segunda-feira, 18 de junho de 2018

Começar pelo retrato e acabar na natureza morta


Henry Fontain-Latour. Natureza morta. Museu Gulbenkian
Terminou da melhor maneira,na passada sexta-feira, o ciclo de oficinas “o que nos diz um retrato”, que teve lugar no Museu Gulbenkian (Coleção do Fundador). Trata-se de uma proposta em torno do retrato e da identidade que convida a um mergulho no acervo de retrato da coleção. Através da fotografia, os visitantes assumem as características das personagens retratadas. Este grupo veio da “Casa do Cruzeiro”, visitantes de longa data das oficinas dedicadas a públicos especiais, maioritariamente utentes do apoio em saúde mental. Acompanharam-nos duas senhoras, alentejanas de gema, muito bemdispostas, que acabaram por se encantar com as naturezas mortas da coleção, mudando o guião no final da visita/oficina, identificando todos os frutos e flores pintados por Henri Fantin-Latour  e outra de Claude Monet– coisas de quem conhece o campo...
Mais sobre a oficina “O que nos diz um retrato”: aqui

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Ler é ser especial - Digital


Tandem especial
Fotografia de Joana Rodrigues

Última sessão do projeto “Ler é ser especial”, uma ideia da professora bibliotecária Joana Rodrigues para a Biblioteca Escolar do Centro Escolar da Ventosa (Agrupamento de Escolas S Gonçalo – Torres Vedras), no seguimento do anterior “Dilfícil leitura” que levámos ao Folio Educa (Óbidos). A sessão de hoje foi dedicada ao trabalho em tandem nos computadores, um aluno da educação especial e o seu par, coadjuvados discretamente pelos professores de educação especial e pelas auxiliares de educação. Andámos de volta do Voki, trabalhando a escrita e as competências digitais e do The Indian Shankar Drum Ganesh Machine, uma aplicação para criação de melodias indianas. Estes recursos simples e gratuitos (nas suas versões básicas), destinam-se aos Pcs comuns e permitem algum trabalho em torno das competências digitais junto de alunos com necessidades educativas especiais. Houve algum ruido e alegre confusão na biblioteca, o que é normal dado o entusiasmo dos alunos; alguns amigos autistas ficaram um pouco mais dispersos – mas em breve encontraremos um tempo sossegado na biblioteca escolar, para voltar às aplicações com tranquilidade. Gostei muito do trabalho a par de volta dos monitores – paciente, aplicado e genuíno. Existem muitos programas e outros recursos referenciados no programa “Todos juntos podemos ler” (RBE), o importante é saber escolher de acordo com o perfil do aluno.


quinta-feira, 7 de junho de 2018

Quintal das palavras: Na festa da criança do Bairro dos Navegadores


Continua o nosso trabalho de formiguinha, divulgando a proposta formativa do “Quintal das palavras”, aproveitando sessões de conto no Bairro dos Navegadores para divulgar a nossa ideia. Aos poucos vamos conseguindo chegar aos moradores através das suas associações. No sábado dia 2 de junho estivemos no Centro de Convívio do Bairro dos Navegadores (Porto Salvo) com o Senhor Candé e seus companheiros. Mantenhas, kompanheru! Para além de contar sem livro, quer para as crianças, quer para os adultos, aproveitei para pegar no livro, usar repetições, estimular a participação de todos. A escuta vai melhorando... 
Trata-se de um projeto de intervenção e capacitação de mediadores culturais “iniciativa da Biblioteca Municipal de Oeiras e Fundação Aga Khan Portugal, no qual participo como mediador/formador/narrador através da Laredo Associação Cultural.  Uma iniciativa em torno da mediação leitora e educação artística, acolhida pelo Projeto Embarca e grupos informais no Moinho das Rolas e Ribeira da Laje (Porto Salvo/Oeiras). Pretendemos que este projeto faseado seja tranquilo, capacitador e que promova o conceito de Ludobiblioteca de proximidade, um espaço de comunicação e desenvolvimento de literacias. O projeto prevê a realização de workshops itinerantes pelos 3 núcleos de  Porto Salvo, e ainda, um conjunto de intervenções diretas em mediação do livro e da leitura e mediação pela arte junto dos habitantes dos bairros. Tudo isto, a par de uma intervenção específica da Biblioteca de Oeiras na estruturação do espaço de leitura.
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Oficina improvável na "Conquinha"


Terminou ontem, dia 6 de junho, na Biblioteca escolar da“Conquinha” mais um ciclo de “Oficinas Improváveis”, uma iniciativa da Biblioteca Municipal de Torres Vedras junto das bibliotecas escolares do Concelho. Reunimos o grupo à volta de uma grande mesa, entremeando as crianças com os adultos; auxiliares de educação, professores de ensino especial, mediador da leitura e professora bibliotecária, numa sequência de mãos que faziam passar o livro na direção dos ponteiros do relógio. A cada livro ou recurso, expliquei a razão da escolha, salientando as competências leitoras, cognitivas, sensoriais ou de motricidade, que estávamos a trabalhar1. Foi uma manhã muito serena com um grupo de crianças da miríade autista. Há 3 anos que levamos a mediação leitora junto de alunos com necessidades educativas especiais, promovendo uma relação colaborativa entre os espaços de leitura e as salas de educação especial: escolhendo livros e outros recursos, partilhando metodologias e criando condições para a realização de projetos assertivos. Ao longo deste ano acrescentou-se uma valência formativa prática, trazendo para as escolas duas técnicas da Biblioteca Municipal, a Ana Gonçalves e a Vera Fortunato. Estamos a elaborar umas fichas simples de exploração de livros testados ao longo destes anos – depois daremos notícia.
Inevitáveis carantonhas para captar a atenção dos miúdos...

(1) Eco das aprendizagens que fizémos no projeto "Dilfícil Leitura" (Folio Educa/2017)

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Formação Açores: Museus e Necessidades educativas Especiais


Dar o curso numa igreja dessacralizada, mesmo no centro da coleção.
Ambiente descontraído - trabalho aturado
Fotografia de Ana Magalhães
Decorreu de 28 a 30 de abril, no Museu Carlos Machado em Ponta Delgada o curso “Museus e públicos com necessidades educativas especiais”. Uma formação aberta, também, a técnicos de Bibliotecas. Curso teórico/prático que pretendeu dar uma visão atualizada do trabalho que vem sendo feito de criação de acessibilidades e promoção da inclusão em estruturas culturais do nosso país, com especial incidência na acessibilidade aos conteúdos e aos desafios reais da inclusão. Ao longo de três dias partilhei algumas ferramentas e metodologias que costumo aplicar na minha prática. Como a maior preocupação é pensar e construir respostas locais, tive de me adaptar à distinta realidade Açoriana, com diferenças de escala significativas entre ilhas e polivalência de funções -Um desafio. Foi bom trabalhar com um grupo exigente e heterogenio – através dele fiquei a conhecer melhor a realidade da Região Autónoma e as características das diferentes coleções e vocação dos espaços culturais. Apesar do ritmo acelerado, consegui conviver com esta mão cheia de gente singular e empenhada. Acabámos por criar um espaço na Internet, restrito ao universo dos participantes deste curso e extensível à turma que se formará em setembro, para partilha de conteúdos. No mês de setembro, teremos a segunda turma desta formação, respondendo à extensa lista de espera que se formou. Uma palavra de apreço pelo profissionalismo e hospitalidade da Secretaria Regional da Educação e Cultura, na pessoa da Dr.ª Rosa Lima que acompanhou todo este processo. 
"Selfie" de Ana Magalhães apanhando o grupo em plena "Máquina da poesia"

A diferença entre ouvir e escutar


A convite da Biblioteca Municipal de Oeiras fui contar à Escola Básica Álvares Cabral no bairro dos Navegadores (Porto Salvo) no dia 25 de maio. Uma sala cheia de meninos e meninas, agitados de diferentes idades e níveis de ensino e...Pais! – grande desafio! Fim de tarde, cansados. Lá fora no recreio: o primeiro dia de sol depois de tanta chuva... Mesmo à minha frente tinha uma turma muito tranquila e atenta, do professor Alberto Vale, que fui reencontrar ali na escola dos Navegadores. Em esforço, lá fui conseguindo contar algumas histórias, abrindo umas clareiras de silêncio ou de resposta a desafios, no decorrer da tarde ...Mas reparei na cara divertida dos pais ao longo dos contos ;)
Toda a gente queria ficar com o anel enfeitiçado da Rita!