árvores) e pelo interesse demonstrado por um pequeno grupo de docentes que lançou este pedido à Fundação Calouste Gulbenkian. Esperemos agora que frutifique. Podem contar com a minha colaboração!

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Encontro Mithos a Ler

Teve lugar no fim de semana passado, sexta e sábado, o primeiro encontro da Mithos a ler, uma Biblioteca sediada na Mithos- histórias exemplares em Vila Franca de Xira. A Laredo está profundamente empenhada neste projeto que conta com o apoio da Fundação Jumbo. Uma biblioteca em construção (na coleção e nas propostas) que vai crescendo, aberta a toda a gente, comunitária e inclusiva. Este espaço de leitura e empréstimo está dedicado à população com deficiência e não só, pretende desenvolver cada vez mais as vertentes formativas e informativas, não esquecendo a fruição de momentos lúdicos. Ao longo deste ano, tenho desenvolvido uma formação regular de mediadores da leitura voluntários, que assim, poderão intervir junto de utilizadores com necessidades educativas especiais. Um dos projetos mais interessantes, desenvolvidos nesta associação é o “Vem calçar os sapatos do outro” da responsabilidade de Joana Maia, que pretende sensibilizar a comunidade escolar para as problemáticas da deficiência, nomeadamente o que diz respeito às acessibilidades. A Biblioteca Municipal de Vila Franca de Xira, “Fábrica das Palavras”, foi a anfitriã deste encontro que abriu com a presença da secretária de estado da inclusão, Ana Sofia Antunes e Manuela Ralha, a inspiradora presidente da Mithos, agora na condição de vereadora do município. Assim, as honras da casa foram feitas pelo Sérgio Lopes e pela Joana Maia. A equipa esteve toda presente e empenhada neste encontro que abordou temas muito variados, como refere, on line, Manuela Barreto Nunes “Falou-se de bibliotecas públicas e escolares, leitura, acessibilidade e inclusão. Hoje as tertúlias dedicam-se às políticas sociais para a vida independente, ao associativismo e participação juvenil, e à educação e mediação leitora. Tanto que se faz e é desconhecido, tanto que há para fazer. E tanto que os bibliotecários têm que aprender para que a inclusão não seja palavra vã.” Gostei bastante da mesa moderada por Vitor Figueiredo, diretor da Biblioteca Municipal e nosso anfitrião, nunca tinha dialogado com Manuela Barreto Nunes e, a avaliar pela participação do público, correu-nos bem…  A noite foi de dia 3 de novembro pertenceu aos contos! Ao lado do meu amigo Thomas Bakk e de Maria Abelha (biblioteca municipal), fomos noite fora, abrigados do temporal no Museu do Neorrealismo. Estava quase sem voz, mas fui salvo por um chá de gengibre e mel, prontamente preparado pela Joana Maia à hora do jantar. Foi uma bela sessão, adocicada pela abelha… Thomas Bakk encerrou o serão com o "Romance de Pedro Alemão", fazendo com que Maria Abelha perdesse a cabeça no meio de uma risada geral. No dia seguinte estava sem pio. E foi uma grande mesa, aquela a que assisti, moderada pela Manuela Ralha, com o deputado Jorge Falcato (amigo de antigos combates culturais), a maravilhosa Margarida Fonseca Santos e a professora bibliotecária Maria João Filipe que tem desenvolvido um trabalho notável de acessibilidade a conteúdos e inclusão nas bibliotecas do Agrupamento de Escolas de Mafra. No encerramento do encontro, Maria José Vitorino sorria: A falta que faz uma bibliotecária!…


sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Mercado dos ilustradores no Folio

 pelo olhar do Mário Rainha Campos
Mergulhei no desenho durante o mercado dos ilustradores, convocado pela Mafalda Milhões para o Folio Ilustra. Deram-me uma banquinha (que conheço da fruta de Torres Vedras) e montei o estaminé, ladeado de bons vizinhos (vem as fotos aqui). Levei os meus livros, apenas umas barras de grafite e folhas de papel. A banca tinha imensos buracos que foram o mote para desconstruir as ilustrações, como se consegue ver na bela imagem captada pelo Mário Rainha Campos. Depois o resto foi o habitual, um poema ali, e logo depois uma canção e, claro, ilustrações feitas a pedido dos pequenos leitores (que lá foram todos contentes com a folha na mão). No final, o Mário convocou os feirantes para uma bela fotografia de família. Olhó passarinho!

"Dona Graça, 
a bela garça,
vai à praça de manhãzinha,
pela graça com que passa,
mais parece uma rainha,
 por isso o povo dos bichos clama,
 DONA GRAÇA VAI À PRAÇA!
 Mas faça lá o que faça,
 é sempre uma grande dama..."

Maria Alberta Menéres

Afinal não foi assim tão DILFÍCIL...

Lá apresentámos o “Dilfícil Leitura” no Fólio Educa e correu tudo bem. Apesar disso, registo que a comunicação não chegou aos destinatários ideais deste nosso projeto: unidades de ensino especial, estruturado ou de multideficiência (em ligação com biblioteca escolar). Se calhar até chegou….mas o receio, o isolamento ou a inércia fez com que os profissionais que trabalham com crianças especiais não se inscrevessem para a nossa partilha pública (?). De qualquer forma, recebemos alguns professores e uma animadora, da parte da manhã, que contaminámos da melhor maneira com a nossa crença na possibilidade da leitura junto de crianças do espectro do autismo ou portadoras de multideficiência. Da parte da tarde recebemos uma turma regular (também tinha uma criança referenciada) que se juntou ao nosso grupo misto. Acho que conseguimos passar a ideia… Foi muito bonito ver o empenho e a cumplicidade dos nossos alunos monitores que acompanharam os seus colegas especiais nas apresentações (demonstrações) dos livros, sempre coadjuvados pelos adultos. E de repente, já as crianças estavam autónomas, recolhendo livros, manipulando e mediando… sem necessidade de nenhum adulto. Uma das professoras do Cadaval que acompanharam as crianças disse-me em determinada altura: "Não se conseguem distinguir os docentes das auxiliares "; pois é, todo fazem tudo, somos mesmo um colectivo. Logo de manhã apareceu a Goretti Cascalheira da Biblioteca Municipal, de alguma forma a grande responsável por este acontecimento, na medida em que iniciou há 3 anos um programa específico de promoção do livro e da leitura junto das necessidades educativas especiais, chamando a atenção a Maria José Vitorino, ela também bibliotecária e curadora do Folio/educa, que abriu a possibilidade desta proposta ao Agrupamento de Escolas de S. Gonçalo, articulando a proposta com a professora Helena Brígida da Rede de Bibliotecas Escolares. A professora bibliotecária Joana Rodrigues tratou de abraçar a ideia! Foi uma bela caminhada até chegar ao Folio/Educa. Motivando a comunidade escolar, juntando à ideia os professores de ensino especial e as auxiliares de educação, depois, ainda, trouxemos os alunos monitores para o projeto. As famílias aderiram  a Câmara Municipal disponibilizou o transporte. Criámos uma espécie de metodologia piloto que poderá ser utilizada por outros agrupamentos de escolas, propagando a “Revolução Inclusiva”.
partilhando leituras com outros profissionais de educação
Sabemos que no agrupamento de Escolas de S. Gonçalo (Torres Vedras) segue um projeto, o “Ler é ser especial”, que necessita de todo o apoio que lhe possam dar, incluindo o financeiro, de forma a aprofundar o que foi conseguido. O Dilfícil Leitura tem ainda uma tarefa a realizar: a elaboração de um conjunto de guiões (fichas de exploração), passíveis de ser introduzidos nos programas de gestão bibliotecária, e que darão pistas para a mediação leitora especial junto de crianças com necessidades educativas especiais. Por aqui vos daremos conta…

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Dilfícil Leitura: quase em Óbidos

Esta imagem tem um grande significado para mim...
Fala muito sobre a equipa que está a trabalhar no centro escolar da Ventosa.
Quando uma Professora de ensino especial trabalha com o livro...
Estamos prontos para ir a Óbidos partilhar os nossos livros e a nossa forma de trabalhar. Os alunos monitores, que formam tandens com meninos e meninas do ensino especial, estão a ficar bem afinadinhos. A professora Joana Rodrigues já alinhavou um guião para nos orientarmos e, em breve, teremos uma ficha de exploração (proposta) para cada um dos livros apresentados. As auxiliares de educação estão entusiasmadas. As professoras de ensino especial empenhadas. O agrupamento solidário. A Biblioteca Municipal (que é a "culpada" disto tudo), atenta, garante o transporte. E a organização do Folio/Educa tem sido fantástica com o nosso grupo especial, garantindo a logística. Obrigado aos Pais por confiarem em nós e na natureza do nosso trabalho. Já sabemos que vamos receber um grupo de Cadaval, da parte da tarde. A organização do Folio/Educa tem sido fantástica com o nosso grupo especial.
Querem colaborar na revolução inclusiva? Lá vos esperamos no dia 24 no Espaço O

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Bairro leitor - Leitura de proximidade


Notas alinhavadas para a comunicação no Colóquio
"Leitura, Literacia e Cidadania: Práticas e desafios"
promovido no âmbito do projeto Bairro Leitor
11 de outubro 2017
 Antes de falar de algumas iniciativas de mediação leitora no projeto Bairro Leitor, gostaria de abordar um tema em que tenho pensado ultimamente: a deontologia e a sinceridade na mediação cultural, junto de comunidades em exclusão.

História de uma relação
 No dia em que Ele lhe disse, quero-te para ti, a relação mudou completamente. Ela pode medrar livremente, tornando-se ainda mais interessante do que já era. Cresceu, ganhou autonomia e personalidade. E Ele, cada vez mais apaixonado, conseguiu conservá-la sempre junto a si, não porque a prendesse ou manipulasse mas porque dela se aproximava subtilmente, sem intrusão, solidário a cada iniciativa, enfim com um profundo respeito e sem gota de paternalismo.
Aqui poderemos começar a brincar aos contextos das relações.
Ela, neste contexto, será sempre a comunidade/bairro e o papel atribuído a Ele poderá ser assumido por diferentes personagens, vejamos.
Primeiro. Ele é político e respeita a comunidade sem a querer manipular, apoia-a, e ela reage reconhecida. Ele não olha para ela como uma reserva de caça aos votos e resiste às diversas tentações dos políticos…
Segundo. Ele é uma IPSS, associação sociocultural (…)  Ela é fundamental para a sobrevivência da estrutura. Precisa daquela comunidade para continuar a pagar os salários aos seus funcionários com projectos e subsídios recebidos… Será que Ele quer que Ela melhore, evolua ou cresça muito?
Terceiro. Ele é uma associação local só crescerá se houver dinâmica, mudança visível nela. E se Ela não se quiser transformar? Se não tiver consciência da importância da mudança?
Quarto. Ela é comunidade/bairro e pretende ficar solteira, ponto. No entanto sabe que quer mudar e só precisa de Ajuda e apenas querendo que a oiçam, quando pensa em conjunto.
Quinto. Ele é mediador cultural (1), está encarregado de promover o livro, a leitura, as artes, as literacias de um modo geral. Vem animado de uma crença transformadora. Não tem ambições territoriais pois já está comprometido. A sua primeira tarefa é conhecê-la. Sim! A Ela, a comunidade! Estudar. Passear pelo bairro. Ver e ser visto. Interagir. Registar. Pensar. E começar a construir o Perfil Leitor (2) do bairro, o que implica ter uma ideia quase completa do nível de literacia da comunidade. Fica a saber onde pode ser útil. Ele sabe que os processos de transformação se conseguem pelo lado de dentro, recuperando a comunicação, o diálogo, reerguendo a Ágora de forma justa. Uma justiça de trato e na relação com os habitantes.

A mediação cultural

O trabalho desenvolvido numa comunidade, em torno das literacias e de diferentes leituras conduz a um maior entendimento do mundo e à autonomia operativa das populações. A existência de uma Biblioteca viva ou outro lugar de comunicação, contribui para a melhoria da qualidade de vida e permite retirar as pessoas do isolamento, nos bairros ou nas suas células familiares, num mundo que fez o seu retorno ao privado (3). O mediador sabe como é importante preservar os nichos culturais, a sua cultura idiossincrática, tradições, línguas, rotinas e eventos, em articulação saudável com o mundo contemporâneo. Um mundo em mutação rápida, líquido, que urge entender para dar segurança aos passos que damos (4).  
As pessoas não entendem logo os processos da mediação cultural. Estão habituadas ou a calar ou falar aos berros com as estruturas. O mediador é mesmo estranho: não é da Junta, não é da “Judite”(5) , nem de nenhuma seita invasiva e fala de leitura onde ninguém lê… De arte onde quase ninguém vai ao museu. Não trabalha pelo outro, não trabalha para o outro… trabalha com o outro, coopera (6).  A mediação cultural (neste projeto com as dimensões da arte e das literacias) promove a comunicação e o diálogo através dos livros, do conto, do movimento, do desenho, de dinâmicas variadas todas elas seguindo uma metodologia própria. Usa métodos colaborativos. Interage questionando, deixando que o outro construa a sua resposta pessoal. A mediação cultural é paciente e conhece o valor do tempo. Gesta lenta, persistente como uma combustão sem chama.
Imagem colhida durante a formação
"Ler, Escrever, Contar Histórias"
7 e 14 de outubro - Biblioteca do Bairro
 A mediação do livro e da leitura permite experimentar diferentes emoções, encantamentos e outras reações, promovendo o diálogo interior e exterior de quem participa nas sessões. Uma abordagem não formal na partilha do conhecimento, longe dos cânones, promovendo a qualidade do tempo na companhia do outro. Uma miríade de possibilidades!... O mais difícil é passar a umbreira da porta da biblioteca ou do outro.
Links (exemplos) para 3 situações citadas, realizadas durante esta fase do projeto Bairro Leitor (Bip/Zip):
Comunidade Cigana: Aqui
Comunidade de origem Cabo-verdiana: Aqui
Trabalho transformador na escola local: Aqui

Notas
(1) O mediador dedica-se a estabelecer pontes de passagem para o conhecimento, potenciando experiências culturais significativas capazes de operar transformações no indivíduo e no meio envolvente. Assenta na crença de que a fruição da produção cultural e dos seus meios de expressão permitem um entendimento mais claro do mundo que habitamos, tornando cada um de nós um cidadão mais capaz de agir sobre os destinos do planeta, das comunidades e da sua própria vida.
(2) Conceito Laredo desenvolvido ao longo do projeto “Leituras em Cadeia” (Projeto da Fundação Calouste Gulbenkian)
(3) Citando Orlando Garcia
(4) Citando Zygmunt Bauman
(5) Polícia Judiciária

(6) Djunta Mon. Na língua cabo-verdiana para além da cooperação, traz consigo a ideia de construção física, por exemplo, uma casa

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Nova temporada de "Baleizão, o valor da memória"



A nova temporada de BALEIZÃO,o valor da memória está aí! Estão previstos espetáculos para Lisboa no Museu do Dinheiro (19, 20 e 21 de outubro - Gratuito) e no Festival Ar com presença em Tábua e Mira… No final do espectáculo haverá uma conversa entre os dois artistas, Aldara Bizarro e Miguel Horta e o público presente, sobre as memórias convocadas no palco.
 Não me lembro quando é que se instalou a cotação do Baleizão lá em casa mas lembro-me muito bem da minha Mãe utilizar o Baleizão sempre que eu queria uma coisa que os meus pais não tinham possibilidade de comprar. Dizia-me assim: Sabes, isso não posso comprar porque custa muitos Baleizões. Às vezes, quando eu insistia, dizia-me a quantidade, 5, 10, 20, ou 30, conforme os casos. O Baleizão, que a minha mãe utilizava para cotar o valor das coisas impossíveis, era um gelado, de uma cervejaria com o mesmo nome, da cidade onde eu vivia, Luanda, em Angola. Custava 2$50!
 Esta é a carta que dá início ao exercício de memória e de celebração da vida, entre dois amigos, realizada através da troca de cartas, textos, desenhos e fotografias sobre as suas infâncias, vividas em países diferentes, na década de 70. No palco, convocam memórias das suas infâncias; uma vivida em Angola durante a guerra colonial; a outra em Lisboa, com uma forte marca do barlavento algarvio.
Concepção e direcção de Aldara Bizarro
Interpretação e co-criação de Miguel Horta e Aldara Bizarro
Coprodução do Museu do Dinheiro 2017.
Apoio da SMUP

Em circulação, disponível para Teatros, Museus, Bibliotecas (...)
Nota de 1 Baleizão (1B$) - A moeda única da Memória
Uma criação de Miguel Horta para o espectáculo "Baleizão, o valor da memória"

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Bairro leitor: Contos no Casalinho da Ajuda


Algum dia teria que ser…
Lá contei em conjunto com o Adriano Reis numa sessão que batizámos de “Na boka note”. O evento decorreu na Escola Básica Homero Serpa que generosamente abriu as portas à comunidade na sexta-feira dia 6 de Outubro. O Adriano trouxe as suas histórias de Santo Antão (até fiquei a saber a verdadeira história da fajã das Janelas). Ficámos com umas ideias a bailar na cabeça… Acho que foi bem engraçado e o público, maioritariamente de origem cabo-verdiana esteve muito atento às histórias que iam surgindo ora em português ora em crioulo. Uma iniciativa do projeto Bip/Zip “Bairro Leitor” que está a chegar ao final da primeira fase.

Uma intervenção enquadrada na Biblioteca do Bairro, com petiscos pelo meio (uns maravilhosos pasteis de milho com recheio de atum)

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Oficinas improváveis regressam a Torres Vedras

Aprendendo a fazer o "Luzinhas"
Torres Vedras, 4 de Outubro. Recomeçaram as “Oficinas Improváveis”, com a primeira sessão na biblioteca escolar da Escola Básica nº1, no centro da cidade. Trata-se de uma iniciativa com a assinatura da Biblioteca Municipal de Torres Vedras que envolve várias bibliotecas escolares e unidades de ensino especial do concelho em torno dos livros e da palavra. Com periodicidade mensal, estas oficinas intervêm junto de crianças e jovens com necessidades educativas especiais, promovendo a utilização do livro e de outros recursos das bibliotecas, numa perspectiva inclusiva.  Ano após ano, a Biblioteca Municipal tem apostado neste campo tão específico da mediação leitora junto das necessidades educativas especiais. Como consequência deste labor continuado, este ano, o Folio/Educa, desafiou-me a apresentar uma proposta para partilha durante o festival. Assim surgiu o “Dilfícil Leitura” que está a ser construído em conjunto no Centro Escolar da Ventosa (Agrupamento de Escolas de S. Gonçalo). As oficinas deste ano apresentam uma componente formativa, sendo desenvolvidas por duas mediadoras da Biblioteca Municipal de Torres Vedras coadjuvadas por mim – vamos construindo autonomias… Nesta primeira sessão, trabalhei essencialmente a literacia auditiva (a partir da  metodologia “dos sons nascem histórias” e a construção de narrativas, que foram desenvolvidas em conjunto com alunos tutores das turmas de inclusão. Claro que nessa sessão o "Luzinhas" apareceu, interagindo com as crianças…