domingo, 29 de novembro de 2015

Assim são os "Dias do desassossego"...

 Um sábado ensolarado saudou um valente punhado de sussurradores que se lançaram de tubo na mão, pela baixa de Lisboa, partilhando ao ouvido poesias de Fernando Pessoa e outras da sua lavra. Rua dos Bacalhoeiros fora, entrando em lojas e cafés, pelas arcadas do Terreiro do Paço, passando pelo Martinho da Arcada e terminando sob o arco da Rua Augusta. Alguns estrangeiros estranharam o grupo e afastaram-se com medo, afinal somos “guerrilheiros das palavras”, uns terroristas muito perigosos. Também dei com um alfacinha de cara fechada a quem, face à recusa maldisposta, ofereci uma folha contendo pensamentos de José Saramago sobre a salvação da alma humana. Outros transeuntes paravam com um sorriso, disponibilizando orelhas para a nossa invulgar iniciativa. Houve quem sussurrasse em Alemão ou em Espanhol… E foi bonito ver aquela variedade de sussurradores vindos de vários lugares a que se juntaram os amigos do Júlio de Matos, afirmando o caracter inclusivo do dia. Toda esta azáfama começou durante a semana e na própria manhã de sábado, em oficinas de escrita poética e construção plástica. De manhã, enquanto se decoravam os sussurradores ao gosto de cada um, falou-se muito sobre a nossa língua e da importância de atravessar o oceano, estreitando laços comuns. Uma palavra de apreço à incansável Dora Conceição, sempre com um sorriso atenta aos nossos singulares poetas sussurradores - Obrigado.

Assim são os “Dias do desassossego”…
Mais fotografias aqui
Os noivos tiveram direito a uma sussurradela de Amor...
Os Sussurradores do Desassossego!

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Desassossegar sussurrando...


Está a decorrer a oficina “Desassossego sussurrado” na Casa Fernando Pessoa, integrada na iniciativa “Dias do Desassossego”, promovida em conjunto com a Fundação José Saramago. Ao longo destes dias temos andado a brincar com as palavras, usando a máquina da poesia e a construir sussurradores personalizados para podermos partilhar poemas com as pessoas com quem nos vamos cruzar na saída às ruas que terá lugar amanhã (sábado às 15h) na Fundação José Saramago. A partir das 10h (manhã) as portas da nossa oficina estarão abertas para quem queira preparar o seu sussurrador para a tarde (entrada livre). Publico aqui algumas fotografias da sessão de ontem que misturou utentes do Hospital Júlio de Matos com alunos da secundária Gil Vicente (curso de animação – cultural). Sei que a Cecília (EGAC) ficou comovida quando escutou o poema coletivo a partir da palavra “Amor”; 24 versos, um por participante. Os colegas da Câmara Municipal de Lisboa têm sido inexcedíveis no apoio à minha oficina; aproveitei para matar saudades de alguns mediadores culturais de Lisboa, que não via há muito tempo. Apareçam amanhã na Fundação José Saramago: podem trazer os filhos, o namorado, a avó, o tio e também um amigo. Acho que temos sussurradores para todos…

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Conversa improvável e criativa com famílias especiais

Lá teve lugar, no dia 7 de novembro, a primeira “Conversa improvável & criativa” (Programa "Um sentir especial")na Biblioteca Municipal de Torres Vedras. Conseguimos juntar um grupo de pais, filhos e uma avó em torno da mesa onde se foram amontoando alguns livros que selecionámos para a ocasião. Como achamos que a programação deve surgir das sugestões feitas pelas famílias, conversámos sobre algumas ideias para o futuro. Estes encontros repetem-se a 30 de janeiro e a 27 de fevereiro. Em breve divulgaremos informação mais detalhada.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

"Leituras em cadeia", Tires, 9 de Novembro de 2015

Segunda-feira, o sol entra pelas janelas gradadas da Biblioteca do pavilhão A do Estabelecimento Prisional de Tires, a sala está bem composta e a equipa do espaço de leitura muito atarefada. O professor Luís e 3 residentes (preferimos chamar assim às reclusas) entrevistam quem vai entrando pela porta da Biblioteca Prisional; têm uma lista de géneros literários e interesses de leitura, dispostos por colunas e vão conversando com as detidas, preenchendo as folhas que ajudarão a estabelecer o “perfil leitor” de quem vive no pavilhão A. A conversa é calma e disponível: “O que gostas de ler? Não lês? Mas gostas de revistas e quebra-cabeças? A tua língua materna é o Crioulo – sabes que tens alguns livros em língua Cabo-Verdiana? Histórias de Vampiros? Também temos! Ahhh, romances de amor… Um dicionário de sonhos? Vamos tentar arranjar.”Noutra mesa, uma outra residente recebe os livros devolvidos, anotando metodicamente numa ficha e procede ao empréstimo domiciliário (por aqui, o domicílio é a cela), trocando impressões sobre as escolhas, levantando-se de vez em quando para ir buscar às estantes mais uma sugestão. Aos poucos vão conhecendo a coleção e os seus leitores. De pé, junto à estante, continuo a minha escolha de livros para a sessão de mediação leitora que decorrerá a meio da semana; observo discretamente a cena e comovo-me com todo aquele movimento, impensável há uns meses atrás. À mesma hora, num gabinete com computador noutro edifício da prisão, a técnica Georgina envia um email aos parceiros da Biblioteca Municipal. Assim vem sendo o projeto "Leituras em cadeia"...

sábado, 7 de novembro de 2015

Martian Words

Copyright SPA (Portugal)

A role-play to foster vocabulary
learning through the use of dictionaries and bande-dessinée.
The Martians have made contact with Earth but they seem to speak with very unusual words. But why does this strange language sounds so familiar to me? Oh, that's it, those are uncommon and difficult words! Imperceptive, lapidarian, demise, stalwart, dexterous... These are some of the terms and expressions our Martians use, leaving us completely confused! What should the Earthlings do to understand such creatures? How can we establish communication? The solution is a magical book in library that would save humanity from any misunderstanding: the dictionary!
Fist, the monitor explains the rules and divides the group into two teams, Martians and earthlings, each on a different location in the library. The Martian team starts the game by sending messages in “difficult Armenian” with the help of a dictionary to the terrestrial team. Their are sent in a A4 sheet, with a drawing of an alien with a speech balloon, in which the message should written. Then, the Martian team deciphers the message with the help of their dictionary, and gives a response, in “Martian”, in a similar way: A4 sheet, with a drawing of a kid with a speech balloon. Thus, a systematic communication, mediated trough polished and advanced vocabulary, is established between the two groups.
In a bustle, the kids question themselves and the dictionary on the cryptic messages they receive, and elaborate their own cryptic answers. Examples: I am overwhelmed by you lividness (You look very pale to me); I have you on the highest notes of endearment (I like you very much). Finally, Martians land and meet the earthlings, and all the sheets are collected and arranged sequentially, showing a story of first contact through bande-dessinée.
This activity allows for a fun and creative way to introduce different and unusual manners to write and speak, by letting the children explore by themselves the language lexical spectrum, in order to teach them new words and expressions.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

"Leituras em Cadeia" em Tires

Fotograma do filme "Espaço/Tempo" de Tiago Afonso
Como muitos sabem, a Laredo Associação Cultural, está a desenvolver o projeto “Leituras em cadeia” no estabelecimento prisional de Tires, num dos pavilhões, mais precisamente na biblioteca prisional. Pela especificidade do nosso trabalho, ainda não nos é possível apresentar notícias detalhadas e imagens do que vai acontecendo naquela biblioteca especial. No entanto, aqui deixo umas linhas informativas sobre o projeto, bem como o seu enquadramento.
A população dos 51 estabelecimentos prisionais (EP) portugueses revelava, em 2014, níveis médios reduzidos de educação formal, de leitura e de literacia em geral, o que torna ainda mais urgente o desenvolvimento de bibliotecas e do seu uso pleno por todos os reclusos. A situação em cada comunidade prisional é muito diferenciada, pelo que se sugere uma metodologia de intervenção que simultaneamente permita testar conceitos e procedimentos flexíveis e participados por diferentes membros destas comunidades, ou que lhe são próximos, nomeadamente nos serviços das bibliotecas municipais. O projeto sustentado por uma parceria entre a Fundação Calouste Gulbenkian, o Ministério da Justiça, a Delta Cafés e a Laredo Associação Cultural (que o dinamiza), propõe uma intervenção no estabelecimento prisional de Tires, durante 2 anos e meio, constituindo-se como projeto-piloto. Inclui uma forte componente formativa, valorizando as figuras dos formandos/tutores, potenciais formadores em contextos de cocriação e de maior proximidade, e a das reclusas responsáveis pela biblioteca que constituem o núcleo promotor do espaço de leitura. Este projeto também contempla o apoio à transformação/requalificação da biblioteca do estabelecimento prisional, por comparticipação nos custos, estimulando a colaboração de outras entidades ou fontes de investimento. Está prevista a edição de recursos digitais de acesso aberto, em língua portuguesa. A arquitetura proposta é a de protótipo. A coleção vai crescendo de acordo com o perfil leitor das reclusas do pavilhão intervencionado. As sessões de mediação leitora repetem-se, trazendo mais leitoras à biblioteca. O corpo de guardas reconhece e valoriza o esforço desenvolvido pela equipa num ambiente por vezes adverso e que se rege por códigos muito próprios. Tem sido muito gratificante reconhecer o empenho de entidades parceiras do projeto, Câmara Municipal/Biblioteca Municipal de São Domingos de Rana e  Agrupamento de Escolas Matilde Rosa Araújo, no desenvolvimento do projeto. Uma palavra de apreço às técnicas de tratamento prisional envolvidas nesta construção.

Como não podia deixar de ser aqui fica uma ficha técnica com rosto: Regina Branco, Maria Helena Borges, Fátima Corte, Conceição Vieira, Georgina Araújo, Júlia Lopes, Luís Dias, Maria João Fernandes, Maria José Vitorino, Miguel Horta, Valter Amaral, Reclusas da Oficina Biblioteca (4) e Chefe Vale e mais…

Phylacterion, my Love!

Copyright SPA (Portugal)
A play to foster vocabulary learning through the use of onomatopoeic expressions 
and the visual structures of bande-dessinée.
This Worksop uses the language of bande-dessinée to promote writing and reading skills. When the participants enter the room, there are already three large blank paper sheets fixed on the wall. Depending of the amount of participants, the monitor divides them in a series of teams. The monitor, starts interacting with the group, by drawing essential visual symbols and schematics of bande-dessinée. Then, different simplified face expressions are drawn, and for every expression the monitor asks the participants for the corresponding adjective to describe it. Then the participants are introduced to the speech balloons (the “Phylacteria”), adapting each one to a specific situation. It is, also, at this moment, that the participants are asked to fill the empty speech balloons. Then, several onomatopoeia that usually accompany the characters, or are common in everyday slang, are presented. The challenge of this workshop is to find to the corresponding verb to each onomatopoetic expression. For example, “Wo of-Woof → to bark”, “Baa-Baa → to bleat, “Rawr! → to growl”. The participants should be asked whether they know what is the verb that refers to the activity of, for example, a clock. “Do you know that an elephant trumpets, and that a wolf howls?”The bande-dessinée provides a pretext to help improve the vocabulary skills during this activity. The monitor should encourage a debate on the meanings of adjectives, and the verbs that can “translate” the onomatopoeia. It is a cooperative based play, in which advanced vocabulary is learned through a non conventional platform.