segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Storia! Storia!


Acho que nunca tinha lido um texto como este sobre o meu trabalho. Desculpem se parece apologético…mas foi mesmo assim que a Inês o escreveu. Inês Leitão criou estas linhas para o programa da RTP "Manual de instruções" (Fernanda Almeida). Por sua vez, a entrevista foi quase uma conversa informal e agradável sobre os meus percursos. Aqui fica este pedacinho de boa escrita.
foto de Fernando Resendes (Teatro Micaelense)
Stôria, Stória, Glória di céu, Ámen
Ao falar de Miguel Horta falamos de pintura, de cores, de contos, de línguas e de palavras andarilhas. Mas para falarmos do nosso convidado de hoje temos obrigatoriamente de falar do coração, de tempo e de serenidade porque Miguel Horta traz tudo isso com ele. Ele escreve e conta contos com o corpo e sobretudo com o peito e fá-lo pelo prazer que sente em comunicar com o outro. Para ele não há diferenças entre os homens: ele senta-se para contar histórias a pessoas pequenas e grandes, gordas e magras, a pessoas presas ou livres. O nosso convidado de hoje pede que lhe chamemos mediador cultural… mas no Manual de Instruções vamos chamar-lhe “ contador da vida” e vamos começar por contar a sua história.
Stôria, Stória, Glória di céu, Ámen
"… Era uma vez um contador da vida que considerava que a literatura devia entrar nos museus. E começou arduamente a trabalhar para que isso acontecesse. O contador da vida ria-se das coisas do mundo, pensava sobre as pessoas e procurava diariamente derrubar preconceitos sobre a língua divertindo-se com as palavras que lhe saiam da boca em vários dizeres. Um dia, o nosso contador da vida invadiu a vila de Sintra com os macacos de Júlio Pomar e toda a gente sorriu. Ele também gostava de contar contos nas prisões e fazia da sua vida uma bandeira pela competência da escrita e por aquilo que ele chamava de “cidadania da Palavra” onde quer que fosse. O nosso contador da vida gostava de palavras e as palavras gostavam dele. E o mais excecional é que o nosso contador da vida gostava de ser um homem comum, não trocava a sua aparência simples e humilde por nada deste mundo. Alguém lhe disse, ou ele sempre soube, que só um homem comum pode fazer grandes coisas



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