domingo, 29 de maio de 2016

Casas-museu: Mediar pessoas na casa da Pessoa

Contributos para uma programação de proximidade
Casa- Museu Abel Salazar
(Foto de Carlos Romão)
A 22 de abril estive presente na casa Museu Abel Salazar, a convite de Luísa Garcia Fernandes, no 2º Encontro Nacional de Casas-Museu sob o tema "Programação Cultural em Casas-Museu". Foi um daqueles encontros em que foi muito mais importante o que escutei do que aquilo que disse. Sei pouco sobre Casas-Museu e fiquei conquistado pela ideia subjacente a estes espaços idiossincráticos (1). E o que disse no encontro, partiu de um exercício típico de quem não conhece bem o tema: primeiro pesquisei livremente e depois tentei colocar-me no papel de mediador num desses espaços museológicos. E se tivesse que programar o “educativo” para um destes Museus? Que princípios seguiria? Será que conseguiria trazer a minha prática para estes lugares?  Aqui ficam algumas reflexões dessa livre deambulação em torno do tema…
Era uma vez um Museu tão perfeito que nem necessitava de visitantes.
Tenho andado a revisitar a Utopia, a ilha que tanto almejamos e que poderia bem representar uma casa-museu perdida numa malha urbana ou no centro de uma aldeia cercada por bosques. No livro de Thomas Moro a fantástica Utopia é de difícil acesso devido a condições quer naturais quer artificiais. Alguns dos nossos museus são assim – perfeitos. De nada nos serve encerrarmo-nos no nosso conciliábulo habitual ( que até dispõe de um dialeto inventado  - talvez o Musês?) e que apenas serve para alimentar monólogos criativos. Era bom ter alguém com quem falar… Pois bem, vamos cumprimentar o vizinho. Este pode ser um bom princípio para a construção de uma programação de proximidade. Desse olhar que o outro tem sobre o museu (e a sua coleção) podem surgir novas ideias. Que relações têm os vizinhos com aquela casa que se transformou em Museu? Que histórias ocultas ficaram por contar?
Então vamos lá conhecer a comunidade envolvente, observar o movimento de quem passa. Conversar, estabelecer laços que poderão gerar parcerias, nascidas, por vezes, de situações informais. Ter a porta aberta e bom balcão de atendimento (que é sempre o cartão de visita do museu…). Gostar de sentir gente na casa: querer mesmo ter público. E, afinal de contas, alguém tem de receber o Outro à porta de casa: - Está à porta um grupo sénior e também uma turma inteira…Ah!... Quase me esquecia, logo pela fresca chegou um casal de namorados e a vizinha veio perguntar se poderia fazer a festa do neto no jardim da Casa.
 E que tal estar presente nas iniciativas da comunidade? E porque não participar nos debates em torno do “plano diretor municipal” ou de um “orçamento participativo?” Estar próximo pode significar ceder o espaço para eventos comunitários...
A escala do museu é importante? “Small is beautiful!”-  Uma escala humana. O serviço educativo, por vezes, é só uma pessoa ou não existe… Importa saber mediar ou ter um mediador de museu a trabalhar no espaço, acompanhando e intervindo na programação pensada. Bem sei que por vezes o mediador é simultaneamente curador ou conservador - as equipas são pequenas... Uma experiência interessante, já vista noutros museus, é a dos visitantes-tutores, habitualmente dois ou três jovens de escolas da redondeza que são voluntários no museu. O segredo é conseguir que a comunidade se aproprie do espaço, que frua inteiramente o museu e tenha sobre ele influência, não só na programação mas também sobre decisões de fundo. 
Ter atenção aos problemas de comunicação específica para cada casa-museu. Quais os canais e os meios apropriados? Já aconteceu ter uma boa programação e não ter participantes; isto pode significar que a comunicação não está a ser adequada. A mensagem pode começar por ser transmitida através da relação interpessoal e continuar pelos meios de comunicação tradicionais, pelos media, pela web, mas deverá ter sempre um cunho de proximidade e bem personalizada. Se possível, estar disponível através das redes sociais e ao alcance de um telefonema. Uma programação bem divulgada faz sempre a diferença.
Para programar, terei de conhecer bem a personalidade da casa. Sim. A casa é uma entidade com vontade própria. Importa conhecer bem a coleção e entender o seu carácter e, também, algumas características secretas. Talvez seja um bom lugar para jogar às escondidas ou procurar fantasmas… A Casa-Museu é a casa da Pessoa - o lugar ideal para trabalhar autobiografias, com autorretrato e tudo. Trabalhar a memória e o tempo. Lembrei-me de uma brincadeira educativa:
-Já agora, senhor visitante…Como poderia ser a sua casa-museu? Como seria composta a sua coleção? Acha que as pessoas se vão interessar por aquilo que nos mostra?
Que experiências significativas poderei providenciar para o meu público?
Eu programo. Tu programas. Eles visitam.
Programar partindo do acervo entendendo realmente o que ele significa.
Programar tendo em conta a arquitetura, ela também objeto de mediação
Programar acessível e inclusivo.
Programar transgeracional.
Programar variado e transversal, nesta era de modernidade líquida.
Programar estruturando de forma diferente, em diferentes línguas do planeta: visitas, visitas oficinas, fórum, visitas às reservas, oficinas de férias, visitas cantadas, dançadas, visitas contadas, oficinas-surpresa…
Programar pensando na utilização de diferentes recursos expressivos.
Programar de mente aberta e preparado para os imponderáveis.
Programar sem vergonha e inspirado.
Programar com fio condutor (possuindo metodologia própria).
Programar construindo respostas para os diferentes públicos (escolar, famílias, emigrantes, namorados, sénior, institucionalizados …).
Ousar programar com o outro, para além do para o outro.
Propor uma pedagogia de projeto nas casas-museu que permita a apropriação livre da coleção por parte do público (os vizinhos), gerando diferentes leituras e novos conteúdos, outra forma de fruir o museu. Possuir um bom espelho para devolver as questões aos visitantes, para que estes acrescentem significados ao mesmo tempo que enriquecem a sua visão sobre o mundo. Construir projetos de continuidade e fidelização de públicos. Assumir que na casa-museu também se educa – educação não formal, mas educação e da boa!
Nunca esquecer de avaliar! Avaliar 
 sem dramas! Avaliar construindo respostas. Registar, documentar guardar e partilhar. Recolher os Ecos da passagem pela casa.
 Já agora… não me arranjam um banquinho para me sentar e apenas estar? E um cantinho para a leitura protegida? Talvez uma biblioteca tranquila. … Não precisamos de estar sempre em atividade… Gosto desta ideia de casa acolhedora, porto de abrigo.
(1) A casa-museu (aldeia-museu) que mais me marcou na adolescência foi a de Selma Lagerlöf em Marbacka (Värmland – Suécia)

 
Durante o encontro tivemos a possibilidade de conhecer a Casa-museu Abel Salazar
numa excelente visita conduzida por Luísa Garcia Fernandes.
Obrigado Luísa pela hospitalidade e oportunidade de conhecer este outro universo dos museus.
(mais fotos do encontro)

sábado, 28 de maio de 2016

Meu Rosto Teu 2016

É muito gratificante deparar-me com um conjunto de trabalhos de grande riqueza plástica no final de uma oficina! Vem este suspiro a propósito da oficina “Meu rosto Teu” (Cam/Descobrir/ Necessidades educativas especiais) que decorreu ao longo do mês de maio (em 3 sessões) com participantes do Grupo de Ação Comunitária, que vem desenvolvendo o seu labor junto de pessoas com doença mental. Um trabalho continuado pela autonomia e bem-estar destas pessoas afetadas por uma doença invisível socialmente e muito estigmatizada. A intenção desta oficina que parte do acervo do museu em direção à Pessoa é a reflexão em torno da identidade, utilizando o retrato e o autorretrato em dinâmicas inclusivas onde pontuam, também, algumas ferramentas de escrita. Desta vez o ponto de partida foi a magnífica exposição da obra de Hein Semke patente no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian (a não perder...)

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Sarrazola (Colares): Leituras Diferentes

Sussurrando e escutando em estéreo...
 Está mesmo a chegar ao fim o trabalho na Escola da Sarrazola (Agrupamento de escolas do Monte da Lua). Só falta mesmo uma ida à Praia Grande combinada para 4ªfeira dia 25 – espero ter oportunidade de ler alguns poemas sobre o mar a este maravilhoso grupo de jovens especiais. Hoje trabalhámos a máquina da poesia na sua versão de “Caixas de poesia” e resultou muito bem. Até conseguimos falar sobre o significado de algumas palavras e também de metáforas (coisa difícil…). Cada um escolheu uma frase poética obtida com a “máquina” e começámos a sussurrar uns aos outros, por vezes em estéreo. E que tal levarmos os sussurradores para a praia?
Uma equipa sussurrante 

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Mediação leitora e necessidades educativas especiais - Sintra

 EB 1 Mem Martins - Trabalhando o livro 3D "Jim o curioso"
(Obrigado Cláudia Sousa por me teres mostrado este livro...)
A mediação leitora tem sido uma constante no trabalho que venho desenvolvendo no projeto “Leituras diferentes” que decorre em dois agrupamentos de escolas do Concelho de Sintra (AE Monte da Lua e AE Ferreira de Castro) . Uma das intenções subjacentes ao projeto é conseguir elaborar uma lista de livros pensando nas especificidades dos alunos com necessidades educativas especiais. Pegar no livro, manipular o objeto, estabelecer a comunicação, interrogar, devolver perguntas – tudo isto é mediar a leitura. É muito importante que existam livros específicos numa unidade de ensino especial, concomitantemente com uma relação constante com a biblioteca escolar e respetivo professor/a responsável. Através dos livros, trabalham-se diferentes competências dos alunos: da memória leitora à antecipação leitora, passando pela perceção, o conhecimento do meio, a recoleção e a articulação das palavras, e tantas, tantas pistas de trabalho convocadas por estes suportes de leitura. Nesta relação é fundamental poder contar com professores bibliotecários na seleção de outros suportes e recursos não livro como dvd, jogos, áudio, documentos em suporte informático físico (Cdrom, pendrive, etc) ou virtual (na “nuvem”) tais como recursos educativos de livre acesso; O caso do Cata Livros onde se trabalham competências de leitura e Fanfarre que recolheu o aplauso dos nossos alunos do espectro do autismo. É impensável, nos dias de hoje, conceber uma sala de ensino especial que não tenha acesso livre a meios informáticos e possibilidade de navegação na internet. Um dos pontos mais significativos deste projeto foi a possibilidade de acrescentar novos títulos à lista de livros que têm provado o seu valor comunicativo junto das crianças do espectro do autismo. Em cada sessão de trabalho, surgiu sempre um novo livro para ser mediado com calma suscitando as reações mais diversas; depois da história, mãos ao trabalho!
Feliz dento do livro "Book with a hole"! (vejam aqui outras possibilidades deste livro fantástico de Hervé Tullet,
 pista para a construção de outros materiais de educação artística)

Caixas com poesia inclusiva

Pequenos papeis com palavras ilustradas pelos alunos mais novos
Caixas e primeiras frases sobre a mesa
Aprendemos sempre com o erro. Quando em 2014 tentei aplicar a “Máquina da poesia” a um grupo de alunos com necessidades educativas especiais com um perfil um pouco mais profundo, deparei-me com imensas dificuldades: tinha colocado a fasquia das expectativas demasiado alta e não tinha feito as necessárias adaptações da metodologia de escrita imaginativa a esta nossa realidade específica. Sobretudo não tinha levado em linha de conta a dificuldade de descodificação da metáfora por parte dos alunos do espectro autista. Este ano letivo no projeto “Leituras diferentes”, que envolve dois agrupamentos de escolas do concelho de Sintra, lançámos a “Máquina da poesia” complementada com os “Sussurradores” (ferramenta). 
Construindo os sussurradores
Por um lado trabalhávamos a escrita poética, por outro a palavra dita, a comunicação. As oficinas ainda decorrem mas podemos falar já de parte do trabalho desenvolvido no Agrupamento de escolas Ferreira de Castro. Na escola básica nº1 de Mem Martins a proposta foi inclusiva, tendo envolvido a turmas do 1º ao 4º com ou sem meninos/as da “sala dos corajosos” (unidade de ensino especial). As categorias das palavras referidas na metodologia (ver link) foram substituídas por caixinhas onde os alunos colocaram nomes simples, verbos, lugares, emoções e adjetivos. Os primeiros versos foram escritos recorrendo às palavras (os mais pequenos ilustraram palavras simples) que, à vez, foram sendo retiradas das caixas, construindo uma frase. Depois de entendido o mecanismo, começámos a brincar com as palavras, registando o resultado obtido por inspiração do momento na turma. As sessões produtivas (e muito...) tiveram lugar na Biblioteca Escolar e na sala de aula. Na unidade de ensino especial, fizemos uma abordagem mais individualizada da ideia. As crianças construíram frases simples que sussurraram aos ouvidos dos colegas e professores usando os seus tubos de comunicação (sussurradores) – Algumas frases saíram mais elaboradas, outras participações reduziram-se a uma pequena palavra ilustrada sonoramente no momento de partilha sussurrada. Os sussurradores também permitiram trabalhar a cooperação e a clareza nas palavras ditas quase ao ouvido.

Nos meus próximos textos falarei de outros aspetos e experiências vividas nas escolas, sem esquecer a referência à mediação de livros específicos. 
Toca a sussurrar!

quarta-feira, 18 de maio de 2016

A "Máquina" foi à Ericeira.

Um 5º ano muito empenhado na Biblioteca escolar da Ericeira
Um belo ambiente...
Na sexta-feira 13 (não houve nenhum azar…) estive nas bibliotecas escolares da Ericeira, a convite da Biblioteca Municipal de Mafra, para brincar com as palavras através da máquina da poesia. Gostei muito de trabalhar com os alunos do 5º ano que se atiraram à escrita sem medo. Deu para entender pela expressão das professoras que gostaram da sessão… Eu também: foi uma manhã bem passada. De tarde estive com um 4º ano tagarela na escola básica da Ericeira – demorou a aquecer mas lá se divertiram com escrita poética. Saíram textos muito bons! Obrigado à Carla Rodrigues pela disponibilidade atenta. E vivam os Jagozes! 

terça-feira, 17 de maio de 2016

Trabalhando com crianças especiais no Monte da Lua

A difícil tarefa de desenhar o outro...(EB 2.3 D. Fernando - Sintra)
Está quase a chegar ao fim o projeto “Leituras diferentes” que decorre em 3 escolas do Agrupamento de Escolas Monte da Lua e na EB 1 de Mem Martins (AE Ferreira de Castro). É tempo de falar do que correu bem, entender e corrigir os pontos mais fracos e, sobretudo, construir conhecimento a partir das metodologias experimentadas. Uma das propostas apresentadas, “O cartão de cidadão” (Agrupamento de Escolas Monte da Lua), trabalha a identidade construída passo a passo, do autorretrato à visão que o outro tem de nós (recorrendo à fotografia e ao desenho) passando pelo registo do corpo à escala (em desenho). Concomitantemente, propomos uma recolha de adjetivos que caracterizem cada um dos participantes, palavras colhidas entre os colegas, na comunidade escolar e na família – é esta matéria-prima de palavras que é utilizada para trabalhar o programa “Tagxedo”, obtendo um autorretrato gráfico. (em baixo: exemplos dos trabalhos obtidos com os alunos da Secundária de Santa Maria/Sintra)

 No final, todas estas peças são coladas num único suporte, um cartão de cidadão de tamanho gigante construído com a colaboração dos colegas no chão da biblioteca escolar. Em todas as sessões – a presença de um livro mediado para todos (quase sempre um livro de imagens). Amanhã falarei da adaptação que fiz da máquina da poesia para trabalhar com alunos mais novos e, também, com o ensino especial.
Construindo um "cartão de cidadão" gigante com a ajuda dos colegas
(Biblioteca escolar da Sarrazola/Colares)

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Um perfeito peixe-voador!

De um lado para o outro promovendo o meu livro “Rimas salgadas” e apresentando o “Arribalé!” (narração oral e oceanos) nos espaços de leitura. Um périplo que começou na semana da leitura terminando hoje na biblioteca “Refúgio das Letras” (Milharado/Venda do Pinheiro). A 25 de abril teve lugar na Biblioteca Municipal do Cadaval uma apresentação do Arribalé que correu bastante bem: sala cheia de adultos e crianças. Espero que o senhor presidente da Câmara não tenha ficado aborrecido por ter sido recrutado entre a assistência para arbitrar (com apito condizente) o poema "Relato" do meu livro "Rimas salgadas"...Aproveito para agradecer a Tânia Camilo que foi incansável! No dia seguinte já estava no alto Minho para um encontro com os leitores no Colégio de Campos. Sala cheia e ambiente divertido. Recebi uns belos presentes que não consegui trazer para sul: os alunos fizeram uma peça cerâmica e dois grandes peixes a lápis de cor que não cabiam na minha mala. É sempre muito gratificante ir a Campos. No dia seguinte, já em Vila Nova de Cerveira, trabalhei com livros de imagem (álbuns) com um grupo de alunos com necessidades educativas especiais…acho que gostaram. Para fechar com chave de ouro a passagem pela “vila das artes”, fiz a “máquina da poesia” com um grupo de jovens da ETAP. Nessa mesma noite fui dormir a Viseu, pois no dia seguinte tinha um encontro com jovens do 7º e 8º ano da escola Viriato envolvidos no programa do Plano Nacional de Leitura “Ler+Mar”. Foram dois encontros muito dinâmicos que decorreram na Biblioteca Escolar. No dia seguinte já estava em Celorico da Beira, na Biblioteca Municipal, para falar da minha obra aos alunos da Vila. Quem me conhece sabe bem que me divirto bastante a trocar as voltas aos “pilantrinhas” do 5º e 6º ano. Para além disto, comprovei a proverbial hospitalidade serrana. Estava um dia gloriosamente luminoso, de tal forma que no caminho de regresso a Canas de Senhorim, vim conduzindo muito devagarinho por estradas secundárias ladeadas de flores e encimadas por redondos penedos de granito – que bonita é a Beira Alta.
 "Arribalé" - Biblioteca do Cadaval (foto David Leiroz)
 Com os alunos da ETAP de Vila Nova de Cerveira 
Um belo ambiente!
Pela estrada fora... Entre Celorico e Gouveia

Hoje estive na Escola Básica do Milharado (Venda do Pinheiro/Mafra) a convite do professor Pedro Moura. Já conheço bem a escola: trabalhei o sítio Cata Livros nesta casa e tenho apresentado os meus livros na Biblioteca Esconderijo das Letras. Primeiro conversei e disparatei com os alunos do 4º e 3º ano… pela cara que levavam à saída da Biblioteca Escolar, acho que se divertiram. Mas o momento mais forte foi a sessão de conto e poesia para as famílias que decorreu no mesmo espaço ao final da tarde. Quase 50 pessoas da comunidade acorreram à sessão! Comovente, a qualidade deste trabalho das bibliotecas escolares.
Na Biblioteca Escolar Esconderijo das Letras (Milharado)

sábado, 7 de maio de 2016

A Ponte em Serralves

A Ponte em Serralves from Laredo Associação Cultural on Vimeo.
A vida tem andado tão rápida que nem tenho tido o tempo necessário para vir aqui ao Blogue dar notícias do que vem acontecendo. Chegou ao fim a segunda edição do Projeto “Miríade de histórias” que juntou a Escola da Ponte a Laredo Associação Cultural e o Museu de Serralves, numa dinâmica de mediação totalmente orientada por um grupo de jovens que desafiou os frequentadores deste espaço nobre da cidade do porto para uma visita “improvável”. No dia 24 de abril, este grupo de alunos da Escola da Ponte conduziu os visitantes através da exposição à coleção Sonnabend. Foi um grande desafio, com a casa cheia, com as famílias e amigos a assistirem mas os jovens superaram esta prova com a magia do trabalho colaborativo – todo o empenho na investigação e na identidade própria das suas mediações, compensou. Parabéns pois aos alunos e todos que participaram neste projeto. Uma palavrinha especial para a Joana Macedo (Laredo Porto) que tem sido a madrinha deste projeto tão especial e para a Eva Ângelo que documentou em vídeo todas as fases do trabalho.

domingo, 1 de maio de 2016

Formação: mediação leitora em bibliotecas e doença mental


Objetivos
  • Sensibilizar os técnicos das ONG para a importância e o papel das bibliotecas como veículos de educação não formal, potenciadores de inclusão social;
  • Sensibilizar para a importância do livro e da escrita como formas da valorização do individuo e para a criação de novas autonomias;
  • Sensibilizar os formandos para a importância, na doença mental, da promoção da autonomia em todos os espaços e contextos.
  • Identificar os conceitos de mediação leitora e  escrita imaginativa  como instrumentos de qualidade na promoção do acesso ao conhecimento;
  • Identificar metodologias de aplicação da mediação leitora adequadas aos públicos visados;
  • Identificar instrumentos para aplicação da mediação leitora;
  • Analisar instrumentos criados com vista à sua melhoria e adequação aos públicos e e contextos;
  • Promover a acessibilidade à informação e ao conhecimento a todas as pessoas com vista à sua participação e ao seu desenvolvimento. 
Conteúdos programáticos
  • A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência – art.º 3º e 4º
  • Conceito de mediação leitora
  • O papel das bibliotecas na deficiência mental e reabilitação
  • Diferentes metodologias de aplicação da mediação leitora
  • Doença mental - promoção da autonomia e respeito pela individualidade
  • Conceito e papel da escrita imaginativa
  • Metodologia de aplicação: exercícios práticos
  • Apresentação de atividades práticas: poesias, livros e livros de imagens
    • Leitura e apresentação
    • Formas de manipulação de livros
    • Fatores de seleção de livros
    • Objetivos na seleção de livros
    • Realização de ficha de trabalho para exploração de livro
  • Apresentação de curtas-metragens
  • Sessão prática de seleção de livros e preparação das metodologias mais adequadas para a sua comunicação aos públicos visados
  • Análise das propostas e fichas de trabalho elaboradas
  • Sessão de apresentação de livros e debate sobre os resultados 
Destinatários
.    Técnicos envolvidos em atividades de bibliotecas e de serviços/centros de documentação de ONG da deficiência;
.  Técnicos de bibliotecas dos serviços da Administração Pública Central, Regional e Local;

Nº máximo de formandos – 18
Nº de horas/ação: 12h
Formador/ação: Miguel Horta
Local de formação: Lisboa
Instituto Nacional para a Reabilitação . Mais informação