sexta-feira, 4 de julho de 2014

A casa de Canas

A luz coada da casa ajuda-me a pensar. Movimento-me nas penumbras silenciosas, acariciando cantos acolhedores. A casa fala comigo, sinto-o. Fico mais calmo, mas sem conseguir ler. Não é uma insónia, lá fora brilha o sol e reina o vento, é antes uma vigília de ideias que me assalta no corredor entre a sala e a cozinha. A casa, como uma concha, fecha devagar as paredes sobre mim, como um manto seguro sob o qual  posso adormecer. Os amigos estão lá, movem-se também, com as suas vozes, pela luz escassa e espessa que desenha as divisões; a sua presença acentua a disponibilidade do espaço, íntimo. Do âmago desta casa tenho um bom ângulo de visão sobre a minha vida: protegido posso olhar através das paredes em direção ao futuro.

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