quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Sentimento vegetal

Sempre fui recolector, curioso, enchendo o ateliê de objetos e salvados, alguns encontrados adormecidos na areia das praias. No inverno procuro por aqui e por ali pedaços de madeira, lenha que aqueça as noites deste estúdio por vezes muito frio. Crepitará alegre a minha salamandra.... Como não vivo no campo, deambulo pelas redondezas recolhendo o combustível que ajuda a secar as telas. Queimo troncos de roseira, interrompidos no seu crescimento em direção à beleza pelos proprietários Charnequeiros que por desfastio ou conceito estético se decidem a cortar o arbusto produtor de flores nos quintais das suas tristes e feias vivendas. São seres interrompidos, como se fossem pessoas a quem lhes é negada a continuação. Observo,…acaricio e entendo como se podem constituir como metáforas da nossa própria existência, também com cabeça tronco e membros. Leio os matizes e a involuntária expressão dos rudes golpes sobre os ramos. Inevitavelmente, algum deste sentimento vegetal irá parar à minha pintura.

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