quinta-feira, 22 de março de 2012

Columbina: "Se fores ao Alentejo, não bebas em Castro Verde, que as fontes cheiram a rosas e a água não mata a sede"

Como preparação do “projeto Columbina”, rumei a Castro Verde para trabalhar com os meninos e meninas do primário. Tínhamos uma missão muito especial: criar pequenos poemas para enviar nas patas dos pombos, em direção à biblioteca municipal de Beja, no próximo dia 25 de Abril. Como iríamos conseguir escrever poemas assim tão depressa? É aqui que faz a sua aparição… a “Máquinada poesia”! E foi uma coisa bonita ver aquelas crianças a escrevinhar frases que geraram imagens poéticas, a entender a poesia muito para além da rima. Um dos meninos, daqueles bem especiais que os outros não entendem bem escreveu: “O Rei beija o Rato” e eu perguntei porquê…e ele disse: “Quando um beijar o outro, trocam: o Rei transforma-se em rato e o Rato em rei. Gosto sempre de voltar a Castro Verde, “as fontes cheiram a rosas e a água não mata a sede” (Cante Alentejano).

quarta-feira, 14 de março de 2012

"Novas Memórias do Cárcere"

A Guimarães Capital da Cultura e a Casa de Camilo desafiaram-me para desenvolver um conjunto de oficinas de escrita no Estabelecimento Prisional de Guimarães, o projeto “Novas memórias do Cárcere”. Será um trabalho aturado a partir do qual se publicará um livro e se realizará um filme. Já estive com os reclusos numa primeira apresentação onde expliquei os objetivos do nosso trabalho. Claro que contei uma história e li um texto em frente a uma plateia de duas dezenas de reclusos expectantes. Vai começar outra aventura nas prisões! Espero que estas pessoas ali detidas produzam textos que os ajudem a crescer e a ler o Mundo. Irei dando notícias desta intervenção aqui no Laredo.
Uma nota desagradável: a desatenção dos jornalistas presentes na conferência de imprensa que conseguiram ignorar o nome do Mediador que vai trabalhar a matéria prima da qual vive este projeto da Capital da Cultura...
Saiba mais em: http://www.guimaraes2012.pt/index.php?cat=191&item=32917

terça-feira, 13 de março de 2012

Concurso Literário nos Estabelecimentos Prisionais Portugueses

Miguel Horta - Desenho - 2011
Ao longo deste tempo, em que tenho promovido a escrita e a leitura em prisões, encontro textos onde as palavras saem simples, por vezes pobres mas genuínas: é uma pequena conquista de privacidade em celas onde por vezes a televisão não se cala das imagens e o que em volta resta é desassossego desconforme. Os níveis de literacia são baixos, no geral; quando eles e elas respondem ao desafio da escrita com a força infantil de uma afirmação, inclino a minha cabeça com respeito e soletro as linhas descodificando caligrafias confusas. Gosto deste trabalho junto à fronteira mais remota da existência social, um mundo fechado de regras próprias povoado por guardas, educadores e reclusos possuidores coração e humanidade falível. Comprometi-me com os meus colegas de júri do concurso inter-prisões sob o tema da árvore, a publicar alguns poemas apresentados pelos reclusos. Começo hoje por publicar um poema do Jorge Angélico do Estabelecimento Prisional Regional de Setúbal, vencedor do 1º Prémio.
A árvore do meu Jardim
Mãe do fruto e da promessa
Cresce num quintal e também na floresta
Rodeada de flores
Ela liberta o ar que apura a atmosfera
De raiz firme pelo frio e pela chuva
Até chegar a Primavera
Sou inquilino de uma selva urbana
Bonita, mas pouco perfumada
Eu, um lago e uma cabana
A vida é doce e também salgada
O ramo dança
O tronco aguenta a dor
A brisa que passa
Pela paz e o amor
Amante perfeita
Leal comprometida
Cresce no meu Jardim
Meu sinal de vida 

Jorge Angélico
Outubro de 2011
EPR Setúbal

Museu aberto: Mediar públicos com necessidades educativas especiais. 5 e 6 de Maio

Desde 2006, com o programa “oficinas Museu Aberto”, que o Sector Educativo do Centro de Arte Moderna tem vindo a desenvolver um trabalho importante e continuado com populações portadoras de deficiência e/ou doença mental, numa lógica de trabalho que pretende alargar acessibilidades, promover o museu enquanto espaço inclusivo e reforçar a ideia de uma educação artística como parte integrante da formação completa de qualquer indivíduo - um princípio que se prende com o direito de cidadania. Ao longo destes quatro anos o Sector Educativo do Centro de Arte Moderna tem assim desenvolvido trabalho com públicos muito diferenciados nas necessidades, desafios e exigências, e planificado e realizado um conjunto de oficinas criativas especializadas e diversificadas. Estas oficinas, que partem da colecção e exposições para descobertas e conquistas pessoais destes visitantes, complementando a experiência museológica com um trabalho oficinal, têm demonstrado que a capacidade questionadora da produção artística actual gera neste público respostas interiores e uma comunicação com evidentes reflexos terapêuticos e capacitadores de uma cidadania mais plena. Este curso de cariz teórico-prático pretende apresentar, discutir e explorar algumas das estratégias e metodologias seguidas pela equipa de necessidades educativas especiais do CAM, estimulando os formandos a: partilhar saberes; a adquirir ou diversificar ferramentas para uma melhor caracterização e um melhor conhecimento destes visitantes; a abordar diferentes metodologias de intervenção; - a experimentar alguns exercícios de oficina; e a esboçar propostas de trabalho com estas populações.
Uma formação dirigida a professores, terapeutas, mediadores culturais e a todos os educadores que trabalhem ou pretendam vir a trabalhar com estes públicos.
Concepção e orientação
Miguel Horta e Margarida Vieira
Programa DESCOBRIR

terça-feira, 6 de março de 2012

Contos no Milharado

Ontem foi dia de poemas e contos na escola se S. Miguel do Milharado (Mafra). Uma mão cheia de crianças e pais escutaram os meus disparates numa iniciativa da Biblioteca Esconderijo das Letras aberta a toda a comunidade da aldeia. Afinal todas as histórias de príncipes, reis e belas donzelas passaram-se na região saloia…até a bruxa era do Sobral! Gostei, mesmo!

quinta-feira, 1 de março de 2012

Oficinas criativas na Escola Professor Egas Moniz - Massamá

Pois tenho andado atarefado com um grupo de alunos do Agrupamento Prof. Egas Moniz (Massamá – Sintra) da unidade de ensino especial. Numa iniciativa da Divisão de Educação da Câmara Municipal de Sintra, tenho desenvolvido ateliês de expressão plástica e escrita com este grupo de crianças e jovens especiais. Este trabalho surgiu na sequência de uma série de visitas que as unidades de ensino especial de Sintra fizeram ao Centro de Arte Moderna ("Oficinas Museu Aberto"). Do retrato ao desenho coletivo (“Eu sou Tu”) passando por programas divertidos de computador (Voki e Wordle ), tudo tem servido para estimular, fazer pensar e contribuir para a transformação interior destes nossos amigos. Aqui ficam algumas imagens do trabalho desenvolvido numa destas tardes lá na Biblioteca Escolar da Egas Moniz.