quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Retratinho de Amílcar Cabral

Mumini Djaló e Braima Galissa

Suzana Branco e Galissa

Tozé Barros
Aproxima-se a data da estreia de “Retratinho de Amílcar Cabral”, peça em que tenho posto toda a minha energia. No princípio da semana, o Tozé Barros caiu de um andaime nas obras (4 metros…); é que ele é trabalhador da construção civil de dia e à noite actor. Ontem esteve combalido nos ensaios, tinha tonturas e o corpo moído: Para mim, este jovem de Órgãos (Santiago – Cabo Verde) é um herói.
Durante os ensaios, mestre Galissa (músico Mandinga)vai passando a calma e a sabedoria ao som do kora, tem dado serenidade ao longo da construção desta mensagem que a todos toca profundamente. No começo de um ensaio tivemos a vista de Munini Djaló que me ajudou a trazer o ambiente da mata da Guiné para o palco. Prometi que faríamos uma apresentação convidando os fieis da mesquita e o grupo da cidadania participativa da Cova da Moura. Suzana Branco vai encenando o nascimento da peça com a sua força alegre. Domingos de Morais passou-nos muito afecto e crença num ensaio a que assistiu: fiquei sensibilizado. Estão três nacionalidades em cima do palco, tal e qual Cabral desejaria…
Por mail, os amigos desejam-me "muita merda" para a estreia.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Tásse a ler

Tozé e as histórias do búzio. Nunca me esquecerei do texto que ele escreveu sobre a vela e a vida.
Hoje quero falar-vos de um projecto que tem ocupado boa parte da minha vida: “Tásse a ler”. Ora este projecto situado no Vale do Minho engloba cinco concelhos: Monção, Melgaço, Valença, Vila Nova de Cerveira e Paredes de Coura. Sou o mediador de serviço! Assenta num eixo fundamental para a promoção do livro e da leitura: Biblioteca Escolar – Biblioteca Pública. Uma ideia que conta com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian; terá o seu término em Abril de 2011. Levar a leitura e a escrita a jovens com pouco interesse em “produtos culturais”, promover a rede de leitura pública como lugar de fruição cultural, apoiar a biblioteca escolar. Tenho desenvolvido uma oficina que baptizei de “escrita mal comportada”, propondo metodologias alternativas de sedução para uma escrita imaginativa. Livros pouco comuns também são trabalhados nestas sessões, em continuidade, com alunos do 7º ano, 8º ano e de escolas profissionais. Também apresento o “Eu sou tu” (ateliê de que falarei em breve neste espaço virtual) com turmas CEF. Mas o maior gozo, foi contar histórias em bares com o Thomas  Bakk; quem lá estava, podia fazer o seu cartão de leitor e requisitar logo ali os livros que expusemos nas mesas. A Biblioteca Municipal saiu à rua! O melhor é espreitar o Blog do “Tásse a ler” para se ter uma ideia do que vimos desenvolvendo.
Biblioteca Municipal de Valença . Por cortezia da DREN (Carla Tavares e José António Silva)

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Caça Texturas

Festival das aldeias Vinhateiras
Oficina onde se cruzam as artes plásticas e a intervenção urbana.

Nunca esquecerei as duas primeiras intervenções: uma em Viseu, percorendo a Rua Direita toda, pela mão do Teatro Viriato, a outra, a convite de Madalena Victorino, na zona envolvente do CCB (CPA) em Lisboa.

À procura de texturas e sinais, que um pouco por todo o lado, se encontram no chão e nas paredes da cidade. Como se fizéssemos aparecer a imagem de uma moeda num papel, riscando com um lápis. Munidos de grandes folhas de papel e barras de grafite, os participantes partem à procura de texturas pelas ruas, jardins e praças da sua cidade. Tampas em ferro dos telefones, água e esgotos, baixos-relevos de motivos variados ou texturas naturais. No fim da manhã, reúne-se a colecção que se conseguiu “caçar” nas folhas de papel, falando sobre a sua origem e função. E porque não montar uma exposição?
Procurar uma cidade invisível que passa por debaixo dos nossos passos apressados. Conhecer a origem de cada descoberta feita pelas ruas, desvendando a história da cidade. Estimular o olhar atento e a sua relação com o desenho. Desenvolver a cooperação entre o grupo. SPA 17777

sábado, 23 de outubro de 2010

Barcelos

Ao longo de dois dias andei pelos quatro cantos do concelho de Barcelos, de escola em escola, levando os meus ateliês e conversando com os alunos sobre o meu trabalho. A dinâmica da Biblioteca Municipal de Barcelos é evidente; no futuro, todo este trabalho de promoção do livro e da leitura dará os seus frutos. Muito deste sucesso deve-se a uma mediadora cultural discreta mas acordada: Ana Brito. Notei que havia muita pesquisa feita nas escolas sobre a minha obra; as questões postas pelos alunos foram bem interessantes, algumas difíceis de responder. Nota-se a qualidade das bibliotecas escolares e o empenho da autarquia.

Viatodos: estavam lá todos para os contos...

Numa época em que a condição de professor Bibliotecário é tão atacada pondo em causa o trabalho desenvolvido pelas Bibliotecas Escolares, foi com grande agrado que participei num fim de tarde único em Viatodos, Barcelos. Quando me convidaram para contar histórias ao fim da tarde para a comunidade (pais e filhos) pensei cá para comigo que ninguém iria aparecer aquela hora; jantar por fazer, outros afazeres da casa e tantas outras ofertas lúdicas… Enganei-me. Aos poucos foram chegando adultos e crianças até perfazerem um número aproximado de oitenta participantes, isto às 19 horas de um dia de semana…. Lembrei-me de umas palavras escutadas a Teresa Calçada (RBE) durante um encontro do PNL em que incentivava as Bibliotecas Escolares a intervirem no coração das comunidades locais. Ficou provado nesta sessão de contos bem concorrida a direcção certa em que se caminha em Barcelos. Com este exemplo ficamos com a ideia da qualidade de trabalho feito pela Professora Bibliotecária e pela equipa de animação da leitura da Biblioteca Municipal. Parabéns!

Vila Real em filacteras...


Continuando o meu percurso pelo país fora, estive em Vila Real (Trás-os-Montes) para mais uma oficina “Filactera, meu Amor!” (DGLB). Gostei de trabalhar logo pela manhã com um 7ºano “bem à frente”, de vocabulário rico e poucos soluços ortográficos. Ficam aqui estas duas imagens como testemunhas do dia passado na Biblioteca Municipal.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Recolectores em Condeixa e uma rapariga apaixonada...

Encerrei em Condeixa este ciclo de apresentações de "Recolectores de palavras"... O Outouno já vem por aí e torna-se um pouco molhado andar pelas ruas a coleccionar palavras de folha de papel e grafite na mão... Gostei de trabalhar com o 7º ano, sempre com a voz de Inês de fundo (escutando-se a grande distância) apaixonada, quase a pegar fogo, lembrando a minha Lídia (Ai Vilão que me roubaste o coração!). Agitámos a vila com a nossa pequena invasão poética. Até à próxima.

Pinok e Baleote

Agora que está aí a 3ª edição do livro, deixo-vos com as palavras de Rui Grácio:
"Agora o momento é de «Pinok e Baleote». E, como não me cabe propriamente fazer a apresentação do livro, limitar-me-ei a realçar alguns pontos que me fizeram apostar, enquanto editor, na publicação deste livro. Em primeiro lugar, o impacto inicial que tive quando li a história foi a de estarmos perante um texto que de algum modo conta à moda antiga. E isto é um elogio. Quando digo à moda antiga, refiro-me à multidimensionalidade formativa da história, à ausência de concessões ao imediatismo facilitista que tantas vezes se vê, à aposta numa narrativa consistente que nos cativa e nos envolve e que não vive de truques mais ou menos artificiais para manter viva a atenção dos leitores. Pelo contrário, encontramos em «Pinok e Baleote» uma linguagem simples e adequada à realidade e ao ambiente que descreve e no qual se passa a acção. Com este aspecto é também consonante o tipo de ilustrações que o autor desenhou e que aqui e ali vão complementando instrutivamente e configurativamente o livro. Em segundo lugar, a história, passando-se em Cabo Verde, tem o mérito de nos colocar perante uma cultura diferente da nossa (apesar de Cabo Verde pertencer também ao espaço da lusofonia) e de enfatizar como essas diferenças culturais se reflectem nos dialectos ou formas de linguagem locais. A referência ao Crioulo aparece, neste livro como valorização das diferenças culturais, reflectidas em modos de vida, de estar e de sentir com características próprias e, simultaneamente, como forma de estabelecer uma ponte ou uma comunhão entre culturas. E esta ponte é estabelecida com mestria, pois leva o leitor para um plano de curiosidade e de humor ‹ acha-se giro ‹ e, da mesma forma que ensina coisas novas (lá estamos nós a consultar o glossário que aparece no fim do livro), faz sentir a afinidade com as formas de vida e de sentir veiculadas por essa forma de dizer. Em terceiro lugar, a eleição dos próprios núcleos temáticos da história faz-nos equacionar questões e problemas que, transcendendo a questão da multiculturalidade anteriormente referida, colocam em latência questões de dimensão mais abrangente e planetária: a relação dos homens com os animais (sejam estes baleotes ou também homens) e, mais genericamente, a harmonia e os laços de solidariedade que em torno da natureza se podem estabelecer. É que, nesta obra, vemos baleias a ajudar os homens, encontramos homens a tentar caçar baleias, assistimos à mobilização de homens para defenderem a ajudarem as baleias e, no meio de tudo isto, salta a ideia de que há uma ordem a preservar e que, afinal, há valores que vale sempre a pena defender. Em quarto e último lugar, o meu contacto com a obra deixou-me convencido que estava perante um texto com potencialidades pedagógicas inegáveis, não só por tudo o que anteriormente referi, mas, também, porque me parece merecer ser considerado um apetecido instrumento de trabalho para todos aqueles que se dedicam à nobre missão de educar e de levarem aos pequenos espíritos ainda em formação as sementes do crescimento. Sou dos que acredita que sem a cultura e, dentro dela, sem o despertar para o gosto e as possibilidades de aprendizagem veiculadas pelo livro e pela leitura, mas também, para a dimensão critica que essa formação deve incluir, não poderá haver crescimento saudável, ou seja, que tende a comemorar e a preservar a vida. Por todas estas razões considerei que o livro do Miguel Horta «Pinok e Baleote» reunia um conjunto de méritos que impunham que fosse levado à partilha. A sua edição, do meu ponto de vista, corresponde à expectativa desta obra se poder juntar ao conjunto de muitas outras obras que contribuem para enriquecer a nossa cultura porque são portadoras daqueles momentos mágicos que, no aconchego da memória, nos acompanham no percurso das nossas existências."
Rui Grácio

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Nas margens do ribeiro

Foto cedida pelo Museu de Arte Moderna de Sintra - Colecção Berardo - exposição de Erich Kahn
Hoje fizeram-me perguntas sobre a minha condição de Mediador Cultural em paralelo com a minha condição de Artista. Quem me conhece, sabe bem do ribeiro de palavras que daí transbordou como resposta. Uma última pergunta ficou ali suspensa, entre o ouvido da perguntadora e os lábios de quem responde: “Este trabalho de mediador activo no terreno não é coisa para gente nova, numa fase momentânea, que depois hipoteticamente se cansam e ocupam outros lugares, mais de topo, com o chegar da idade?” Pois eu acho que a vida ganha sentido com a comunicação e pretendo continuar no activo durante muito tempo. Não me vejo sem comunicar com o outro e dele receber um sinal de volta. Na arte contemporânea “fazemos acenos ao Futuro” (Pedro C. Reis) e na mediação, mais não fazemos do que preparar para a mensagem. Revejo-me nesta condição dupla, ao tentar quebrar o laço frio do isolamento na sociedade actual. Todos nós Mediadores e Artistas queremos uma cidadania da cultura; gente que saiba agir sobre o Planeta, com pensamento próprio e vontade de gerar transformações num Mundo em mudança e fractura. Se fosse para manter tudo da mesma forma, seria um pintor decorativo, e em vez de um mediador, um ocupador de tempos livres com banalidades consensuais. E sabem que mais? Sou feliz assim: partilhando o gosto pela arte e literatura, trazendo mais gente para o território dos acordados e produzindo obras de arte para que vocês lhes acrescentem mais sentido, "derrotando-me" com novas propostas e outros pontos de vista. Estamos todos vivos no final deste conceito ocidental de civilização; procura-se uma nova forma de gerir a orbe e toda a comunicação é necessária. O ribeiro de perguntas e respostas segue seu rumo imparável em direcção à foz e eu…pesco trutas nas suas margens.

sábado, 9 de outubro de 2010

Portalegre, 7 de Outubro

 
Comecei o dia espreitando o céu carregado de nuvens… e se chover? Lá teremos de cancelar o “Recolectores de palavras”... Mas o sol rompeu em Portalegre e lá nos fomos pelas ruas fora recolhendo palavras. Um 6º ano agitado mas alegre recolheu palavras em cartazes de touradas, numa “ilha ecológica” que forneceu muito material, em sinais de trânsito e interpelou pessoas que por ali passavam…chegaram mesmo a entrar no governo civil onde a polícia respondeu com um sorriso à turma irrequieta… No final lá fizeram os poemas em grandes folhas de papel de cenário. Aqui ficam alguns exemplos do que foi “escrito”:

Bom dia ! Super Mãe !
Flor Nacional !
O melhor café sempre encanta a Amizade
Tinha saudades da Primavera.

Bom dia Marina, moura.
Neste espaço europeu fazemos uma homenagem, à maneira, à juventude, ao pai, à mãe, aos filhos, aos amigos e à saúde.
Com amor feliz, alba paz, de atalaia pela educação, saúde, cor.

No parque da Quinta,
Cavaleiros em segredo
Lutam pela Paz

Envio emoções
Para os amigos
Com livros de aventuras

Dois anos de verdadeira cultura moderna
No espectáculo da Juventude
A soltar sete segredos de Leitura.

A cor do carro vistoso
Reside no Sol, sim !

Amor mata fundo na noite de férias.
O especial carinho da juventude
Correio, amizade, carinho, Paz, felicidade.

Uma iniciativa da Biblioteca Municipal de Portalegre integrada no Programa de itinerâncias da DGLB, com a presença do Professor Bibliotecário (!)

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Dia positivo!

Foto cedida pelo Teatro do Campo Alegre (Porto)
Esta oficina surgiu em Viseu (2004), no Teatro Viriato, como resposta a um desafio feito por Ana Lúcia Figueiredo para o festival "Mariposas". De lá para cá, muitas foram as apresentações deste projecto: no Teatro Municipal da Guarda (com necessidades educativas especiais), na companhia "Comédias do Minho (em contexto formativo), no Teatro do Campo Alegre (pela mão de Susana Menezes) ou no "Espaço do Tempo" terminando com uma grande projecção feita sobre a parede branca do Convento da Saudação. Eis como funciona: Usando a técnica dos slides directos, sugere-se um ponto de partida muito pequeno, uma película de acetato, para a criação de imagens. Usando tintas de vitral, marcadores, pequeníssimos objectos (encontrados dentro e à volta do espaço cultural), elementos vegetais e registos iconográficos; vão-se construindo as imagens sobre películas de acetato que posteriormente serão encaixilhadas. No final, os diapositivos serão projectados, entendendo-se o seu sentido cénico. Com a ajuda de grandes panos brancos (lençóis) os participantes transformam-se em projecções vivas das suas imagens experimentando o movimento do corpo em palco Spa: 17777

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

"Recolectores" em Lisboa!

Fotos cedidas pela divisão de bibliotecas de Lisboa (BLX)
Pois lá andámos a recolher palavras por Lisboa… E como soube bem voltar à minha cidade e reencontrar colegas animadores dos tempos em que trabalhei com as Bibliotecas de Lisboa (BLX)… A “Recolecção” começou na Biblioteca Camões”, espalhando-se pela área envolvente, terminando no largo de Camões. Uma manhã bastante concorrida! O sol brilhava, um belo dia para recolher palavras para uma poesia colectiva.
Como funciona o “Recolectores de palavras”? Pois bem, os participantes partem para as ruas, recolhendo palavras esquecidas em velhos jornais poisados nas mesas dos cafés, recortando palavras de cartazes colados nas paredes ou capturando a textura de uma palavra impressa em relevo numa placa esquecida de uma estátua, ou letreiro de loja. Pelo caminho, interpelarão transeuntes, perguntando qual a sua palavra mais querida, a mais importante ou ainda aquela com que acordaram naquela manhã. Uma hora depois voltam á biblioteca e começam a fazer o seu poema colectivo, em pequenos grupos, numa grande folha de papel de cenário. Tesoura para aqui, cola para acolá, opinião do menino, opinião do avô e da mãe ou do namorado, colam ou registam as palavras na folha dando corpo ao poema. Gosto muito deste trabalho colectivo e da sementeira de comunicação que esta oficina gera… Spa: 17777