sábado, 28 de junho de 2014

Borrachinhas para os lápis (Ferramenta)

Ora aqui vai um pequeno truque aprendido com a Isabel Barbosa (uma mãe dos "Pais em Rede"), para que os nossos meninos segurem melhor o lápis, sem escorregar, vencendo as partidas da motricidade fina. Estas borrachinhas ajudam a dominar a ferramenta lápis: a aprendizagem torna-se mais fluida. E que tal utilizar os elásticos da moda para resolver este problema? Aqui fica a solução pensada por uma menina daqui de Mafra,  usando o mesmo material das pulseirinhas…

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Autorretatos de Alberto Vale

fotografia de Alberto Vale - Direitos reservados - Publicada por cortesia do autor
De vez em quando, as unidades de ensino especial são bafejadas pela colocação de um professor contratado Artista que vem reforçar o trabalho criativo que vem decorrendo no terreno. É o caso do Alberto Vale, uma perfeita “caixinha de surpresas” que tem acompanhado as crianças especiais de Fitares (agrupamento de escolas escultor Francisco dos Santos - Sintra). Além de muito atento às novas tecnologias e a meios menos convencionais de trabalho com as crianças, tem uma vertente de fotógrafo que encaixa bem no nosso trabalho sobre a identidade e a comunicação. Os seus autorretratos quase monocromáticos abordam diferentes expressões humanas através do poder do olhar, concordante com a postura do corpo. Fotografias limpas, sem ruído, exatamente o que necessitamos para trabalhar com autismo e alguns défices cognitivos. A mensagem é clara, resta escutar a reação dos alunos. Atrevo-me a sugerir que ele dê continuidade a este trabalho, pegando nas expressões básicas do ser humano, atribuindo a cada imagem um adjetivo. É fácil fazer um guião de trabalho… Fiquei com vontade de trabalhar estas imagens com as nossas crianças… Saibam mais sobre o seu trabalho aqui!
E de repente, lembrei-me de um outro autorretrato de que gosto muito: Gustave Courbet…

domingo, 22 de junho de 2014

Caixinha de música (ferramenta)


Logo à partida uma caixinha de música é bastante sedutora. Quantos não têm uma memória dessas da sua infância? Mas este pequeno objeto pode ser muito útil quando trabalhamos a noção de som; não se escuta bem quando movimentado no ar e assim que o poisamos sobre uma superfície sólida reproduz o som com clareza. Esta pequena máquina sonora poderá ser, também, um bom acompanhante de contos (histórias). Porque está fora da caixa? Pois bem, para que se veja bem o mecanismo e o lugar das notas. Os meninos invisuais, com os seus dedos, conseguem ver bem toda a estrutura do instrumento musical. É bom que se tenha um primeiro contacto com a peça antes de colocarmos numa caixinha, personalizada, de preferência (por exemplo com o nome ou com uma fotografia do proprietário – no caso do autismo). Não é um objeto barato, mas vale a pena ter vários, um por cada menino, cada um com a sua música distinta. Durante algum tempo associarão o seu objeto a uma determinada música, até que um dia (surpresa…), colocaremos no leitor de cd áudio a peça original, acompanhada da respetiva orquestra ou no caso de “Fur Elise”(Beethoven), um piano. Ainda mais interessante se projetarmos pequenos vídeos de orquestras executando as peças musicais das caixinhas. Poderemos levar outros exemplos para a sala: por exemplo a bailarina que dança em cima da caixa… Este é só um caminho – agora vocês inventam outros…

Laredo Associação Cultural

Algum dia teria de ser…
Fundámos a Laredo Associação Cultural, permitindo assim o crescimento de propostas em áreas variadas da intervenção cultural e ambiental:
Leitura e literacias
Bibliotecas
Museus
Necessidades educativas especiais
Ambiente/Oceano
Formação
Em breve teremos um sítio detalhado na internet dando notícias do nosso trabalho. Entretanto podem seguir-nos no Facebook

domingo, 15 de junho de 2014

Mediação leitora e necessidades educativas especiais: Um texto geral

É certo que a mediação leitora contribui para criar jovens capazes de opiniões autónomas, desenvolvendo a capacidade de ler o mundo atual, potenciando uma cidadania plena.
Focando o nosso olhar nos alunos com necessidades educativas especiais, em que medida o livro e as estratégias de mediação leitora têm, também, um efeito terapêutico com reflexos na aprendizagem curricular?
Começaremos por afirmar que os processos de génese leitora são os mesmos dos alunos designados como regulares. Com estes alunos específicos, também trabalhamos a “memória leitora”, a “antecipação leitora” e, sobretudo a “competência da palavra” (oralidade), como domadora de conteúdos, antes e durante a aprendizagem da escrita.
O problema maior reside na receção da informação e no acesso à matéria escrita. A variedade de situações identificadas entre os alunos designados como alunos especiais, geram respostas diferentes no trabalho da mediação leitora especializada para este grupo particular. Para cada pessoa há, e tem de haver, um modo diferente de aproximação ao livro.
Um universo variado com diversas respostas
 Se no caso do espectro do autismo o primeiro passo é captar o interesse, a atenção, para poder trabalhar a mensagem do livro, não tendo nós a certeza do grau (profundidade) de apreensão dos conteúdos, noutras situações, por exemplo de défice cognitivo, a mediação ativa da leitura promove o entendimento da matéria escrita. A ilustração (imagem) é fundamental junto destes alunos especiais, sendo uma ferramenta para a compreensão leitora, entendida aqui sem a presença da leitura funcional.
O suporte livro é usado habitualmente para trabalhar aprendizagens identificadas como essenciais para a “normalização” do aluno: competências sociais, incluindo o quotidiano funcional, estando a fasquia apontada predominantemente para a leitura e matemática. A mediação leitora trabalha globalmente os diversos entendimentos do mundo, exercendo a sua influência sobre essas aprendizagens. A literatura e as histórias são um campo de excelência para o trabalho em torno do jogo simbólico, atuando as personagens dos enredos como terapeutas acidentais de conteúdos, criando relações e entendimentos com o mundo real.
Quanto à problemática da paralisia, sem nenhum outro fator de deficiência associado, o problema parece residir no acesso aos meios tecnológicos (interfaces digitais) que permitem a fruição da leitura e da escrita. Escusado será dizer que a leitura e a escrita, em contexto de dinâmica mediadora, manifestam um grande poder projetivo junto dos alunos com perturbação/doença mental contribuindo para a sua evolução terapêutica. Na abordagem da dislexia é frequente ver psicólogos e professores usando o livro infanto-juvenil como ferramenta, a par de jogos cheios de intenção gráfica. Alunos cegos ou de baixa visão têm uma abordagem específica nas escolas de referência, ganhando grande importância a narração oral e a leitura em voz alta (sendo muito apreciados os textos descritivos, de linguagem sensorial e humor quotidiano); os objetivos são estabelecidos em direção à literacia tátil, orientação e aprendizagem da escrita Braille a par do curriculum normal. Quanto à surdez, existem dois universos distintos: por um lado alunos com implantes cocleares que integram a escola normal (com apoio de terapeutas da fala), por outro, alunos que fazem parte da comunidade de surdos, usando no seu dia-a-dia a Língua Gestual Portuguesa (LGP), sendo natural a aprendizagem da leitura no Português escrito, embora com metodologia própria. Neste campo particular, os tradutores LGP – Português têm grande importância pois ao acrescentarem expressão e riqueza vocabular à tradução do texto escrito, potenciam o gosto pela leitura.
A Mediadora da leitura Cláudia Sousa com um grupo especial
Projeto Ideia.pt - Vila Nova de Paiva
As bibliotecas escolares
 O papel determinante do trabalho com o livro, a leitura, a literatura e as literacias, bem como o valor crucial da inclusão conduzem-nos necessariamente a um agente incontornável em qualquer estratégia: a biblioteca escolar, entendida como estrutura essencial do processo educativo na escola e, ainda, enquanto recurso em todas as dimensões – físico (sem barreiras), a documental (coleção e ferramentas para leitura em múltiplos suportes), e humano (equipa preparada e motivada para a colaboração com docentes e não docentes, e para a individualização de respostas a cada leitor, em tempos letivos mas também não letivos). Neste sentido, são de mencionar as linhas de orientação desenhadas desde 2012 pela RBE, através do projeto Todos Juntos Podemos Ler, envolvendo numerosos agrupamentos de todo o país.
A gestão do curriculum é assim aprofundada e desenvolvida com novos recursos e de modo mais fluido e menos penoso, com a ajuda da mediação leitora, sempre em articulação com as propostas que o agrupamento prioriza, tendo em conta as necessidades concretas identificadas.
As ferramentas de mediação da leitura e do livro
 É grande o conjunto de ferramentas que os mediadores da leitura usam no seu trabalho no terreno, mas apenas referirei as que habitualmente utilizo junto do público com necessidades educativas especiais. A primeira ferramenta é sempre o nosso corpo: o olhar, o toque, uma disponibilidade quase animal para a comunicação.
No início, sempre a palavra, o desenvolvimento da capacidade de comunicação de conteúdos através de jogos de oralidade, lenga lengas, pequenas canções e desafios onde a presença do corpo é constante. Depois, pequenos textos, livros de imagem, partilhados em momentos ritualizados ou de surpresa em contextos variados.
Pequenos exercícios onde os sentidos se ligam às narrativas ou à construção de frases, recorrendo a meios aparentemente alheios aos livros. Sempre que possível, aplico metodologias participativas em escrita criativa ou trago, da educação artística, elementos plásticos que se aplicam transversalmente para um determinado objetivo.
É comum a utilização de meios informáticos e áudio visuais pela sua presença sedutora. Uma leitura da documentação variada existente em miguelhorta.pt dará uma imagem mais clara dos recursos aplicados e dos contextos.
Como sempre, as ferramentas valem o que valem, pois o mais importante é ter objetivos claros e realistas em relação ao grupo particular de alunos com quem se vai trabalhar

Recurso em tempo de crise (ferramenta)

Como poderemos aproveitar os desperdícios de carpintaria para o nosso trabalho plástico? Basta combinar com o carpinteiro mais próximo para que vá juntando as pontas das peças que corta numa caixa, que depois passamos lá para recolher… É importante selecionar as peças, pondo de lado aquelas que apresentam imperfeições e farpas. Estes pedacinhos de madeira funcionam como legos, permitindo construir pequenas esculturas modulares que depois podem ser pintadas a gosto. Um recurso muito acessível para trabalhar a motricidade fina, a tridimensionalidade. Nas nossas oficinas “Museu aberto” (“Ideias na ponta dos dedos” - Descobrir Gulbenkian) reaproveitamos a madeira da oficina do senhor Correia. Ainda uma palavra sobre a cola que usamos para juntar as peças: a nossa opção foi por uns pequenos frascos de cola de madeira, muito ergonómicos (cabem bem na mão). Os tubos de “cola tudo” são difíceis de manipular, babando com frequência e gerando muito desperdício, nada indicados para trabalhar com necessidades educativas especiais. Também a opção da cola com pincel torna-se estranha: por vezes os participantes “pintam” com o pincel da cola. A função inicial do objeto sobrepõe-se ao objetivo pretendido

terça-feira, 10 de junho de 2014

O "Tásse a ler" terminou há 3 anos

O projeto “Tásse a ler” encerrou há 3 anos, mais ou menos por esta altura estávamos atarefados com a festa de encerramento que teve lugar em paredes de Coura. Reparei que ao longo destes anos o nosso blogue foi muito visitado… As metodologias experimentadas junto dos jovens continuam a fazer sentido, sobretudo a intervenção fora de portas. Ao levar a biblioteca para bares, cafés e casas de bilhar, aproximámo-nos de um público que habitualmente não frequenta os espaços de leitura. Ir ao encontro dos jovens, onde eles tiverem, com propostas inovadoras que os surpreendam, pode ser o caminho para a revitalização das bibliotecas públicas e escolares. A mediação leitora fora do contexto escolar, sem o ónus do curriculum, pode seduzir os jovens para os espaços de leitura. Reparei que a Universidade Católica (Braga) publicou a dissertação da tese de mestrado de Sandra Isabel da Rocha da Silva, nossa companheira de projeto; um documento útil para se entender melhor este projeto do Vale do Minho. Consultar aqui

Boas férias!

Apresentação dos "Uivos Lusófonos" em aula pública - Fundação Calouste Gulbenkian
Prestes a iniciar a nova edição do Projeto 10x10 (Programa Descobrir/Gulbenkian) os meus pensamentos vão para os alunos da Secundária Seomara da Costa Primo (Amadora) que estão a terminar o ano, com quem vou estarei esta sexta-feira. Sei que melhoraram as notas e estão mais acordados e também mais serenos. Concluo que o projeto lhes fez bem, embora tenham fragilidades na Língua Portuguesa, herdadas de um percurso com anteriores impreparações. Fica a memória do entusiasmo e empenhamento que emprestaram ao projeto numa atitude alegre e afirmativa. Aprendi com a professora Elisa Moreira a trabalhar melhor dentro da estrutura escolar; é mais fácil ser um artista vindo de fora do que um docente que para além da sua missão gere afetos, tensões, tornando-se quase num familiar destes jovens. A minha palavra de admiração e respeito pela profissão docente! Desejo boa sorte a todos nessa escola agora renovada: acabaram-se as aulas no “bairro” (conjunto de ruas desenhadas pelos contentores/sala de aula)…
A dupla... (foto Rodrigo Ferreira)
Na aula pública com Elisa Moreira
Foto de despedida. Muitos beijos e abraços. Este projeto tocou-nos lá bem no fundo.
Disse um último poema antes de partir: "Asas" de José Fanha.
Vale a pena apostar no trabalho com jovens!

domingo, 8 de junho de 2014

Há domingos assim...

Fala-me de ti. Diz-me como és e como te sentes neste país agonizante numa letargia sem resposta. Apetece-me perguntar isto mesmo aos jovens, para quem redijo projetos de intervenção. Se calhar estou redondamente enganado… Olha, já viste como se beijam e sorriem? Iguais a mim, naquela idade, também estouvados e desproporcionados na expressão ou no silêncio. Mas sempre secretos, exclusivos e incomparáveis – respeito isso. Boa parte, maus alunos, como eu fui. Só me assusto quando lhes vejo os excessos, em fuga. Cilindrados pelo álcool e pela insegurança escrevem histórias de vida que não escolheram. Se fosse mágico inventava futuros… Mas tenho sempre a vocação de espelho para melhor refletir as suas imagens quando comigo se cruzam. Limpo o espelho todas as manhãs com o lenço da disponibilidade. Aproveito e limpo os óculos, também: para que veja melhor através da opacidade dos dias. E fico ali, deixo que me observem (como dizia João dos Santos). E observo, também, o tempo que for preciso. Quantas vezes não falhei por excesso de confiança, tão adolescente? Concluo que somos parecidos. A tarefa é sempre a mesma: encontrar as respostas com o outro e não para o outro. Guardo sempre uma frase dita por uma mulher que muito amei: “Quero-te para ti!” Parece que a função de mediador é mesmo preparar terrenos e devolver o papel principal aos jovens protagonistas. Deixar crescer, deixar partir. No outro dia, frontalmente, uma rapariga disse-me na cara: “Não confio em ninguém que tenha mais de 30 anos.” Fiquei a pensar que lhe vai ser muito difícil olhar-se através do tempo a percorrer. Mas pensei-o de forma triste.

Contos no Monte

Mais uma sessão de contos, desta vez na Biblioteca Maria Lamas (Monte da Caparica – Almada). Uma salinha pequenina, intimista, com um bom número de escutadores, entre eles o meu fã número um lá no bairro: o Gabriel.
Sente-se o esforço que a pequena equipa da biblioteca vai fazendo, para que este espaço de leitura vá ganhando o seu lugar junto da comunidade (complicada) do Monte da Caparica. Atrevo-me a sugerir que uma metodologia de intervenção mais direta, fora da biblioteca, nos cafés e outros lugares do bairro, traria mais utilizadores, criando o espaço e a oportunidade para a mediação leitora…
Nessa tarde, fui tomar café a um dos estabelecimentos do bairro e acendi o meu cachimbo cá fora, junto de um grupo de jovens, e logo escutei nas minhas costas um comentário dirigido a mim: “Cada vez há mais Judites por aqui!” (polícia judiciária). Não sabia que tinha pinta de polícia…
Mais um livro para a coleção do Gabriel...