terça-feira, 26 de maio de 2015

Visitas em Língua Gestual Portuguesa - Fundação de Serralves


Susana Tavares e Joana Cottin
Grande equipa LAREDO!
A partir de maio de 2015, a Fundação de Serralves oferece mensalmente visitas orientadas em Língua Gestual Portuguesa (LGP), numa parceria com a Laredo Associação Cultural. Especificamente dirigidas à comunidade surda, estas visitas recebem os visitantes na sua língua natural, para um diálogo sobre as exposições no museu, a arte contemporânea, a arquitetura e a paisagem de Serralves.
O que dizem as Mediadoras? Será mais ou menos isto:
Bem-vindos. Sou a Susana Tavares, sou mediadora cultural e intérprete de Língua Gestual Portuguesa. Estou no Museu de Serralves, no Porto, e venho apresentar-vos o projecto inovador “Serralves em Língua Gestual Portuguesa”, criado especificamente para a comunidade surda.
Este projecto nasceu de um propósito do Museu de Serralves, que desafiou a Laredo Associação Cultural a criar uma resposta específica para a comunidade surda. Pretende trazer-vos ao Museu de Serralves para conhecer as suas exposições, os seus projetos de arquitectura, o parque e a quinta. Como? Em Língua Gestual Portuguesa (LGP) privilegiando o diálogo com os participantes. De Abril até Dezembro de 2015, uma vez por mês, realizar-se-á uma visita guiada sempre com temas diferentes. Uma proposta para o encontro com a Arte Contemporânea num Museu de referência internacional envolvido por belas paisagens. A participação nas visitas é gratuita, mas requer marcação prévia. Podem solicitar mais informações junto do Museu de Serralves através do email ser.educativo@serralves.pt Venham fazer parte desta iniciativa!
Estejam atentos às datas.

Visitas em Língua Gestual Portuguesa: Museu de Serralves

Susana Tavares e Joana Cottin; Falar de arte contemporânea em Serralves, na Língua Gestual Portuguesa
A Laredo Associação Cultural vai crescendo. Depois do “Miríade de histórias”, de que já aqui vos falei, a equipa do Porto, coordenada pela Joana Macedo, apresenta agora no Museu de Serralves, visitas em Língua Gestual Portuguesa em torno da obra de Monika Sosnowska (integrada no programa “Serralves em festa”). A nossa monitora (mediadora cultural) Susana Tavares com a colaboração de Joana Cottin serão as responsáveis por esta oferta inovadora nos espaços museológicos contemporâneos. Em 2015 Serralves oferecerá mensalmente visitas orientadas em Língua Gestual Portuguesa (LGP), numa parceria com a Laredo Associação Cultural. Especificamente dirigidas à comunidade surda, estas visitas propõem receber os visitantes na sua língua natural, para um diálogo sobre as Exposições, a Arte Contemporânea, a Arquitetura e a Paisagem do Museu. De acordo com a Carta dos Direitos da Pessoa Surda, de 2001, “a cultura deve ser facilmente acessível às pessoas surdas, em todos os seus domínios: artes, literatura, ciências, tecnologia, museus, criando-se as condições necessárias para tal”. Esta proposta do Serviço Educativo do Museu de Serralves responde ao desafio de trazer a comunidade surda a encontros com este Museu de Arte Contemporânea, de referência internacional.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

A irmã de "João sem memória" era uma menina especial...

Uma bela conversa no final do espetáculo com os atores e público presente
No dia 14 estive no Centro Cultural de Paredes de Coura, assistindo a um espetáculo (teatro) em torno do meu livro “Dacoli e dacolá”. O professor Armando Lopes e os jovens atores conseguiram coser todas as histórias numa única narrativa teatral. A peça tocou-me. Em determinada altura deparo-me com a caracterização da irmã do “João sem memória” como uma menina autista: comovi-me. De vez em quando sou um lamechas… Acho que vou enviar o texto “Traulitada” para eles ensaiarem… força professor! Obrigado.

domingo, 24 de maio de 2015

A vigia do batiscafo - Rimas salgadas

"Carapau de corrida" - Ilustração para o livro "Rimas salgadas"
Acabei por substituir este desenho por outro onde o peixe ficou mais reconhecível
 Pediu-me o Professor Mário Ruivo, para falar um pouco sobre o meu livro “Rimas salgadas” que será apresentado no dia 3 de junho na Fundação José Saramago (18h). Não se sabe muito bem onde começa um livro…o mais certo é começar com um pequeno poema que vai flutuando na cabeça enquanto decorrem os dias. Depois, há um momento habitualmente despoletado por uma criança, a vontade muito grande de comunicar com essa pequena pessoa. Bom, talvez tudo isto tenha começado na minha infância, na praia do Vau (Portimão) numa daquelas madrugadas que antecedem um memorável dia de pesca a bordo do Sabiá (o barco do meu Tio). Ou ainda, mais pequenino, revirando as pedras na maré vazia à procura de animais escondidos nas poças de água, sendo surpreendido por um polvo bebé muito zangado que logo tingiu tudo de preto com o seu ferrado. O certo é que todo aquele azul que despenhava em ondas sobre os meus pés continha algo de intrinsecamente concordante com os meus olhos e com a minha existência, ao ponto de passar intensamente para a minha pintura. Agora está aí o livro e responde a algumas preocupações que me veem assaltando. As crianças sabem pouco sobre o oceano; não há tempo para o mar no meio de tanta meta curricular, sendo certo que só conseguimos defender aquilo que conhecemos bem. Os mais pequenos, mesmo aqueles que vivem perto do mar não conhecem o nome e os hábitos das criaturas marítimas. Tenho a noção de que é preciso conhecer o Oceano, para melhor o defender; e esta é a tarefa das próximas gerações! Achei que seria possível fazer um livro em que as ilustrações se aproximassem da realidade sem a frieza da ilustração científica. É possível escrever de uma forma simples sobre a biologia. Alguns poemas são cantáveis, outros convocam ritmos urbanos, testemunho da mediação leitora que venho fazendo nos mais diversos contextos. Agora que o nosso país se bate pelo reconhecimento da extensão da plataforma, o que nos conferirá soberania sobre uma vasta região do Atlântico, este livro traz consigo o meu gosto latente pela geologia e pela biologia marítima, a par de uma grande admiração pela tarefa da investigação. Eu nunca mergulhei num batiscafo, como fez Mário Ruivo, observando pela vigia uma miríade de misteriosas criaturas e fenómenos naturais, mas espero que este pequeno livro seja uma janela de descobertas e sedução para as crianças leitoras que o folheiem.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Trabalhando o Voky com alunos especiais

Quase a terminar o ciclo dedicado à identidade no projeto “O corpo das ideias” (agrupamento de escolas Monte da lua – Sintra). Escola Secundária de Santa Maria: depois do trabalho com o Tagxedo foi a vez de motivar para a escrita através do Voky. É uma ferramenta simples, atrativa e divertida que permite dar voz a personagens (e muito mais). O trabalho foi desenvolvido em tandem. Estas sessões percorrem três escolas diferentes do agrupamento, tendo uma componente formativa, divulgando uma ferramenta bem conhecida dos professores bibliotecários.

terça-feira, 19 de maio de 2015

Metamorfose no Museu

"Uma vespa é um tigre voador"  (visitante especial das nossas oficinas Dixit)
Quero falar-vos um pouco do trabalho desenvolvido em torno de um conjunto de grandes desenhos de Jorge Castanho, incluídos na exposição “Animália” patente no Centro de arte Moderna. A oficina chama-se “Com pés e cabeça” e desenvolve-se em torno do conhecimento do corpo e na sua relação com as obras expostas. Esta oficina propõe o conhecimento ativo do esquema corporal através da expressão corporal e do grafismo numa relação estreita com as peças expostas. O nosso público é “especial” e nem sempre tem a possibilidade de conviver com a produção dos artistas contemporâneos. Depois de uma primeira sessão de troca animada de ideias em frente aos desenhos “instalados”, seguiu-se outra, de expressão corporal e desenho de grande dimensão. Os participantes, em pequenos grupos, criaram novos insetos antropomórficos, cujo resultado aqui apresentamos. Obrigado Jorge.
Exposição patente no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian até 31 de Maio
Equipa NEE/CAM (Miguel Horta, Margarida Rodrigues e Margarida Vieira)

terça-feira, 12 de maio de 2015

Logo à noite no lago Van - Miguel Horta e Dellalian Trio

Dia 17 e 31 de Maio pelas 16 horas no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian. O Dellalian Trio e Miguel Horta apresentam a narração “Logo à noite no lago Van” em torno da vida e obra do pintor Arménio Arshile Gorky
 Esta noite sonhei com uma enorme revoada de estorninhos sobre o lago Van. Contra um céu cerúleo, uma nuvem negra ondulante, ameaçadora e bela, tapava a luz do sol fazendo crescer dentro de mim um medo inexplicável. Sonhava, claro, mas estava descalço com os pés na água salgada de um lago que nunca visitei. Talvez assim se entendam os dias até à nossa apresentação. Tenho que falar de outro pintor…e isso obriga a olhar para mim, conferindo e imaginando. Nada disto é pacífico. Concentro-me na urgência da partilha. Por vezes estamos mesmo sós à beira da água.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Arribalé!

(foto de MJR - CMMN) Direitos reservados - O Espaço do Tempo
Arribalé! É um espetáculo de Miguel Horta, narração oral em torno do Mar, das suas criaturas e das suas gentes. Nasceu numa residência artística que teve lugar no O Espaço do Tempo em março de 2015 e, depois de alguns ajustes previstos para o verão, estará pronto para fazer estrada. Das pragas aos poemas, contos e pequenas canções, tudo faz parte desta apresentação que tem como pano de fundo um conjunto de ilustrações originais do autor. 45 minutos pensados para a família onde o espetador é convidado a mergulhar nas histórias e seres da nossa costa. Paralelamente à apresentação, encontra-se disponível o livro “Rimas salgadas” – poesia e ilustração para a infância (Grácio Editor). Espectáculo disponível para Museus, Bibliotecas Públicas, Bibliotecas Escolares e Teatros. Aqui fica um pequeno vídeo para aguçar o apetite (por cortesia de O Espaço do Tempo). Pedidos para susana.picanco@oespacodotempo.pt ou horta700@gmail.com

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Sussurradores ensonados e muitas perguntas...

umas belas caras de sono...
O projeto "Leituras diferentes" está na reta final. Tanto em Fitares como em Mem Martins aproximamo-nos do tempo de avaliação
Agrupamento de escolas escultor Francisco dos Santos
Grandes caras de sono…e logo a sussurrar ao primeiro tempo. Mas o que é que vamos sussurrar? Desta vez partimos do sussurrador para encontrar as palavras que vão dar origem às nossas frases poéticas. Como cada ferramenta poética foi personalizada, foi por aí mesmo que começámos. Um sussurrador em forma de foguetão leva-nos diretamente às estrelas. Outro, em forma de arma, está destinado a disparar palavras contrárias ao espírito bélico. Um sussurrador verde e branco leva-nos à jardinagem, a atividade favorita deste aluno: “o branco da paz e o verde das plantas, onde me sinto bem”. Como ele muito bem explicou.  Uma jovem explica-nos que o seu sussurrador vai ter dois elementos: o fogo e a água (promete…). Assim foram surgindo famílias semânticas donde nascerão os seus textos. Divirtam-se no Sintraviva!
Agrupamento de escolas Ferreira de Castro
Uma enorme azáfama de turma em turma (talvez 300 crianças no total…) partilhando uma metodologia para a escrita imaginativa usada na sala de ensino especial (a “sala dos corajosos”): Dos sons nascem histórias. A literacia auditiva (a escuta) é pouco trabalhada no ensino básico regular; sinto a dificuldade de elaboração de histórias a partir de estímulos sonoros e a criação de pensamentos abstratos. Com as turmas do 4º ano foi bem diferente. O projeto envolve sessões de contacto direto comigo, enquanto autor infanto-juvenil: as crianças conhecem os meus livros, bombardeiam-me com perguntas e eu devolvo na mesma moeda, interrogando. Hoje divertimo-nos, assumindo uma atitude filosófica:  partindo da escrita interrogámos a vida, sentados na pequena e acolhedora biblioteca escolar Margarida Botelho.
Pensando, pensando...

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Gorky

Through the denial of reality, by the removal of the object from its habitual surrounding, a new reality was pronounced. (Gorky)
 Fim de tarde proveitoso. Um primeiro ensaio com Nariné Dellalian (Orquestra Gulbenkian) moldando o texto para a intervenção dos músicos. Trocando impressões fala a fala, estabelecendo didascálias simples e conversando muito sobre a Arménia que só agora descubro. Aos poucos, os contornos da personagem vão surgindo. A performance “Logo à noite no lago Van” vai ganhando corpo; terá de estar pronta dia 17 de maio, véspera do dia dos Museus, numa concordância criativa entre músicos e narrador. Muita pesquisa, com ajuda da Ana Vasconcelos (Centro de Arte Moderna) nesta procura de um outro olhar sobre Arshile Gorky, este pintor fundamental para o nascimento do abstracionismo Americano. Sinto a responsabilidade e o peso da construção desta narração no centenário do genocídio do povo Arménio. Para a frente é que é caminho!