quinta-feira, 19 de maio de 2016

Caixas com poesia inclusiva

Pequenos papeis com palavras ilustradas pelos alunos mais novos
Caixas e primeiras frases sobre a mesa
Aprendemos sempre com o erro. Quando em 2014 tentei aplicar a “Máquina da poesia” a um grupo de alunos com necessidades educativas especiais com um perfil um pouco mais profundo, deparei-me com imensas dificuldades: tinha colocado a fasquia das expectativas demasiado alta e não tinha feito as necessárias adaptações da metodologia de escrita imaginativa a esta nossa realidade específica. Sobretudo não tinha levado em linha de conta a dificuldade de descodificação da metáfora por parte dos alunos do espectro autista. Este ano letivo no projeto “Leituras diferentes”, que envolve dois agrupamentos de escolas do concelho de Sintra, lançámos a “Máquina da poesia” complementada com os “Sussurradores” (ferramenta). 
Construindo os sussurradores
Por um lado trabalhávamos a escrita poética, por outro a palavra dita, a comunicação. As oficinas ainda decorrem mas podemos falar já de parte do trabalho desenvolvido no Agrupamento de escolas Ferreira de Castro. Na escola básica nº1 de Mem Martins a proposta foi inclusiva, tendo envolvido a turmas do 1º ao 4º com ou sem meninos/as da “sala dos corajosos” (unidade de ensino especial). As categorias das palavras referidas na metodologia (ver link) foram substituídas por caixinhas onde os alunos colocaram nomes simples, verbos, lugares, emoções e adjetivos. Os primeiros versos foram escritos recorrendo às palavras (os mais pequenos ilustraram palavras simples) que, à vez, foram sendo retiradas das caixas, construindo uma frase. Depois de entendido o mecanismo, começámos a brincar com as palavras, registando o resultado obtido por inspiração do momento na turma. As sessões produtivas (e muito...) tiveram lugar na Biblioteca Escolar e na sala de aula. Na unidade de ensino especial, fizemos uma abordagem mais individualizada da ideia. As crianças construíram frases simples que sussurraram aos ouvidos dos colegas e professores usando os seus tubos de comunicação (sussurradores) – Algumas frases saíram mais elaboradas, outras participações reduziram-se a uma pequena palavra ilustrada sonoramente no momento de partilha sussurrada. Os sussurradores também permitiram trabalhar a cooperação e a clareza nas palavras ditas quase ao ouvido.

Nos meus próximos textos falarei de outros aspetos e experiências vividas nas escolas, sem esquecer a referência à mediação de livros específicos. 
Toca a sussurrar!

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