terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Bairro Leitor: Até de olhos fechados escrevo poesia!

“Ainda não tinha conseguido que escrevessem alguma coisa este ano”… desabafou a professora, já perto do final da nossa sessão na biblioteca do Bairro Leitor (Casalinho da Ajuda). Fui ajudado por três professoras (ainda bem!), na tarefa de levar a “Máquina da poesia” a duas turmas agitadas mas com algumas estrelinhas: um pequeno grupo muito trabalhador e criativo do 4º ano que cooperou bem e “contaminou” com interesse os colegas menos focados (com maiores dificuldades). Propus a organização em tandem, assim ajudavam-se mutuamente na correção de erros ou na procura das palavras. Comecei por dizer alguns poemas disparatados de Fernando Pessoa a Álvaro de Magalhães e mais algumas brincadeiras minhas. Lá fomos para o papel de cenário, enchendo os espaços com as palavras que conhecíamos, sempre em dupla e … agitadamente. Depois foi a brincadeira da venda nos olhos … e lá começaram a surgir pequenas frases poéticas. Houve crianças que nem sequer entenderam o enunciado da minha brincadeira… Acho que vou promover algumas dinâmicas de focagem e colaboração na próxima sessão, para combater a dispersão interior destas crianças, a que não é estranha a sua origem cultural (étnica). No final apresentei a ferramenta que nos vai ocupar a próxima sessão: O sussurrador! E foi vê-los a sussurrar o que tinham escrito, uns aos outros, até em estéreo. É verdade, a professora requisitou um livro de poesia para a infância de Fernando Pessoa para releitura na sala de aula...

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Os cavalinhos não pisam crianças!

A minha colega Joana Andrade, mulher da pedagogia da dança, insistiu para que partilhasse aqui no blogue a brincadeira que fiz com os meninos e meninas participantes na oficina de Natal do Descobrir (Fundação Calouste Gulbenkian). (Se fosse no Projeto 10x10, chamaríamos de micropedagogia esta pequena proposta.) As crianças deitam-se no chão com as pernas e os braços esticados até tocarem o corpo uns dos outros; podem tocar com a cabeça, com os pés e com as mãos, deixando ficar uns buraquinhos onde se vê o chão. Pomos a tocar uma música que dê vontade de dançar suavemente, sem pressas e com muita elegância. As crianças deverão dançar percorrendo a sala, usando os buraquitos disponíveis entre os corpos, sem pisar os colegas, tudo isto em silêncio, escutando o som em movimentos leves. Depois voltam a deitar-se no chão, num outro lugar, tocando os outros e deixando ficar um pequeno espaço. A brincadeira deverá seguir em continuado, sem choques, atá ao final da música. Passei a utilizar esta metodologia para trabalhar o movimento com crianças com necessidades educativas especiais, sobretudo com autistas que têm dificuldade em percorrer a sala sem pisar os colegas. Trata-se de um recurso de psicomotricidade aliado a uma expressão artística. Toca a dançar!



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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Mithos a Ler: Formação em Vila Franca de Xira

Ninguém se aborrece nesta formação...
Teve lugar mais uma formação de mediadores voluntários da leitura na Biblioteca da Mithos, inserida no projeto “Mithos a ler”. Depois de ter apresentado algumas ferramentas simples de apoio à mediação de livros e contos, apresentei alguns livros facilitadores da comunicação e mediação leitora. A segunda metade da nossa formação foi ocupada com a “máquina da poesia”. Encerrámos a sessão, sussurrando uns aos outros os poemas escritos durante a tarde. Não falhem a próxima formação: vamos construir sussurradores e treinar a mediação de livros.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Bairro Leitor em Fevereiro

Em cima de uma cadeira, trabalhando o livro "Zoom"
Bairro Leitor: um projeto também é composto por confluências. Assim, tiveram lugar no Dia dos namorados duas sessões de mediação leitora com alunos da Escola do Casalinho, na nossa biblioteca comunitária, que vem sendo dinamizada por Maria José Vitorino e pela professora bibliotecária Lurdes Caria em colaboração com a equipa da escola. A nossa biblioteca ocupa um espaço muito simbólico – foi aqui que Conceição Rolo desenvolveu no final dos anos 90, um importante trabalho de mediação para  a literacia e leitura em contexto escolar. A primeira sessão com alunos PIEF foi duríssima – uma espécie de combate afetivo pela literacia no meio de rapazes e raparigas que já não acreditam na escola. Usei tudo, da paciência aos livros, passando pela narração oral e pelo hipop… Parece que gostaram. Fiquei de fazer mais uma sessão com eles, aproveitando o grande ritmo que todo o jovem cigano tem. Com os mais pequeninos correu mais fluidamente – é preciso trabalhar a escuta com estas crianças. A fotografia é a possível – tirada com um telemóvel.
O trabalho de mediação cultural pode assumir diferentes contornos consoante a exigências do projeto. Consolidando a relação entre os promotores do projeto e as associações locais, ao longo de duas semanas desenvolvi o logotipo da Academia de Jovens do Casalinho. Começámos a trabalhar imagens a partir da ideia de bairro, depois fomos para os animais, primeiro o falcão e por fim o galo. Acabou por ficar um galo muito simples por influência da Torre do Galo (Ajuda). A escolha final é sempre da responsabilidade do “cliente” associativo…

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Um curso especial

 As criaturas amigáveis da Ana Neves (ler texto)
Maria José Vitorino em ação
Ia para começar a discorrer sobre o último curso “Inclusão, escola, biblioteca- Mediação leitora, educação artística e necessidades educativas especiais” quando dei com a reflexão que a Maria Teresa Ferreira nos enviou. Quase que fica tudo dito nestas linhas… Na área da mediação leitora inclusiva não posso deixar de destacar a qualidade da partilha nos fóruns: o manancial de recursos apresentados, comentados e divulgados constituíram para mim uma verdadeira formação “entre pares” e suscitaram percursos reflexivos e o questionamento da minha prática, a da minha BE e, a montante, a da minha escola, relativamente às questões da inclusão e da diferença e dos impactes nas aprendizagens dos alunos. Saliento ainda a este nível o muito bom ambiente de trabalho entre os pares, facto nem sempre presente em ações de formação em que tenho participado nas quais a pouco sã competitividade se sobrepõe à aprendizagem e à partilha dos saberes. Não tenho memória de ter um grupo tão produtivo e participativo, basta olhar para os textos publicados na plataforma moodle do Centro de Formação António Sérgio para ver a grande variedade de contributos e o grau de profundidade das opiniões. Realmente, assistimos a um diálogo entre o ensino especial e as bibliotecas escolares. Recordo aqui uma partilha da Ana Neves (Professora de Ensino Especial) que nos trouxe o seu saquinho das emoções, contendo pequenos bonecos amigáveis que as crianças manipulam no momento de chegada à sala de ensino especial. Todos os bonequinhos têm nome, são atraentes e fofinhos, contribuindo para fazer desaparecer tensões enquanto se vai falando, ganhando a tranquilidade para receber as atividades propostas. Obrigado a todas! 

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Oficina improvável na Ventosa

"Tirar e por"
Hoje teve lugar mais uma “Oficina improvável” no centro escolar da Ventosa (Torres Vedras) dedicada aos alunos com necessidades educativas especiais. Trata-se de uma iniciativa mensal que se prolonga até Junho, da responsabilidade da Biblioteca Municipal, decorrendo em contexto de Biblioteca Escolar. Desta vez trabalhei com meninos e meninas da unidade de ensino estruturado (autismo). À medida que ia trabalhando os livros (mediação leitora) junto das crianças, reparei que os professores iam tomando nota dos livros e recursos partilhados – é mesmo essa a ideia, partilhar e promover a leitura junto de crianças diferentes. O segundo passo é emprestar os livros, propondo aos pais diferentes formas de os apresentar às suas crianças. É importante propor livros de imagens mas sem a presença dos SPC (pictogramas) – Assim, vai-se fazendo o “desmame” das técnicas de “comunicação aumentativa” – afinal uma boa ilustração substitui um SPC. Nesta relação com estes leitores diferentes, o corpo (a presença física) é mesmo a primeira ferramenta, chega a ser mais importante do que o livro que se quer apresentar. Importa saber escolher os livros certos para crianças do espectro do autismo; sabemos que cada menino/a é especial, tem a sua personalidade e preferências (ou “especializações”), mas já confirmámos uma maior adesão aos livros em que a ilustração é mais clara (objetiva), com os motivos centrais bem visíveis e sem ruído de fundo. Os livros que têm truques gráficos também convencem estes leitores especiais.
"Livro com um buraco"

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Bairro Leitor: Quem sabe a origem dos ciganos?



As imagens que contam a história toda...
O café do Senhor Fernando estava à cunha de moradores pequenos e grandes, a par dos colegas de projecto. Conseguimos montar no café o projector de vídeo e um ecrã; os cafés e o bolo-rei foram por conta do projecto “Bairro Leitor”. Coadjuvado pela Maria José Vitorino (Laredo) e pelos companheiros da Academia de Jovens do Casalinho, da AASPS e da Junta de Freguesia da Ajuda, lá comecei a nossa sessão. Contei uma versão de “Jack e a Morte” mas passada no Casalinho da Ajuda, tendo a morte ficado fechada numa garrafa de água vazia – as crianças portaram-se muito bem. Esta sessão com a comunidade cigana sobre a sua história foi preparada ao longo do mês de dezembro e janeiro – fartei-me de ler para poder partilhar alguma informação. E, de repente, a sala encheu-se de gente tisnada, falando alto, opinando afirmativamente sobre a origem dos seus. Lá fui falando da diáspora e sua origem no sul da Índia/Paquistão, enquanto projectava imagens sobre a comunidade e um mapa para melhor exemplificar os caminhos percorridos. O público agitou-se; uns afirmavam a sua origem bíblica, talvez descendentes de Caim (filho de Noé), outros garantiam a atmosfera de mistério e desconhecimento que envolve a raça, talvez, quem sabe, a tribo perdida de Israel... Discretamente um morador cigano segreda-me a sua concordância com a minha versão. Ficou claro que a comunidade cigana tenta defender as suas tradições, criando uma defesa de identidade, num mundo com existências cada vez mais diluídas. Tive de me aguentar no meio de uma saraivada de palavras, sempre atento e respondendo, por saber que estes momentos de comunicação entre moradores são bem importantes - afinal, o bairro é conversável.

Uma confluência entre 3 iniciativas do projeto: 
Biblioteca de Bairro
Casa das Artes
Comida com Histórias