quarta-feira, 19 de março de 2014

Dia do pai


Era preciso bater à porta do escritório para entrar... Lá dentro um mundo de livros. Com sorte saía com um beijo, o livro era certo. Acertámos o passo, trocámos ideias e cigarros numa cumplicidade reencontrada. Hoje continuo a recompor a imagem entre células emitindo raios gama e fragmentos alegres de histórias congeladas no passado. A mina que explodiu na Faial Coal talvez tenha sido um foguete de festa. Era sempre preciso ir mais fundo, cada vez mais coerente: entrei no batiscafo e dirigi-me aos fundos abissais. Herdei defeitos e qualidades colados no mapa da genética dos dias vividos. Gostaria que tivesses conhecido todos os teus netos... Mas isso é um capricho próprio do tempo, essa poalha que nos cobre, acrescentando dias. Vou usar essa curiosidade que me deixaste para entender melhor o caminho; está escuro, às vezes não consigo descortinar o carreiro sob a ténue claridade do luar.

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