quinta-feira, 22 de julho de 2010

Nevão na praia

Técnica mista (óleo e têmpera) s/ tela - 100x150 - Colecção particular-Ericeira

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Oriental

"Oriental" - acrílico s/ tela - 65x90

Lapa

Técnica mista sobre tela com lapa (pequeno formato) - Colecção particular - Ericeira

terça-feira, 20 de julho de 2010

Tenho Passado por aqui...

Uma alameda estreitinha e frondosa conduz-nos a um pombal que deve ser contornado para se chegar a um terreiro de grandes árvores com a velha casa de granito ao fundo. Estamos nas “Casas do Visconde” em Canas de Senhorim uma vasta quinta no coração desta vila da Beira Alta. Talvez lhe chamasse centro cultural, mas sinto a “quinta” como um lugar de afectos para além da vivência artística. Pitum e Lira Keil do Amaral sempre nos recebem afavelmente e tudo o que vai acontecendo durante a estadia é serenamente fantástico. É difícil, nestas linhas, descrever a atmosfera particular com que se revestem os dias quando por ali estamos ou falar de tudo o que vai acontecendo. Relincha o cavalo entre as oliveiras e um grupo de alunos crescidos dirige-se para a oficina de ourivesaria. Arrulha a rola na copa dos plátanos e um grupo de habitantes da vila transforma-se em actores, ensaiando uma peça no salão, igualmente lugar das refeições em colectivo; na parede uma placa improvisada assinala a passagem divertida de Terry Gilliam (dos Monty Python) pela quinta. Ladra alegremente uma matilha pacífica de diferentes cães, em escala e personalidade, saltitando em torno dos visitantes que vêm para o turismo de habitação. Ouve-se o riso das crianças brincando na piscina e o sino da Igreja toca as horas, as meias e os quartos; uma monitora chama os meninos para uma sessão de pintura ao abrigo de um telheiro junto à casa-mãe. Quando a noite cai, apetece levar uma cadeira para o prado e ficar ali a falar baixinho, olhando um céu pejado de estrelas. Há quem diga que a casa grande tem fantasmas que habitam os seus corredores e quartos, mas devem ser umas criaturas muito especiais e satisfeitas por conviverem com a poderosa imaginação dos seus moradores.
Tenho Passado por aqui…

quinta-feira, 1 de julho de 2010

O homem que escutava as árvores


Valeu a pena procurar Amílcar Cabral no mundo e redescobri-lo em conversas na esquina da S. Francisco Xavier (bairro da Cova da Moura) com Mumini Djaló, muçulmano Fula dono de mercearia, que me interrompia delicadamente o diálogo à hora do Corão. Djaki e Luísa estiveram lá acompanhando o tecer das palavras. Assim nasceu a minha peça "Retratinho de Amílcar Cabral" (O homem que escutava as árvores).
-Mumini! Hei-de levar o Sumbuiá para a estreia, relembrando-me da importância de sermos livres!...

Mika, um jovem Guineense (filho de pai Cabo-verdiano e mãe Guineense) regressa à sua tabanca de nascimento e senta-se à sombra do Polon. Vai conversando com a grande árvore e com o público, construindo aos poucos uma imagem de Amílcar Cabral e dos conturbados tempos da guerra colonial. Através da metáfora da floresta, simbolizando um país independente, visitamos a independência de Cabo Verde e da Guiné bem como o pensamento do grande estadista. Uma peça em português com a presença do Crioulo de Cabo Verde, embalada pelo som do Kora de Galissa, mestre Mandinga que o tocará no palco. O actor, Tozé Barros nasceu em Santiago residindo actualmente no bairro da Cova da Moura (Amadora); a ele compete a difícil tarefa de um quase monólogo nesta peça infanto-juvenil, envergando o gorro a que Cabral nos habituou, o Sambuiá. Uma peça escrita para o Teatro Mosca, integrada na série “Retratinhos” e encenada por Suzana Branco.