segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Projeto 10x10. Fazendo um balanço

Spiriel
E eis que chega ao fim mais uma edição (a terceira) do projeto 10x10 (Descobrir/Gulbenkian). Ao longo de vários meses envolvemo-nos com os professores como se fossem colegas de uma coprodução artística e fizemos crescer afetos. É quase impossível colocar de fora a relação com o docente, determinante para o sucesso da caminhada em sala de aula. Em pouco tempo, sentimo-nos responsáveis pelo grupo de alunos e, aos poucos, vamos conhecendo as suas personalidades. Sofremos com eles e torcemos para que ultrapassem as dificuldades, que cresçam interiormente. É inevitável que a intensidade dos dias vividos na escola passe para a nossa prática de mediadores artísticos. Nem todos os artistas gostam de ser mediadores mas, para mim, essa tarefa vai ficando cada vez mais colada à prática da criação – tem algo a ver com a criação de novos públicos e expressa também uma esperança enorme na energia imaginativa das novas gerações, fundamental para a transformação do mundo. Fica, no entanto, a pergunta: Que importância tem a prática pedagógica, surgida na convivência com os alunos e professores, na génese de novas obras de arte? Não me posso esquecer de perguntar aos meus pares…
Kepler 16-L
É muito difícil narrar toda a riqueza de acontecimentos e conteúdos que surgem ao longo do Projeto 10x10; provavelmente, só sentiremos algumas consequências mais tarde, por decantação. No meu jeito fanfarrão, tenho a mania que sei muitas coisas; quero aqui manifestar o meu respeito pelos alunos que têm uma grande quantidade de matéria para “empinar”. Tentei terminar um dos testes, próximos da nomenclatura dos exames e dei-me mal (talvez uma positiva muito envergonhada…). Espero que eu e a professora Ana Pereira tenhamos conseguido passar esta ideia de que existe outra forma de aprender, mais lúdica, informal, partindo da convicção de que o importante é entender o universo na sua globalidade, aquilo a que eu chamo uma “cidadania cósmica”.
Utopia
A metodologia que usámos não significa que o assunto tenha sido tratado de forma menos séria – acho que promovemos a curiosidade, a pesquisa e o gosto por habitar o planeta Terra na atualidade. Primeiro, uma visão aberta, de olho de pássaro, depois a consolidação do conhecimento (relacionando-o com o concreto da matéria a dar). Gostaria muito que algumas ideias surgidas nestas aulas de Geologia/Biologia tivessem continuidade ao longo do ano letivo e também uma certa “contaminação” na escola. Conhecendo o espírito da professora Ana, acho que muito do que foi vivido vai ser aplicado aqui e ali. Quanto ao método das perguntas devolvidas aos alunos para pesquisa, esse já lá estava antes do projeto e vai continuar… A propósito do hábito de perguntar, quero agradecer aqui à Dina Mendonça que deixou o terreno fértil para este questionar permanente. Fica aqui uma referência especial à Judith Silva Pereira, o nosso “anjo da guarda”, que acompanhou todo o trabalho das duplas (Artista/Professor), sugerindo, lançando a reflexão e facilitando soluções pedagógicas – a sua presença tem dado solidez ao projeto.
Fenix
Os nossos alunos estiveram muito bem nas apresentações da aula pública na Fundação Gulbenkian, na Escola e no Teatro Carlos Alberto (Fomos muito bem recebidos no Porto! Obrigado equipa do Teatro s. João). Tentámos apresentar aquilo que fizemos na aula e a ideia subjacente de forma simples, sem espetáculo – acho que conseguimos… E foi contagiante a alegria destes rapazes e raparigas…

Agora segue-se a fase de balanço e reflexão entre todos os participantes: artistas, professores e equipa promotora do Programa Descobrir. Sugiro que sigam essa reflexão através do sítio na internet – por certo surgirão novos documentos, sobretudo no que diz respeito às “micropedagogias”. Obrigado Maria por nos desinquietares.Obrigado a todos.

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