segunda-feira, 21 de abril de 2014

INARTE: Inclusão e Arte

Conheci o Pedro Sena Nunes há dois anos na primeira edição do Projeto 10x10 (Descobrir/Gulbenkian). Gostei do brilho e da energia que emanava, mas sobretudo tocou-me a curta-metragem que nos mostrou, onde uma mulher grávida dançava nadando ladeada por jovens com paralisia cerebral, numa harmonia aquática: moviam-se num líquido primordial comum. Algum tempo depois, participei no encontro INARTE (inclusão e arte) com uma pequena provocação em torno do desconhecimento que temos do Outro, habitualmente rotulado com uma qualquer convenção confortável que nos garante uma distância cómoda da diferença. A imagem e objeto que escolhi foi uma ostra. Pude assim partilhar com assistência, cheia de diferenças, a imagem do caminho que venho trilhando em direção ao outro, consciente da nossa breve existência aqui neste lado da vida.
Como sabem, nas “Oficinas Museu Aberto (Programa Descobrir/Gulbenkian), desenvolvemos em profundidade um trabalho especializado junto de públicos com necessidades educativas especiais. Simão Costa (também artista do 10x10) que vem dinamizando a oficina “Eu sou Som” propôs que divulgássemos o nosso trabalho no INARTE. Achámos que seria uma boa oportunidade de divulgar o “Labmóvel” (mecanismo multimédia estruturado em torno do som) e todo o trabalho de investigação feito junto destes públicos especiais. A Vo'arte acolheu a ideia.
Foto: Vo'Arte - Maria Gomes
 Conscientes de que o trabalho que desenvolvemos é certamente sedutor para os públicos designados habitualmente como normais, o que mais nos tem empolgado é o impacto que toda esta metodologia de som pode ter junto da deficiência e da doença mental. Embora esta metodologia de som tenha um efeito aglutinador e terapêutico evidente junto dos nossos visitantes com perturbações mentais, centrámos a nossa participação no INARTE em torno do Autismo e da Multideficiência (mais profunda). E levámos o nosso “aparato” para o pequeno palco da Culturgest, apresentando o dispositivo desenvolvido por Simão Costa, partilhando os diferentes recursos disponíveis e os resultados encorajadores obtidos. Fiquei muito agradado por ver entre a assistência um pequeno grupo de pessoas que descreviam com palavras tudo o que íamos fazendo naquele palco, desenhando com as palavras para que os cegos que escutavam a nossa intervenção conseguissem visualizar a nossa proposta... Pouco tempo depois já os cabos das colunas do Labmóvel estavam esticados pela assistência, para que todos pudessem experimentar a nossa proposta (o mesmo se passou com os Tablets que contêm as aplicações que utilizamos habitualmente com o nosso público especial).
Foto: Vo'Arte - Maria Gomes
Foto: Vo'Arte - Maria Gomes
 Estes encontros INARTE são um acontecimento impar no nosso país, um fórum de recursos e pontos de vista sobre a diferença, com destaque para a importância da criação artística em todo o processo necessário de inclusão das diferenças.
Ficou uma interrogação latente depois do encontro: Será que somos verdadeiramente inclusivos nas nossas oficinas “Museu Aberto”? A resposta é SIM! Sobretudo na nossa oficina “Sábado sou som” em que reunimos famílias ditas “normais” com famílias “especiais” para nos conhecermos melhor através do som. Mas também é certo que a nossa preocupação primeira tem incidido na acessibilidade aos conteúdos por parte de todos os públicos, independentemente das diferenças que possuam. Mas a ideia da inclusão vai-se construindo a cada dia…

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