segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Projeto 10x10 - "Uma mentira cósmica e outros calhaus"

Título da Aula : Uma mentira cósmica e outros calhaus
                             “ Somos irmãos das rochas e primos das nuvens” – Harlow Shapley
 Sinopse 
Quando um laboratório se torna num local de experimentação plástica e comunicação em torno de uma matéria tão agreste como a Geologia. Compreender a composição e estrutura da Terra através de uma viagem pelo universo (planetologia) e conhecimento dos fenómenos geológicos do nosso planeta (vulcanologia). Promover o espírito científico através da criação de uma “mentira cósmica”, a invenção de um planeta.
Conceção: Miguel Horta e Ana Pereira
Intervenientes: Miguel Horta, Ana Pereira e alunos do 10º C2
Nome da escola: Agrupamento de escolas D. Dinis / Escola Secundária D. Dinis
Duração aproximada: 40 minutos / 45 minutos      
Agradecimentos: A toda a equipa 10x10; aos alunos e encarregados de educação do 10º C2; à Judith Silva Pereira pelo acompanhamento atento; à direção do agrupamento de escolas D. Dinis.

Enquadramento do projeto na escola 
A escola secundária D. Dinis, situada na freguesia de Marvila, Lisboa, está integrada num contexto socio cultural muito vulnerável que se reflete na motivação e desempenho prestado por grande parte dos nossos alunos e na sua falta de objectivos a médio e longo prazo.
 A turma do 10º C2 é constituída por 12 alunos (apenas nas disciplinas de Biologia e Geologia e de Física e Química A), 4 raparigas e 8 rapazes com idades compreendidas entre os 15 e 16 anos.
Estes alunos provinham de turmas diferentes, embora todas da mesma escola do agrupamento (secundária D. Dinis), pelo que houve necessidade de desenvolver o espírito de grupo e, consequentemente, de responsabilidade.
Um dos aspectos positivos da turma foi a sua abertura a todas as propostas de trabalho apresentadas pela dupla, colaborando na sua concretização de forma participativa e empenhada.
A preocupação da dupla foi, desde o início a de desenvolver nos alunos a consciência de que o “saber” não é segmentado mas que pode e deve ser construído como um todo a partir das “pistas” e dos desafios que foram sendo lançados. No entanto criou-se momentos onde a dupla ou, a professora na ausência do artista, sistematizavam os conceitos definidos no programa da disciplina e abordados nas aulas.  
Os professores do grupo disciplinar e que leccionam o mesmo ano (10º ano de Biologia e Geologia) têm acompanhado com interesse o trabalho desenvolvido o âmbito do projecto 10x10, manifestando interesse pelas metodologias que foram utilizadas e pelos resultados obtidos.

 Descrição sumária do processo 
 A primeira preocupação da dupla foi consolidar o grupo e prepará-lo para um conjunto de aulas pouco convencionais, usando algumas dinâmicas de palavra e corpo. Logo na apresentação dos alunos foi lançada a pregunta: “Se fosses uma pedra, que pedra serias? Porquê?”. O contacto com a obra de Miguel Horta permitiu entender a relação entre a génese criativa e o conhecimento do planeta. Também, uma dinâmica de corpo e movimento no átrio de entrada da escola, simulando a criação de planetas e a sua trajetória no sistema solar, obteve uma adesão alegre. Em todas as aulas criámos um espaço de plenário, cadeiras em redondo, onde fazíamos o ponto da situação e superávamos dúvidas através de um debate horizontal. Por sabermos que as respostas verdadeiramente consolidadas são aquelas que os alunos encontram por si, evitámos sempre a comunicação formal dos conteúdos, promovendo a curiosidade e a pesquisa. Exemplo disto, foi a introdução dos QR CODE no manual escolar, a propósito da matéria que estava a ser dada, contribuindo para o espirito de pesquisa e para um conhecimento mais holístico e liberto do planeta Terra. No centro destas aulas esteve a “mentira cósmica”: a construção de um planeta imaginado. Os alunos foram desenhando, em equipa, um planeta inventado, da sua composição à estrutura, acabando por construir um modelo tridimensional convincente (e algumas formas de vida). Foi dada enfase à pesquisa necessária para a elaboração de uma argumentação sólida, em defesa da “mentira” criada, relembrando que o “erro” é fundamental para a construção do saber. Encerrámos este ciclo de aulas abordando os diferentes tipos de atividade vulcânica, relacionando os conteúdos com a realidade imediata da erupção da ilha do Fogo; por fim construímos uma maqueta, mais realista, do vulcão com seus tipos de escoadas de lava.



Bio professora
ana Pereira 
Nasceu em Lisboa, em 1959. Professora efetiva, do grupo disciplinar 520. Licenciada em Biologia, ramo educacional, pela Faculdade de Ciências da Universidade Clássica de Lisboa. Coordenadora do Ensino Secundário desde 2005; membro do Conselho Pedagógico; responsável pela equipa de formação de turmas. Responsável pelo Núcleo de Ciências da escola.
Bio artista 
Miguel Horta
Pintor. Mediador cultural, intervindo em museus, bibliotecas públicas e escolares, bairros e prisões. Autor/ilustrador infanto-juvenil: Pinok e Baleote-PNL, Dacoli e Dacolá-PNL, Rimas salgadas (poesia) e Retratinho de Amílcar Cabral (Teatro). Narrador oral. Formador na área da mediação leitora e das necessidades educativas especiais. Expôs Troncos e marés na Galeria Appleton Square (2012)

                                                                                                                      

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