terça-feira, 11 de novembro de 2014

Trabalhando as emoções no estabelecimento prisional do Linhó

Miguel Horta - "Jogo das expressões
Nem sempre conseguimos a regularidade das presenças nas oficinas de leitura e escrita quando trabalhamos em contexto prisional. É preciso que a informação circule e que a segurança autorize a circulação dos reclusos atempadamente. Por outro lado, são muitos os projetos de voluntariado que chegam às prisões, dispersando os reclusos com a variedade da oferta antes que eles se consigam centrar nos seus objetivos com clareza. A leitura e a escrita levam tempo, subtendendo uma relação entre mediador e recluso que necessita de espaço e tempo para que se desenvolva nos seus conteúdos. Por vezes, só na terceira sessão, os participantes entendem os objetivos do meu trabalho; é difícil entender o labor do mediador: não sou padre, voluntário, professor nem educador prisional. As relações levam sempre tempo a construir ; importa que surja uma plataforma de entendimento e crescimento… Na semana passada usei o “jogo das expressões” (construído a pensar nas necessidades educativas especiais) junto dos meus reclusos. Serviu o jogo para trabalhar os adjetivos que caracterizam o outro, partindo da pergunta: Será que consigo realmente ler as expressões de rosto no outro? Como calculam o debate foi bem interessante, experimentando diferentes possibilidades de expressão de emoção, cada um na sua vez, sobre a grande mesa da biblioteca prisional do Linhó. Nessa sessão, todos colaborámos na tradução de um poema em crioulo para português…acho que o autor ficou contente… Textos? Bem, lemos Alexandre O’ Neill e José Fanha 

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