segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Descobrir a Diferença: Forum livre sobre necessidades educativas especiais

Programa Descobrir/Gulbenkian – Necessidades educativas especiais

No início deste ano letivo temos uma novidade para todos aqueles que trabalham na área das necessidades educativas especiais. Para além do habitual curso de formação (creditada) “Mediar públicos com necessidades educativas especiais” que decorrerá em Fevereiro (convém fazer já a inscrição pois esgota rapidamente), vamos realizar dois encontros a que chamámos “Descobrir a diferença”. Trata-se de um fórum de partilha de ideias e ferramentas desenvolvidas pelos atores que todos os dias trabalham com as necessidades educativas especiais. O primeiro encontro (de acesso gratuito) que decorrerá no sábado dia 25 de outubro na sala 2 do edifício sede da Fundação Calouste Gulbenkian às 11h (duração 90 m), contará com a presença de Ana Salgueiro (terapeuta da fala) que vem desenvolvendo um trabalho assinalável na área das perturbações da comunicação. O encontro será moderado por mim e pela Margarida Vieira. Recomendo que façam a vossa inscrição pelo telefone 217823491, por uma questão de lotação da sala.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Museum mediators

Decorreu ontem e hoje a “Museum Mediators European Conference” no belo Museu do Trajo de São Brás de Alportel, na qual tive o prazer de participar. Um dos “case studies” apresentados foi o conjunto das oficinas “Museu aberto” que a equipa das necessidades educativas especiais do Programa Descobrir (Fundação Calouste Gulbenkian) vem desenvolvendo há 9 anos, criando um corpo de conhecimento significativo, resultante da prática, experimentação e da relação estabelecida com públicos com características muito particulares.Sobre este projeto europeu, conduzido com mestria em Portugal pela Mapa das Ideias aqui vos deixo algumas pistas retiradas do sítio da internet que aconselho a visitar:
O papel da Mediação em Museus ainda é subestimado, não sendo reconhecido que a relação com os visitantes do Museu e do património pode representar o limiar de sobrevivência destas instituições. Os Mediadores de Museus e Educadores são profissionais altamente qualificados que vêm de diferentes campos académicos, com pouca ou nenhuma formação educacional e comunicacional – competências tão indispensáveis para suas atividades diárias. Esta realidade levou à criação do projeto Museum Mediators. O principal objetivo foi o de criar práticas e orientações para os profissionais da mediação que representam a estrutura institucional e profissional julgada necessária pelos países europeus participantes: Portugal, Espanha, Itália, Estónia e Dinamarca."
Para todos os meus colegas que trabalham em museus recomendo o visionamento dos diferentes casos apresentados: uma janela aberta ao que se faz, no nosso campo, em diferentes países europeus. Fica aqui o meu agradecimento à equipa da Mapa, em especial à Inês Câmara por terem aberto horizontes aos mediadores de museu portugueses. 

Blimunda foi à prisão


Já está disponível o número especial da revista Blimunda (Fundação José Saramago), em papel e em digital. O trabalho em Mediação Leitora que desenvolvi na prisão de Guimarães, por ocasião da capital da cultura, vem abordado num extenso artigo pela pena criativa de Andreia Brites. Depois de desfrutarem desta bela revista, podem ainda saber mais sobre as “Novas memórias do cárcere”, Aqui.

domingo, 14 de setembro de 2014

Quando as mãos fazem, a cabeça ri.

"Meu rosto teu"
Não sei exatamente quando Arnaldo me começou a evitar no café. Costumávamos encontrar-nos sempre à noitinha no café do bairro: a mesma mesa, o Correio da Manhã aberto sobre o tampo, duas bicas e uma conversa que se prolongava até ao fecho das portas. Política, desporto, mulheres eram os nossos assuntos de eleição às vezes esgrimidos em tom polémico ou até zangado. Mas na noite seguinte, lá estava ele sentado, a seguir aos telejornais. Aliás, as novelas nunca foram do nosso agrado. Esse pequeno momento era o escape perfeito para um dia passado na repartição, trabalho até dizer chega e sempre com o Silveira, chefe da secção, a morder-me os ouvidos com aquela voz cavernosa de travo a bagaço, como quem diz um segredo: “tem aqui mais uns processozinhos para lhe alegrar a manhã…”.
Também não parava muito em casa… Já não tinha nada para dizer à minha mulher e a minha filha exibia um silêncio adolescente difícil de descortinar.
Lembro-me que as nossas conversas de café começaram a azedar. Dizem que até fui violento. Não me lembro. “O gajo é maluco” – diziam entre dentes. Mas a única vez que estive verdadeiramente louco foi quando me apaixonei por Elvira, a minha esposa. Aí estava mesmo apanhadinho de todo e fiz coisas que não conto a ninguém. Isso é que é ser maluco! De qualquer forma passei a tomar café sozinho, com o pessoal no balcão a olhar de soslaio. Parece que comecei a falar sozinho, preocupado. Mas tinha toda a razão: veja-se o estado do mundo…Não há de uma pessoa ficar ralada com o planeta? Pouco faltou para começar a infernizar a mulher sobre o que deveria comer lá em casa. Uma ida comigo ao supermercado era um desatino com aquela complicação que fazia com as compras, sempre a justificar a outros clientes que passavam o porquê da minha compra ou a censurar em voz alta a escolha de determinados produtos expostos nas prateleiras. Um dia o segurança da superfície comercial disse-me que não poderia entrar mais nas instalações. As coisas começaram a andar mal lá por casa. Cada vez que Elvira falava em médico eu explodia. Entretanto comecei a dormir mal, escutava vozes, escutava-as em todo o lado: Faz isto, não faças aquilo – um sofrimento. Mas isto, a senhora enfermeira já sabe…
Desde que vim aqui para o Centro e percebi o que se estava a passar comigo, as coisas mudaram… Mas o melhor mesmo foi quando a senhora nos levou ao Museu. Não sei porquê, mas entendo muito bem tudo aquilo que aqueles pintores nos querem dizer. É claro que nunca cortaria uma orelha, a senhora sabe isso. Mas deu-me uma vontade enorme de pintar, assim à solta. Entende? Quando pinto, parece que estou a falar amigavelmente comigo através das tintas. Sabe que não me lembro nada daquilo que penso enquanto estou a pintar ou desenhar? Apenas fica o desenho pronto e já está! Às vezes viro-me para as vozes e digo: está calada e deixa-me pintar! Agora descobri que pintar a escutar música tocando baixinho faz com que surjam novas imagens…
Quer saber uma? No outro dia entrei no café e chamei pelo Arnaldo que estava lá colado ao balcão - Anda cá, senta-te e espreita isto que aqui tenho! - E mostrei-lhe as minhas aguarelas… Ele sentou-se desconfiado, pegou nos papéis, observou atentamente, coçou a cabeça e perguntou - Foste mesmo tu que fizeste isto? - Anui, com a cabeça. - É pá…És mesmo um artista! E depois pedimos dois cafés e começámos a falar das últimas transferências da pré-época do campeonato de futebol.
Vou-lhe contar uma coisa: esta manhã, depois do pequeno-almoço a minha filha abraçou-me… Olhe que até me vieram as lágrimas aos olhos…
Sabe uma coisa? Quando as mãos fazem, a cabeça ri…

Sintra: Mediação cultural e inclusão

Cartão de cidadão gigante - Fitares 2013
Está quase a começar a intervenção em 3 agrupamentos de escolas do concelho de Sintra na área das Necessidades Educativas Especiais – uma iniciativa da divisão de educação da câmara municipal de Sintra. Um trabalho sob o signo da inclusão, que utilizará metodologias não formais no seu desenvolvimento. Cada agrupamento terá o seu projeto específico: uns mais ligados à educação artística e outros à mediação leitora. Assim temos o projeto “Leituras Diferentes”, ação de mediação leitora junto de alunos com necessidades educativas especiais integrados nas suas turmas, que decorrerá no A. E. Escultor Francisco dos Santos (este é já o terceiro ano de intervenção em Fitares) e no A. E. Ferreira de Castro (estreante nestas andanças). Já no agrupamento de escolas Monte da Lua utilizaremos diversos recursos de educação artista no desenvolvimento do projeto “Corpo das ideias”, igualmente uma ação de características inclusivas.

Aqui vos darei conta, ao longo do ano, do desenvolvimento das ideias pelas escolas de Sintra.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Ladainha para um imigrante clandestino

Sistema de deteção por raio-x 
instalado nas fronteiras ocidentais.
A consciência tranquila da Europa...
Um grande negócio para as máfias
 que lucram com o medo e a fome dos outros...


Quase ninguém diz
Que te viu na fronteira
Com raio-x…

Não te vejo
Diluis-te nas ruas
por onde passo
trabalho invisível
salário escasso
Não te vejo
No escritório
alcatifa limpa
e lavatório
Não te vejo
Ao almoço
mexendo o tacho
segurando o moço
Não te vejo
Na construção
do edifício
assentando tijolo
no precipício
Não te vejo
Escoando o esgoto
negro ofício
todo roto
Não te vejo
Quando uso
 teu corpo
e pago pouco
o meu desejo
Não te vejo
Na cidade
levando molhos
de publicidade
Não te vejo
Quando beijo
meus filhos
bem tratados
ao longo do dia
com mil cuidados

Não ficaste na fronteira…
De qualquer maneira:
não te vejo

terça-feira, 9 de setembro de 2014

A cor das histórias - 2014

“A cor das histórias” é um projeto de mediação leitora em contexto prisional inscrito no programa “Leitura sem fronteiras” promovido pela Direção Geral do Livro dos Arquivos e das Bibliotecas e pela Direção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais.
Participam neste programa mais três mediadoras do livro e da leitura: Sara Monteiro que irá trabalhar no Estabelecimento Prisional de Silves, Sandra Barbosa no EP Leiria (jovens) e Fernanda Pinto, a mais experiente do nosso grupo, no EP Alcoentre. O programa conta ainda com a presença dos meus amigos da Andante que levarão o espetáculo “Adversos” a 5 estabelecimentos prisionais.
Foi a Maria Cabral que me meteu nesta aventura que abracei sem hesitar e que provocou grandes mudanças interiores no modo como vejo a leitura e a sociedade. Sobretudo apurou o meu olhar na direção do Outro.
Este ano estarei a trabalhar no EP Linhó, usando a minha metodologia habitual: seduzir para a leitura em coletivo (de volta de uma grande mesa), recorrendo primeiro à narração oral depois a poesia e textos escolhidos presentes no acervo da biblioteca prisional, sempre promovendo o debate sobre o lido e o escutado. Juntarei o recurso da ilustração e a banda desenhada promovendo o empréstimo “domiciliário” (neste caso a cela). Por fim lançarei mão de alguns exercícios de escrita criativa onde a poesia será a rainha. Mas tudo dependerá da composição humana desta pequena comunidade de leitores.

Não deixarei de dar notícia, aqui no LAREDO, deste trabalho que se desenvolve nos estabelecimentos prisionais; em breve com a notícia de um outro projeto.

sábado, 6 de setembro de 2014

Fica tão longe Lampedusa...


Ao deparar com a imagem de um barco cheio de refugiados africanos e sírios, lembrei-me logo de uma pintura de Maria Helena Vieira da Silva, pertencente à coleção do Centro de Arte Moderna (Gulbenkian): “História trágico-marítima”.
Depois saiu-me esta ladainha…

Fica tão longe Lampedusa…
Pai, ainda falta muito?
Dorme filho, dorme
encostado ao companheiro
como se fora travesseiro
Mas ele tosse, pai...
Podem ser frias
as noites no mar
só a terra
nos pode curar
Fica tão longe Lampedusa…
E aquele outro, pai?
Chora?
Não meu filho
Recita palavras do Profeta
que nos guiarão
sobre as águas
à tão esperada meta
Fica tão longe Lampedusa…
Tenho fome, pai
Em breve terás de comer
Tenho sede, pai
Na Europa te darão de beber
Fica tão longe Lampedusa…
Pai, que bravo o mar está!
Para onde quer
que a barca vá
somos o cardume de Alá
Fica tão longe Lampedusa…

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Dacoli e dacolá, Andarilho

Um destaque de Rita Pimenta ao "Dacoli e Dacolá" em tempo de Palavras Andarilhas no Público 30/9/2014

“Moravam os dois fantasmas 'dos livros que ainda não foram lidos' lá num casarão perdido no meio da Vila. Era uma mansão parecida com "as casas dos Brasileiros", bem típicas lá de Aveiro." Assim começa "Os Dois Fantasmas", uma das sete histórias deste livro e a escolhida para ilustrar a capa.Dois irmãos gémeos morreram sem antes terem lido todos os livros da sua biblioteca, mas um rapaz de olhos grandes há-de dar-lhes a possibilidade de o fazer. A mansão deixará de ser assombrada e os manos conseguirão ler "os livros das suas infâncias".
Algumas das histórias de "Dacoli e Dacolá" são passadas em Portugal e com a geografia bem definida. Assim, o leitor andará por Canas de Senhorim, Aveiro, Fiais da Telha e ilha de São Miguel. Também percorrerá afectos, alegrias, receios e saudades, guiado por uma escrita clara e bastante próxima da oralidade.
 O livro é recomendado pelo Plano Nacional de Leitura para o 4.º ano do 1.º ciclo, destinado a leitura autónoma. Miguel Horta, além de artista plástico, desenvolve trabalho de promoção do livro e da leitura e de educação pela arte. Para pais e filhos "dacoli e dacolá".

Dacoli e Dacolá
Texto e ilustração | Miguel Horta
Edição | Grácio Editor

36 págs.

Retalhos das ANDARILHAS...porque é impossível abraçar toda a gente.

André Letria

"É tão grande o Alentejo
Tanta terra abandonada
A terra é que dá o pão
Para bem desta nação
Deveria ser cultivada"

Ainda ecoam as vozes afinadas de cante, dos moços da aldêa, pelos muros do castelo; ao longo dos próximos dias, por precipitação no leito das ideias, depositar-se-ão todos os outros ecos das Palavras Andarilhas. Este encontro é a referência para muitos contadores de histórias e mediadores da leitura do nosso país. Ali conferimos as nossas práticas, conhecemos novos textos e outras formas de abraçar este ofício que escolhemos: trabalhar a palavra, partilhando-a. Como é impossível falar de tudo o que aconteceu nas Andarilhas, apenas pegarei nuns quantos retalhos (sem a habilidade da Bru Junça), reconstruindo os meus passos por este festival da palavra.
A minha intervenção foi de olhos nos olhos, sentado num canteiro com sombra do jardim, moderando uma conversa que partiu da minha prática de mediação leitora e chegou a uma mão cheia de ouvintes que assumiram o debate dando-lhe sentido. Falou-se de mediação leitora e necessidades educativas especiais e, sobretudo, nas questões básicas da promoção da leitura e as dificuldades sentidas por todos nos respetivos locais de trabalho. Foi uma manhã útil de reflexão e troca de ideias.
Transformando o "Dr. Veloso" em personagem das histórias
Depois foi tempo de preparar uma pequena formação (3h) sobre Museus e Mediação Leitora que teve lugar no pequeno e belo Museu Jorge Vieira. Uma obra desconhecida por muitos mas com um universo fantástico que a aproxima da ilustração atual sendo uma ferramenta poderosa para a criação de narrativas a partir do acervo exposto. Comecei por contar uma pequena história sobre a importância da memória como introdução à visita que se seguiu, acompanhada por Noémia Cruz, viúva do escultor: um privilégio muito bem aproveitado pelos participantes que colocaram uma variedade de questões sobre a obra do artista. Dividi o grupo em três e propus que escrevessem um pequeno texto partindo das peças expostas. O resultado foi muito engraçado e ficámos de enviar para o museu a nossa escrita devidamente corrigida. Ainda houve tempo para falar de diferentes intervenções nos museus aplicando a metodologia própria da mediação leitora. Para finalizar partilhei duas ferramentas de trabalho já com provas dadas: “O museu das palavras” e “conversando com o acervo”. Felizmente ficou tudo muito bem documentado pela Paula Martins (BMB) que fotografou a sessão.
As cidades que usam a cultura
como língua de comunicação entre os seus habitantes
são lugares mais felizes
 capazes de desenhar futuro
promovendo uma cidadania plena
As cidades que usam a cultura como língua de comunicação entre os habitantes, são lugares mais felizes, capazes de desenhar futuro, promovendo uma cidadania plena. Conhecimento e educação fazem parte dessa mesma gramática construtora de futuros. Os museus estão lá, de portas abertas. Parecem dizer-nos: apropria-te do que temos, nós ajudamos-te a ler o mundo.
O meu amigo Thomas Bakk cumprimenta o "Pai Lalaxu"
Para mim, um dos momentos mais importantes do encontro foi a pequena homenagem/entrevista com o Lalaxu (Horácio Santos), conduzida sabiamente pela Raja. Não é novidade para a ninguém a importância que este grande contador tem no meu percurso de narração e mediação cultural, sobretudo junto da comunidade cabo-verdiana.
Foi a Cláudia Fonseca que salvou a intervenção dos sussurradores: foi buscar uns quantos ao carro e pusemo-nos todos a sussurrar, até em stereo! (deveria ter preparado melhor esse momento…)
Pescando palavras, poemas e histórias
Mas a manhã de volta do lago com os pescadores de palavras correu bastante bem. Os peixes feitos em esferovite, pelos utentes do refeitório social da Caritas de Beja, tinham palavras escritas no verso (boa parte delas escritas pela Estrella Ortiz que se pôs a conversar comigo à borda do lago), funcionando como uma espécie de máquina da poesia. Puderam assim surgir algumas frases poéticas capturadas com a ajuda das canas de pesca pacientemente construídas pelo Hermes Picamilho (BMB). Entre as palavras escritas nas aquáticas criaturas constava Conto e Poema – cada vez que alguém as pescava, lá dizia eu um poema ou contava uma história. A manhã acabou em risada com a história da “Caganita”.
Contra a vontade do pai, uma menina levou um peixe-voador onde se podia ler a palavra fantasia. Cabe aqui agradecer ao Hermes a fantástica sopinha alentejana de achigãs que me retemperou as forças; e por falar em petiscos… Ainda deu tempo para uma última brincadeira: fui atrás do cheiro da comida poética até ao Poesia à la carte promovido pela Andante, junto ao fontanário. Servi aos comensais leitores uma pequena entrada de peixe escolhida do meu livro “Rimas salgadas”. Os clientes faziam fila á porta: não admira, trata-se de um restaurante poético premiado com o troféu andarilho!
Ainda no capítulo dos almoços rápidos (o trabalho era muito) foi óptimo rever a Madalena Vitorino, recordando os dias felizes de amadurecimento no CPA/CCB.
Ficam de fora deste texto as conversas, a galhofa, a risada, o prazer genuíno que sentem os narradores quando encontram os seus pares. É impossível explicar como também de afetos se tecem as Andarilhas. É impossível referir e abraçar toda a gente…
Cristina Taquelim continua a ser a culpada pelas palavras que acordam o coração dos homens.
Foto de Luís Beco

Já no caminho de regresso lembrei-me da Helena Gravato… e só me saiu um cante enquanto conduzia:

“Rouxinol repenica o cante
Ao passar a passadeira
Nunca mais voltas a Beja, oh ai (…)”