domingo, 28 de dezembro de 2014

Projeto 10x10: QR CODE e a Geologia

Quase a terminar a fase das aulas a duas vozes (e muitas ideias), partilho hoje uma metodologia (designada na equipa do projeto como “Micropedagogia” aplicada no Projeto 10x10 (Descobrir/Gulbenkian) junto dos alunos do 10º ano da professora Ana Pereira, na escola secundária D. Dinis (Lisboa). Trata-se do QR CODE recurso digital muito comum no comércio de produtos. Como usar um truque tecnológico para fazer sair os alunos da formatação curricular em direção a novas relações e descobertas, partindo do manual escolar? Foi com base no pressuposto de que os alunos entendem melhor a matéria se a relacionarmos com a Arte e o mundo atual (o “agora”), que lançámos mão dos QR CODE introduzidos em lugares precisos do manual. Estas hiperligações, passiveis de leitura pelos smartphones, conduzem a locais de informação pouco comuns: Uma canção de David Bowie, o som de um vulcão, uma música de Sigur Rós, um vídeo (instalado num robô oceânico - ROV) da expedição NOAA (deste verão) aos fundos abissais do Atlântico Norte, um concerto na catedral de Ulm por Stephan Micus, um conjunto de cartoons ambientais (…).
Colocando um post-it com o QR CODE na página escolhida do manual
À medida que a matéria vai surgindo, vamos visionando os desafios propostos pelos códigos – os alunos comentam e estabelecem relações com o Planeta (matéria das nossas aulas). Uma das alunas comentou que o assunto do link tinha sido abordado num telejornal desta semana; trata-se de uma investigação da Nasa em torno do som dos planetas…
Um dos links, que apresentava o som de um vulcão da Islândia, foi derrotado pela realidade da erupção na ilha do Fogo (Cabo Verde) divulgada através de uma perfusão de vídeos que se podem visionar atualmente na internet.
Esta estratégia (“Micropedagogia”) é também uma forma de introduzir propostas significativas e autónomas, para além do manual. Uma janela aberta a partir do manual que permite a independência do docente, possuidor de uma personalidade pedagógica a preservar. Existe algum efeito de sedução no meio tecnológico utilizado mas, como sempre, o truque não está na ferramenta, mas sim na intencionalidade dos conteúdos propostos… Aqui vos deixamos os códigos para que possam partir à descoberta das relações propostas com a matéria de Geologia.
Ahhh… Não conseguem descodificar os códigos? Não têm um telefone desses? Nem de um amigo que o tenha? Nem conseguem ajuda na biblioteca escolar? Bom, então tomem nota deste link e boa navegação na internet….
http://blog.qr4.nl/Online-QR-Code_Decoder.aspx


sábado, 20 de dezembro de 2014

10x10 - Na sombra do vulcão da Chã (Fogo)

Quase em cima do Natal, aqui estou a dar notícias da nossa odisseia geológica com a turma do 10º ano da secundária D. Dinis (projeto 10x10– Descobrir/Gulbenkian). Estamos a fazer uma maquete de um vulcão, ao mesmo tempo que a Chã das Caldeiras é invadida pela lava que aos poucos engole a aldeia de Portela. Assustadoramente, a “matéria” a dar nas aulas está a acontecer em tempo real. A ilha do Fogo é muito importante para mim: parte da minha pintura  nasceu nesta cratera vulcânica, sentindo-se o eco deste pulsar geológico aqui e ali nos trabalhos que vou produzindo. Também a escrita e a ilustração sofreram a influência desta ilha Cabo-verdiana; um bom exemplo disso é meu livro “Pinok e Baleote” - passa-se numa ilha muito parecida com esta (“Tamarindo”). Algumas personagens foram inspiradas nas gentes de S. Filipe, não faltando, mesmo, uma erupção vulcânica descrita nas páginas do livro. Decisiva esta viagem no ano de 1980…
Agora, de mãos no gesso, damos corpo ao vulcão…ainda faltam os matizes próprios deste fenómeno geológico… O laboratório de geologia/biologia transforma-se num ateliê de pintura e ideias todas as terças feiras de manhã. A professora Ana Pereira vai circulando pelos grupos que se atarefam na finalização dos planetas imaginários, perguntando, desafiando, certificando-se que os conteúdos da “mentira cósmica” estão bem consolidados. Como é uma turma pequena, já nos conhecemos bem – torna-se possível passar o conhecimento de forma personalizada, atenta, o contrário da massificação do ensino. Estou a “torcer” pelo sucesso escolar deste grupo de alunos; fiquei triste quando uma aluna mais fragilizada deixou as aulas, reduzindo assim o tamanho do grupo.
Criando novas formas de vida para um planeta imaginado...
Investigando: A partir do que já se conhece do cosmos,
construir uma argumentação sólida para a mentira.
Cooperar...
procurar os tons exatos para a atmosfera de um planeta sulfuroso
Aproxima-se a aula pública na Fundação Calouste Gulbenkian. Vamos ter de decidir em conjunto o formato final da nossa apresentação, mas estes alunos da área das ciências são pouco adeptos de palcos... Tomaremos as nossas decisões, como sempre, em plenário (fórum). Para quem não conhece este projeto, as aulas públicas que terão lugar no fim de semana de 24 e 25 de janeiro serão um bom momento de descoberta.
Contemplando a obra...

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Acolá em Vale de Madeiros, Canas de Senhorim e Nelas

Regressei às bibliotecas e escolas do concelho de Nelas para falar do meu livro “Dacoli e dacolá” que está cheio de referências a esta zona da Beira Alta, onde passei momentos decisivos da minha vida. Um dia intenso que começou cedo na escola de Vale de Madeiros, a seguir na Biblioteca escolar da EB 2.3 de Canas de Senhorim e terminou em beleza na Biblioteca Municipal de Nelas: alunos envolvidos e atentos, um reflexo do empenho da bibliotecária Paula Vitória e de todos os professores bibliotecários do concelho. Gostei de conversar com os meninos e meninas de Vale de Madeiros naquela escolinha de acolhedor soalho em madeira. É nessa aldeia que vive  (dentro de uma história) Lídia- a rapariga que pegou fogo à floresta da Felgueira…
Ao fim de algum tempo em convívio com os leitores, começo a portar-me mal (talvez por contaminação), mas parece que o pessoal mais novo aprecia bastante os disparates em torno da língua Portuguesa… Em Canas de Senhorim e Nelas, o mesmo acordo: Se vocês perguntam, eu tenho o mesmo direito…. Assim os pequenos leitores perguntam e eu pergunto também, pondo a cabeça a andar à roda com questões difíceis como: “Qual a diferença entre mentira e fantasia” ou “a diferença entre olhar e ver”. Quando o grupo é bom, peço para me comentarem a frase, explanando bem as razões das suas opiniões: “As respostas verdadeiramente interessantes são aquelas que destroem as perguntas!”…Porquê? Gosto de escutar aquelas cabeças que pensam… Quase sempre, confidencio (lendo) um poema não publicado, indagando se ele deve ser apresentado a leitores da mesma idade deles. Recolho, então, opiniões. A certa altura pergunto, a propósito da “menina que escutava as pedras” (Dacoli e Dacolá) - O que é que as pedras lhe diziam? Oiço falar de nomadismo e de povos do passado, mas oiço uma menina a dizer baixinho: “Histórias, algumas de agora, passadas lá nos Fiais”… É isso, as pedras parecem mudas, mas só para quem esteja desatento. Mesmo espartilhados pelas metas curriculares, os professores conseguem encontrar o espaço e o tempo para trabalhar um autor mais desconhecido; a hospitalidade beirã ganha aqui a sua expressão verdadeira. Estão todos de parabéns em Nelas e Canas de Senhorim: quando o “Rimas Salgadas” finalmente estiver disponível, regressarei!
Às vezes as perguntas são bem difíceis e o perguntador exigente...

domingo, 14 de dezembro de 2014

Quelle aire claire à Noël!

Este natal no Centro de Arte Moderna, partindo da obra de Salette Tavares, desenvolveremos um oficina de construção de  “Dicionários pessoais (palavras que desenham)”. Esta oficina, em tempo de férias, será orientada pelos monitores/artistas Joana Andrade, Carla Rebelo, Rita Cortez Pinto e Miguel Horta, propondo um trabalho em torno da palavra. Desenhando a palavra que voa para o espaço usando todo o seu potencial gráfico, brincando com os sons e os sentidos da escrita e dando-lhe corpo e movimento em exercícios coletivos e individuais. Uma oportunidade de fruir o museu descontraidamente, enquanto se prepara a ceia de natal. Para quem não conhece a obra de Salette Tavares, porque não aproveitar este tempo de pausa para dar um salto ao Centro de arte Moderna? A exposição encerra a 25 de janeiro.

Mais informação sobre a oficina: Aqui.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

O nosso Km2


No dia 10 de novembro participei, junto com outros artistas (Margarida Mestre, Maria Gil e Sofia Cabrita), numa dinâmica destinada a jovens estudantes da Secundária Marquesa de Alorna, cujo objetivo era levar a refletir, de forma criativa, sobre o “Km2” que “habitam” em torno da escola. “o nosso Km2” é um projeto promovido pelo Programa de Desenvolvimento Humano da Fundação Calouste Gulbenkian em parceria com a Câmara Municipal de Lisboa. Sobre este projeto local pode ler-se: Através de um conhecimento mais aprofundado da freguesia de Nossa Senhora de Fátima, onde a Fundação Gulbenkian se encontra sedeada, este projeto tem como objetivo contribuir para a construção de uma cultura de comunidade participativa e atuante. Pretende-se estimular o desenvolvimento de redes de proximidade e vizinhança para encontrar respostas para os problemas sociais que afetam esta população. Visa também fomentar a criação de redes de voluntariado que respondam a algumas das problemáticas identificadas, envolvendo todos os agentes presentes na freguesia na descoberta e aplicação de soluções.
Ora, 90 minutos para pensar no território, com os seus lugares, afetos e ligações que se estabelecem com coordenadas particulares é pouco, mesmo assim as sessões correram bem. Num ecrã, a imagem do planeta (Google Earth) que ao longo da sessão se foi aproximando do território da escola até que se pudessem identificar claramente as ruas do nosso no Km2. Depois de uma série de pequenos exercícios de movimento e jogos, propostos pela Sofia, que geraram risadas e descontraíram o corpo e as ideias - estávamos prontos para o próximo desafio: criar uma cartografia pessoal e outra coletiva, encontrando diferentes lugares: Um lugar para estar sozinho, um lugar proibido ou perigoso, um lugar para namorar, um lugar de memórias e um lugar de encontro. 
Foi muito interessante o debate que se gerou na procura desses lugares inscritos em cartões coloridos que foram dispostos no chão da sala, tendo como referente central a escola e, claro, os pontos cardeais. Através destas conversas, fomo-nos apercebendo das dinâmicas dos jovens e dos seus bairros de origem (se é certo que alguns moram na proximidade, outros vêm de longe). De entre as escolhas dos jovens destaco algumas que me parecem interessantes. O jardim da Fundação é referido pelos participantes como um lugar para estar sozinho. Os locais para namorar são variados, dispersos e pessoais. Já o ponto de encontro é sempre perto da escola. Como resposta à pergunta – onde começa o território da escola? – Alguns responderam que começa logo de manhã à saída de casa. Lembro-me, como numa sequência quase cinematográfica, de uma rapariga que escolheu um banquinho, mesmo na base da ponte metálica que atravessa a linha de comboio, para estar sozinha; outro rapaz escolheu essa mesma ponte como ponto de encontro… Sobretudo, gostei de ver os jovens sentados descontraidamente na alcatifa das belas salas da Fundação, falando dos seus lugares e descobrindo dados novos sobre a geografia de vida dos seus colegas de turma. Nem sempre tenho hipótese de falar dos meus colegas artistas e do prazer que me dá trabalhar em conjunto – hoje o Óscar vai para a Sofia Cabrita!

sábado, 6 de dezembro de 2014

Mentira cósmica 2

 Os planetas vão ganhando corpo nesta edição do projeto 10x10 (Descobrir/Gulbenkian). A “mentira cósmica” torna-se palpável. Vivem-se momentos de empenho nesta turma do 10º ano, a par de muitas interrogações sobre o impacto esperado deste meteoro pedagógico. Alguns astros surgem com a superfície rugosa, testemunha de uma formação convulsiva. Outros aparentam uma calma amarela e enganosa, sugerida por um oceano sulfúrico. Outro, ainda, banhado pela luz de duas estrelas, é orbitado por três satélites pequenos e enigmáticos. Há outro que ostenta um brilho diamantífero nas margens do grande oceano cerúleo. Para além do que se vê, sempre a construção imaginativa de mãos dadas com o argumento que dá corpo a uma ideia, mesmo que geológica. Tento adivinhar o que vai na cabeça destes jovens – talvez uma visão íntima do que é a escola, num tempo feito para crescer, sobretudo nos afetos. Reconheço a importância dos professores como referentes insuspeitos na construção individual, muito para além do curriculum ministrado.
De volta de um satélite

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Mais!!

"MÁSSS!" de Peter Schossow
Terminou hoje o ciclo de sessões de promoção da leitura e da escrita do projeto “A cor das histórias” (Leitura sem fronteiras) no estabelecimento prisional do Linhó. Se já tínhamos ido à praia com o livro “A Onda” (Suzy Lee), hoje voltámos lá com o álbum “MÁAAS!” de Peter Schossow, um mar de outono de onde queremos levantar voo. Outro livro de imagens, “Migrando” (Mariana Chiesa Mateos), trouxe o drama da imigração e dos naufrágios no Mediterrâneo para a nossa grande mesa. Fica sempre um travo de tristeza, incontornável, à saída da prisão, no final de um projeto. Consegui calma e escuta num pequeno grupo de reclusos, depois surgiu a escrita. Um recluso Romeno vence a dificuldade da língua e lê-nos um poema. Outro estende-me um papel, dizendo: “Olhe, publique lá no seu blogue”. Aqui te cumpro a vontade, Kido!

Dizer adeus
de lá de longe
lá do fundo

Mas será que o adeus eterno existe?
Não acredito

O coração persiste
quando um amar de amigo
companheira
familiar
ou um outro ente querido
persiste em dizer
que adeus eterno não existe.

Quando partires
não digas adeus
que vais para sempre
porque é mentira

Levas contigo
pedaço de mim
do meu coração
Alguém
que um dia
encontrarei de volta
não aqui

Num astro mundo
te espero
de maneira a devolveres
o que é meu
Porquê?
Porque eu
também fiquei
com algo teu

Kido E. T.


A grande mesa tem uma série de livros espalhados, as minhas escolhas de leitura. O “faxina da biblioteca” toma nota dos livros que seguem para as celas (uma espécie de empréstimo domiciliário). Leio poemas da antologia de poesia de José Fanha – Zé, tenho a certeza de que irias gostar de conhecer estes teus leitores… O jovem romeno pergunta: “Tem mais livros no seu saco?” (um saco de pano das Andarilhas) - O livro “Gaveta dos papeis” de José Luís Peixoto foi escutado até à exaustão e gerou um debate profundo sobre a vida. Por hoje, é o que vos escrevo. Ainda ficou por fazer um balanço mais detalhado e crítico deste ciclo de trabalho.

Smile!

 Haviam de ver a cara dos nossos amigos do 7ºD quando lhes disse para “tirarem os cadernos diários da mochila e escreverem o sumário: “A importância dos adjetivos na utilização do telemóvel, facebook e Messenger”. É mesmo para escrever nos cadernos! – sublinhei. Assim começou mais uma sessão do projeto leituras diferentes que decorre no agrupamento de escolas escultor Francisco dos Santos (Fitares/Sintra). A sessão foi completamente dedicada aos adjetivos através da proposta de um jogo (bem agitado) utilizando os emoticons (vulgo “smiles”) para encontrar as diferentes qualidades atribuídas a cada expressão de rosto. A turma foi dividida em três equipas que se esforçaram para encontrar o maior número possível de adjetivos, correspondentes aquelas “carinhas” que passam o tempo a serem enviadas pelos telemóveis. Como ninguém quer enviar o “smile” errado ao namorado/a, o melhor é saber quais as palavras exatas a utilizar; até porque convém saber as claras intenções de quem nos envia uma mensagem… 

domingo, 30 de novembro de 2014

Antes de sussurrar, pensar...

Antes de contar...
Hoje estive a contar histórias, a intervir, no Centro Paroquial e Social do Cristo Rei, no Monte da Caparica (”Bairro branco”). Assaltou-me um pensamento, enquanto fazia o meu trabalho neste bairro problemático: Como é importante que os narradores orais (Contadores de histórias) saiam do conforto dos públicos garantidamente escutadores para levarem a sua magia a estes lugares esquecidos… Estarão a trabalhar a comunicação, a propor universos para o sonho e para a leitura, mas, sobretudo a preparar caminho para as transformações que são urgentes nesta franja da sociedade. Tenho um profundo respeito pelos animadores sociais que arregaçam as mangas no coração destes bairros, procurando construir respostas para as emergências locais. Ao correr da pena, reconheço que uma boa mão cheia de educadores artísticos (“arte educadores” como diz o Mário Rainha Campos), a trabalhar em Museus, poderiam fazer a diferença ao trazerem as suas metodologias criativas (não formais) ao território da fragilidade social. São escolhas, bem sei… Cada um escolhe a forma como partilha os seus dons criativos ao longo da vida. Sei bem que os imperativos de consciência não salvam o mundo, mas podem fazer movê-lo…podem fazer imaginar, “como imagina um imaginador” (como diz Álvaro de Magalhães). Já se vê que, ao longo da minha vida, irei balançar sempre entre o trabalho egoisticamente criativo de ateliê e as dinâmicas artísticas no âmago social. Adiante… Servem estas palavras para vos falar do projeto “Sussurradores do Monte” (Rede de Bibliotecas de Almada), que hoje se iniciou, pretendendo juntar a prática da leitura e da escrita poética às artes plásticas e intervenção comunitária. Hoje, com esta sessão de conto e dinâmica social, comecei (começámos) um trabalho que espero, junte uma boa mão cheia de gente nova (e não só) em torno da poesia comunicada ao outro. Irei dando notícias, como sempre. 
Conversando, enquanto se come uma bela "Katxupa"...

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

O nascimento dos planetas

(Lá ao fundo, o nosso amigo Rafael Moraes que, entretanto, foi passar o Natal no outro lado do Atlântico)
Continuando na Geologia… Começámos a construir os nossos planetas imaginados (a nossa mentira cósmica): um trabalho de ateliê, “mãos na massa”! Oiço um aluno dizer que não tocava em tintas desde o 5º ano... Depois de algumas indicações de pintor, o grupo começou a transformar bolas comuns em planetas inventados. Primeiro, preparando a superfície antes de começar a colorir e a dar textura. Depois, começaram a surgir oceanos e continentes. Espero que cada astro espelhe a personalidade de cada grupo desta turma de 10º ano (Projeto 10x10 Descobrir/Gulbenkian). Vai ser muito interessante escutar a argumentação final, em defesa dos seus planetas.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Os "animálios" já fugiram pelo museu...

E lá chegou ao fim a nossa oficina dos “Animalários” (snif,snif…). Acho que nos divertimos bastante durante estas duas semanas. Eu e o Hugo Barata propusemos o desenho como forma de entender e brincar com o mundo, a propósito da exposição “Animália”. Pela nossa oficina passaram ilustres colegas como a Sílvia Moreira e a Ana João Romana, para além de termos recebido a visita da Filipa Oliveira. Gostei de estar com aquelas famílias todas, que se fartaram de desenhar num ambiente descontraído, próprio de fim de semana. Uma oficina que deixa saudades… 

"Leituras diferentes" - Percurso curricular alternativo

O projeto “Leituras diferentes” continua o seu percurso no agrupamento de escolas escultor Francisco dos Santos (Rinchoa-Fitares) agora com uma turma PCA (Percurso curricular alternativo). Depois de uma sessão animada em torno do objeto livro e do que é ler, onde apresentei um conjunto de livros de imagens a par de algumas oralidades (literárias), ontem foi a vez de falarmos de poesia. Começámos a usar a “máquina da poesia”, mas vai ser necessária mais uma sessão em torno desta ferramenta alternativa de aprendizagem da língua, da gramática e, sobretudo, do sentido da poesia. Os jovens são variados nas suas personalidades e posturas, de braço dado com algumas dificuldades de aprendizagem. Vai ser necessária uma boa dose de afetos e habilidade pedagógica para os seduzir para o terreno dos livros…
O "agente provocador"...

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Teatro Viriato: Curso "mediar públicos com necessidades educativas especiais"

Museu Grão Vasco: "Jesus na casa de Marta e Maria" 
Atribuído a Vasco Fernandes (Grão Vasco) (1501-1540)
1 de novembro

O curso “Mediar públicos com necessidades educativas especiais” (Descobrir/Gulbenkian) tornou-se itinerante. Depois de Lisboa e Guimarães, foi agora a vez de o realizar no Teatro Viriato (Viseu). Há muito tempo que não trabalhava naquela casa…foi bom rever pessoas que fizeram parte do meu percurso. Curso esgotado, composto totalmente por docentes, com uma boa mão cheia de professores de ensino especial. Foi uma formação trabalhosa que obrigou a mudar o desenho inicial, adaptando-se às características específicas do grupo de participantes. Foi bom contar com a Marta Vidal no arranque dos trabalhos. Como sempre a Margarida Vieira trouxe o tema do corpo como ferramenta para o palco da partilha de experiências. Passados estes anos todos, voltei a "caçar texturas" na Rua Direita e mediei uma obra do Museu Grão Vasco (Cristo em casa de Marta e Maria). Como sempre, a equipa do teatro Viriato apoiou constantemente a realização do curso… Ainda deu tempo para matar saudades da Cláudia Sousa, mediadora cultural de “primeira água”.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Criadores no Cosmos

Kepler - 16L
Não sei se a professora Ana Pereira, companheira do Projeto 10x10, concorda… Mas sinto os alunos muito empenhados na criação de um planeta imaginário. Pesquisam, ponderam hipóteses, fazem estudos sobre as criaturas que o habitam e desenhos, antevendo o aspeto final do astro. Decidem a sua localização no espaço (galáxia) e tipo de sistema solar a que pertence. Vão construindo uma argumentação poderosa para defender a possibilidade real do seu planeta e, também, argumentos para questionar as outras equipas participantes – São quatro equipas, quatro planetas, alguns já batizados e habitados por seres surpreendentes. O estudo da matéria e o espírito científico são fundamentais para esta criação cósmica. A equipa de Denys, de volta de um planeta enxofrado ("Kepler-16L"), resolveu fazer a antevisão da orbe no Photoshop…

domingo, 16 de novembro de 2014

Dia do Mar com contos e ilustrações

foto: Penélope Argos
Regresso a Ílhavo para comemorar o dia do Mar no Museu Marítimo de Ílhavo. Gosto sempre de voltar a este museu onde sou muito bem recebido… Logo ao início da tarde, promovemos um workshop de ilustração para iniciados, a pensar nas famílias. Uma sala bem composta com gentes de todas as idades. Experimentámos diferentes materiais, desenhámos peixes verdadeiros (estava um cheiro a carapau na sala…), transformámos uma faneca (verdadeira) em matriz de gravura - explorámos as possibilidades do desenho. Gostei de ver os crescidos a desenhar ao lado das crianças.
Ao fim da tarde contei histórias no aquário dos bacalhaus. Imaginem uma grande janela do aquário como cenário para uma sessão de contos…Contar histórias e dizer poemas sobre o mar enquanto um gordo gadídeo nada atrás de nós, faz a diferença; ainda por cima com um público fantástico e variado. Quando forem a Ílhavo não se esqueçam de visitar este museu. Fica aqui um abraço para a Márcia e para o Hugo, extensível a toda a equipa que me apoiou em mais uma aventura no mar.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Uma visita no Domingo - Salette Tavares

"Alquerubim" -. Salette Tavares (Centro de Arte Moderna - FCG)
Recordo-me de Salette Tavares nos meus primeiros anos de estudo no AR.CO. Uma senhora de cabelo montado com um subtil sentido de humor comunicando bem com um bando de estudantes de imagem pouco cuidada (na altura tinha o cabelo bem comprido…). Lembro-me de ter visto a exposição na galeria Quadrum  - a “Bailia” (peça exposta no CAM) estava montada num espaço criado com lençóis que pendiam do teto, a sombra do poema projetava-se contra o tecido suspenso. Este Domingo vou fazer uma visita à obra de esta artista pouco conhecida. Sinto um certo peso da responsabilidade. Mas espero que todos aqueles que apareçam no Cam pelas 12 horas de Domingo, se divirtam e entendam melhor esta obra de poesia visual/espacial. “Visita à obra de Salette Tavares exposta na galeria de exposições temporárias, de papel e lápis na mão. O desenho como fiel amigo da memória, ferramenta reveladora de imagens aparentemente ocultas. A mesma mão que escreve o poema brincado, segue o seu caminho no traço de um lápis: o visto toma forma no registo.”

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

"A cor das histórias" no Linhó - A leitura faz o seu caminho

Finalmente começam a chegar respostas aos meus desafios: poemas escritos e ilustrados pelos reclusos. De vez em quando temos que trabalhar a escrita a partir da língua materna dos participantes; começamos com o poema em Crioulo e todos ajudam a traduzir para Português – ficam espantados com o poder das palavras numa língua que dominam mal… Dão bom uso aos cadernos e canetas que ofereci… No grupo há um jovem Colombiano que se farta de ler… Ontem levou um livro de Luís Sepúlveda (“Expresso da Patagónia” ); já lamentámos não ter um livro de Garcia Lorca para ler aos outros reclusos.  A biblioteca vai melhorando – o recluso faxina está a organizar os livros segundo a CDU - vai ser muito mais fácil encontrar o que procuramos. Passou a ficar uma lista de recomendações de leitura junto deste “bibliotecário” acidental, com indicações precisas da pessoa a quem se destina determinado livro.  As pessoas do exterior, bem-intencionadas, por certo, continuam a oferecer às prisões livros obsoletos e pouco interessantes para esta população específica. Diz-me o faxina bibliotecário: “Ó professor…quem vai ler este livro do Lenin ou o “Anuário da Marinha”? Concordo, ninguém. Mas no meio da doação encontro algumas pérolas, já gastas – um livro de Gedeão encontrou logo um leitor. As minhas propostas de leitura vão fazendo o seu caminho no pequeno grupo com hábitos de leitura mais enraizados: Italo Calvino (“O visconde cortado ao meio” – lembrei-me logo da Helena Gravato) e Nicolai Gógol (“O retrato”). Este trabalho de mediação leitora em contexto prisional necessita de mais tempo para se desenvolver. Consegui que o um dos reclusos lesse em voz alta dois poemas de José Fanha (Antologia) – O Fanha faz milagres neste contexto… Outros autores lidos na sessão: Álvaro Magalhães, Ondjaki (“os da minha rua”) e, de novo, Alexandre O’ Neill (muito apreciado nesta comunidade de leitores). Encerrando a sessão, um livro de imagens de David Wiesner (“Tuesday”) fez as delícias dos presentes.
Poema escrito e ilustrado pelo Nilson. Há muitos cadernos com escrita escondidos nas celas.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Trabalhando as emoções no estabelecimento prisional do Linhó

Miguel Horta - "Jogo das expressões
Nem sempre conseguimos a regularidade das presenças nas oficinas de leitura e escrita quando trabalhamos em contexto prisional. É preciso que a informação circule e que a segurança autorize a circulação dos reclusos atempadamente. Por outro lado, são muitos os projetos de voluntariado que chegam às prisões, dispersando os reclusos com a variedade da oferta antes que eles se consigam centrar nos seus objetivos com clareza. A leitura e a escrita levam tempo, subtendendo uma relação entre mediador e recluso que necessita de espaço e tempo para que se desenvolva nos seus conteúdos. Por vezes, só na terceira sessão, os participantes entendem os objetivos do meu trabalho; é difícil entender o labor do mediador: não sou padre, voluntário, professor nem educador prisional. As relações levam sempre tempo a construir ; importa que surja uma plataforma de entendimento e crescimento… Na semana passada usei o “jogo das expressões” (construído a pensar nas necessidades educativas especiais) junto dos meus reclusos. Serviu o jogo para trabalhar os adjetivos que caracterizam o outro, partindo da pergunta: Será que consigo realmente ler as expressões de rosto no outro? Como calculam o debate foi bem interessante, experimentando diferentes possibilidades de expressão de emoção, cada um na sua vez, sobre a grande mesa da biblioteca prisional do Linhó. Nessa sessão, todos colaborámos na tradução de um poema em crioulo para português…acho que o autor ficou contente… Textos? Bem, lemos Alexandre O’ Neill e José Fanha 

domingo, 9 de novembro de 2014

10x10: Nas estrelas!

Inventando um novo planeta
Pois as aulas de geologia do projeto 10x10 correm bem! É um grupo de alunos pequeno e descontraído que aos poucos vai vencendo esta “matéria” rochosa. Resolvemos lançar um desafio aos nossos jovens: inventem um planeta diferente da terra, usando a vossa imaginação e os conhecimentos que já adquiriram. Vale tudo, desde que a mentira seja bem engendrada. Terão que convencer o resto da turma sobre a possibilidade real do vosso planeta: Composição do astro? Morada no universo? Existência de vida? Se tudo correr bem, faremos uma pequena escultura/modelo. Os 5 grupos trabalham afincadamente… Um dos planetas pertence a um sistema com duas estrelas, noutro a sílica é o elemento fundamental, outro tem um núcleo envolto em diamante e, finalmente, uma orbe aquática com a vida surgindo na base do enxofre. Gosto bastante dos esboços e rabiscos que vão surgindo no interior de cada grupo.
Resolvemos começar a última aula no átrio interior de entrada na escola com um exercício de corpo em que se simulava o movimento dos astros. Parti de uma proposta da Sofia Cabrita e inventei. Colocámos a estrela (a professora Ana Pereira) no centro do grupo. Dividimos o grupo em duplas: um planeta e o seu satélite (com velocidades e comportamentos diferentes) e orbitámos em torno do nosso sol, cumprindo elipses diferentes…sem choques. Daí a pouco já tínhamos seduzido dois alunos de outra turma que ali estavam sem aulas. Agora com mais astros, transformámo-nos em loucos asteróides que tinham de se afastar do seu duplo ocupando todo o espaço do átrio. Finalmente, o choque dos asteróides, massa cósmica, formando planetas: Pensem secretamente num asteróide/colega e colem-se a ele: formaram-se dois planetas. A professora Ana sorria... os alunos das outras turmas e os assistentes operacionais olhavam-nos espantados. Ninguém queria parar, mas tínhamos outro desafio para cumprir…

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Roda viva

A equipa das Necessidades Educativas Especiais do Centro de Arte Moderna tem andado numa roda viva neste mês de outubro. Primeiro com o encontro (fórum) “Descobrir a Diferença” que teve lugar no sábado passado no edifício sede da Fundação Calouste Gulbenkian, depois em Setúbal com uma meta-oficina promovida pela Câmara Municipal, sobre o rosto e a identidade e, agora, em Viseu (Teatro Viriato) de onde vos escrevo, com o curso “mediar públicos com necessidades educativas especiais”. Não estávamos à espera de uma grande adesão ao fórum “Descobrir a diferença”, mas a sala encheu-se com um debate vivo. Faltam espaços para troca de ideias entre pais, técnicos e professores; foi isso que sentimos. A nossa convidada Ana Salgueiro foi respondendo às questões que lhe foram sendo colocadas: o debate rodou, primeiro em torno das questões da comunicação e convivência entre pais, técnicos, professores de ensino especial e claro, sobre a escola no seu todo. Falou-se de inclusão e da legislação portuguesa, considerada por Ana Salgueiro como muito avançada no universo europeu. Socorro-me de algumas notas da minha colega Margarida Rodrigues para avivar a memória: falou-se de intervenção precoce, tema forte para Ana salgueiro, tendo sido referido um ponto que me chamou a atenção: “Frequentemente, são as educadoras de infância que reconhecem os primeiros asinais da diferença, sobretudo no que diz respeito às perturbações do espectro do autismo.”Leio, nas notas da Margarida: “que a intervenção precoce volte a trazer a relação entre técnico/medico/família/professor… para que em vez de estar tudo dividido e espartilhado, numa situação em que os pais/família são quase como bola de pingue-pongue, passe a estar tudo incluído num mesmo todo, com mais relação e apoio.” Na primavera voltaremos a promover mais um fórum, desta vez com a presença dos “Pais em Rede”- a urgência, obriga-nos.Em Setúbal o interesse pelas nossas ideias tem aumentado – esta é a segunda vez que fazemos uma intervenção formativa pela mão do Município. Quero agradecer à Sónia Eleutério o carinho com que nos recebeu, mais uma vez, em Setúbal. Soube bem sentir a reação de aprovação daqueles formandos experientes à nossa abordagem das questões da identidade, sua representação e relação com o corpo que a habita. Se tudo correr bem, voltaremos. Em breve vos darei conta do nosso trabalho aqui em Viseu. Até já. 
Corpo e identidade...