quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

A máquina da poesia na Trafaria


Ontem foi dia de “Máquina da poesia” no agrupamento de escolas da Trafaria, zona TEIP (territórios educativos de intervenção prioritária). Esta iniciativa da Biblioteca Maria Lamas (rede de bibliotecas de Almada) teve lugar na biblioteca escolar da escola sede com um oitavo ano agitado, com um baixo nível de literacia. Foi uma sessão dura com algumas conquistas. Como sempre, comecei por seduzir os jovens para a causa da poesia com algumas larachas que soltaram risos e com as palavras de António Gedeão em Hip Pop e o “Brincador” de Álvaro de Magalhães. Inevitavelmente, havia um cromo a dificultar um pouco a atividade, numa liderança tonta de quem nunca foi educado a olhar mais longe a vida. Mas a oficina chegou a bom porto, com pequenos textos escritos, alguns com uma profundidade assinalável. Precisava de mais tempo com estes alunos para que alguma coisa se sólido ficasse semeada nas suas cabeças. Estas intervenções requerem continuidade e nesse mesmo local, a biblioteca escolar, lugar de oportunidade da educação não formal dentro da escola. Só com uma metodologia mais aberta poderemos levar estes jovens a experimentar diferentes recursos e, talvez, conduzi-los à leitura, na multiplicidade das suas formas.
A experiência dos territórios educativos de intervenção prioritária (TEIP) teve início em 1996, como consequência da “paixão pela educação” de António Guterres. Hoje, mais do que nunca, é necessário reavivar esse enamoramento, pois a escola pública, nestes meios desfavorecidos, é a última porta segura que se abre a um numeroso grupo de jovens que pouco acesso têm à produção cultural e a espaços de reflexão pessoal sobre o percurso de vida. Estamos num momento crítico em que devemos investir a montante numa escola cultural atenta ao individuo, antes de nos depararmos com o caos que se vai formando a jusante, numa sociedade cada vez desigual, com sintomas de marginalidade e violência em crescendo. 
E o que é que os mediadores culturais têm a ver com isto?
Tudo, pois deveríamos estar mais presentes na escola pública, numa parceria quotidiana com os professores curriculares. São poucos os mediadores que trabalham na escola e escasso o financiamento na área de educação não formal.

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