quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Regresso à "Cor das histórias"

"Eu sou Tu" - EPR Montijo (foto autorizada)
Recomeço amanhã com as minhas sessões de mediação da leitura e da escrita em estabelecimentos prisionais. Chegarei de manhã ao EPL (Lisboa), deixarei os meus pertences ao guarda da recepção, passarão o detector de metais pelo meu corpo e depois, o barulho de ferro do gradão. Levarei objectos perigosos no meu saco “andarilho”: Livros. Cumprindo o seu dever, o guarda investigará o conteúdo do saco. Vou conhecer um grupo novo de presos e os meus olhos tentarão logo identificar os futuros leitores entre um grupo de rapazes agitados e fustigados pelas marés da sua existência. Começarei com coisas simples, contos; depois pegarei na palavra num pingue-pongue de comunicação. Na mão, Álvaro de Magalhães (“O Brincador”), para explicar o ofício da escrita. Começa agora uma outra existência dentro da minha vida que se prolongará por um ciclo de seis sessões entre muros. Quando terminar, espero ter feito leitores e poder ler os textos lavrados na reclusão como janelas abertas aos céus. Le ciel est, par-dessus le toit,Si beau, si calme (…)” Paul Verlaine

2 comentários:

  1. nunca haverá palavras suficientes
    para dar conta do valor do trabalho do silêncio
    dos silêncios
    ocultados de todos
    menos do que de nós
    conta

    até breve :)

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  2. Nem sei bem que te responda... Obrigado Zé pela visita a este espaço.

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