quinta-feira, 22 de junho de 2017

O que nos disse um retrato...

As nossas Miss Constable
Chegámos ao fim do ano letivo e acho que estou bem feliz com os resultados da minha oficina “O que nos diz um retrato”, no Museu Gulbenkian. Claro que as últimas realizações ficaram mais oleadas com a prática; mais oficinas existissem, melhor seria o resultado. “O que nos diz um retrato” é a única oficina que realizo atualmente para o setor educativo do Museu Gulbenkian, no campo das necessidades educativas especiais, colaboração que iniciei em 2005, a convite de Susana Gomes da Silva. Nestas oficinas, o público foi constituído, maioritariamente, por grupos de participantes portadores de doença mental. Nas primeiras duas sessões, os visitantes foram convidados a conhecer o Museu Gulbenkian e as suas obras de forma descontraída, desvendando, aos poucos, as histórias escondidas “por detrás” de cada peça exposta. 
A conversa em torno dos diferentes retratos é dinâmica, gerando opiniões surpreendentes no público visitante. A riqueza vocabular cuidada, adaptada à composição de cada grupo, deve ser intuída logo no início, sendo fundamental que o monitor possua uma competência da palavra que permita ir do sinónimo até ao adjetivo mais expressivo para uma comunicação bem-sucedida. Mais uma vez a empatia das pessoas que gostam de comunicar com o outro, torna-se evidente numa relação, que embora limitada no tempo, tem grande intencionalidade de afecto.  O Museu é uma “Máquina do Tempo! A linha temporal é estabelecida, não com datas a decorar, mas sim com referências enraizadas na cultura geral (e até popular) garantindo a perceção do tempo na arte e no discurso expositivo: “Um pouco antes deste momento, em que Carpaccio pintou o quadro, Alvares Cabral, chegava ao Brasil” ou “Reconhecem aquele cabelo?” “Faz lembrar a cabeleira do Marquês de Pombal!”. Diz um participante “Pois bem" Respondo, "o quadro foi pintado no ano em que se deu o tremor de terra”  A propósito do “Século das luzes”, um dos núcleos da coleção de  Calouste Sarkis Gulbenkian, toda a visita se torna bastante interessante,  pela intenção evidente dos pintores da época, ao criarem retratos onde se evidenciam os universos pessoais dos retratados, onde a sabedoria, o “bom trato” muitas outras características humanas e socialmente muito úteis se evidenciam. Para cada peça uma abordagem específica com objetivos comuns estabelecidos anteriormente, mas que devem surgir como um rio fluindo na comunicação entre pessoas. Por exemplo, quando abordo o busto de Molière, faço uma adivinha, interpelando os participantes sobre a origem da peça. “Conseguem identificar a personagem ali reproduzida? A cabeleira é verdadeira ou falsa? Vou fazer uma adivinha sonora…” Agacho-me sobre o belo soalho de madeira do Museu Gulbenkian e faço “as pancadinhas de Molière” batendo com os nós dos dedos no chão. Adivinham sempre... Serve este exemplo para mostrar como é importante fazer apelo a todos os sentidos dos visitantes especiais, quando fazemos visitas ao Museu. Depois desta experiência de percurso descontraído pelo museu, durante duas sessões, segue-se a preparação do trabalho em ateliê. 
Cada participante é desafiado a escolher uma personagem de uma peça do Museu. A partir deste desafio, constrói-se a proposta plástica que vai ganhando autonomia e expressão. Aprofundamos, em oficina, a história da peça escolhida, apresentando intertextualidades interessantes ou divertidas sugeridas pelas personagens dos quadros. Surgem as perguntas: “E se eu vivesse naquele tempo? O que faria se a personagem do quadro viesse aos nossos dias? E se eu vivesse na época? Como seria a cidade onde vivia a rapariga do quadro? Em que estação do ano foi pintado?” Todas as perguntas facilitam respostas espelhadas em desenhos originais. Em certos momentos, cai um silêncio enorme na sala – utentes e técnicos estão tão absorvidos nos desenhos que dão corpo ás suas personagens adotadas no Museu, que não dizem uma palavra. 
Depois vem o trabalho com base em fotografias onde o corpo recria as poses das personagens escolhidas. “Lembra-se da posição em que estava o nosso burgomestre?” “Consegue imitar a expressão subtil do rosto da marota da Miss Constable?” São sempre umas figuras divertidas, as que fazemos no átrio do Museu Gulbenkian, quando tiramos as fotografias no meio de outros visitantes… Quase no final da oficina mostro algumas brincadeiras que fiz com ajuda do Photoshop (neste caso o Paintshop Pro). A risada é geral! Todos querem ver as fotos “trabalhadas” dos colegas… Sem darem por isso, mergulharam dentro das peças e as histórias dos quadros passaram a fazer parte das suas existências…

Voltem sempre ao nosso Museu.
São tantas as personagens que vivem no Museu

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Mithos a ler. Formação Necessidades Educativas Especiais

Brincando!
Teve lugar a 7 de junho mais uma formação gratuita para mediadores da leitura voluntários dispostos a trabalhar o livro e a palavra junto de pessoas com necessidades educativas especiais. Trata-se de uma iniciativa do projeto Mithos a Ler (parceria entre a Mithos – histórias exemplares e a Laredo) responsável por uma biblioteca comunitária inclusiva em Vila Franca de Xira, um caso raro de um coletivo que aposta na acessibilidade aos conteúdos específicos para e com pessoas com deficiência. O projeto está em crescimento… Pois então, fiz o meu trabalho com um grupo inclusivo e divertido que esteve uma tarde inteira de volta dos livros, de técnicas simples para mediação e ilustração. Trabalhámos vários livros de acordo com os diferentes tipos de problemática mediação, partilhei uma maneira simples de promover o jogo simbólico criando personagens a partir de objetos do quotidiano e, finalmente, propus um exercício de desenho para e com pessoas cegas. Agora é importante dar um salto à Biblioteca Municipal para perceber que elementos da coleção poderão ser requisitados, localmente, para o nosso trabalho.
 brincando aos desenhos 3D
 Ilustrando com e para pessoas cegas
Recursos simples para o jogo simbólico

Desenho na ponta dos dedos

Desenho do Armindo sobre "papel de cebola" - "Cadela"

A propósito do vasto campo da Literacia Tátil
Um recurso que não é novo
mas continua a funcionar

Em 1983 tomei contacto com cegos da ACLB, quando da minha exposição “pinturas de uma viagem a Cabo Verde”, que esteve exposta a poucos quarteirões daquela associação. Ao permitir que algumas pessoas pudessem passar as mãos pelas telas, lendo as texturas e ritmos do meu trabalho, consegui entender um outro ponto de vista sobre o mundo. Mas a grande viragem deu-se em 2012 quando trabalhei no Agrupamento de Escolas de Rio de Mouro, na EB nº2 (escola de referência para cegos), enquadrado numa iniciativa da Câmara de Sintra. É certo que já utilizava outros recursos imaginados para trabalhar com este grupo específico de pessoas (Centro para a Educação do Cidadão Deficiente/ateliê e na oficina “ideias na ponta dos dedos” – Fundação Calouste Gulbenkian), mas a questão da possibilidade do desenho e suas implicações continuavam a agitar as minhas reflexões. Quis o destino que me cruzasse com a professora Elisa Gaspar que partilhou comigo as suas descobertas. Até que um dia uma cadela entrou na sala de aula e um dos meninos cegos fez um desenho da bichinha sobre uma folha de “papel de cebola”. Um resultado espantoso para uma criança com cegueira à nascença! No caso da cegueira adquirida existe uma memória do objeto, sendo a sua representação muito facilitada; na cegueira congénita o desenho é feito pela experiência tátil direta e complementadas pelas descrições escutadas ou lidas em Braile. 
O “papel de cebola” é uma película plástica texturada, percorrida por uma malha regular apertada, que permite registar sulcos feitos com a ponta de um lápis ou outro riscador. Os desenhos são feitos sobre um dispositivo com base de borracha (pode ser napa) com uma peça que se justapõe sobre a película (em Inglês, Sketchpad – a este propósito é muito interessante conhecer o trabalho do arquiteto Chris Downey). Este dispositivo tem sido usado na educação formal de crianças cegas servindo habitualmente para desenhos de cariz funcional (formas geométricas e grafismos próprios do mundo visual). Existe o preconceito de que como não vêem…não vale a pena propor o desenho criativo. O meu desafio foi criar dinâmicas que permitissem a expressão em desenho construídas a partir deste recurso. Rapidamente se entendeu que era possível fazer jogos de adivinha tátil, seguidos de desenho, abrindo portas para registos imaginativos. Este recurso tem um potencial inclusivo muito forte. Concluí, que no geral, o desenho da figura humana sobre o “papel de cebola” executado por crianças cegas, não apresentava diferenças significativas dos desenhos de outras crianças sobre papel, obedecendo às mesmas características evidenciadas nos estudos de Piaget. Foi preciso explicar isto mesmo, muitas vezes… A partir daí, o “papel de cebola” e outros suportes planos, obedecendo ao mesmo objetivo, têm servido para múltiplas descobertas no campos das artes plásticas aplicadas à cegueira (e também de forma inclusiva). Introduzi esta metodologia nas actividades educativas do Programa Descobrir/Fundação Calouste Gulbenkian dedicado a públicos com necessidades educativas especiais no ano de 2012 e em diversos contextos de formação ao longo dos últimos anos. Recentemente, durante uma formação que dei no encontro "Caminhos de Leitura" (Pombal) conheci um grupo de mediadoras sociais de Coimbra que utiliza esta metodologia nos seus trabalhos, à semelhança da mediadora cultural Joana Maia (Mithos) no projeto “Vem calçar os sapatos do outro”. Como sempre o segredo não está na ferramenta mas sim nas metodologias imaginadas e investigadas…
Imagens da formação de voluntários mediadores da leitura
Mithos - Histórias exemplares - Junho 2017
Afinal os cegos ilustram...
Objetos que contam histórias 

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Um traço no Mar

Durante o mês de Maio, esteve patente ao público de Torres Vedras, na bela biblioteca municipal, a minha exposição de ilustração “Um traço no Mar” que reuniu um conjunto de desenhos a lápis feitos para os meus livros (Dacoli e Dacolá, Pinok e Baleote e Rimas Salgadas). No dia 20 de maio, no contexto desta iniciativa, teve lugar uma oficina de ilustração para iniciados e inclusiva. “Foi uma oficina muito Zen”, disse-me uma amiga da Biblioteca Municipal. De facto correu tudo muito tranquilo, muito harmonioso, num silêncio em que dava para escutar a conversa do lápis namorando o papel. Gostei bastante. Goretti Cascalheira: podemos organizar outra oficina de ilustração?

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Sussurrar poesia na Festa dos Contos!

 
Só agora encontrei um pedacinho para falar um pouco sobre a Festa dos Contos que decorreu em Montemor-o-Novo de 18 a 20 de maio. É um festival de narração oral com a escala certa para a cidade e representa um enorme esforço do Carlos Marques e companheiros com resultados fantásticos. Basta ver a quantidade de gente que esteve na sessão de sexta-feira à noite, onde Thomas Bakk foi aplaudido de pé. Estas formiguinhas fartam-se de trabalhar e o resultado é a evidente conquista do público de Montemor-o-Novo. Existem escutadores para os contos! Ao longo de dos dias trabalhei com a comunidade de Montemor, alunos de turmas Pief que me tocaram lá no fundo, crianças da Oficina da Criança (lugar histórico da educação pela arte) e os meninos e meninas da universidade da terceira idade que me alegraram a sessão com as suas canções. Tive a sorte de ter sempre o apoio da Alexandra Jesus em todos os detalhes logísticos da minha intervenção e gostei muito de conhecer a equipa camarária dos diferentes espaços educativos da cidade. Primeiro apresentei a maquina da poesia aos diferentes grupos e todos escreveram, corajosamente; seguiu-se a construção personalizada de sussurradores, para disparar poemas a quem passava nas ruas durante a romaria. À cabeça da romaria dos sussurros e contos iam os bombos, atrás trinta e tal sussurradores nas mãos de crescidos, menos crescidos e crianças, interpelando os ouvidos de quem passava incauto nas ruas e bem longe da poesia. Fomos todos desembocar no Pátio dos Contos…e a festa continuou! (eu é que tive que rumar para Torres Vedras por causa da minha exposição de ilustração)
 escrevendo Poesia na Oficina da Criança
Carlos Marques: estilo, também, na sussurração
 Dizem que estes jovens são difíceis...
A universidade da terceira idade em acção com o professor Vitor ao centro

domingo, 4 de junho de 2017

"Eu sou Tu" no Casalinho (Bairro Leitor).

"Eu sou Tu": Um dos trabalhos finais
O educador que interage com as crianças do jardim-de-infância
deverá fazer o registo do que as crianças vão dizendo
Aos poucos a história vai surgindo sobre o papel 
Começando por aquecer as palavras e o corpo
Exemplificando o processo, antes da divisão em pequenos grupos
Sempre com o envolvimento de educadores, professora bibliotecária e auxiliares de educação
Belo ambiente!
No projeto Bairro Leitor, na Biblioteca do Bairro, tenho desenvolvido a oficina Eu sou Tu  ao longo de duas manhãs, com todas as crianças de jardim de Infância da escola básica Homero Serpa no Bairro do Casalinho da Ajuda. Um trabalho aturado, desenvolvido em colaboração com as Educadoras de Infância e auxiliares educativas da escola, coordenado por Lurdes Caria, professora bibliotecária do agrupamento de escolas Francisco Arruda. O trabalho decorreu de forma muito tranquila, com escuta, o que dá uma ideia da qualidade destes docentes do jardim-de-infância. A oficina Eu sou Tu (© 2003 – “Primaverarte” – Dedu – Sintra) trabalha a construção de narrativas a partir do corpo, num processo colaborativo a partir de grupos com 5 elementos ( 1 cabeça/tronco, 2 braços e duas pernas) que constituem um corpo único, personagem de uma grande história coletiva que acontece, à escala, desenhada e escrita sobre uma grande folha de papel de cenário. Num dos dias, ao chegar cedo à escola, fui abordado por um grupo de crianças do primeiro ciclo que protestaram pelo facto de só estar a trabalhar com os mais velhos (Pief) ou com os mais pequenos, e que não deveria ser assim… “Não achas, carequinha?” (tratam-me assim, quando não se lembram do meu nome). Claro está que numa das manhãs, lá voltei eu “às rimas” (poemas e lengalengas) e às histórias, com um grupo que estava sem professora, naquele dia. De referir ainda, que continuamos a desenvolver, junto dos jovens Pief, a "Máquina da poesia" e o trabalho com os sussurradores, logo a abrir a manhã, na nossa biblioteca. 
Por vezes o trabalho é a par com os alunos, como se fosse um jogo,
O mediador regista os textos dos alunos Pief sobre o quadro
 aqui com o mesmo valor de uma folha de papel.
Trabalhando com os alunos Pief, no interior da Biblioteca

terça-feira, 30 de maio de 2017

Bairro Leitor:Trabalhar a escuta para que a palavra cresça.

Maria José Vitorino e Irina na Biblioteca do Bairro
No quadro ainda se podem ver os restos de uma "Máquina da Poesia"
Por vezes são as utopias que nos movem, criando uma consciência antecipada que servirá de base para construções futuras. É certo que nem toda a gente envolvida pelo Projeto Bairro Leitor entenderá o alcance da Biblioteca do Bairro, inaugurada no dia 26 de abril com uma festa a rigor, no mesmo espaço ocupado anteriormente pela Além, dinamizado por Conceição Rolo e companheiros. Trata-se de uma Biblioteca híbrida, escolar na sua génese mas com vocação comunitária, moldável, orgânica, respondendo às solicitações e necessidades de um projeto que se vai construindo no terreno. A coleção foi substancialmente enriquecida, os computadores instalados… só falta promover o empréstimo domiciliário. Muito do trabalho de criação de novos leitores é invisível e por vezes, revestido de uma dureza própria do meio onde é desenvolvido. Sabemos que todas as quartas feiras a Maria José Vitorino está lá na Biblioteca com a estagiária Irina, oriunda da turma Pief com quem tenho trabalhado. Sempre presente, Lurdes Caria, Professora Bibliotecária do agrupamento de Escolas Francisco Arruda, faz a ligação necessária e partilha todas as tarefas de funcionamento deste espaço de leitura. No dia da inauguração eu e os alunos das turmas Pief perdemos os gelados (já não chegámos a tempo à oferta preparada pela junta de freguesia); ficámos na biblioteca de volta dos livros e aproveitei para contar mais uma história a um grupo de jovens atentos. Vamos construindo a escuta para que a palavra cresça.
Com a turma Pief
Festa de inauguração

terça-feira, 23 de maio de 2017

Novas datas para o Baleizão

"BALEIZÃO, o valor da memóriaAldara Bizarro+Miguel Horta
Depois da estreia no Museu do Dinheiro, aqui vão as datas e locais dos próximos espectáculos. 
29 de maio – 14 h – SMUP (Sociedade Musical União Paredense) – Rua Marquês de Pombal (ao pé da estação) – Parede (Entrada Livre). 1 de Junho – 10.30 h e 14.30 h – Museu do Dinheiro (Banco de Portugal) (Entrada é livre, mas com reserva -Telefone: 351 213 213 240) . 3 de Junho – 21.30 h – Centro das Artes do Espectáculo – Sever do Vouga

Mais sobre este trabalho, AQUI

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Miríade de Histórias 2017

Fotografia - por cortesia do Museu de Serralves

À semelhança dos anos anteriores, o desafio colocado às crianças nesta 3ª edição
foi o de construírem perspetivas próprias e, com autonomia,
 imaginarem os discursos que livremente surgiram, também através das suas pesquisas.
O trabalho, à semelhança das metodologias de trabalho próprias da Escola,
 foi desenvolvido em pequenos grupos, para a criação de um percurso que foi partilhado com os visitantes do Museu de Serralves
 
Terminou no Museu de Serralves mais uma edição de “Miríade de Histórias”, um projeto inclusivo de mediação em Museus que envolveu professores e alunos da Escola da Ponte. Um projeto do Museu de Serralves, pensado pela Laredo associação cultural e realizado pelos alunos do grupo de iniciação da Escola da Ponte, Professores, mediadores do Museu e Mediadores da Laredo. Como sempre, a alma deste projeto foi Joana Macedo, contando com bela cumplicidade de Denise Pollini, responsável pelo Educativo do Museu. Sob o signo da participação e autonomia dos alunos, o Projeto Miríade de Histórias surgiu em 2014 para dar resposta a uma solicitação do Serviço Educativo do Museu de Arte Contemporânea de Serralves: criar uma atividade em conjunto com a Escola da Ponte, trazendo uma nova conceção de pedagogia participativa, onde os alunos são responsáveis pela criação e desenvolvimento de uma proposta de Mediação Cultural (Mediação em Museus), trazendo a sua voz e o seu olhar. Uma ideia que coincide, concordando, com o projeto pedagógico autónomo da escola da Ponte que se desenvolve em prol de uma cultura de participação e corresponsabilização dos alunos envolvidos no processo de aprendizagem. Nas edições anteriores, os alunos (sempre num grupo inclusivo) garantiram percursos mediados a quem visitou o Museu de Serralves no dia de encerramento do projeto. Os pequenos orientadores desta edição são do Núcleo de Iniciação da Escola da Ponte. O Núcleo de Iniciação recebe os alunos que estão a iniciar o seu percurso escolar, são os alunos mais novos e também os mais exigentes. O grupo deste ano é composto por 18 crianças com idades entre os 7 e os 10 anos. É um grupo inclusivo, com alunos que apresentam uma grande diversidade de interesses, perspetivas e formas de participação. Entre si partilham a curiosidade e o entusiasmo que caracterizam os alunos desta escola singular. 
Fotografia - Por cortesia do Museu de Serralves

Miríade de Histórias é um projeto inclusivo, na área da mediação cultural, desenvolvido no Museu de Serralves
 em estreita articulação com a comunidade escolar da Escola da Ponte,
através da atuação no terreno da Laredo, Associação Cultural com a equipa do Serviço Educativo Artes
O trabalho que antecedeu a apresentação pública foi aturado e surpreendente (ver aqui).Recebemos os visitantes no dia 9 de abril 2017. As crianças partilharam com os participantes curiosos o seu ponto de vista sobre a exposição de  Philippe Parreno: A Time Coloured Space". Os alunos dividiram-se em três grupos de pequenos mediadores interrogando quem os acompanhava e propondo pequenas brincadeiras participativas. Foi uma manhã cheia e divertida como poderão confirmar pelas fotos aqui publicadas por cortesia do Museu de Serralves. Fico sempre muito impressionado pela forma natural, quase orgânica, como a Escola da Ponte promove a inclusão, logo no início (precocemente), a partir dos pequenos grupos. É por isso natural ver as crianças especiais desempenhando exactamente os mesmos papeis que os colegas. Gostei imenso de trabalhar com estas crianças! Mais uma vez, os ecos desta prática fazem-se sentir em cada nova proposta que escrevemos.

Fotografia - Por cortesia do Museu de Serralves
 Respondendo aos desafios dos alunos.... 

domingo, 14 de maio de 2017

Olhinho em ti

A pera e a maçã foram feitas pela criança...
Hoje venho falar-vos de uma ferramenta muito simples e barata que também uso na promoção do jogo simbólico (faz de conta): os olhinhos de plástico que se compram em bazares chineses ou em papelarias. Os olhinhos colam-se a qualquer objeto atribuindo-lhe, imediatamente, uma personalidade, convidando à criação de diálogos. Um marcador grosso (do género Sakura ou Edding 3000) servirá para fazer boca e nariz (também pode ser feito com com autocolantes coloridos); é bom que se proponha à criança que colabore na construção da personagem. Aproveitamos a ocasião para estabelecer um diálogo animado que aos poucos vai acrescentando conhecimentos no contexto da brincadeira: “Ó Dona laranja, como é saborosa! Posso fazer um sumo consigo?” Diz a banana à laranja(...) Poderemos ir ampliando o universo da proposta com intertextualidades, basta ter uma biblioteca por perto que tenha o livro “A surpresa de Handa” (saber mais sobre este livro) ou outro que venha mesmo no seguimento. E de repente, passámos a conhecer outras frutas, outros animais, um diálogo entre crianças, o mundo… Quem sabe a atividade não termina com uma salada de frutas… Esta pequena nota serve também para relembrar a importância de pensar articuladamente, numa relação direta com as experiências diretas do meio, de preferência com um projeto bem estruturado.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Oficina de ilustração: Quem medo do lápis?


Na (linda) Biblioteca Municipal de Torres Vedras está patente uma pequena exposição de ilustrações a lápis (preto e branco) feitas para os meus livros Dacoli e Dacolá, Pinok e Baleote e Rimas Salgadas. No sábado 20 de maio às 15.30h, vou orientar uma oficina informal de desenho a lápis (preto e branco) para famílias. Para quem acha que não sabe desenhar. Não se esqueçam de fazer a vossa inscrição atempadamente.
 Biblioteca Municipal de Torres Vedras
2ª: 14h00 às 18h30
3.ª a 6.ª: 10h00 às 18h30
Sáb.: 14h00 às 18h00
Largo Justino Freire Nº 9 2560-636 Torres Vedras 261310460 biblioteca@cm-tvedras.pt

"Há palavras que nos libertam"...

Maria José Vitorino
Está a decorrer na Biblioteca Almeida Garrett (Porto) o segundo curso Leitura, Biblioteca e Estabelecimentos Prisionais, promovido pela Laredo Associação Cultural – Uma consequência natural do projeto Gulbenkian “Leituras em Cadeia”. Verificamos com espanto a presença de docentes de norte a sul do país; o grupo participante é curioso e empenhado, colocando questões pertinentes que vão moldando o rumo do curso. Esperamos, numa próxima edição desta formação, poder contar com a presença de técnicos de tratamento prisional (DGRSP)… Deixo aqui um dado muito significativo sobre as nossas anfitriãs (Biblioteca Municipal Almeida Garrett): decorre, desde 2005, o Círculo de Leitura e Escrita Criativa do Estabelecimento Prisional da Polícia Judiciária do Porto ( “Há palavras que nos libertam” ) orientado por Ana Saldanha em colaboração com Maria João Sampaio e Ana Luísa Ramos. Um trabalho meritório e de grande qualidade que torna natural a presença do Curso Laredo neste espaço de leitura pública.
Projeção de um fotograma do filme "Espaço/Tempo" de Tiago Afonso, cineasta do Porto
Foto: por cortesia de Carla Machado

terça-feira, 9 de maio de 2017

A Alma cigana é livre como o vento...

Teve lugar, hoje de manhã, na Biblioteca do Bairro (Escola Básica Homero Serpa – Bairro do Casalinho da Ajuda) uma sessão de construção de sussurradores, incluída na iniciativa Casa das Artes, do Projeto Bairro Leitor (Bip Zip). A sessão foi coordenada por Miguel Horta e Lurdes Caria (Professora Bibliotecária) em colaboração com os professores da escola. Foi uma manhã criativa e agitada na companhia dos alunos Pief . E agora, depois de estarem prontos os sussurradores? Levamos os sussurradores para a procissão, nos santos Populares? E que sussurrar? Frases! Frases e versos como fizemos com a Máquina da poesia. Tipo: “A alma cigana é livre como o vento?” Isso!
Para a semana, vamos finalizar os sussurradores e os mais novos vão experimentar a oficina “Eu sou Tu”.

domingo, 7 de maio de 2017

Seguindo o fio da respiração

A minha amiga Claire Fressynet está expor na expor na Biblioteca da Junta de Freguesia da Estrela (Rua do Quelhas 32). A mostra encerra a 27 de maio. escrevi um pequeno texto sobre os seus desenhos - aqui fica.
Vejam como eu respiro. Um fio de ar que é simultaneamente um traço. Todo o corpo entra na construção do desenho ganhando forma sobre a folha de papel. Cada imagem desenhada é como uma posição do corpo. Será que tudo isto é um Yoga de papel, frágil e subtil?
Recomecemos… Costas direitas, olhos fechados, ainda sem desenhar. O corpo dá o sinal de partida e a mão ensinada repete a forma, traçando. O tempo faz parte do desenho, sem pressa, adivinhando contornos.
Inspira, expira. Lá vai a mão, segurando o pincel, inscrevendo. A invenção de novos caracteres que falam da presença do corpo…o corpo da artista. Talvez uma escrita coreográfica…

Nova respiração. A mão paira sobre o papel de arroz sem lhe tocar, num movimento antigo, ágil e continuado. As formas que vão surgindo em sequência parecem iguais. Mas não o são. As ondas do mar nunca rebentam da mesma maneira sobre a areia. O nosso corpo nunca é exacto na repetição do gesto.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

BALEIZÃO, o valor da memória

Estreia. Sábado 6 de Maio. 11h. Museu do Dinheiro

"Não me lembro quando é que se instalou a cotação do Baleizão lá em casa, mas lembro-me muito bem da minha Mãe utilizar o Baleizão sempre que eu queria uma coisa que os meus pais não tinham possibilidade de comprar. Dizia-me assim: Sabes, isso não posso comprar porque é muito caro. E eu perguntava, caro, quanto? E ela dizia, muitos Baleizões! Às vezes, quando eu insistia, dizia-me a quantidade, 5, 10, 20, ou 30, conforme os casos.
O Baleizão, que a minha mãe utilizava para cotar o valor das coisas impossíveis, era um gelado de uma cervejaria com o mesmo nome, da cidade onde eu vivia. Luanda, em Angola. Custava 2$50!"

Esta é a carta que dá início ao exercício de memória e de celebração da vida, entre dois amigos, realizada através da troca de cartas, textos, desenhos e fotografias sobre as suas infâncias vividas há cerca de 50 anos.

 Aldara Bizarro | conceção e direção
Miguel Horta e Aldara Bizarro | cocriação

Museu do Dinheiro (Banco de Portugal)
Informações úteis
Largo de S. Julião, Lisboa (Baixa/Chiado)
Reservas
T. +351 213 213 240
info@museudodinheiro.pt
Entrada e participação gratuitas nas atividades

domingo, 30 de abril de 2017

Um abraço de contos


Torres Vedras - 21 de Abril - IX Abraço de Contos
Cheguei cansado da Beira Alta...Mas a sessão de conto com o Luís Carmelo correu bem. A voz do Luís e a toada do acordeão marcaram a noite na sala cheia da Biblioteca Municipal de Torres Vedras.
Gostei dos disparates que umas meninas traquinas nos disseram no final da sessão, respondendo aos nossos contos brincalhões. Acho que a Goretti Cascalheira e as mediadoras da sua equipa estavam felizes no final da noite... Obrigado.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Elos na Beira Alta

Na escola de Vale de Madeiros
Regressar a Canas de Senhorim e Nelas é sempre um prazer. Acabo sempre por rever amigos e paisagens, usufruindo da habitual hospitalidade beirã. Fiquei muito bem instalado no pombal das Casas do Visconde, retemperando energias. Desta vez, respondi ao convite para participar nos "Elos de leitura", iniciativa da Biblioteca Municipal de Nelas. Para além de ter apresentado o meu livro “Rimas salgadas”, conduzi a oficina “Recolectores de Palavras” pelas ruas de Nelas e de Canas. Mas a minha primeira paragem, neste breve circuito, foi na Escola Básica de Vale de Madeiros onde voltei a estar com os meus leitores. Como cresceram… foi uma sessão um pouco disparatada mas que nos soube a todos muito bem. 
 Nelas: perguntado ao Sr. Américo qual era a sua palavra favorita
 Encontrámos "honestidade" nas paredes de Nelas
 Nelas
Construindo o poema em torno de uma mesa (coletivo)
No dia seguinte pela manhã, andámos pelas ruas da cidade de Nelas em busca de palavras para construir um poema coletivo na Universidade da Terceira Idade. Eramos muitos, cerca de 80, mais velhos e mais novos, perguntando a quem passava pela sua palavra mais querida (palavra favorita) e recolhendo outras pelas paredes, pelo chão ou em jornais esquecidos. Em Canas de Senhorim a tarde foi muito animada, tendo o grupo atingido plenamente os seus objetivos – ficámos todos contentes! O encontro da manhã de 21 de abril na EB 2.3 de Nelas, na sua Biblioteca escolar, foi o mais forte e mais participado deste périplo. Seguindo o mote da Liberdade, foram surgindo questões cada vez mais profundas, algumas difíceis, mas todas encontraram a sua resposta naquela casa das palavras. De tarde estive numa outra biblioteca escolar, a de Canas de Senhorim; perante uma assistência pasmada, apresentei a minha obra, mostrando também alguns originais do meu livro. Depois foi tempo de fazer as malas e descer do planalto beirão em direção a Torres Vedras, onde me esperava uma sessão de contos com o meu companheiro narrador Luís Carmelo.

domingo, 23 de abril de 2017

Dia Mundial do Livro: Bem-vindos à Biblioteca do Bairro!


Neste Dia Mundial do Livro, publico aqui o cartaz que anuncia a inauguração da Biblioteca do Bairro (no próximo dia 26 de abril às 10 horas) uma biblioteca híbrida com morada na Escola Básica Homero Serpa no Casalinho da Ajuda (Um território educativo de intervenção prioritária). Esta iniciativa é uma das frentes de intervenção do Projeto Bairro Leitor (Bip Zip) e tem sido animada pela comunidade educativa da escola. São 3 mulheres de grande valor, a par de funcionárias e professores da escola, que animam e coordenam este espaço: Mónica Cordeiro (Academia de Jovens do Casalinho da Ajuda - fundamental na ligação real ao bairro), Lurdes Caria (Professora Bibliotecária -.Agrupamento de Escolas Francisco Arruda) e a minha companheira de Associação Maria José Vitorino (Laredo A. C.). Num território de grandes problemas sociais, de intervenção prioritária, onde o trabalho em torno das literacias é urgente, esta biblioteca propõe-se como lugar de partida, recuperando a escola como espaço social de referência em comunidades excluídas. Acreditamos que a leitura, entendida num conceito contemporâneo mais lato, contribui para a humanização dos territórios urbanos. 
Se quiserem aparecer na inauguração, são bem-vindos/as!