sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

BAIRRO LEITOR: Falando com os vizinhos

 Ao lado dos prédios, um moinho com umas belas pinturas na parede.
Vamos subindo o Bairro do Casalinho da Ajuda, onde decorre o projeto Bairro Leitor; vou bem acompanhado pelo Miguel e pela Mónica, residentes e dirigentes associativos da Academia de Jovens do Casalinho da Ajuda. Entramos na zona de cima, os IOs (como aqui lhes chamam), um conjunto de edifícios destinados a residências universitárias, agora ocupados pela comunidade cigana. À medida que vamos percorrendo o bairro, aproximam-se vários jovens; o casal vai recolhendo nomes para um campeonato de futsal (Nesta altura, movimentam já 80 jovens nesta competição!). Miguel Cordeiro é afável, cumprimenta os vizinhos e vai passando a ideia de que se esperam mudanças para melhor no bairro – apresenta-me ao patriarca cigano, o Senhor Octávio, homem de rosto nobre e olhar azul. Falo do projeto e da importância da leitura, no meio de uma rua onde esvoaça o lixo ao vento. “Estou a ler um livro sobre a história dos Romani”- digo-lhe. A conversa deriva logo para a história dos nómadas, sobre a qual aquele homem vestido de negro sabe detalhes que só agora descortino, quase no final do livro. Pergunto-lhe se a comunidade conhece a sua própria história e ele responde-me que não, só uma pequena minoria. “Gostaria de ler esse seu livro…”-Afirma. Proponho a realização de um encontro sobre a história dos ciganos no café da esquina. Ele e Miguel que não perdeu pitada da conversa concordam. Há nossa volta já está uma meia dúzia de habitantes interessados na conversa. Comprometo-me a organizar esse encontro junto com os companheiros de projeto da Academia. Despedimo-nos, sem que antes de descer a rua, Miguel e Mónica recolhessem mais dois nomes para a competição desportiva. Qualquer biblioteca comunitária que nasça neste bairro terá de ter um bom acervo relacionado com a comunidade cigana… A ssim se começa a mediar o livro, falando com os vizinhos.
O projeto também contempla a recuperação de alguns espaços públicos
como é o caso do parque infantil

2 comentários:

  1. Grande Mestre Miguel... Quando puder e se quiser, dê uma passadinha no meu blog. "Biblioteconomia Social": https://biblioteconomiasocial.blogspot.com.br/
    Abraços

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    1. Olá Cátia! Claro que vou lá.... A minha companheira de Laredo já me tinha falado do seu blogue. Estamos mesmo muito próximos nos pontos de vista, mesmo que haja Mar entre nós.

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