domingo, 8 de setembro de 2013

Insónia


Estudo de rascasso para as guardas do livro ("Rimas salgadas)
A minha Tia partiu esta semana. Encerra-se uma geração tornando-se a seguinte legado. Sofremos, cada um a seu modo. Contou-me o meu primo que numa das noites que se antecederam, quando a insónia o invadia, levantou-se da cama, preparou o material de pesca com cuidado para não acordar a família e no meio do breu saiu da serra em direção à nossa aldeia favorita na costa. Aparelhou o seu barco e conferiu a palamenta zarpando mar fora, muito antes do romper da aurora. Apenas dois ou três pescadores movendo-se no negrume da calheta carregavam as artes para as embarcações. Nasceu o dia sobre o mar e ele naquela solidão gostosa de quem pesca sozinho, arrumando as ideias enquanto se retira um peixe das águas ou navegando de um lado para o outro. Conheço bem o que se sente, mas não sei explicar; quantas vezes fui o único tripulante... 

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