domingo, 31 de janeiro de 2016

Os mistérios da CDU

Nas últimas sessões do “Leituras em cadeia”, Maria José Vitorino, companheira de projeto, tem vindo a trabalhar com as “residentes” (reclusas) diversos aspetos da biblioteconomia. A tarefa do desbaste, aparentemente simples, acabou por se revelar didaticamente complicada, dando-nos uma imagem clara do percurso do livro à chegada, até ao momento de queda em desgraça; mas aprendi que não vai para o lixo… É muito interessante ver como a Maria José vai comunicando com as reclusas responsáveis da biblioteca prisional do E. P. Tires (Pavilhão A). Tenho até uma ponta de inveja: como mulher que é, tem acesso privilegiado ao universo das reclusas. Trata-se, portanto, de uma formação no feminino. Até eu estou ser introduzido no misterioso mundo da Classificação Decimal Universal. O que é certo é que todo este labor em torno da organização do espaço de leitura está a dotas as detidas de um conhecimento bem razoável da coleção, ficando em condições de aconselhar um livro a quem anda perdido pelas estantes. Cada vez gostamos mais deste projeto.

sábado, 23 de janeiro de 2016

Espelho meu...

Só agora em 2016 regressei às oficinas do programa descobrir/CAM dedicadas aos públicos com necessidades educativas especiais. A oficina espelho meu está muito bonita, propondo um percurso coerente entre a exposição e o trabalho de ateliê, essencialmente focado no corpo. As esculturas escolhidas, uma de Waltercio Caldas e outra de José Pedro Croft, conduzem-nos a um confronto invisível com o corpo e ao entendimento do espaço desenhado pelas formas instaladas. De uma forma lúdica e interativa, os participantes questionam-se, movem-se e respondem aos estímulos propostos pelos artistas, abrindo a porta para a sequência seguinte de trabalho em torno do corpo que se desenvolve no espaço oficinal. Assim, são surpreendidos com uma espécie de instalação de planos, formas e luz que servem de base a movimentos (interligando o corpo com o dispositivo) e à dança em frente ao espelho, onde para além da proposta coreográfica simples (promovendo a atenção e a resposta motora) é dado um ênfase especial à lateralidade proposta pelas imagens invertidas no espelho. Margarida Vieira/Miguel Horta. Reservar


quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Djunta Mon!



No dia em que se assinala o assassinato de Amílcar Cabral na Guiné Conacri, partilho aqui um registo vídeo da minha primeira incursão na dramaturgia com a peça “Retratinho de Amílcar Cabral” levado á cena pelo Teatro Mosca com o Tozé (moço da Cova da Moura) como Mika, o protagonista de uma história passada na mata da Guiné, junto à grande árvore do Polon (com Suzana Branco como encenadora e Braima Galissa tocando o seu maravilhoso Kora) - A minha forma de recordar Eduardo Pontes (no aniversário da sua morte) e também Nuno Teotónio Pereira, grande amigo do bairro, que hoje nos deixou. Nos kontinua djunta mon pa rekualificason di bairu i pa dan un volta redondu ness condison di vida de nos genti di Cova da Moura.

sábado, 2 de janeiro de 2016

Viseu: Residência artística na Cadeira Amarela

Aquilino Ribeiro tinha um ex-Libris que anunciava no rosto dos seus livros uma intenção sobre a vida - “Alcança quem não cansa”, lia-se na vinheta que representava também um cão perseguindo o seu dono que, a cavalo, se fazia a um longo caminho. Vale a pena procurar este registo, que associo à Cláudia e a outras boas pessoas da Beira. Cláudia Sousa é uma mediadora cultural de mão cheia, associada agora ao movimento de recuperação do Bairro Municipal de Viseu através da associação Movimento pelo Bairro, propondo uma residência artística em torno da palavra, (inspirada no seu projeto “Flores de Livro”) que acontecerá de 4 de janeiro a 6 de fevereiro. Mas nada melhor do que as palavras da Cláudia para explicar, um, pouco melhor, as intenções desta iniciativa: O primeiro passo para esta residência foi em Outubro e para mim, que dinamizo o projecto Flores de Livro, era importante que acontecesse em Janeiro. Queria criar grupos de trabalho e Momentos de Contar. As oficinas para dinamizar os grupos de trabalho teriam de ser pagas, questões de sobrevivência de qualquer pessoa, mas os participantes poderiam recuperar, através da apresentação de trabalhos nos Momentos de Contar, pelo menos parte desse investimento. A Cadeira Amarela e a Companhia DeMente acolheram este projecto e, desde o início, que contribuem para a sua concretização. No início de Dezembro, alargar esta residência até ao Bairro Municipal pareceu-me que também devia ser prioridade. Por achar que a poesia tem, muitas vezes de forma rápida e curta, o remédio, ainda que momentâneo, para os males desta vida, e articulando com o Movimento pelo Bairro, convidou-se o Miguel Horta, o Carlos Clara Gomes e o António do Gil a fazer uma selecção de livros de poesia para partilhar com moradores e com quem mais se quisesse juntar ao Bairro, no bairro. À Cláudia Beatriz Carvalho Fonseca, pedimos que dinamizasse uma sessão de Canto de Colo, para bebes até 3 anos e suas famílias (mãe, pai, avós,…) também no bairro. Simbolizar a necessidade de cuidar, para garantir os direitos humanos e um futuro com gente pequena crescendo saudável e feliz. E fiquei muito contente quando no final de Dezembro soube que o projecto Casa de Histórias, do Movimento Pelo Bairro foi contemplado com o apoio do programa Viseu Terceiro, e também que aceitaram suportar despesas com os convidados que vêm de mais ou menos longe para ajudar a construir este projecto. Nesta altura já a exposição do Sami Wilfred Hildonen estava a ganhar consistência, e a Sidarta se via envolvida na apresentação das Rimas Salgadas/encontro com o autor e conversas participadas sobre Intervenção pela Arte com a Laredo, a Companhia DeMente, Flores de Livro e com quem mais, da comunidade local, se queira juntar a esta conversa. Mais ou menos a meio do caminho, entre a Cadeira Amarela e o Bairro Municipal, mesmo antes do Natal, o Hotel José Alberto disponibilizava-se para acolher colaboradores e receber um Momento de Contar para adultos/comunidade. É lá que vão acontecer os Contos Eróticos pela Cláudia Beatriz Carvalho Fonseca, que costuma gostar de ser surpreendida por ouvidores que tragam qualquer coisa para dizer, contar e/ou cantar. A associação desta residência com o Workshop de Iluminuras, que já estava a ser desenvolvido na Cadeira Amarela, pela Teresa Gama, também fez todo o sentido e irá permitir algum cruzamento entre uma forma muito específica de ilustração, tradição oral e histórias. Agora é tempo da participação e dinamização, tempo de morar nesta residência. Espero que seja muito construtiva para todos os que optem por participar. O primeiro Momento de Contar conta com a participação especial da D. Felizarda Cataistórias. Estou grata a toda esta gente, à Ana Rosa Assunção pelo desenho e design e a mais uns quantos que não valerá a pena mencionar, mas que vou levando comigo na bagagem e/ou nas linhas da minha mão. Adiadas ficaram algumas ideias, mas estamos no início do ano e nenhum projecto acaba no final desta residência.