segunda-feira, 28 de março de 2016

Sexta-feira Santa

"Moces atirem a corda ma na façam ondinhas..."
Um pouquinho de "Alvoreiro" no palco da "Barraca"
Sexta-feira foi dia, ou melhor, noite de “Cacharolete de contos” no bar da Barraca (promovida pela associação Contabandistas) Como se tratava da sexta-feira santa, a maior parte dos meus contos e textos foram sobre o mar. Cantei, cantaram comigo e também contei histórias mais sérias, algumas retiradas do espetáculo Arribalé. Falei no dialeto de Alvor fazendo surgir algumas gargalhadas – é importante rir nos tempos que correm. Pouco público mas gente atenta e a organização muito hospitaleira. Acho que gostaram do que por lá fiz… 

quarta-feira, 23 de março de 2016

Março

Foto: Helena Antão
Março, o mês da leitura, está achegar ao fim. Tem sido uma rodopio de biblioteca em biblioteca, falando de poesia e apresentando os meus livros. Tudo isto começou a 29 de fevereiro na escola da Teresa Meireles (Pinhal Novo); ainda hoje respondi a um aluno, o Hugo, que teve a amabilidade de me agradecer: “já estive a ver o livro ''Rimas Salgadas'' e é muito criativo. Muito obrigado por esta tarde.Escusado será dizer que a tarde foi bem divertida, com os disparates do costume. Depois passei pela Secundária Padre António Vieira (conversa mais fina com jovens, por vezes contidos, mas sempre profundos). Uma sequência de sessões bem divertidas em Colares na Escola Básica da Sarrazola. Aproveito para agradecer as fotografias à professora bibliotecária Helena Antão. Importa dizer que desenvolvo neste agrupamento um trabalho com os alunos de ensino especial em torno das literacias e educação artística de que vos darei conta numa próxima publicação, aqui no blogue Laredo. Depois foi a vez de ir à Escola Básica da Venda do Pinheiro e Santo Estevão das Galés. Gosto sempre de trabalhar no agrupamento de escolas da Venda do Pinheiro: obrigado professor Pedro Moura pelo carinho e pela qualidade do trabalhão que todos os dias acrescenta leitores às nossas bibliotecas. Uma palavra, também, para o professor José Paulo e todos os outros docentes do agrupamento que se empenharam nesta minha ida ao agrupamento. Está prometida uma ida à escola do Milharado…pode ser em maio? Depois chegou a vez do Externato Cesário Verde (Lisboa) numa sequência de sessões incluídas na semana cultural da escola. Obrigado Joana Andrade pelo desafio que espero ter cumprido como deve ser, apesar da minha sinusite de estimação que tem acompanhado os textos ao longo de todo este mês. Sem não te importares, envia um abraço aos alunos do 7º ano que foram protagonistas de uma das melhores sessões deste mês dos livros. A 16 de março, rumei à Lourinhã para trabalhar a poesia com um grupo de alunos através da minha “Máquina”, aproveitei, também, para falar dos meus livros. Conhecem a nova Biblioteca de Vila Franca de Xira? Não? Pois então está na altura de a visitarem – um dos espaços mais bonitos da leitura pública em Portugal. E foi aí mesmo, em cima do Tejo, que falei do meu último livro a duas turmas lindas na cidade da “Lezíria pequena”. Tinham trabalhado os meus textos o que permitiu ir mais fundo na comunicação, abordando até questões delicadas como a morte, o divórcio, a mentira e o feminismo. São encontros como este que me enchem de luz! Obrigado professores por fazerem um trabalho de qualidade com os vossos alunos.
No meio de tudo isto, ainda reencontrei a Paula Quintela -
uma mediadora cultural de mão cheia que conhecia nas minhas andanças
da animação cultural por Sintra (Divisão de Educação)
, no tempo em que não existiam serviços educativos.
Fizemos um belo trabalho (inclusivo) pelos museus do Concelho nos anos 90!
Para fechar, rumei à Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço (Guarda) para a comemoração do dia mundial da poesia com famílias, crianças e jovens da cidade serrana. Nem queria acreditar na adesão à minha oficina de poesia e construção de sussurradores que teve lugar no domingo…quase 40 participantes. Tal adesão contrastou com a cidade cheia de frio e com menos jovens por causa das férias escolares. Mesmo assim ainda levámos um grupo pela cidade que foi sussurrando aqui e ali os versos que tinham conseguido construir com a máquina da poesia. Fica um agradecimento especial à simpática equipa da RTP que acompanhou a nossa atividade (obrigado Jorge Esteves!). Um bom trabalho da Biblioteca Municipal!
Aqui ainda não estava o grupo todo reunido mas já se adivinhava o estado de espírito.



domingo, 13 de março de 2016

Chave 131- Leituras em Cadeia

Chegar ao estabelecimento prisional, tocar à campainha, uma porta pesada que se abre, o sorriso da guarda que já nos conhece, a entrega de cartão de identidade para cumprir as formalidades, um cartão vermelho que deveremos ostentar dizendo “professor” (dantes davam-me o cartão de voluntário) e o 131 - a chave já remendada do cacifo onde guardo os meus pertences (nada de metal, telemóvel…). Depois a passagem pelo raio x (para os livros) e o detetor de metais. Uma caminhada pela alameda descampada, fustigada persistentemente pelo vento norte, até chegar a zona central dos edifícios e, mais além, o pavilhão 1, onde temos a “nossa” biblioteca. Antes de subir para a zona de leitura, mais uns procedimentos de segurança e dois dedos de conversa amena com os/as guardas do pavilhão. Gostaríamos muito de poder documentar fotograficamente o desenvolvimento do projeto “Leituras em cadeia(projeto da Fundação Calouste Gulbenkian), mas este é um dos constrangimentos naturais do trabalho neste contexto. No entanto poderemos falar do empenho das reclusas na organização dos livros que vão ostentando cotas atribuídas, encontrando o seu lugar nas estantes. Ou da ansiedade alegre da espera pelas novas estantes e computador que darão um outro aspeto e eficácia ao espaço de leitura prisional. A biblioteca já tem um balcão de atendimento onde as reclusas da equipa do projeto, recebem os livros emprestados, recomendam outros, preenchem a requisição destinada à leitura domiciliária, leia-se, na cela. A Maria José Vitorino, para além das tarefas da formação em biblioteconomia, andou numa roda-viva com as comemorações do dia 8 de Março que envolveram projeções do filme “As sufragistas” em diferentes locais do estabelecimento prisional. Com o professor Luís Dias e a professora Maria João Feio temos promovido sessões de reflexão e escrita com um grupo de 15 reclusas; primeiro com o tema da “Mulher” (no contexto do dia 8 de março) e depois, em torno do “medo e da Liberdade”. Poderia classificar estes encontros como do pensamento (filosóficos…), mas também encontros dolorosos e intensos como o último em que falámos sem medo sobre o Medo e sem liberdade sobre a Liberdade. Assim que pudermos, divulgaremos a matéria escrita que vem surgindo pela mão das reclusas desta ala do estabelecimento prisional de Tires.

domingo, 6 de março de 2016

Alinhas ou desalinhas? Em torno da obra de Semke

Visita à exposição de Hein Semke 
com um grupo da associação Persona
Fotografia gentilmente cedida por Associação Persona
Confesso que conhecia muito mal a obra de Hein Semke, tão pouco sabia sobre a sua vida. Agora sinto-me conquistado pelas peças e pela longa vida do artista. Tenho a sensação de me ter cruzado com ele…talvez num concerto no Coliseu (Keith Jarrett?); o evidente contraste do casal atraiu o meu olhar. À mediada que desvendo a obra por força das visitas/oficina que venho efetuando a públicos com necessidades educativas especiais, vou deixando que a pintura de Semke entre em mim, por osmose. Através da visita para desenhar “Alinhas ou desalinhas? Amor nas entrelinhas” tentei passar um pouco da ideia que tenho sobre a dualidade entre a pintura e o amor, propondo, também, alguns exercícios em torno da “pintura sólida” (pastel de óleo) e uma brincadeira em torno da poesia com as “caixas da poesia” (a partir de “a máquina da poesia”, uma metodologia que uso habitualmente). E foi um grupo muito engraçado e interessado que participou na proposta no “dia dos namorados”. Gosto muito deste formato de visitas proposto pela Susana Gomes da Silva – aos poucos vamos conquistando o público. Obrigado a todos os participantes! Uma boa notícia para quem não conseguiu participar na visita para desenhar: repito a oficina no dia 29 de maio às 11h no Centro de Arte Moderna. Lá vos esperamos.
Um aspecto da vista para desenhar em torno da obra de Hein Semke.
Fotografia gentilmente cedida por Cláudia Freire

quarta-feira, 2 de março de 2016

O Mês da Leitura!

Moreia - in "Rimas salgadas"
Aí está o Mês da Leitura! Esta sequência de idas a bibliotecas e escolas, falando dos meus livros, em especial o “Rimas salgadas”, começou na Ericeira, com uma sessão quase familiar num dos mais lindos espaços de leitura pública do país. Obrigado Carla Rodrigues pela hospitalidade e um abraço para a sempre fiel família Duarte. Ontem estive com os alunos da nossa Teresa Meireles na EB2.3 do Pinhal Novo. Desarrumámos as salas de aula, colocando as cadeiras em círculo e divertimo-nos bastante. Como sempre, fartei-me de dizer disparates para abrir com o riso uma conversa que se vai aprofundando nos temas à medida que vou conhecendo melhor os leitores presentes. O único documento fotográfico que tenho é uma selfie com uma aluna. Teresa: é sempre tão bom estar com os teus alunos – obrigado. Hoje cumpri finalmente uma promessa que tinha feito à Maria João Mineiro, professora companheira do projeto 10x10, indo à secundária Padre António Vieira. Falei do mar e do meu livro a duas turmas do 10º ano da área de Ciências. Até uma música fizeram, em que a personagem central é uma alforreca. Gostei particularmente das adivinhas… Já foi uma conversa mais crescida, relacionando a escrita com a ciência com a presença constante das docentes (Biologia e Português) nas sessões que decorreram na biblioteca escolar. Houve até uma pergunta bem difícil sobre o mimetismo do polvo e uma conversa sobre a economia do mar, sobretudo no que diz respeito à exploração das zonas abissais no contexto da extensão da nossa jurisdição sobre áreas mais vastas da plataforma continental. Começamos com um livro e acabamos a falar sobre todo o planeta… 
Sessão na biblioteca escolar da Secundária Padre António Vieira