sábado, 21 de agosto de 2010

Uma semana de palavras bravas

É muito difícil captar a atenção das crianças do bairro da Cova da Moura para a leitura…mas o conto é mágico. Nem imaginam como estou contente por conseguir ter mais de 30 crianças bravias (no último dia de intervenção) sentadas no chão da nossa biblioteca infanto-juvenil durante hora e meia a escutar histórias. Durante a semana trabalhei diversos livros em pequenos grupos, ilustrei poemas e desenvolvi com eles algumas brincadeiras de escrita e ilustração a partir de sons, aparentemente abstractos. Apesar do terrível calor que se fazia sentir, a equipa do Moinho da Juventude conseguiu cativar estes meninos e meninas num conjunto de actividades bem coordenadas que têm ocupado o tempo de férias.
Um projecto apioado pela DGLB.

Natacha

Terminou mais um ciclo de oficinas dedicado às nossas famílias especiais no Centro de Arte Moderna. Para o próximo ano lectivo retomaremos este projecto de forma renovada, com novas ideias e sempre com muita atenção às características individuais de cada participante. Este espaço de criatividade e convívio com o Museu já se afirmou, sendo crescente o número de famílias que nos procuram. Valeu a pena, nem que seja para ver a Margarida Vieira transfigurada em "Natacha", uma bela bailarina que António Soares retratou em 1928. Foi como se aquela mulher tivesse saído do quadro e comunicado com as nossas crianças especiais...

Uma palavra de agradecimento para as nossas brilhantes estagiárias, Ana Xistra e Lucia Forno: provam que é possível cativar os jovens para este trabalho difícil, mas delicadamente belo.
O trabalho com instituições e outros grupos organizados vai continuar com novidades: uma nova oficina na continuidade de "Com pés e cabeça"... Lá vos espero nas "Oficinas Museu Aberto"

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Ágora (poema para as "Palavras Andarilhas")


Quero de novo a ágora
preenchendo os nossos espaços
sílabas batidas
entre lábios e dentes

Quero
o sorriso concordante
a gargalhada dissonante
e o tempo de partilha
numa ilha feita gente

Quero
o momento do contacto
com o outro ao meu lado
num só acto
E responder-te
do fundo do palato:
É comunicando que se aprende!

Miguel Horta in "Transversais"

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

De casa às costas...


Quando uma oficina corre bem, desde o pensar à realização, ficamos muito contentes, nós, os mediadores culturais. E assim foi com a Vera Alvelos, na nossa oficina "de casa às costas" (sobre o nomadismo e a sua relação com a Arte), que teve lugar no CAM (Fundação Calouste Gulbenkian) neste Verão. Desde Jorge Barbi, que sinto quase como se fosse da minha família, só por lhe respirar as intenções da obra, até a Sónia Delaunay andarilha na Europa, tecendo cumplicidades em "circulos órficos", tudo foi motivo para propor às crianças uma outra forma de viver o museu em tempo de férias, sob o signo do nomadísmo criativo.
Assim, não foi estranho ver uma tribo de crianças nómadas montando a sua tenda temporária no meio do jardim da Fundação; um abrigo pintado por eles sobre superfícies de tecido, que agrupadas constituiam uma enorme tenda. Ou, como resolveram completar a "casa em construção" de Cabrita Reis, inventando até uma forma de a mover por esse mundo fora....
Mas o momento de que mais gostei, foi a corrida de caracoletas! Perfilaram-se sobre uma tábua lisa em pistas distintas, cada uma com o nome dos nossos participantes e galgaram, na sua velocidade peculiar, os centímetros que as separavam da meta, sob o olhar de um público exultante. Umas foram batizadas de "Flash" ou "Seiláoquê" (esta demonstrou ser uma grande corredora de fundo). No final, estes simpáticos gastrópodes foram libertados,  para que continuassem a sua viagem pelos jardins do museu. Algumas crianças nunca tinham pegado num caracol e, de repente, já os bichinhos trepavam lentamente sobre os braços corajosos....
Como calculam, nem sempre é fácil capturar caracoletas para actividades pedagógicas...tive de pedir ajuda à minha amiga Paula que tem um restaurante especializado neste tipo de animais: a "Fonte Luminosa". estas primas do caracol ganharam a liberdade em nome da cultura...