terça-feira, 26 de agosto de 2014

Opinião em tempo de férias

Foto "roubada" ao meu amigo António Ventura
Tenho observado com atenção algumas atividades de educação ambiental que aqui e ali se vão realizando pelo país. Tenho algumas que aprecio particularmente como as iniciativas do Ciência Viva – o prazer que me deu espreitar por um telescópio e observar o céu estrelado numa noite de verão ou aquele passeio pelas falésias em que uma botânica nos revelou os segredos da Costa Vicentina. Outras atividades de educação ambiental parecem-me muito escolarizadas ou até infantilizadas: há de tudo. Desde que montámos (com Ana Pego) a oficina “Em busca do peixe perdido” (Descobrir/Gulbenkian), estas questões da educação para o Mar têm andado a bailar na minha cabeça. Falta transversalidade e estas iniciativas ganharão muito mais se não estiverem forçadamente ligadas aos curricula escolares. O que me apetece mesmo fazer é levar os moços para a beira-mar. Para zona entre-marés, onde é grande a biodiversidade e há assunto para nos divertirmos todos na maré vazia. Esta zona, o laredo, é como se fosse um Museu e merece ser mediada da mesma forma aberta que caracteriza o nosso trabalho em educação artística. O ideal mesmo é ter uma dupla para lançar este desafio: um biólogo/a e um/a artista. Podemos então partir, pés na água e olho atento a ver o que conseguimos encontrar e ter sempre uma explicação curiosa e objetiva sobre aquilo que se vê na maré. Poderemos virar as pedras e descobrir as pequenas criaturas que vivem aí na sombra e depois voltar a colocar a pedra no lugar como faz o filho de um amigo meu; volta a colocar a casinha dos bichos no seu lugar, tal como fazem os pescadores recolectores atentos que assim garantem a continuidade das espécies. Poderemos olhar à volta até tudo fazer sentido. E se nos sentássemos numa pedra para ver e ler um livro simples sobre o mar? E se eu contasse uma história, antes que a maré suba? E que tal um desenho daquelas pedras e das aves que por ali andam a debicar entre as algas? Agora já sabem que ando para aqui a pensar como se pode educar para o Mar. Boas férias!

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