terça-feira, 30 de agosto de 2016

Andarilhar, sempre!

Contos para escutadores especiais...
Regresso à costa depois das Palavras Andarilhas; corre um vento norte rijo, bem diferente da canícula de Beja. É sempre bom voltar a encontrar os companheiros de trabalho e outros trabalhadores da palavra. Já estabeleci laços fortes e cumplicidades com a equipa da Biblioteca Municipal de Beja. São inúmeras as ideias lançadas a partir daquele lugar de leitura. O Projeto Columbina é uma dessas propostas que vêm fazendo o seu caminho pelo país – não é  Nelson Batista? Como já vos tinha dito, nesta edição das “Andarilhas” partilhei a minha experiência de trabalho (em crescendo) de mediação leitora e narração oral junto das necessidades educativas especiais. Um trabalho mais discreto, longe dos grandes espaços de narração. No sábado contei no auditório da Biblioteca Municipal com a comunidade terapêutica e comunidade de reinserção da Caritas de Beja e mais alguns andarilhos curiosos que foram ao cheiro dos contos... O início da sessão não foi fácil, mas quando começaram a rir com as “partes” do Algarve, comecei a serenar. A sessão terminou com um ex-recluso que nos presenteou com um belo poema – Bom trabalho Cáritas! Mais tarde fui ao Lar da CerciBeja contar e mediar alguns livros com um grupo variado (nas problemáticas presentes) e muito afetuoso. (na parede da CerciBeja está escrito em grandes letras: "Vidas coloridas!") Como estava um calor terrível comecei com um conjunto de “brincadeiras intertextuais” em torno da ideia de vento. Um cartão grande simulou uma ventania refrescando os ouvintes, depois um livro de imagens sobre o vento e um poema de António Torrado. Canções, histórias bem-dispostas com objetos bem visíveis e simbólicos que se podem tocar. Apesar do calor, divertimo-nos todos!
Os escutadores da CerciBeja
Comunicando no Centro de Paralisia Cerebral de Beja
usando as luzinhas do SIM, NÃO e TALVEZ
No dia seguinte, no Centro de Paralisia Cerebral, também brinquei com o vento (cheguei a sussurrar ventanias e poemas aos ouvidos do pessoal) e sabem uma coisa? A rapariga da história “Caganita”, a tal que ia casar com o príncipe, entrou na igreja de cadeira de rodas. Ao longo deste percurso pelas Andarilhas tive sempre o apoio do Nelson Batista e da Susana Gomes que foi providencial na moderação do debate que teve lugar na Casa do Contador no final da tarde de domingo: “Para uma mediação diferente?”. A sala estava à cunha, com um bom número de profissionais da área das necessidades educativas especiais e mediadores da leitura. Foi uma conversa animada em torno das características especiais da mediação leitora junto das NEE. Falámos da escolha de livros e objetos de mediação de acordo com as características dos ouvintes. No caso do livro a Onda de Suzy Lee, falei das diferentes questões que podem ser trabalhadas com aquele livro, exemplificando. Igualmente como exemplo, mediei o livro Zoom (Istvan Banyai) junto dos participantes. Salientámos a importância do corpo como primeira ferramenta de mediação: do toque ao contacto visual, passando movimentação pela sala e outras interações com estes escutadores especiais. Ressaltou deste encontro a crescente necessidade de formação nesta área de trabalho e ficou uma pergunta no ar: Como posso preparar melhor a minha biblioteca para receber leitores especiais?
Foto - Cortesia  da Radiomiudos
Um dos momentos mais engraçados das "Andarilhas" foi a entrevista que um menino crioulo me fez para a Radiomiudos (um projeto muito bonito). As perguntas e as respostas foram em crioulo e contei em direto a histórias dos “Purkihus”("Katxupa"). Obrigado Pedro Barros! Nhas mantenha! Também por lá estava outro crioulo, Adriano Reis, homenageando muito bem o Mestre Lalaxu (Horácio Santos) - a seu pedido ainda contei "Na posu bedju" em crioulo e português (uma história tradicional pequenina sobre "almas penadas")...espero que tenham gostado.

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