sexta-feira, 18 de maio de 2018

Na noite dos Museus



Hoje é o Dia Internacional dos Museus, ou melhor, a noite. Vamos poder dormir nalguns museus, outros terão as portas abertas até tarde; durante o dia ofereceram um grande número de atividades preparadas a quem lá quis ir. Sendo assim, aproveito para falar sobre aqueles que não podem ir lá, estão muito longe, em lugares recônditos da nossa sociedade, nunca lá foram ou desconhecem o que lá se passa. Existem muitas formas de Exclusão, da social à cultural, da religiosa à económica, as que resultam de diferenças físicas, psicológicas, étnicas, linguísticas e as geográficas. Muito tem sido feito neste movimento que vai abrindo com coerência as portas dos museus e orgulho-me de participar nessa senda. Para além deste trabalho em prol das Acessibilidades cabe agora à comunidade que trabalha nos museus, a promoção da Inclusão – essa mesmo! A que não faz distinção entre públicos e afirma que não deveria ser preciso ter dia, hora e momento especial marcado para se ter acesso a uma oferta educativa específica. Acessibilidade não é inclusão. Deixo-vos com esta bela menina Sassetti d'aprés Domenico Ghirlandaio que vive num vale escondido de Alcabideche, no Centro Apoio Social do Pisão, nosso público no Museu Gulbenkian, Oficina “O que nos diz um retrato”.
Ver também:
(...)

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Rã luminosa


Pequeno boneco luminoso - uma ajuda oportuna na mediação do livro junto de alunos especiais
Teve lugar a 3 de Maio mais uma sessão do projeto “Ler é ser especial” promovido pela Biblioteca Escolar da Ventosa em conjunto com as duas salas de Educação Especial da escola. Trabalhei em contexto de sala de aula, partilhando uma ferramenta pouco usual, a lanterna UV, aplicada à aprendizagem da leitura. Improvisámos um quarto escuro e brincámos com palavras luminosas inscritas em objetos do quotidiano. Uma ferramenta luminosa e pouco convencional que permite captar a atenção dos alunos, trabalhando o foco.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Rimas salgadas na Biblioteca Escolar da Francisco Arruda


No dia 10 de Maio tive uma manhã memorável na Escola Francisco Arruda. Fui recebido no auditório da escola pelos alunos dos diferentes ciclos de ensino, num “Encontro com o escritor”, a propósito do “Rimas salgadas. A professora bibliotecária Lurdes Caria organizou um concurso de ilustração e construção poética que envolveu uma grande quantidade de alunos com resultados extraordinários, basta lembrar-me do poema que a Nare, uma menina Arménia que conheço de outras criatividades (Museu Gulbenkian, ver aqui) escreveu. Os pais, orgulhosos da filha, compareceram no auditório para a entrega do merecido diploma, bem como de um exemplar do livro. E seguiram-se mais e mais diplomas, acompanhando bons textos e ilustrações expressivas, com especial destaque para o trabalho dos professores de educação especial, que conseguiram mergulhar os seus alunos no universo do livro. Aliás, a constante foi sempre o envolvimento dos docentes na proposta da biblioteca – quando chegou a altura de dialogar com o convidado, as questões colocadas foram pertinentes e o ambiente atento e contente. Pelo meio ainda disse uns poemas, contei uma história e cantei – imaginam os sorrisos naquelas caras? Os meninos e meninas do jardim de infância de Santo Amaro também participaram nesta brincadeira em torno do livro. Vale a pena espreitar na Biblioteca Escolar os trabalhos que surgiram a partir deste desafio. Já depois da sessão, fiz uma brincadeira com palmas e batuque, usando alguns poemas com um pequeno grupo especial, onde pontuava o Moisés, um menino cigano que já conhecia do bairro do Casalinho da Ajuda (Bairro Leitor) – foi uma festa que ficou registada pela professora bibliotecária.


Sala cheia. O grupo da Educação Especial
Uma família Arménia Especial. Obrigado Naré!

terça-feira, 15 de maio de 2018

Oficinas Improváveis: Uma escultura no centro da praça

Na recta final das Oficinas Improváveis, estivemos na Biblioteca escolar do Agrupamento de Escolas Madeira Torres (Torres Vedras), mediando o livro com jovens autistas, numa sessão muito participada. "Apresentei" alguns livros aos alunos, professores e auxiliares de educação, explicando o porquê da mediação de cada livro. Os livros circularam à volta da mesa, com tempo, respeitando as diferenças entre os alunos, procurando os olhos, uma porta de entrada para a comunicação e o prazer da descoberta. nesta sessão destaquei a importância da intertextualidade, cruzando os universos de dois livros distintos num exercício prático.
Para além de se trabalhar com jovens especiais, estas Oficinas Improváveis têm o valor das propostas práticas, entusiasmando os professores de Educação especial e Professores Bibliotecários para a utilização da ferramenta livro e enriquecimento das coleções das Bibliotecas na direção da Inclusão.

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Necessidades educativas especiais: Regresso à Galiza


Depois do Encontro de 20 de fevereiro em Santiago de Compostela, “Biblioteca Inclusiva, Leitura e diversidade”, onde apresentei o Projeto Dilfícil Leitura, numa formação dedicada a professores bibliotecários (Rede de Bibliotecas Escolares da Galiza) e, também, a professores de educação especial, estarei de regresso amanhã para nova intervenção, desta vez no “Encontros Plan de Mellora de Bibliotecas Escolares”. Espero que esta formação relâmpago seja tão produtiva e descontraída como a anterior.
Este projeto que partilharei na Galiza, atualizado com as últimas iniciativas pedagógicas, teve início há 3 anos por iniciativa de Goretti Cascalheira, Biblioteca Municipal de Torres Vedras, lançando as Oficinas improváveis que têm percorrido as bibliotecas escolares do concelho promovendo a leitura inclusiva e a acessibilidade aos livros. Trata-se de um projeto colaborativo que decorreu durante 2 meses intensos numa biblioteca escolar rural (no meio das vinhas) no Centro Escolar da Ventosa (Torres Vedras) e envolveu crianças com necessidades educativas especiais, maioritariamente do perfil autista (severo), crianças das diferentes turmas que se constituíram em tandem para leitura a par e mediação da leitura, 1 professora bibliotecária, 3 professoras de educação especial e 3 auxiliares de educação (muito experientes neste campo) e eu como mediador da leitura no contexto das necessidades educativas especiais. Esta iniciativa teve um forte envolvimento da Rede de Bibliotecas Escolares e da Laredo Associação Cultural e do Agrupamento de escolas de S. Gonçalo (Torres Vedras). O trabalho foi desenvolvido em laboratório, na biblioteca escolar onde foram criadas as condições para o seu desenvolvimento a par da aquisição de um conjunto de livros que foram testados pelas crianças e adultos. Um dos objetivos do projeto, para além da pesquisa pedagógica, é contribuir para retirar as unidades de ensino estruturado (multideficiência e autismo) do isolamento que vivem na escola. Por outro lado, interessava-nos clarificar a diferença entre acessibilidade e inclusão, e foi com este fito que pensámos a escolha dos livros, permitindo a fruição, tanto pela criança autista, quer pelo seu par. Sobretudo importava mostrar que a biblioteca é um lugar onde cabe toda a gente e que as metodologias não-formais usadas na “casa dos livros” tinham um efeito positivo sobre as crianças, propondo um caminho mais aberto, diverso das práticas correntes do ensino especial no nosso país. Também valorizámos o empréstimo domiciliário no contexto da sala de ensino especial, mesmo sabendo que algumas das nossas crianças poderiam danificar os livros. Outra decisão deste projeto, foi valorizar o papel das auxiliares de educação, referentes sólidos das crianças especiais (autismo e multideficiência) no interior da escola, como mediadoras de leitura especializadas, a par dos docentes e do mediador da leitura. Este projeto envolveu toda a comunidade escolar, incluindo as famílias, e aponta um caminho possível para a inclusão, onde a biblioteca escolar desempenha um papel proactivo e central. Este projeto, que tem permitido aprofundar o debate em torno do papel das bibliotecas escolares e propor novos caminhos na educação especial, tem gerado reações positivas, estando prevista uma nova intervenção especializada noutro concelho do distrito de Lisboa.
Em Fevereiro foi assim...


segunda-feira, 2 de abril de 2018

Centro de Apoio Social do Pisão: Doença mental e mediação criativa


Já há algum tempo que venho colaborando com o Centro de Apoio Social do Pisão (Alcabideche/Santa Casa da Misericórdia de Cascais), experimentando estratégias criativas que contribuam para a reconstrução e estabilização interior dos utentes desta histórica instituição. É um trabalho que desenvolvo com muito gosto, lado a lado com um pequeno grupo de técnicos que aprendi a admirar. Uma relação que surgiu nas oficinas de mediação com públicos especiais do Museu Gulbenkian e teve continuidade em sessões formativas que decorreram em Alcabideche. Da educação artística à mediação do espaço museológico do Pisão, passando pela mediação do livro e da leitura. A nossa última sessão, que decorreu numa bela sala, cheia de luz e vista desafogada para a serra, incidiu sobre as memórias esquecidas ou longínquas dos residentes na instituição. Usando os diferentes sentidos (nesta oficina o olfato e o paladar) promovemos a palavra, a verbalização do que foi vivido. Um pequeno exercício de desenho ajudou na tarefa de procurar no passado. O próximo ateliê das memórias será sobre a escuta (audição).







De repente ficou um vazio. Deixámos de ouvir a voz do Senhor Amadeu, companheiro utente do Pisão, sempre opinativo, participante e muito criativo. A minha pequena homenagem a esta boa pessoa que passou pelas nossas vidas.

quinta-feira, 29 de março de 2018

Quintal das Palavras



Acaba de ser lançado, o projeto de intervenção e capacitação de mediadores culturais “Quintal das palavras”, uma iniciativa da Biblioteca Municipal de Oeiras e Fundação Aga Khan Portugal, no qual participarei como mediador/formador através da Laredo Associação Cultural. Trata-se de uma iniciativa em torno da mediação leitora e educação artística, acolhida pelo Projeto Embarca e grupos informais no Moinho das Rolas e Ribeira da Laje (Porto Salvo/Oeiras). Foi a incansável Rita Dornellas que, em boa hora, me trouxe para este território. Um projeto faseado, tranquilo, capacitador que pretende promover o conceito de Ludobiblioteca de proximidade, um espaço de comunicação e desenvolvimento de literacias. O projeto prevê a realização de workshops itinerantes pelos 3 núcleos de  Porto Salvo, e ainda, um conjunto de intervenções diretas em mediação do livro e da leitura e mediação pela arte junto dos habitantes dos bairros. Tudo isto, a par de uma intervenção específica da Biblioteca de Oeiras na estruturação do espaço de leitura.

quarta-feira, 28 de março de 2018

8 de Março em Almada


Há sempre uns momentos na vida em que tudo segue com demasiada pressa, nem sequer dando tempo para conferir as práticas e os dias aqui no blogue. Com algum atraso, cá seguem notícias da mediação pela arte e pela leitura.
Passei o dia 8 de março em Almada. De manhã, na Escola Secundária do Monte da Caparica e de tarde na Biblioteca Municipal Maria Lamas (Monte da Caparica/Raposo). A minha anfitriã da manhã foi a professora bibliotecária Ludovina Pereira. Foi gratificante trabalhar com crianças e jovens de diferentes origens, desaguando todos na nossa língua. Trabalhei essencialmente a poesia portuguesa, de forma dinâmica e divertida, não me esquecendo de homenagear as mulheres… Se conseguirmos estabelecer a energia correta numa sessão, isso pode ter resultados surpreendentes – e assim foi, com a ajuda de Alexandre O’ Neill, Gedeão, José Fanha e de todo o mar que consegui trazer dentro dos meus livros. Ainda brinquei com dois textos em crioulo para gáudio de um grupo de raparigas e rapazes com origens nas “ilhas”. De tarde rumei à Biblioteca Municipal Maria Lamas onde fui recebido por amigos da rede pública de leitura, a João Ferro e o Luís Barradas. Aguardavam-me duas turmas de jovens, igualmente variadas. Tarefa da tarde: transformar aqueles amigos irreverentes em poetas. Foi aí que entrou a Máquina da Poesia a funcionar em pleno! Escrevemos alguns versos e terminei com dois poemas: um do Fanha e outro de Álvaro de Magalhães. No final estava cansado mas contente pela energia que a malta nova me passou ao longo daquele dia.

terça-feira, 13 de março de 2018

OFICINAS IMPROVÁVEIS: Quando uma Biblioteca Escolar se transforma num laboratório criativo...


No dia 7 de março, na Biblioteca Escolar da Ventosa (Agrupamento de Escolas de S. Gonçalo/ Torres Vedras) teve lugar mais uma Oficina Improvável. De repente, tive a certeza de estarmos a viver um momento especial, quase fundador, ali na biblioteca escolar transformada em oficina inclusiva, com as crianças apropriando-se livremente dos recursos de expressão. A composição do grupo mantém-se transversal: as crianças em tandem (aluno especial e aluno regular, também muito especial); auxiliares de educação empenhadas; professoras de ensino especial; professora bibliotecária e mediador do livro e da leitura junto com duas companheiras da Biblioteca Municipal (promotora destas oficinas). Estas mediadoras do livro e da leitura, do Serviço Educativo da Biblioteca Municipal de Torres Vedras, têm vindo a fazer o seu percurso formativo comigo, acompanhando e intervindo ativamente nestas oficinas improváveis. Resolvemos levar o velhinho retroprojetor para a nossa sessão, começando por projetar (em grande) um livro de Hervé Tullet, captando o foco dos nossos meninos e meninas da Educação Especial. Naturalmente, as crianças começaram a brincar com as sombras, tal como Peter Pan, depois introduzi na projeção algumas personagens móveis, que já tinha recortado em papel. A brincadeira prosseguiu entre o retroprojetor e a imagem projetada na parede da biblioteca. A seguir, coloquei a água num pirex, onde nadaram as criaturas recortadas, acompanhadas de papel celofane colorido, muito agradável de tocar, quando está molhado. Pouco depois, já as crianças mergulhavam as mãos na água (quente da lâmpada de projeção) e manipulavam aquelas marionetas de papel colorido, imprimindo um movimento ondulatório ao recipiente de vidro-as ondas do mar… 
Rapidamente entraram em autogestão organizada em torno do retroprojetor. Dei por mim a interagir com outras crianças, noutra tarefa, enquanto os pares dos nossos meninos coordenavam, naturalmente, a parte técnica. Foi neste momento que surgiu projetado o movimento do meu spinner girando sobre a superfície luminosa. Todos gostaram do meu novo brinquedo que continuou a girar no chão, emitindo as suas cores vivas, acompanhadas de um som veloz. Neste ponto, introduzi um outro recipiente cheio de espuma de detergente e a “reinação” continuou naquela biblioteca transformada em laboratório estético e pedagógico. A sessão terminou com as crianças interagindo com a projeção do livro “Excentric Cinema” (Béatrice Coron). Consegui ler no rosto dos adultos um contentamento genuíno por aquela sessão que fez sorrir um menino autista por duas vezes e proferir algumas palavras. Enfim, uma manhã bem passada…


segunda-feira, 5 de março de 2018

O que nos diz um retrato?



A visita/oficina O que nos diz um retrato vai acontecendo no Museu Gulbenkian (Coleção do Fundador), agora com o percurso consolidado e abraçando o desafio de receber alunos do universo autista e multideficiências de baixo teor comunicativo. Tenho sempre o desafio de trabalhar com estes grupos com dificuldades de foco, num  museu carregado de visitantes. Há 3 anos atrás, tinha a possibilidade de trabalhar em sossego, com estes grupos especiais, no dia em que o museu está fechado aos visitantes – Era uma primeira ida (protegida) ao Museu, com resultados visíveis na segunda deslocação à Coleção, já no meio do público regular. Mesmo assim, os resultados são bem positivos, sobretudo graças ao recurso a Photoshop, criando imagens onde aparecem os nossos visitantes especiais encarnando as personagens das pinturas expostas. Ao mergulharem na pintura, acabam por consolidar os conhecimentos surgidos na mediação fixando imagens destinadas a permanecer na memória.


Em Sines com a Associação Cabo-Verdiana


No dia 27 de fevereiro, participei no interessante Seminário de Educação Intercultural que teve lugar no Centro Cultural de Sines. Compareci a convite da Associação Cabo-Verdiana de Sines e Santiago do Cacém, a quem agradeço na pessoa da sua presidente Gracinda Luz com um abrasu pertadu extensível a todos os companheiros desta IPSS. Falei sobre a importância da mediação leitora junto das pessoas excluídas e do seu poder inclusivo, dos livros à narração oral. Aliás, aproveitei para contar uma história em crioulo e outra da tradição cigana. Gostei particularmente de escutar o Bruno Gonçalves sobre os projetos que decorrem com a comunidade cigana e os docentes das escolas do Concelho de Sines que partilharam as suas iniciativas, algumas decorrendo na Biblioteca escolar. Agradeço à Tânia Brito (serviço educativo do Município de Sines) pelos pequenos textos e moderação do painel. Findo o seminário, fui conhecer o bairro Amílcar Cabral. Isso mesmo! Sines tem um bairro com as ruas batizadas com nomes fundamentais da história Cabo-Verdiana, não faltando uma artéria com o nome de Baltazar Lopes. Foi no coração desta comunidade que se ergueu a sede da Associação Cabo-Verdiana de Sines e Santiago do Cacém – um espaço intercultural de qualidade, servindo toda uma comunidade envolvente. Ficou a simpatia e a vontade de realizarmos em conjunto algumas iniciativas. Até breve.

domingo, 4 de março de 2018

Escutar é ser especial


No centro escolar da Ventosa (Agrupamento de Escolas S. Gonçalo/Torres Vedras), na sua Biblioteca Escolar decorre o projeto “Ler é ser especial” que pretende aprofundar o caminho que foi feito com o “Dilfícil Leitura” em torno da mediação inclusiva do livro e da leitura e seu efeito junto das crianças da Unidade de Ensino Estruturado e sala de Multideficiência. Um novo desafio da professora bibliotecária Joana Rodrigues, que resolvemos abraçar. Trata-se de um trabalho de laboratório, muito horizontal, com os professores de educação especial, auxiliares de educação, mediador da leitura e professora bibliotecária e, claro os alunos, trabalhando a par com os seus colegas da turma. A intenção é de pesquisa e profundamente inclusiva. Na última sessão, que decorreu a 22 de fevereiro, trabalhámos a literacia auditiva, a escuta ativa e a construção de narrativas, partindo da metodologia Dos sons nascem histórias (Apresentada pela primeira vez no projeto Tásse a ler/Alto Minho). São várias narrativas sonoras onde não existe nenhuma palavra em português mas que propõem horizontes interpretativos diferentes, tão diversos quanto o número de pessoas presentes na sala. São uma espécie de álbum sem texto, construído apenas por sons. Costumo trabalhar com estes trechos junto de crianças e adultos cegos, mas também com pessoas do universo autista. Mais uma vez o resultado foi surpreendente, talvez pelo facto de os sons estarem isolados, destacando-se claramente; as condições de escuta na biblioteca também são muito boas. Uma das gravações vai ser trabalhada com maior profundidade pela professora Isa Sá, para promover a comunicação (competência da palavra) com grupinho específico. Logo vos diremos como correu….

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Santiago de Compostela: Biblioteca Inclusiva Leitura e Diversidade


No dia 20 de fevereiro vou participar nas jornadas formativas da Rede de Bibliotecas Escolares da Galiza, na Escola Galega de Administación Pública em Santiago de Compostela onde partilharei o trabalho de mediação do livro e da leitura que venho fazendo junto de alunos com necessidades educativas especiais, através da Laredo Associação Cultural. Este encontro formativo acontece no seguimento da intervenção/projeto Dilfícil Leitura apresentado no Folio/Educa (Óbidos/Portugal) a convite da Curadora Maria José Vitorino (Professora Bibliotecária). Na realidade, tudo começou há 3 anos por iniciativa de Goretti Cascalheira, Biblioteca Municipal de Torres Vedras, lançando as Oficinas improváveis que têm percorrido as bibliotecas escolares do concelho promovendo a leitura inclusiva e a acessibilidade aos livros.Trata-se de um projeto que decorreu durante 2 meses intensos numa biblioteca escolar rural (no meio das vinhas) no Centro Escolar da Ventosa (Torres Vedras) e envolveu crianças com necessidades educativas especiais, maioritariamente do perfil autista (severo), crianças das diferentes turmas que se constituíram em tandem para desenvolverem leitura a par  e mediação leitora, 1 professora bibliotecária (figura central em todo o processo), 3 professores de ensino especial e 3 auxiliares de educação e Miguel Horta, mediador da leitura no contexto das necessidades educativas especiais. Este projeto decorreu com grande envolvimento da Rede de Bibliotecas Escolares e da Laredo Associação Cultural e do Agrupamento de escolas de S. Gonçalo (Torres Vedras). O trabalho foi desenvolvido em laboratório, na biblioteca escolar onde foram criadas as condições para o seu desenvolvimento. Apresentámos um conjunto de livros que foram testados pelas crianças e adultos. Um dos objetivos do projeto, para além da pesquisa pedagógica, foi retirar as unidades de educação especial (multideficiência e autismo) do isolamento que vivem na escola. Por outro lado, interessava-nos clarificar a diferença entre acessibilidade e inclusão, e foi nesse ponto de vista que também pensámos os livros, permitindo a fruição, tanto pela criança autista, quer pelo seu par. Importava mostrar que a biblioteca é um lugar onde cabe toda a gente e que as metodologias não-formais usadas na “casa dos livros” tinham um efeito positivo sobre as crianças, propondo um caminho mais aberto, diverso das práticas correntes do ensino especial no nosso país. Os professores de educação especial desta escola de Torres Vedras abraçaram o projeto, tratando de adaptar alguns livros a objetivos específicos da aprendizagem da leitura funcional e não só, com assinalável sucesso, relembrando que o livro é uma ferramenta sobre a qual se podem inventar mil e uma formas de mediar, de acordo com o perfil específico dos alunos. Durante o projeto foram desenvolvidos alguns materiais auxiliares ao momento da leitura que pretendem captar o foco e a perceção das crianças mais dispersas. Também valorizámos o empréstimo domiciliário no contexto da sala de educação especial, mesmo sabendo que algumas das nossas crianças poderiam danificar os livros. Outra decisão deste projeto, foi valorizar o papel das auxiliares de educação, referentes sólidos das crianças especiais (autismo e multideficiência) no interior da escola, como mediadoras de leitura especializada, a par dos docentes e do mediador da leitura. A ida ao Folio/Educa (Festival Internacional de Literatura de Óbidos) foi o ponto alto do nosso projeto – durante um dia, alunos em tandem, auxiliares de educação, professores de ensino especial e o mediador de serviço, partilharam com grupos visitantes (alunos e professores) os livros e a metodologia desenvolvida na escola da Ventosa. Este projeto envolveu toda a comunidade escolar, com especial destaque para os Pais que confiaram na nossa aventura, e aponta um caminho possível para a inclusão, onde a biblioteca escolar desempenha um papel proactivo e central. Na sequência do “Dilfícil Leitura” a professora bibliotecária Joana Rodrigues lançou uma nova ideia de leitura inclusiva no interior da escola, “Ler é ser especial”.


terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Baleizão em Tábua


No dia 10 de fevereiro o “Baleizão, o valor da memória” esteve em Tábua (Festival Ar - Teatrão), uma terra de que gosto bastante, onde tenho laços fortes na mediação do livro e da leitura. Foi muito interessante ver o Luís Branquinho na sua nova função, à frente do Centro Cultural de Tábua, confirmando aquilo que já adivinham: não faltou nada, da parte técnica à hospitalidade e passando pela capacidade de mobilizar o público de Tábua, com uma forte expressão intergeracional.  Na sequência do espetáculo, preparámos a Oficina da memória, um ateliê de movimento/corpo, desenho e escrita, que resgata as lembranças dos participantes numa partilha criativa, orientada pelos dois artistas. Um momento transversal etariamente, onde jovens, crianças, adultos e seniores, se envolvem como mineiros da memória. Gostei de rever a Ana Cristina que me comoveu na oficina, ao partilhar a sua luta familiar e a minha querida amiga Cláudia Sousa (mediadora do livro e da leitura) veio de Viseu para saborear o seu geladinho Baleizão. E que dizer daqueles jovens de onde surgiram belos textos depois de os termos despertado com olfatos e sabores? Obrigado a Gi da Conceição por ter trazido os seus alunos ao nosso ateliê.  A sala estava muito bem composta, talvez centena e meia de pessoas e a Oficina da Memória, esgotou. Lá estivemos sobre o palco, Aldara Bizarro trazendo as memórias de uma infância vivida em África, e eu levando o Barlavento algarvio até à Beira Alta. Estamos de volta, desta vez a Coimbra (Oficina Municipal de Teatro) no dia 24 de março com a mesma configuração, com uma oficina e um espetáculo.
Fotografia de Gi da Conceição

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

O Pato e o Samba da Matrafona


Trabalhando o livro "Under the Ocean" sob o olhar divertido e atento das professoras de ensino especial
As oficinas improváveis continuam pelas bibliotecas do Concelho de Torres Vedras. Ontem, eu e a Vera Fortunato estivemos na Biblioteca Escolar do Agrupamento de Escolas Madeira Torres com uma mão cheia de alunos especiais acompanhados pelos docentes de ensino especial, a professora bibliotecária e uma auxiliar de educação. Formámos um círculo e, ao ritmo do Carnaval de Torres, começámos a partilhar livros e músicas. Não, não foi o Samba da Matrafona, foi “O pato” de João Gilberto. Mergulhámos no Oceano, que é o tema do carnaval deste ano e li "O Samba do peixe-aranha". Lemos ao ritmo do samba: António Torrado, Vergílio Alberto Vieira e o meu “Rimas salgadas”. Fomos à praia com Suzy Lee (“a Onda”) e o livro Pop-up “Under the Ocean” (Anouck Boisrobert e Louis Rigaud - Tate/Londres). No final, lemos a par o poema “Devagar e depressa” de António Torrado (“À esquina da rima, buzina”) e fechei a sessão cantando “A vida do marinheiro”, já que alguns alunos se vão mascarar de marítimos…
Cá em casa, é o que estamos a escutar por estes dias...

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

The poetry-making machine


Versão em português da Màquina da Poesia, aqui
At the beginning of every workshop, the monitor should challenge the participants that they too will become poets by the end of the session. Of course, there will be looks of disbelief to such statement. But this works as a starting point for presenting them the “poetry-making machine”, drawn upon a large blank paper sheet, supposedly a “very complex mechanism”. It consists in a large rectangle, divided in 4 “mechanic parts” (being the third column is itself subdivided), as shown:
           
Then, the participants are asked “With what can we build a poem? What  commodities can we make use of? What are the source materials for us to work poetry with? What fuels this machine?” And, the answer should be “Words! Of course! An input of words is necessary for it to work!”
Each participant is asked to introduce a word (nouns, names, characters, spaces, objects...) in the first column (1). The monitor gives an example with the noun “word”, and then follows with “poet” and “idea”, and writes them on the paper with a large marker. Each participant writes in the columns until it is full.
 Then, the monitor explains that the second column (2) will be filled with verbs, the third (3A) with words form the same category as the first column, the fourth (3B) will be filled with abstractions and concepts (such as wisdom, love, courage, taste, intelligence...), and the final column (4) with adjectives. Suggestions are taken from each participant until the “machine” is full.

           
Now, the monitor should give an example, using the “machine” to create a somewhat poetic sentence, taking a word from each columns. For example “A cat a friendly darkness dreams”, or “Poets kiss a secret book”, and so on. The participants are encouraged not just to follow this pattern of collecting and rearranging, but also to try different and unusual wording combinations, even if they sound weird. They can change the articles, the verb moods, tenses and voices, as well as introduce prepositions. It must be made clear that the columns sequence does not have to be the chosen order for the words in each sentence, and that rhyming is not necessary for poetic creation.
The monitor should observe and support the participants when writing sentences, helping them and suggesting words, and encouraging those with manifest difficulty and poor language skills. Support can be given by explaining simple solutions, such as deriving and adjective form a noun or vice versa (for example “Wisdom → wise”). At this point, is very important that the monitor mingles with the participants, with enough sensibility and empathy to diagnose those whose difficulty with grammar and vocabulary forces them to voluntarily refrain from actively participating. Our experience suggests that it is of the utmost importance to take some time with a participant, for example, to explain the correct orthography of a word, or to show the correct use of a verb tense or mood, for it may help them overcome a particular difficulty and improve their self-esteem.
In the end, the five best sentences from each participant should be chosen by the monitor, to be read out loud. At this point, the images and metaphors evoked by the texts should be underlined as the main product of the “machine”, regarded as the main characteristic of the poetic genre. “You do not have to rhyme, just imagine what can you draw with your minds!”

Three further exercises are introduced to the participants. First, the sentences are grouped by common words and themes. “Who wrote verses with dolphins?”, “Who wrote sentences with the word Love?”, the monitor, for example, can ask. The selected sentences are collected and ordered as verses in a poem, and read out loud, to show the unexpected coherence for a collective poem. Then, a Japanese Haiku work is read. Usually someone notices how close they are to the verses they have created. The purpose of this second exercise is to confirm them that they have, in fact, made poetry. At last, the participants who did not enjoy writing are challenged to illustrate what they think are the best poems and verses from the workshop. 
Sometimes I blindfold the participants and prove that they are able to write poetry even with their eyes closed

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Maré de Histórias em Dois Portos


Este ano o tema do Carnaval de Torres Vedras é o Oceano; todas as escolas do concelho foram convidadas a participar. O Agrupamento de Escolas de S. Gonçalo juntou-se à proposta convidando-me a trazer o Mar para dentro da Biblioteca Escolar, com a “Maré de Histórias”. O meu livro “Rimas Salgadas” tem estado em destaque. Os alunos da Ventosa vão ao Carnaval vestidos de estrelas-do-mar cor-de-laranja – ficam lindíssimos. Em cada sessão com os alunos da escola nunca me esqueço de dizer (cantando) o poema “Onde nascem as estrelas?”.
Já com na Escola Básica de Dois Portos o caso é diferente: escolheram os Lobos do Mar como tema da fantasia que vão levar à festa. Na sexta-feira estive lá na escola com o “Rimas Salgadas” e não só. Gostei muito de trabalhar na biblioteca escolar daquela escola acolhedora… Levei comigo um lindo livro de pano, “O Senhor Mar” da Bru Junça, feito para um poema "História do Senhor Mar" de Matilde Rosa Araújo (O Livro da Tila). (Em todos os grupos da escola, apenas dois meninos tinham visto livros de pano...)
História do Senhor Mar
Deixa contar…
Era uma vez
O senhor Mar
Com uma onda…
Com muita onda…
E depois?
E depois…
Ondinha vai…
Ondinha vem…
Ondinha vai…
Ondinha vem…
E depois…
A menina adormeceu
Nos braços da sua Mãe…

Gostei de todas as sessões, mas há uma que não vou esquecer – a que fiz com os meninos e meninas do jardim-de-infância, à volta de uma mesa. Comecei folheando o livro da Bru enquanto ia dizendo o pequeno poema. No final um menino pediu: conta outra vez! E lá contei com a minha pequena assistência baloiçando-se ao sabor das ondas da poetiza. Depois tratei de dizer cantando os meus poemas. Peguei num lápis e desenhei peixes e mais peixes. Para os meninos e meninas do 3º e do 4º ano desenhei um Lobo do Mar com um papagaio no ombro e um cachimbo na boca! O livro da Bru fez-me sempre companhia, com ele na mão, encerrei todas as sessões cantando “Vou-me embora vou partir mas tenho esperança”…

sábado, 27 de janeiro de 2018

A maré vai subindo na Ventosa...

25 de janeiro
A maré de histórias subiu ontem na Biblioteca Escolar da Ventosa (Torres Vedras. Primeiro com as crianças e depois com a comunidade numa sessão de conto e poesia muito participada e descontraída. Estava uma sala muito bem composta, o que dá a justa imagem do trabalho de qualidade desenvolvido pela professora Joana Rodrigues (RBE) em prol do livro e da leitura. Foi precisamente neste Centro Escolar que decorreu o Projeto “Dilfícil Leitura” que levou ao Folio/Educa o nosso trabalho com as crianças autistas e outras fantásticas crianças diferentes, mais os seus pares, numa ideia afoita, desenvolvida por todos, mediador do livro e da leitura, professores de ensino especial, professora bibliotecária e auxiliares de educação. Dando continuidade à nossa ideia, na perspectiva da leitura a par, a professora bibliotecária iniciou um novo projeto inclusivo, batizado de “Ler é Ser Especial” que irá aprofundar a leitura em tandem, em estreita colaboração com os docentes de ensino especial. Está prevista a minha participação… Logo vos direi.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Educar na desordem

Clara Andermatt e Mickaela Dantas numa fotografia de Alípio Padilha 
Tive o prazer de assistir a um ensaio aberto do espetáculo/projeto “A Educação da Desordem” da Companhia Clara Andermatt no estúdio da ACCCA, junto de muita gente que não conhecia do meio da dança. Foi muito interessante escutar a troca de opiniões entre profissionais. No palco, Clara Andermatt e Mickaella Dantas. Percebemos logo que está a nascer um espetáculo coerente, muito bonito (estético) e corajoso. Está em palco uma coreógrafa que reflete, falando e dançando, sobre o processo criativo com uma bailarina. Talvez procure a sua imagem refletida na outra mulher que ali dança… E que jovem mulher, aquela … Mickaella Dantas, que vem fazendo um belo percurso pela CandoCo Dance Company (Londres). Percorre o espaço metamorfoseando-se perante o nosso olhar incauto. Deste diálogo entre as duas mulheres, vão surgindo momentos de rara beleza, onde os sentidos da normalidade são traídos e seduzidos pelo objeto artístico que se vai construindo, pouco a pouco, em palco. Não sei porquê, ou não sei explicar bem, mas quando Mickaella começou a dançar deitada sobre a mesa, com aquelas calças reluzentes ao som de Tom Jones, lembrei-me da figura da contorcionista, fazendo a sua prestação sob os projetores de um circo de província, algures na minha infância.
Assim nasce um espectáculo. Obrigado.

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Crianças ciganas e química escolar

 
Sob o olhar atento de Sophia...
O primeiro contacto com o grupo poderá ser definidor de atitudes futuras - a responsabilidade é grande...
Fotografia  por cortesia de Judith Pereira
Convocado pela Conceição Rolo, a grande impulsionadora da A.L.E.M (Associação literatura literacia e mediação), participei no dia 11 de janeiro na Escola Básica Sophia de Mello Breyner na Outurela (Carnaxide) numa sessão convívio com pais e alunos de origem cigana.
 O grupo de mediadores da A.L.E.M. pediu o meu apoio para ajudar quebrar um ciclo de não comunicação desaustinada entre um pequeno grupo de alunos ciganos e a escola. Foram entrando desconfiados, a conta-gotas, na sala – primeiro os rapazes com o seu grande líder (em tamanho e quase a completar a idade em que deverá sair da escola), depois as raparigas (adolescentíssimas) num pequeno cardume ruidoso. Aliás, devo dizer sobre os pequenos líderes na escola, sexo masculino, que a abordagem ao seu comportamento deverá ser feita através da química: o grande líder é sempre o átomo de oxigénio insuflando energia a dois tontos hidrogénios que orbitam à sua volta. Resultado disto tudo, a molécula que dá sempre água em contexto de sala de aula. A conversa começou pelos sapatos, de vestuário entendem eles… Depois acabámos a conversar sobre a história do povo cigano, com eles a “tirarem-me as medidas”. Uma mãe cigana interveio, pegando pela palavra calon, esclarecendo o rapaz sobre aquilo que eu estava a falar. A partir desse momento pais e filhos começaram a comentar e fizeram a escuta necessária à narração oral. Lá contei a primeira história. Uma rapariga agitada propôs, interrompendo logo no início do conto, que se mudasse o nome da heroína da história para Orlanda. E Orlanda ficou... Depois mostrei o “Zoom” ao grande grupo – pais e filhos participaram alegremente na mediação do livro. Mais tarde, num pequeno grupo, comecei a contar uma história com o “Popville” na mão: “Era uma vez uma pequena aldeia chamada Outurela, que foi crescendo …” A história que tinha preparado para encerramento já não pode ser contada em condições – ostensivamente, o “átomo de oxigénio” quis mostrar o seu poder, boicotando o contador. Interrompi a narração e disse, olhando-o nos olhos: “Respeita-me!” Lá conseguiria terminar o conto, e avançar mais umas linhas na minha leitura de quem me escutava – crianças, jovens, mães e pais, ciganos, e professores não ciganos.
Parte do grupo que participou no encontro promovido pela ALEM na EB Sophia de Mello Breyner (Outurela)
Há escolas determinadas em mudar o rumo da educação...

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Programa para Domingo 28 em Almada (Casa da Cerca)

No domingo dia 28 de janeiro às 17h, na Casa da Cerca (Almada velha), a propósito das obras expostas de Pamela Golden, vou propor um exercício simples de interpretação poética dos trabalhos da artista, recorrendo à metodologia da máquina da poesia. Um convite endereçado pelo amigo Mário Rainha Campos, do serviço educativo deste museu, uma iniciativa integrada no programa “Obra Aberta”. A intenção será acrescentar novas interpretações, desta vez, através de uma abordagem poética. Para a família toda; agora para escrever os poemas pequeninos, só se já tiverem 8 anos...

Lá vos espero na receção do Museu. 

domingo, 14 de janeiro de 2018

Spinner para começar a comunicar



Comprei um Spinner preto numa loja chinesa, próxima aqui de casa. Tenho usado este pequeno brinquedo, não para estar na moda, mas porque ele é um poderoso auxiliar nas estratégias de comunicação com crianças com "problemas" ou do campo do autismo. O meu spinner é luminoso e chispa com o seu LED, formando mandalas à medida que vai girando no escuro da sala. Completamente irresistível. É fascinante ter um objeto cinético que pouca coisa faz, para além de girar. Deixa bastante espaço para a interação, para a comunicação, tem muito espaço livre, poucas funções. Um território livre para ser explorado a dois. Bem sei, tem alguns truques que vou aprendendo com miúdos que têm canais Youtube e que fazem crítica de brinquedos atuais. (ia para publicar um vídeo que fiz, mas estes pré-adolescentes são muito melhores que eu…). Mas o bom deste objecto/brinquedo é que gera aproximações, um primeiro motivo de aproximação, se calhar sem palavras. Depois, alguns gestos, motricidade fina apurada e…toque de mãos. Ideal para o trabalho em tandem, para começo de estrada e outras invenções circulares. Experimentas tu, experimento eu, poisamos na mesa para escutar o ruído. Quando aparecerem mais do uma criança com oseu spiunner para conversar, aí teremos de inventar novos rumos para o jogo, outras interações. A propósito de jogos coletivos (tradicionais): Este verão vi umas miúdas a jogar ao prego na praia. Juntei-me a elas e, felizmente, não estranharam: lembrava-me de quase toda a sequência e das diferentes posições das mãos acompanhadas de movimentos específicos, gradualmente mais difíceis, à medida que se aproxima o final do jogo. Hei de me lembrar de usar este jogo, aproveitando para desenhar na areia molhada.
Não poderia terminar estas linhas sem referir o pai de todos estes brinquedos cinético e giratórios: O Senhor Pião, aqui num pequeno filme do interior do Brasil.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Ler! Ler nas oficinas improváveis.

Lendo Álvaro de Magalhães em voz alta.
Com o início do ano, recomeçaram as Oficinas improváveis, mediando a leitura junto de alunos com necessidades educativas especiais, nas bibliotecas escolares de Torres Vedras. A equipa é composta por três mediadores: um cota (eu), mais a Ana Gonçalves e Vera Fortunato, técnicas da Biblioteca Municipal de Torres Vedras, responsável pela iniciativa. Estivemos na Biblioteca Escolar da escola sede do Agrupamento de Escolas Padre Vitor Melícias, muito bem recebidos pela professora Ilidia Janela, a anfitriã. O grupo que participou na sessão não era muito pesado. As maiores dificuldades destas crianças advêm da sua condição de exclusão cultural e social, sendo evidente a presença da etnia cigana que tentámos valorizar ao longo da sessão, pedindo para que acompanhassem dois poemas (meus) usando as palmas, à boa maneira cigana, marcando o ritmo/métrica de dois textos. Decidimos ler, com mais ou menos expressão, um conjunto de textos previamente escolhidos tendo em conta a composição do grupo. E lá pegámos em António Gedeão, António Torrado, José Fanha e Álvaro de Magalhães. A Ana leu muito bem o poema “animais de estimação”, um texto do “Brincador”, e eu e a Vera lemos, a par, o “Devagar e depressa” de António Torrado (“À esquina da rima, buzina”). Ler para o outro, tão simples.
Lendo ritmadamente António Gedeão

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

The story-telling painter

The story-telling painter. Miguel intertwines the imaginary as colour mixed brush strokes. Curses from Algarve, Creole tales and fishermen’s stories, all are found in his bag. He works as an educator for reading and book-learning along the neighbourhoods, penitentiaries, libraries, schools, streets and boats. Miguel Horta is a painter who writes and draws his books spurred by the blown Levant through the lagoon and on the hardened westmolded escarpments. Since childhood he found heart by the sea and in all her inspired liars on board. But more important than the fishes and the beasts below are all the people with their stories; and thus, he strove into the heartland to tell of other lives one hears in his illustrations and tales, shared both in Portuguese or Cape-Verdean Creole. Such concern with the other, bounded to the societal impact of story-telling, might have been what transformed him into an effective mediator for book-learning and reading, credited by those who harbour his educational workshops in libraries or work with him directly in interventions on situations of cultural or social exclusion. Further, Horta has shown an important work on oral narration and mediation for reading in students and communities with special educative needs. The high tides have left us with this story-teller mediator on the sands of our beach, as a castaway from the modern world.
He narrates in Portuguese and Cape-Verdean Creole.
Adapted from a text of José Barbieri (Memóriamedia)