quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Mithos a ler

Um outro projeto onde a nossa Associação está envolvida é o Mithos a ler que acaba de inaugurar uma biblioteca comunitária inclusiva na sede da Mithos- histórias exemplares (associação de apoio à multideficiência). Agora, com a biblioteca já inaugurada, a nossa ação concentra-se na formação dos companheiros/as que fazem atendimento no local e na formação de jovens voluntários mediadores de leitura que posteriormente desenvolverão o seu trabalho junto dos utilizadores do espaço de leitura pública de temática especializada. No dia 21 de janeiro de 2017 terá lugar uma primeira sessão de formação de voluntários de mediação leitora na Biblioteca da Mithos. Esta formação tem como objetivo dotar os jovens voluntários do projeto Mithos a ler de um conjunto de ferramentas muito simples de intervenção junto de leitores diferentes. Concomitantemente, os participantes terão a oportunidade de entender melhor o que é a mediação leitora, não faltando oportunidades de treinar a manipulação de livros, construir ferramentas e experimentar algumas dinâmicas. No futuro, pretende-se que estes jovens garantam algumas actividades no âmbito da biblioteca inclusiva, desenvolvendo propostas junto dos leitores visitantes. A inscrição é gratuita existindo o compromisso de cumprir tempo de voluntariado na associação.  
A equipa-base da Mithos no dia da inauguração
 que contou com a presença do deputado Jorge Falcato, Fernando Fontes, Susana Magalhães (Inclu) e  Diogo Martins.
   

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Sussurrar junto de professores bibliotecários

Nesta reta final do ano tive uma experiência muito curiosa com os professores bibliotecários do concelho de Vila franca de Xira. Fui convidado a participar, juntamente com os alunos do projeto “Oceanutópicos”, na reunião concelhia de professores bibliotecários. Tivemos oportunidade de apresentar a ferramenta sussurrador, como peça essencial do trabalho que desenvolvemos na Escola Professor Reynaldo dos Santos (VFX) e no Folio Educa, comunicando utopias pelas ruas da vila histórica. Os alunos sussurraram utopias oceânicas aos ouvidos dos docentes presentes, esperando que estes disseminem a ideia nas suas escolas de origem. Neste encontro, em boa hora “congeminado” pela Professora Hermínia Falcão e pela “andorinha” Helena Brígida, tive ainda oportunidade de falar da aplicação, em contexto de projeto, do objeto Sussurrador, junto dos alunos com necessidades educativas especiais, turmas “Pief”, “Cef” e outros grupos educativos mais avessos à leitura e à escrita. 

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Dias especiais...

...Dizendo os disparates do costume...
Às vezes a vida passa e não encontramos tempo para assinalar dias especiais… Quase a terminar o ano de 2016, gostaria de fazer um destaque à escola que melhor trabalhou a minha pequena obra neste primeiro período letivo. Não se trata de atribuir um Óscar, mas sim de reconhecer o excelente trabalho desenvolvido pela Ludobiblioteca da escola básica nº2 da Parede, coordenada por Leonor Pêgo, e assinalar uma mão cheia de docentes que conseguiram entusiasmar os alunos para a leitura dos meus livros. Muito obrigado – foi um belo dia passado na Parede! Vejam lá a reportagem: Aqui

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

BAIRRO LEITOR: Falando com os vizinhos

 Ao lado dos prédios, um moinho com umas belas pinturas na parede.
Vamos subindo o Bairro do Casalinho da Ajuda, onde decorre o projeto Bairro Leitor; vou bem acompanhado pelo Miguel e pela Mónica, residentes e dirigentes associativos da Academia de Jovens do Casalinho da Ajuda. Entramos na zona de cima, os IOs (como aqui lhes chamam), um conjunto de edifícios destinados a residências universitárias, agora ocupados pela comunidade cigana. À medida que vamos percorrendo o bairro, aproximam-se vários jovens; o casal vai recolhendo nomes para um campeonato de futsal (Nesta altura, movimentam já 80 jovens nesta competição!). Miguel Cordeiro é afável, cumprimenta os vizinhos e vai passando a ideia de que se esperam mudanças para melhor no bairro – apresenta-me ao patriarca cigano, o Senhor Octávio, homem de rosto nobre e olhar azul. Falo do projeto e da importância da leitura, no meio de uma rua onde esvoaça o lixo ao vento. “Estou a ler um livro sobre a história dos Romani”- digo-lhe. A conversa deriva logo para a história dos nómadas, sobre a qual aquele homem vestido de negro sabe detalhes que só agora descortino, quase no final do livro. Pergunto-lhe se a comunidade conhece a sua própria história e ele responde-me que não, só uma pequena minoria. “Gostaria de ler esse seu livro…”-Afirma. Proponho a realização de um encontro sobre a história dos ciganos no café da esquina. Ele e Miguel que não perdeu pitada da conversa concordam. Há nossa volta já está uma meia dúzia de habitantes interessados na conversa. Comprometo-me a organizar esse encontro junto com os companheiros de projeto da Academia. Despedimo-nos, sem que antes de descer a rua, Miguel e Mónica recolhessem mais dois nomes para a competição desportiva. Qualquer biblioteca comunitária que nasça neste bairro terá de ter um bom acervo relacionado com a comunidade cigana… A ssim se começa a mediar o livro, falando com os vizinhos.
O projeto também contempla a recuperação de alguns espaços públicos
como é o caso do parque infantil

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Projecto BAIRRO LEITOR

E lá fiz uma ilustração para o projecto....
(em breve transformada em logótipo)
Hoje falo-vos de um projeto de intervenção que tem vindo a ocupar (nos últimos tempos) os meus dias por Lisboa – Trata-se do BAIRRO LEITOR. Quem está atento ao rumo que a Laredo (Associação Cultural) vem tomando, rapidamente percebe que estas ideias surgem no seguimento de “Aldeias Leitoras”, “Tásse a ler” e outros tantos projetos que refletem a urgência de pensar as literacias num contexto social, intervindo diretamente no território. Desde sempre, as bibliotecas comunitárias, foram tema de eleição para Maria José Vitorino, ou não tivesse sido ela uma das impulsionadoras do projeto THEKA (Fundação Calouste Gulbenkian) que interveio em Portugal, adicionando mais bibliotecas e saber à Rede de Bibliotecas Escolares. Promovido em conjunto pela Junta de Freguesia da Ajuda, Laredo AC e Associação de Apoio e Segurança Psico-Social, o Projeto BAIRRO LEITOR está a decorrer no muito alfacinha Bairro do Casalinho da Ajuda. Este projeto tem diversos parceiros: ESTAL, Grupo Sport Chinquilho Cruzeirense, Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, AGIRXXI- Associação para a Inclusão Social, Academia de Jovens do Casalinho da Ajuda, Agrupamento de Escolas Francisco de Arruda, Centro em rede de Investigação em Antropologia (CRIA) e a Associação de Voluntários de Leitura. Tudo isto acontece no âmbito do programa BIP-ZIP, promovido pela Câmara de Lisboa, com o objetivo de requalificação e dinamização do espaço da freguesia da Ajuda – com enfoque principal no bairro do Casalinho da Ajuda - pretende tornar o bairro num lugar onde se vive melhor por ser um bairro leitor, trabalhando no interior das comunidades que o compõem, com e para toda a gente, e otimizando recursos existentes e a desenvolver, pela valorização da leitura e das literacias, através de práticas inclusivas de leitura e de criação, disseminadas. Numa abordagem transgeracional e de educação não formal, privilegiam-se destinatários entre os moradores mais jovens, pelo seu potencial de envolvimento da comunidade e de condição de sustentabilidade futura.

Nos próximos post vos darei conta do desenvolvimento deste trabalho que passa muito pelo contacto direto com os moradores, escutando, propondo e agindo. Tenho feito equipa (no terreno) com Miguel e Mónica Cordeiro, dirigentes associativos da Academia de Jovens do Casalinho da Ajuda – um garante no local para o sucesso do projeto.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

"Leituras em cadeia" geram proposta formativa

A ferramenta livro foi muito utilizada nesta sessão
Já está na reta final o curso  “Leitura, Bibliotecas, Estabelecimentos Prisionais”. Trata-se de uma formação especializada que reflete o trabalho que a equipa da Laredo (Miguel Horta e Maria José Vitorino) e um pequeno grupo de “âncoras” corajosos, em estreita colaboração com a Biblioteca Municipal de São Domingos de Rana – Cascais e o agrupamento de escolas Matilde Rosa Araújo, vêm desenvolvendo no EP Tires, dando corpo ao Projeto GulbenkianLeituras em cadeia”. A última sessão presencial, que teve lugar na Fundação Calouste Gulbenkian (3 de dezembro) foi bem animada (como provam as fotografias…) e com um sentido prático evidente. Este curso tem sido um pequeno fórum de ideias, atualizando muita informação sobre estabelecimentos prisionais, bibliotecas prisionais e escola na prisão. Penso que estamos a conseguir sensibilizar para o valor educativo da mediação leitora, da promoção da leitura e das bibliotecas em contexto prisional, numa perspetiva inclusiva. É importante Promover estratégias educativas de cooperação interbibliotecas – biblioteca escolar, biblioteca pública, biblioteca prisional – sustentáveis, quer da educação formal quer da aprendizagem ao longo da vida de reclusos/as. Estou muito curioso em relação aos trabalhos finais que em breve poderemos ler na plataforma moodle do CFAE Centro-Oeste. (Mais sobre este tema)
Pensando soluções de intervenção, em pequenos grupos de reflexão


quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Como peixes dentro de água

Preparativos para a ecolocalização...
O Projeto 10x10 vai navegando pela Secundária Seomara da Costa Primo, por águas cada vez mais claras. Sucedem-se as avaliações que os alunos fazem das aulas, agora com nota máxima (pedras verdes). A articulação entre as disciplinas começa a estar mais fluída…e o artista mais descontraído. A fase inicial do projeto nas escolas é sempre mais delicada. Entretanto teve lugar uma aula especial em torno do sistema de ecolocalização dos cetáceos, aplicado à educação física. Tratou-se de uma adaptação, mais complexa, do jogo que apresentei com Ana Pêgo na oficina “Moby Dick” (Programa Descobrir/Gulbenkian). Realço o facto de ter sido uma aluna (Maria) a iniciar a aula com um aquecimento (ao som de música escolhida), partilhando com os colegas uma metodologia da dança contemporânea. 
 Começam a surgir os primeiros desenhos de peixes inventados 
ao lado das ilustrações feitas na aula de dissecação e ilustração
Trabalho em grupo: Em busca do peixe imaginário
Na aula seguinte, com a professora Helena Moita de Deus, lançámos o desafio que vai acompanhar o projeto até ao seu final: A invenção de um peixe, uma criatura imaginária, cientificamente coerente. Cada grupo criará o seu peixe “falso”. Os grupos constituídos na aula laboratorial de dissecação, mantiveram-se. Iniciámos o desafio com o visionamento de vídeos muito recentes da NOAA (Office of Ocean Exploration and Research – USA), dando continuidade à visita realizada pela turma ao ROV – Luso. Chamei a atenção para a importância de se construir uma criatura cientificamente viável, concomitantemente com uma argumentação sólida, capaz de questionar os projetos dos outros companheiros de turma. A ficha técnica da espécie, fornecida pela professora Helena servirá como ponto de partida para esta construção que terá a sua representação na aula de educação física, sob a forma de movimento. Os grupos darão corpo às diversas fisicalidades da espécie inventada, das hipotéticas danças nupciais, movimentos gregários, passando pelas posturas em atos predatórios e, talvez, mimetismo ou ainda, simbiose e comensalidade (…). Basta pensar no conceito de cardume para imaginarmos a turma nadando pela escola… (Já devem estar a perceber que nos vamos divertir na aula de educação física… 
 Podem facilmente avaliar o espírito da turma: alegremente ruidoso
 Lendo e registando as falhas...
Depois da corrida, nova leitura de parametros
Esta quarta-feira, na aula de educação física, voltámos aos cetáceos e à duração do seu mergulho e sistema circulatório, comparando com as características da nossa espécie. O Professor Nuno Resende, que distribuiu uma folha para registo individual de diferentes parâmetros, trouxe balões para que os alunos pudessem medir a capacidade pulmonar e  Esfigmomanómetros para medir o batimento cardíaco e a pressão arterial. Depois, no ginásio, seguiu-se um exercício prático muito interessante: “Correr e ler”. A par, os alunos foram convidados a ler um texto científico em que se descrevia o funcionamento do coração; o colega tomava nota de cada erro efetuado na leitura, em seguida, a media a tensão arterial. Depois o aluno, em corrida intensa, efetuava um trajeto que terminava junto à mesa onde o seu par se encontrava. À chegada voltava a medir a tensão arterial e começava a ler o texto, sempre vigiado pelo seu colega, que ia registando os erros de locução. Concluiu-se que, depois da corrida, era maior o número de falhas na leitura. 
 Adoro Matemática!
Nesta aula, como foi conduzida mais pelo professor Nuno, estive a observar os alunos e a interagir de uma maneira diferente com eles. A Larissa mostrou-me o seu "diário de bordo" (Caderno de campo), gostei do que vi e sobretudo do que li. Às tantas, um dos alunos começou a escrever no balão algumas fórmulas matemáticas, uma delas para resolução de equações. Perguntei-lhe porque o fizera. "Adoro matemática!" Respondeu. Judith Silva Pereira (a nossa observadora e "anjo da guarda") estava ao meu lado e gostou do que ouviu. É uma turma muito entrosada e comunicativa, portadora de uma personalidade muito forte: estou a aprender... Assim vem sendo o Projeto...