sábado, 5 de março de 2011

A sementinha...

Braima Galissá
Vasculhou os meus bolsos e deixei… Talvez à procura de um rebuçado. “Miguel, porque trazes uma semente no bolso?” Pergunta a criança de olhos interrogativos. Respondo que tenho aquele feijão vermelho sempre no bolso porque é uma história. Assim trago sempre um conto comigo e nunca me esqueço do desenrolar da história. “Queres escutar?” Então, pego no feijão e conto “Elvira e a semente” (uma adaptação de uma história Indo-europeia). O meu feijão adivinhador dá boa sorte. Foi-me oferecido por Braima Galissá tocador de Kora, Mandinga. “E sabes como começa uma história na Guiné-Bissau, lá na terra dos Mandingas?” O contador de histórias diz para a assistência: “N’ dêdê”. E as pessoas respondem em seguida: “Dêsanê!”. Qualquer coisa que tem a ver com “Eu digo” e “eu escuto”. Às vezes também começam dizendo: “Tálin!Tálin!” (Adivinha! Adivinha!). Pois é assim mesmo que se deve regar a sementinha das histórias: com o público curioso e atento. Não te esqueças de oferecer um balaio cheio de fruta (Djakatu) ao contador de histórias, é assim que manda a tradição na Guiné.

2 comentários:

  1. Há pequenas coisas que são "o ovo de Colombo". Essa sementinha é perfeita!...
    Do mesmo modo resultam as fórmulas de contadores e público que se predispõem para contar/escutar.
    "-Adivinha!" - uma fórmula aparentemente tão simples... e tão essencial!...

    ResponderEliminar
  2. Não é necessário usar uma parafernália de objectos (ou decor) para contar uma história....mas uma pequena "coisa", onde a atenção se concentre, pode ser uma bela ajuda para um contador menos experiente.

    ResponderEliminar