domingo, 30 de outubro de 2016

O musseque da cor

Fotografia - Fundação Calouste Gulbenkian
Meus amigos, vou orientar duas visitas para desenhar no Museu Gulbenkian/Coleção Moderna (Centro de Arte Moderna) nos dias 20 de novembro e 11 de dezembro às 11h, tendo como tema, pretexto e motivação a bela exposição de António Ole que ali está patente. Chamei a esta “visita para desenhar” o “Musseque da cor”, realçando os registos sempre texturados e coloridos da arquitetura popular e arte dos “kimbus”, visível a quem passa pelos bairros de Luanda. Durante a visita lerei alguns trechos do livro “Quem me dera ser onda” do escritor Angolano Manuel Rui, para acompanhar o riscar dos papéis. Não se esqueçam de marcar lugar antecipadamente. Nós levamos os lápis e os papéis. Inscrições e informações aqui.

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

10xHematoxilina

Brincando com a imagem projetada
O Projeto 10x10 (Descobrir/Gulbenkian) continua com a intensidade esperada na Secundária Seomara da Costa Primo (Amadora), com os professores Helena Moita de Deus e Nuno Resende. Se é certo que a observação à “lupa” (ou microscópio) nos faz mergulhar no microcosmos através dos olhos, propondo momentos de encantamento com um mundo numa escala diversa da humana, outras formas de aceder ao “extremamente pequeno” são possíveis, envolvendo o corpo todo num encantamento de escala proposto pela oficina que aqui descrevo.
Sou filho de médicos Anatomopatologistas, investigadores e humanistas. A minha infância foi marcada pelas idas ao serviço de Anatomia Patológica do Hospital de Santa Maria onde me encantava com pedaços do corpo humano em frascos de formol ou esquemas do sistema nervoso em maquetas realistas e, ainda mais significativo- a Microscopia. Dos magníficos microscópios com ópticas Carl Zeiss até ao outro, eletrónico misterioso e grande, que possuía uma sala própria, todos me propuseram um outro olhar sobre o mundo e sobre a perenidade humana. Habituei-me a ver aventais de chumbo, o meu pai trabalhava com substâncias radioativas (Tório), salas impecavelmente limpas, gente de bata branca, com sorrisos igualmente claros, para o filho do Senhor Professor e da Doutora Maria Eugénia; preparadores de laboratório iniciaram-me no segredo das hematoxilinas na sua miríade colorida. Entre as mulheres de bata branca estava a minha irmã Lucília, sempre carinhosa e atenta comigo. Concluo, hoje, que um laboratório médico é uma espécie de ateliê colorido dedicado ao estudo do corpo. Sobre as mesas de fórmica clara ou balcões de escura baquelite, alinhavam-se exércitos de pequenos frascos cheios de corantes apetitosos, mais poderosos que as anilinas que davam cor aos bolos da Avó Felisbela. Máquinas, muito precisas, executavam cortes em peças de parafina contendo material orgânico, obtendo micro- películas observáveis ao microscópio, depois de devidamente mergulhadas em soluções coloridas e colocadas sob uma lamela contra a superfície de uma lâmina maior, igualmente de vidro - depois era só coloca-la no suporte do microscópio e mergulhar na imagem. A minha Mãe costumava sentar-me ao seu colo quando estava senta à secretária a trabalhar a altas horas da noite e desafiava-me nas minhas noites de insónia infantil a espreitar pelo microscópio, sossegando-me com a sua voz calma. Soube, desde muito cedo, o que era uma célula e a sua morada exata. Um dia fiquei muito impressionado com uma fotografia a preto e branco que o meu Pai me mostrou. Era um conjunto de células prenhe de radiação (raios gama) fotografadas a partir do microscópio eletrónico, emanando o seu poder destrutivo para as vizinhas – Lembro-me de ter pensado que me pareciam pequenos sois brilhando no meio do universo. Desde pequeno que mergulho neste território secreto.
Como todas as crianças que querem imitar os pais numa espécie de jogo simbólico que se estende até à adolescência, interpretei, fazendo, a atividade plástica do laboratório. Assim surgiu este trabalho a que chamei “Dia positivo” e batizado de “Hortoscopia” (por graça) nesta edição do Projeto 10x10. No passado, apresentei esta oficina com diferentes designações: no Centro de Apoio às Organizações de Base (“Slides Diretos”- 1979) no Teatro Viriato (“Casulo de imagens” - 2005) e no Teatro do Campo Alegre e mais recentemente numa formação dedicada aos animadores culturais do Município de Óbidos promovida pelo programa Descobrir/Fundação Calouste Gulbenkian (2014).
Apontando uma asa de "formiga de asa" capturada num canteiro da escola

A pergunta do dia foi: “Qual a diferença entre olhar e ver?”. Qual a relação com a ciência (a pesquisa) contida nesta simples questão? Desafiei os alunos a procurarem elementos bem pequenos (que coubessem num caixilho de diapositivo) - andou toda a gente agachada nos canteiros da escola à procura de elementos para os seus slides... Depois cada um colocou o pequeno elemento numa película de acetato, como se fosse uma preparação laboratorial, acrescentando verniz colorido barato sobre a superfície. Os diapositivos foram colocados no projetor de slides. Seguiu-se uma série de interjeições: Oh! Que fixe! Parece um homem a remar. Parece uma bruxa. Parecem estrelas… A cor no slide trouxe poesia e sonho ao caule da planta ou à asa da formiga projetadas sobre a parede branca do laboratório. A coleção de palavras recolhidas como avaliação a cada uma das criaturas aquàticas presentes (todos têm um cognome marítimo) prova que a manhã foi bem passada na aula de Biologia. Outros voos se preparam a partir destas imagens…mas isso, é já um segredo para a próxima aula de Educação Física.
 Recolectores...
Preparações em grupo...
Avaliação e fecho da aula em círculo



quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Sussurrar com a Reynaldo no FOLIO!

Uma bela coleção de fotografias que dá bem a ideia do trabalho 
da Biblioteca Escolar da ES Professor Reynaldo dos Santos (Vila Franca de Xira) 
e do empenho dos alunos durante o FOLIO EDUCA.
Mais sobre esta iniciativa: Aqui e Ali

domingo, 23 de outubro de 2016

Experimentar, partindo do núcleo museológico do Pisão

No Centro de Apoio Social do Pisão (Alcabideche) tenho vindo a desenvolver, com os técnicos e voluntários, modelos de mediação cultural junto dos utentes desta histórica instituição. De momento estamos a trabalhar o núcleo museológico devolvendo o seu conteúdo aos utilizadores atuais do Pisão. A ideia é conseguir que alguns dos utentes (portadores de doença mental) sejam os monitores deste pequeno museu. Estamos a construir guiões de trabalho e já fizemos uma primeira visita/oficina (“Recontar o Pisão”) a pares (utente/técnico) à coleção. Durante 90 minutos construímos pequenas narrativas (escrita criativa) partindo de objetos do museu e personagens descobertas nas fotografias antigas expostas. Aqui fica um exemplo de um dos textos surgidos a partir da observação de uma interessante fotografia a preto e branco (exposta no núcleo museológico - em cima) e uma enxada (objeto escolhido):
“Um rapaz com ar pensativo, cara apoiada na mão sobre a face direita. Olha interessado e interrogativo, apoiado no varandim. – Mas porque é que ele me está a fotografar? Um homem segura um cão em posição de pose para a fotografia. Sorri. Era talvez o melhor tempo de lazer que ali tinha. – Aqui o Bobi também fica na foto. Eles eram obrigados a trabalhar muito, enxada na mão, lavrando o campo. Por isso é que vemos um guarda na fotografia. A Colónia Agrícola do Pisão era autossuficiente. Alguns estão de paus na mão. Um jovem segura uma cana fazendo de conta que é uma flauta. Eles gostam muito de música, pois sem ela a vida seria muito monótona”
 
 Algumas peças expostas que serviram para inventar textos
Gostei muito da avaliação que os utentes fizeram no final da atividade – Um dos participantes referiu que tinha sido importante para conhecerem a história do Pisão através da “visita dinâmica”, outro falou sobre a evolução das políticas de saúde… Referiram ainda, como tinha sido importante conhecer o museu e pensar no futuro e que “sim, que a atividade tinha servido para se cultivarem”. Falou-se muito do tempo em que a instituição se chamava Colónia Penal e Agrícola do Pisão e das profissões que antigamente ali existiam. O senhor Amadeu comentou que tinha ficado curioso sobre a forma como os residentes se ajudavam uns aos outros naqueles tempos. Temos consciência da necessidade de adaptação do discurso de mediação aos diferentes graus de literacia existentes entre os utentes; por vezes, a solução é registar as palavras dos participantes durante a atividade. Estamos a pensar formar outro grupo que aplique a “Máquina da poesia” naquele núcleo museológico.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

10xCONTAMINAÇÃO

 
Plenário em círculo
O Projeto 10x10 (Descobrir/Fundação Calouste Gulbenkian) já arrancou, decorrendo com soluções diferentes em distintas escolas. Na Secundária Seomara da Costa Primo a viagem faz-se tranquilamente, valorizando passo a passo cada solução original, propondo formas de transmitir/partilhar conhecimento menos expositivas e mais crentes na capacidade de autonomia e criatividade dos alunos, tendo sempre a pesquisa como motor para novas descobertas.
Já conheci os Pais dos jovens com quem estamos a trabalhar. Na reunião com os Pais, no início do ano escolar, responderam ao nosso desafio escolhendo uma animal com que se identificavam; explicámos que tínhamos feito a mesma brincadeira com os seus filhos. Falámos dos objetivos do Projeto 10x10 e pedimos a cumplicidade dos encarregados de educação neste projeto.
Uma das palavras, repetidas amiúde neste projeto, é CONTAMINAÇÃO, que pode (e deve) surgir espontaneamente na prática pedagógica. O professor Nuno Resende lançou um desafio muito interessante aos seus alunos e alunas: criar um jogo novo, uma nova modalidade, definindo as regras para esse jogo e testando-o, confirmando a conceptualização. E funcionou! Também na aula da professora Helena Moita de Deus, um dos alunos achou que a imagem que acabava de surgir no microscópio tinha um pendor artístico – fotografou, digitalizou e enviou o ficheiro para a professora, por razões meramente estéticas. Não resistimos a publicar aqui o resultado. 
Fotografia e preparação de Tatiana Sousa
Se soubessem o que vai acontecer com estas imagens...
Na última aula de Educação Física aplicámos algumas das dinâmicas utilizadas na residência artística de Julho: o resultado da “Dinâmica das Ilhas” (Carla Dias) foi muito engraçado, apresentando novas soluções para a resolução das regras do jogo. O Nuno pensou um aquecimento que juntou a “dinâmica das velocidades” proposta pela Aldara Bizarro na Residência Artística com a necessidade de formar diferentes grupos de um modo natural, obtendo-se um resultado quase coreográfico em que os diversos grupos obtidos serpenteiam pela sala. de forma orgânica. O “jogo das palmas” (descobrir um itinerário de acordo com a intensidade do aplauso da assistência) também correu bastante bem. No final da aula fiquei a conhecer o novo método de avaliação da aula, inventado recentemente, com recurso a pedras vermelhas, verdes e laranjas colocadas numa garrafa; no final da sessão procede-se à contagem. 
 Dinâmica das Ilhas (Carla Dias)
Propondo a resolução de problemas através da reflexão colaborativa
Ferramenta para avaliação

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Nª Inv. Inarte: 16P1814 CAM

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Museu Gulbenkian
Colecção Moderna
Autor: Miguel Horta
Título / Data : “Flor”, 1988
Categoria : Pintura
Materiais : Acrílico e têmpera vinílica sobre tela
Dimensões: 200, 00 x 150,00
Datado e assinado no verso:
“Janeiro 1988. Miguel Horta"
Nª Inv. Inarte: 16P1814

Anos 80! Esta peça foi exposta na Galeria Novo Século na exposição "Movimentos Vegetais"
Um texto de Paula Moura Pinheiro aqui

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Nª Inv. Inarte: 16P1813 - CAM

Ainda uma foto caseira...
Fundação Calouste Gulbenkian
Museu Gulbenkian - Coleção Moderna
Autor: Miguel Horta
Título / Data : “Travelling stones” , 1991
Categoria : Pintura
Materiais : Acrílico e espinhas de linguado sobre tela
Dimensões : 140,00 x 245,00
Datado e assinado no verso:
"Agosto 1991. Travelling stones. Miguel Horta"
Nª Inv. Inarte: 16P1813
Esta pintura fez parte integrante da exposição "Luciferario" - Galeria Arcs&Cracs - Barcelona. Excerto de texto de Eva Sastre Forest para apresentação da exposição. Barcelona 1992:
"Miguel Horta resgata na sua pintura a rara luz que existe nas profundezas da terra; um clarão que invoca essas forças da natureza ainda ocultas e que emergem no meio da escuridão e do acinzentado do ambiente como poderosos halos, ecos, brilhos, fosforescências de origem incerta. Na textura das suas obras apalpa-se o elemento inerte, mas também a incandescência do mineral que experimenta transformações, atritos, viagens e erosões; desprendem-se um calor e uma luz ancestrais, que embrulham as rochas, praias, gretas e cavernas numa aura atemporal e por isso bem real. Estamos dentro de um mapa no qual as linhas marcam o tempo que passa mas que simultaneamente resta (!) porque percebemos as rugas e as pegadas de outro seres; outros elementos que aí estiveram, mas que ainda cá estão. Restos mumificados, fósseis, estratificações porosas, relevos, fendas e vazios onde habitam elementos que desafiam o gélido hálito do abismo, transformando a energia que surge das entranhas num magma poderoso, que após a catástrofe, sabe ressuscitar as fontes de vida…."

Excerto de crítica do meu amigo Ferran Escoda para a revista "El Guia" (Março 1992):
"(…) La pintura de Miguel Horta busca la construcción de un lenguaje coherente, de registos sutiles y controlados, técnicamente seguro y sin la precipitación del efecto gratuito.Luciferário es el título de esta exposición barcelonesa, un ejercicio y una reflexión sobre la luz.(…) Cada pintura se convierte en un detalle de imágenes matéricas, pero al mismo tempo nos enfoca cosmos ilimitados, perfiles de una realidad atemporal. Dentro de un gestualidad controlada, la pintura de Miguel Horta se estratifica, adquiere volumen y sugiere la música inaudible de la luz:” Y todo esto comienza a moverse… cantos rodados vagabundos adquiren un sonido definido cortando el silencio de las profundidades; rocas palpitantes mostrando las texturas rítmicas de las que están compuestas.”(…) Esta pintura que a la vez es obsesiva en el detalle y disfruta del vértigo del universo, es producto de ese localismo que nos hace internacionales. La síntesis de su lenguaje esta hecha de piedras lanzadas al vacío, de peces que nos alimentan, de la esencia de caldos primordiales. (…)
Pero detrás de cada surco, de cada espacio desgarrado, se esconde la presencia de un movimiento humano que quizá algun día aparezca"

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Como se diz LAREDO em LGP?

Laredo from Laredo Associação Cultural on Vimeo.
Sabem como se diz LAREDO (Laredo Associação Cultural) em Língua Gestual Portuguesa? Pois vejam a Joana Cottim, nossa mediadora, apresentando a palavra. Conhecem o nosso trabalho com a comunidade surda

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Mediação em Museus e Comunidade Surda

Não vos tenho falado de um trabalho, da nossa Associação Laredo, que muito admiro: “Serralves em Língua Gestual Portuguesa”, magnificamente conduzido pela equipa do Porto (Joana Cottin, Susana Tavares e Joana Macedo) em parceria com o Museu de Serralves. Este trabalho profundo em torno das acessibilidades aos conteúdos, a decorrer regularmente no Museu de Serralves (e agora também no parque), mereceu a atenção do júri do Prémio Acesso Cultura, tendo sido atribuída uma menção honrosa. Trata-se de uma atividade muito bonita de mediação em museu, procurando novas palavras em Língua Gestual Portuguesa para melhor dialogar com os visitantes surdos em frente às obras de arte. A procura de novas palavras para “instalação”, “performance” ou para tantas outras a que correspondem diferentes referências em arte contemporânea, faz parte da nossa metodologia de trabalho partilhado com os nossos visitantes. São vistas vivas onde todos têm lugar para a sua palavra, debatendo intenções artísticas ou comunicando sensações e experiências. Esta realidade, que acontece ciclicamente aos sábados em Serralves, entusiasma-nos a procurar outros caminhos nos museus e também em bibliotecas públicas e escolares. Em primeira mão, posso anunciar que esta mesma equipa começará a fazer visitas-orientadas ao Mosteiro de São Bento da Vitória e ao Teatro Nacional de São João! Ora venha daí um ruidoso aplauso, para quem está a cria novos públicos através de um trabalho dedicado e especializado. Poucos saberão que nos conhecemos os três (Miguel, Joana Macedo e Susana Tavares) no Serviço Educativo do Museu Grão Vasco, na altura em que Dalila Rodrigues (vai daqui um abraço!) dirigia o belo museu de Viseu (12 anos atrás?). Para além de visitas/oficina que realizei em conjunto com estas duas mediadoras, havia também um atelier de desenho pela cidade quinhentista – Grupo de Desenho de Viseu. (Arqueologia aqui)
Parabéns Laredo Norte!
Não resisto a publicar aqui um excerto de um email da Susana Tavares (desculpa) que nos dá uma ideia bem aproximada do espírito desta visita ("O Parque de Serralves em Língua Gestual Portuguêsa): "Foi, sem dúvida, o maior grupo até agora! A visita ao Parque é sempre muito interessante porque o espaço, praticamente, fala por si. Neste caso, o tempo também ajudou. Penso que o grupo ficou surpreendido com a dimensão do parque e com tantos recantos encantadores (o que se notou nas paragens para as fotos!!). Mesmo os que já conheciam, desfrutaram verdadeiramente deste "walk in the park". Para além disso, foi um grupo atento e interessado pelos conteúdos que partilhámos." Nós gostamos de trabalhar em Museus!

terça-feira, 4 de outubro de 2016

10xMar

Polvo
O projeto 10x10 (Programa Descobrir/Gulbenkian) vai fazendo o seu caminho na Escola Secundária Seomara da Costa Primo (Amadora). O dia 26 de setembro foi ocupado com duas aulas incomuns de Biologia e Educação Física. O laboratório de Biologia ficou com as cadeiras em U e, nesta disposição, fomos conversando sobre a água e as suas criaturas; mostrei algumas ilustrações originais do “Rimas salgadas”. Aproveitei para dizer o poema do “Zé Maria Caboz” em hip hop; haviam de ver a cara de espanto da turma enquanto desfiava a aventura biológica do góbio… O ambiente da aula de Educação Física foi mais descontraído, recheado com propostas de dinâmicas apresentadas na residência artística do 10x10, no inicio do verão na Fundação Gulbenkian. Na sequência dos exercícios coletivos de criação de figuras a partir dos corpos em movimento, propusemos a corporização de um animal escolhido através do desenho em grandes folhas de papel de cenário. Cada pequeno grupo escolheu uma criatura marítima e começou a desenhá-la, como se o corpo fosse um escantilhão: o contorno dos braços serviu para desenhar barbatanas, as pernas geraram tentáculos e até um cotovelo foi usados para fazer surgir uma cabeça de tubarão martelo. Foi um trabalho árduo de coordenação, encontrando a posição ideal do corpo para o desenho, sempre deitados sobre o papel. Foi uma aula de trabalho colaborativo, corporizando criaturas marinhas, sem dar pela passagem do tempo. 
No laboratório
No ginásio escutando as instruções do professor Nuno Resende
O jogo das formas e números com a fantástica participação
da professora Helena Moita de Deus
Com pedaços de diferentes corpos surge uma estranha criatura marítima