terça-feira, 30 de novembro de 2010

Eu sou Tu (oficina)

Uma oficina onde se parte do corpo chegar à construção colectiva de histórias. Como misturar o meu corpo com o teu e com o dele? Claro, que só em grandes folhas de papel de cenário, recortando com um grafite grosso o nosso contorno, somando tudo no suporte. Poderemos acrescentar objectos, abrindo as portas a diferentes histórias. Tudo pode acontecer sobre uma grande folha de papel, de repente transformada no céu, no mar ou num cenário quotidiano onde as nossas personagens de repente ganham vida. Ao longo de 90 minutos aprendemos a trabalhar em conjunto, grupos de 5 elementos, talvez juntando tudo numa grande história final, um pouco projectiva da nossa existência… (exemplo em "Tásse a ler")
SPA:17777

Vera Alvelos


De vez em quando cá falo de mediadores culturais que admiro, é o caso da Vera Alvelos que conheci há muito tempo atrás no CPA (CCB). Temos desenvolvido oficinas em conjunto no Centro de Arte Moderna e cruzamo-nos amiúde pela vida. Prestem pois atenção a este video que aqui apresento sobre o projecto "Biblioteca de mala aviada".

sábado, 27 de novembro de 2010

Contos em Lisboa

Foto de Gisela Ramos Rosa
Para quem se queixa de eu nunca contar em Lisboa, aqui está uma maneira diferente de passar o serão de dia 3 de Dezembro (6ªfeira-21.30h): Contos e outras oralidades no "Quarto da Lua" em Campo de Ourique (Rua Almeida e Sousa nº 25 - cave - Jardim da Parada). está feito o convite!

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Avaliação...


Comentários sobre a minha oficina "Eu sou Tu" no projecto "Tásse a ler"...

"Roberto Cunha: eu adorei a actividade! você é marado da cabeça :))
João Esteves: eu gostei muito de saber mais coisas sobre a sua vida, por isso fiz tantas perguntas!
Joel Fernandes: eu gostei de dar uso à minha imaginação, pois não a usava há dois anos ... ou mais!
Tiago Alves: eu gostei da actividade porque foi muito interessante e diferente!
Eva Esteves: gostei muito da actividade porque foi totalmente diferente! Nunca tinha participado em nada parecido!
Vasco Nabeiro: foi muito à frente!
Miguel Fernandes: achei interessante e engraçado pois nunca tinha feito uma coisa assim!!!
Henrique Gonçalves: gostei da actividade porque nunca tinha contado uma história a partir do meu corpo!
Renata Mendes: achei a ideia muito boa, fazer histórias a partir de objectos e do nosso corpo...
Marcelo Rodrigues: como não tive que pensar muito ... gostei!
Filipe Afonso: achei esta actividade muito divertida porque foi totalmente diiiiiiiiiiiiiferente!
Filipe Alves: embora não tivesse participado muito nesta actividade, até gostei de ver os meus colegas a trabalhar!
Francisco Santos: foi espectacular!
Gabriela Gonçalves: foi muito divertido e o Miguel é bué da fixe."

sábado, 20 de novembro de 2010

Andarilhas: "No meio do caminho havia uma pedra..."


O Cante dos contos:Textos de António Torrado, José Fanha, Matilde Rosa Araújo e Carlos Drummond de Andrade

O 6ºE na Net!

Estive na Biblioteca do Feijó com uma turma bem divertida da escola da Alembrança. Durante hora e meia escreveram a partir de trechos sonoros que continham histórias sem uma única palavra na nossa lingua. Boa parte deles já frequenta a Biblioteca Municipal, por isso não acham estranho que apareçam por lá mediadores um pouco mal comportados... Resultado: uma série de textos bem engraçados que espero sejam publicados no blog da turma.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Quermesse Andarilha

Nas “Palavras Andarilhas” (encontro fundamental para conferir práticas de mediação do livro e da leitura que tem lugar na cidade de Beja) apresentei uma “quermesse de contos” nas Portas de Mértola, mesmo no coração da cidade. Tínhamos debatido entre nós qual o modelo de intervenção directa a aplicar na cidade em prol da promoção do livro e da leitura. A minha primeira ideia foi rebatida por dois ilustres mediadores: a Cristina Taquelim e o Maurício Leite. Assim ficou desenhada esta ideia que passo a relatar: Montámos o “arraial” na praça com uma cestinha de rifas (gratuitas, como o empréstimo domiciliário) que continham poemas de António Aleixo, pensamentos de Agostinho da Silva e textos de Teresa Martinho…bom, de vez em quando lá saía uma rifa com um doce e claro, o transeunte tinha direito ao rebuçado. Mas o grande sucesso foi o “Jogo da pesca”. Um alguidar com areia dispunha vários peixes coloridos, cada um com o seu prémio: Um livro, um rebuçado, um conto (aí tínhamos que contar a história em voz alta na praça), um texto (a Cláudia Sousa pegava no livro e lia) ou um poema que declamei da melhor maneira que soube naquele Sábado ensolarado sob o olhar curioso de quem passava. Entretanto o Nelson Batista orientava os pescadores de palavras na difícil arte da captura de histórias. Conseguimos juntar um bom número de habitantes de Beja e confirmámos a possibilidade da ferramenta…
Aqui na visão de Pedro Horta

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Fora de cena quem não é de cenas!

A abrir esta nova temporada do projecto “Tásse a ler” resolvi abordar o texto dramático, muito por influência do meu Retratinho de Amílcar Cabral”. Como criar uma oficina curta que introduzisse a escrita teatral entre os jovens? Peguei nos “Emoticons” habituais no Messenger e nos telemóveis e atribui a cada um o valor de personagem. Cada jovem participante escolheu o seu “smile” ditando o carácter da personagem que iria encarnar. Depois, foi escolher o local onde a cena se passava: um restaurante, o inter-cidades, o Centro de Saúde, a Biblioteca… enfim todos os cenários foram possíveis para a escrita da peça. E funcionou! Hora e meia depois, de "smile" à lapela, já tinham o esboço da peça e ri-me com gosto das situações que criaram. Ora espreitem o ambiente aqui no “Tásse a ler”.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

O jogo da poesia

Este verão, numa oficina de escrita imaginativa que orientei nas “Casas do Visconde” (Canas de Senhorim), propus às crianças uma variação sobre a “máquina da poesia” que apresentei atrás: “O jogo da poesia”. Mais fácil de transportar e pode ser jogado à sombra de uma árvore.
Pegando nas categorias apresentadas no quadro da “Máquina da poesia” (com algumas variações), pedi que me fizessem um jogo de cartas de diferentes cores e que ilustrassem cada palavra escrita. Assim apareceram cartões de cores diferentes para cada categoria de palavras. Azul para objectos ou elementos, amarelo para personagens, rosa claro para verbos, magenta para adjectivos e verde claro para lugares. Como o jogo foi todo feito por eles, as cartas saíram um pouco desiguais mas cheias de expressão gráfica. Depois, toca a baralhar, a partir e a dar as cartas a cada um dos jogadores. Cada um põe a carta na mesa de forma a construir uma frase bonita ou interessante. Cada jogador utiliza uma carta na sua vez, se não conseguir passa a vez a outro. Partindo da fotografia apresentada, aqui fica um exemplo de como poderia ficar a jogada completa: “Soldado alto vê flor a arder” ou “o urso vê o vulcão a arder no alto”. Se todos concordarem…coloca-se o ponto final.
Como o jogo é feito pelos participantes eles envolvem-se bastante com a ideia. A figura do mediador como árbitro neste jogo é muito importante; esclarece dúvidas e mantém o controlo gramatical nas frases construídas.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

A "Máquina da poesia"

Foto cedida pela Rede de Bibliotecas de Almada
Cumprindo apromessa que fiz durante o encontro Eterna Biblioteca em Sintra, aqui fica a prática referida durante a nossa manhã agitada...
O mais interessante de uma receita é ela ser ponto de partida para novos cozinhados a pensar em comensais específicos. Vem isto a propósito da metodologia que uso em “a máquina da poesia” que pretende trazer gente reticente para o terreno da escrita e da leitura de poesia. Ponto de partida, a leitura atenta de "70+7 propostas de escrita lúdica", de Margarida Leão e Helena Filipe (Porto Editora), um livro bem útil para mediadores do livro da leitura e da escrita. Daqui surgiu esta forma de actuar que tenho aplicado com crianças, jovens e adultos em diferentes contextos, das prisões aos bairros “problemáticos” passando pelas bibliotecas públicas e escolares. Um método simples mas que necessita energia mediadora numa interacção afectiva com o grupo de participantes.
Aposto sempre com Eles que os consigo transformar em poetas em 30 minutos! Sucedem-se sempre as expressões incrédulas… Então apresento a minha “máquina da poesia”, que desenho numa folha de papel de cenário, afirmando que se trata de “um mecanismo muito sofisticado”. E lá aparece um grande rectângulo vazio desenhado no papel. Afirmo que a máquina é formada por várias partes e completo o esquema:
Como se pode observar a divisão 3 encontra-se subdividida.
-De que é composto um poema? Que matéria-prima deveremos colocar na “máquina” para produzir poemas? Com que é que funciona esta “máquina”?
-Palavras! Claro. É preciso introduzir palavras.
Peço a cada participante que introduza uma palavra (um nome, substantivo, personagens, espaços, objectos…) na primeira divisão (casa 1): dou o exemplo com a palavra “Palavra” e acrescento “poeta”, “sol”, “onda”, “ideia”… (por exemplo). Com a ajuda de um marcador grosso cada participante escreve uma palavra. Explico de seguida que a casa 2 será ocupada com verbos, a casa 3A de novo com nomes à semelhança da casa 1, a casa 3B com nomes abstractos (exemplifico com: “sabedoria”, “Amor”, “coragem”, “sabor”, “inteligência”…) e a casa 4 com adjectivos.
Ficamos com o quadro preenchido, fruto do contributo de todos.
Claro que as palavras mudam consoante os grupos. Alguns “engraçadinhos” colocam “bagaço” na máquina…mas ela não avaria…
Então dou um exemplo usando o quadro transversalmente para criar uma frase poética: “gato sonha na escuridão amiga” ou “poeta beija livro secreto” (…). Proponho que brinquem com as diferentes hipóteses, mesmo que pareçam estranhas. Poderão colocar artigos e preposições, alterar o tempo dos verbos e, até alterar a ordem do quadro (tabela). E não precisa de rimar para que seja uma poesia.
Acompanho todo o processo de ida ao quadro à procura de palavras e respectiva escrita, puxando aqueles que têm mais dificuldade ou explicando como um nome abstracto se torna num adjectivo (Ex: sabedoria – sábio). Entretanto os “engraçadinhos” já escreveram “Bagaço faz o escritor tonto”… previsível... Proponho que pensem noutra versão: “Bagaço derrota conhecimento profundo”. Porquê? Pergunto. Neste ponto do trabalho é importante que o mediador esteja no meio dos participantes de forma muito atenta. Existem momentos pedagógicos que não se podem perder, nem que seja para explicar a ortografia de uma palavra ou levantando a auto-estima de um participante.
Peço escolham as cinco melhores frases que cada um escreveu. Fazemos então uma leitura em voz alta. Nesse ponto chamo a atenção para as imagens que são convocadas pelos textos, esse é o cerne da poesia: os largos horizontes…não é necessária a rima: Imaginem o desenho que fazem na cabeça!
Proponho ainda mais dois exercícios:
-Quem escreveu versos com golfinhos? - pergunto. Juntamos todos esses versos encadeados num só poema e é feita uma leitura em voz alta. O resultado é muito engraçado.
-Quem escreveu frases com a palavra Amor? - Repete-se o procedimento perante o olhar surpreso dos participantes…tudo em 30 minutos. Vejam lá se eu não ganhei a aposta….
De seguida pego num livro de Haiku japonês e leio… São parecidos com os nossos poemas! – Alguém diz. Pois são…
Como última sugestão, desafio aqueles que não gostam assim tanto de escrever que ilustrem as melhores frases saídas da sessão. Mais tarde, este material poderá ser publicado no blogue da biblioteca escolar ou noutro qualquer suporte.
Na Biblioteca Municipal de Beja, a 21 de Março de 2010, Dia mundial da poesia, os poemas produzidos pelo grupo participante foram “atados” às patas de pombos correio e enviados para freguesias distantes da cidade onde outros autores os receberam lendo as mensagens poéticas (projecto Columbina). Pouco depois, era a vez dos primeiros poetas receberem frases vindas das freguesias da periferia.


terça-feira, 2 de novembro de 2010