sábado, 6 de setembro de 2014

Fica tão longe Lampedusa...


Ao deparar com a imagem de um barco cheio de refugiados africanos e sírios, lembrei-me logo de uma pintura de Maria Helena Vieira da Silva, pertencente à coleção do Centro de Arte Moderna (Gulbenkian): “História trágico-marítima”.
Depois saiu-me esta ladainha…

Fica tão longe Lampedusa…
Pai, ainda falta muito?
Dorme filho, dorme
encostado ao companheiro
como se fora travesseiro
Mas ele tosse, pai...
Podem ser frias
as noites no mar
só a terra
nos pode curar
Fica tão longe Lampedusa…
E aquele outro, pai?
Chora?
Não meu filho
Recita palavras do Profeta
que nos guiarão
sobre as águas
à tão esperada meta
Fica tão longe Lampedusa…
Tenho fome, pai
Em breve terás de comer
Tenho sede, pai
Na Europa te darão de beber
Fica tão longe Lampedusa…
Pai, que bravo o mar está!
Para onde quer
que a barca vá
somos o cardume de Alá
Fica tão longe Lampedusa…

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